Altis Reloaded

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É sabido que a democracia por estes dias não arrasta as multidões que devia, e os aparelhos partidários são os primeiros a dar sinais da podridão do regime. Tanto que os seus "pastores"-mor já nem aprendem com as vergonhas passadas, e abrem alas para os repetidos postais degradantes da paisagem social minhota. Ora a estes jornalistas da SIC, com memória de elefante e cheiro para coisa, que não esperam por perseguir os habituais peregrinos e a suas respostas distraídas, talvez lhes escape que a esta gente - como a quase toda - a política já não interessa; e sem nada para fazer pela leira, não olham o dente um passeio de borla, mesmo que para fazer monte numa missa campal qualquer.

Pela Igualdade de Direitos

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Movimento Pela Igualdade - mpi

Decorre por esta hora a apresentação oficial do Movimento pela Igualdade, uma iniciativa cívica que pretende promover a igualdade no acesso ao casamento civil, lutando contra a homofobia e a discriminação. Trata-se de uma manifestação genuína da sociedade civil que pretende pôr fim à marginalização imposta pela actual lei e pela prepotência das crenças que alguns querem impor a todos.

Tal como pode ler-se no manifesto, «exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.»

É uma grande honra poder integrar a Comissão Promotora deste Movimento, conjuntamente com o Cláudio Rodrigues, o Vítor Pimenta e muitas outras personalidades da nossa vida pública. A luta contra a homofobia, tal como sucedeu com a luta contra o racismo e contra a discriminação das mulheres, é um imperativo dos nossos dias que tem que marcar a agenda mediática das próximas Eleições Europeias e Legislativas.

Pode subscrever o Manifesto pela Igualdade clicando aqui.

A ler: Igualdade.net (site oficial); José Saramago, Lídia Jorge e Daniel Sampaio apoiam, no Público; De Saramago a Sousa Tavares, todos pelo sim, no i; Novo movimento defende casamento, DN; Movimento pela Igualdade junta mais de 800 nomes, no Expresso; Movidos pela igualdade, por Fernanda Câncio; Pela Igualdade, por Daniel Oliveira.

Dois Ponto Zero | 26

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A ler: Os Assuntos da Zona Pélvica, por Palmira F. Silva; Soberania, por Henrique Raposo; Liberdade de Expressão, por Tomás Vasques.

Revista das Europeias 2009: PP à frente do PSOE, no Público; El PP aventaja al PSOE por 3,7 puntos, no El Pais; PP y PSOE empatados, em La Vanguardia.

Darwin's Impact

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CHARLES DARWIN por BELLA TIERRA.
© Bela Tierra

O Congresso Internacional Darwin's Impact on Science, Society and Culture - a 21st Century Reassessment é organizado pela Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica entre os próximos dias 10 e 12 de Setembro. A iniciativa pretende assinalar os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação da obra A Origem das Espécies. O congresso está a aberto à apresentação de comunicações livres. Mais informações no site oficial do evento.

A Criança no Divórcio | 2

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"As pessoas já não se casam na premissa de que é para toda a vida, mas antes de que é enquanto durar. Se não correr bem, divorciam-se e podem recomeçar de novo" [Adelaide Guitart]

Mostram as conclusões do estudo que, na Europa, esta medida [fim da figura da culpa] levou, em média, a mais 30% de processos para uma taxa de 7,3 divórcios por cada mil habitantes. "É natural que esta facilitação faça disparar o número de divórcios" [Jorge Pinheiro]

"Não me parece que as relações se extingam mais depressa, mas a democratização do processo de divórcio faz com que as pessoas tenham mais padrões comparativos" [...] "O divórcio não é nenhum atentado, não ataca o tecido social, bem pelo contrário. Antigamente a sociedade estava cheia de famílias podres. E isso é muito mais grave do que as famílias se restruturarem" [Victor Claúdio] [i]

As pessoas são livres para se casarem e, agora independentemente de qualquer violação dos deveres conjugais, para romperem o casamento, se assim o entenderem. O facto de a lei tornar o processo mais ágil, apenas facilitará aquela que será uma vontade real que pessoas sentem.

Como refere Victor Cláudio, um dos entrevistados do artigo do i, o facto de as famílias se reestruturarem em vez de se deixarem "apodrecer" será algo (potencialmente) positivo. Contudo, muitas vezes existem crianças no meio de toda estas "reestruturações". Com o aumento do número de divórcios ter-se-á de enfrentar essa realidade. E com isto espero abrir-vos um pouco o apetite para a conferência que se realiza amanhã e que há dias referi.

Por Debaixo da Toga

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Ainda não fiz questão de passar o visto na tal festa à herança romana de Braga da qual, sendo honesto, pouco resta que meia dúzia de pedras espalhadas entre Cividade e as Frigideiras do Cantinho, e alguns vícios. Da revista à imprensa local, salta aos olhos os calores de Rui Madeira, que não se coibiu em mostrar a pintelheira corporal debaixo da toga que, de adorno da elite patrícia sobre a indumenta, mais se assemelhava a toalha em redor do corpo, fosse o homem estar recém-chegado de um banho nas termas ou de uma orgia organizada pelo Roxo. De temer pela saúde visual das criancinhas que lhe repetiram o "Avé, Mesquitus Machadus!" ao Governador local - bem mais católico nas vestes, como mandaria a mais recente cúria romana - ainda que no que à destruição do património da cidade diz respeito, lhe assentasse melhor o papel de Átila ou de Aníbal.

A Agenda de Pinto Balsemão

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A obsessão de Ricardo Costa em criticar o PSD leva a situações de um ridículo inexcedível como esta. Uma, duas, três, quatro... dez, onze, doze. São doze as estrelas da bandeira da União Europeia! Que nome se dá a esta espécie de jornalismo?

É Isto Adequado?

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cartazesmac

Recentemente estalou a polémica, por causa da remoção de certos cartazes políticos da rotunda do Marquês. Aí, por não ser considerada, pelo IGESPAR, «adequada dada a envolvência patrimonial, salvo jurisprudência específica sobre o assunto».

Cá em Braga a situação é - visualmente - bem pior. Onde já durante todo o período não-eleitoral existe uma enorme poluição visual, com cartazes de vários tamanhos e feitios a fazerem publicidade a marcas e produtos - sinaléticas com publicidade -, proliferam agora, como proliferarão nos próximos meses, ao seu lado, inúmeros cartazes de "propaganda política". Ainda há poucos dias - depois de tirar a foto - surgiram mais alguns. Muitos outros cartazes existem ainda nas imediações desta rotunda.

Como tantas outras coisas na cidade, proliferam de uma forma praticamente anárquica. Não existe um vestígio de organização, de coerência. Nascem, simplesmente, de forma selvagem. Uns com sorrisos que prometem tudo, outros com produtos milagrosos, outros ainda com promessas vãs. Nascem e renascem quando o slogan deixa de servir, geralmente passado uma semana. E assim se multiplicam, como ervas daninhas. Aquela rotunda é uma vergonha!

Mediação

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Cerca de 60 por cento dos casos apresentados, a nível nacional, para Mediação Pública (MP) foram resolvidos com sucesso. Cada caso demora, em média, 2 a 3 meses a ser resolvido. [Correio do Minho]

Decorreu no dia 28, em Braga, organizado pelo Gabinete para a Resolução Alternativa de Litígios, a apresentação da iniciativa Quintas da Mediação, sobre, claro, meios alternativos ao judicial.

Envolve um conjunto de meios que pretendem ser mais simples, menos morosos, menos dispendiosos e, simultaneamente, suficientes para a resolução de um grande número de casos que são - apesar de poderem não ser-, muitas vezes, "bagatelas jurídicas".

Por estes assuntos me dizerem directamente respeito e apesar de só no próprio dia (28) me ter apercebido de tal iniciativa (e, por essa razão, não lhe fiz qualquer referência oportuna), chamo-vos agora a atenção para um documentário que irá passar pelas 20:45 de dia 30 na RTP2, «sobre um dos meios de resolução alternativa de litígios –a Mediação de conflitos. “No Caminho do Meio”».

Braga: A Capital Romana

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Roman legion, Jerash
© Frank Janssens

«Há quinze séculos, os suevos expulsaram os romanos de Bracara Augusta, mas durante este fim-de-semana eles estão de volta. Braga volta a ser capital da província da Galécia e está engalanada para receber a visita do Imperador de Roma.

O calor que se faz sentir por estes dias convida a usar a roupa da época, deixando o sol tocar o corpo que as túnicas não tapam. Há centenas de pessoas assim vestidas nas ruas da cidade: legionários, mercadores e muitas crianças. Da Avenida Central ao Rossio da Sé estendem-se as várias tendas do mercado romano, que recupera produtos da época, mas também vende bugigangas modernas.» [Público]

Hipocrisia Eléctrica

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«Tal como são precisos lobos amestrados para fazer o anúncio, também a real e verdadeira natureza dos últimos santuários é nele aprisionada em imagens que vemos fugazmente projectadas em betão, à noite, para nos descansar as consciências. Enquanto a EDP destrói natureza selvagem construindo barragens e substituindo-a por uma natureza humanizada, nós olhamos para o boneco —na parede de betão, ou no ecrã do televisor, ou no jornal ou no outdoor urbano.» [Eduardo Cintra Torres, via Portugal dos Pequeninos]
Todo o texto todo é obrigatório. Ainda acham que não devem assinar esta petição, por exemplo?

Serralves em Festa

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A Criança no Divórcio

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© DR

Realiza-se na Universidade do Minho (CP2, anfiteatro B1), no próximo dia 1 de Junho, dia da Criança, uma conferência intitulada "A Criança no Divórcio". De manhã (9:30 - 12:30) o painel será constituído por convidados relacionados com a área da psicologia e abordarão o assunto nessa vertente; enquanto a tarde (14:00 - 17:00) está reservada para as perspectivas e problemáticas jurídicas.

Numa altura em que se fala do "interesse da Criança" a propósito de casos como o da "Esmeralda" ou da "Alexandra", assim como se vai falando, noutros contextos, da família, do que esta é, do que deve ser (ou deixar de ser), esta será, seguramente, uma conferência interessante de se acompanhar. Um dia da Criança para adulto (vi)ver.

Aqui ficam os sites das entidades organizadoras: Dep. de Psicologia da UM e organização Pais Para Sempre. Deixo ainda o folheto com informação mais detalhada, dos intervenientes e assuntos que, em concreto, vão abordar.

Do "Jornalismo" Opinativo | 2

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Numa deliberação hoje divulgada, a ERC «reprova a actuação da TVI», e insta a estação a cumprir «de forma mais rigorosa o dever de rigor e isenção jornalísticas». Os membros do conselho regulador consideraram que a TVI deve «demarcar 'claramente os factos da opinião'», como determina o Estatuto do Jornalista. A ERC considera «verificada, à luz da análise efectuada, a possibilidade de a TVI ter posto em causa o respeito pela presunção de inocência dos visados nas notícias». [Sol]

No sentido do que escrevi há alguns dias: ler a notícia integral no Sol; também no Público.

(I)maturidade

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[Miguel Portas] “Se aos 16 anos um jovem já tem idade para trabalhar porque não há-de ter idade para votar?” [Público]

O voto é uma arma que deve ser atribuída a quem já tem idade para participar activamente na sociedade, mas essa idade já não são os 18 anos. A lei eleitoral tem que ser adaptada ao sistema jurídico em que vivemos, não podendo continuar a existir desfasada da actualidade. [Câmara de Comuns]

Conclui assim, o João Gomes de Almeida, um post sobre o voto aos 16 anos. Um post onde conta a história sobre o "Luís Pedro": um jovem, fictício, de 16 e as suas deambulações - porque, de acordo com a lei, as pode ter - na sociedade. Recomendo a sua leitura e, por isso escuso-me ao aborrecimento (para os leitores) que seria citar artigos.

Certamente que a larga maioria dos países do mundo ainda estabelece, como idade de voto, os 18 anos. Estabelece, como estabelecia em meados do séc. XX os 21 anos. Alguns países já avançaram com a diminuição para os 16 (ou 17) anos. Noutros, com maior ou menor fulgor, vai-se falando no assunto.

Quando surgem afirmações destas gera-se sempre algum frenesim, pese embora outros assuntos se sobreporem, manifestamente, a este. Mas a ideia não é nova em Portugal. O Bloco já a defendeu e a JS (e julgo que o PS) também defende essa ideia.

Nota: Quando se reclama a diminuição da idade de voto, tal não implica, necessariamente, a consagração da universalidade desse direito, independentemente de alguns - como eu - assim o entenderem. De facto, como sucede nalguns países, esse direito ao voto pode estar condicionado a emancipação pelo casamento ou ao emprego do adolescente, entre outros factores que demonstrem essa participação activa.

Problemas de Expressão

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A hora dos jornais por Kiko Rocha.
© Kiko Rocha

Se Dante escrevia que o lugar mais quente do inferno está guardado para aqueles que em tempos de crise se mantêm neutros, então os jornalistas portugueses terão as portas do céu escancaradas.

Há em Portugal uma tradição de castidade dos jornalistas, um mandamento supremo que os impede de se declararem "girondinos ou jacobinos". Em nome da isenção e da deontologia juram fidelidade à bandeira e transformam-se, certamente por processos cuja hermenêutica exige total confidencialidade, em seres andróginos que assumem o cinzento como cor política.

Apesar do registo cínico do que acabo de escrever, eu nada teria contra esta isenção se ela fosse aquilo que anuncia ser. Mas como bem sabemos, as coisas não se passam bem assim.

Hoje a androginia deu lugar ao travestismo e alguns (mais do que a salubridade deontológica ordenaria) içaram a âncora da esquizofrenia e conseguem ser, pasmem-se, profissionais às segundas, terças e sextas e opinativos nos restantes dias. Falo, como está claro de ver, dessa nova estirpe societária, o "cronista", ser que em tudo pensa e que sobre tudo tem opinião.

Eu pergunto, com que isenção ou abertura de espírito irá o jornalista y à conferência de imprensa do partido x, tendo escrito, poucos dias antes no seu blogue/coluna de opinião/etc., sobre a imbecilidade das propostas do(a) líder daquele mesmo partido?

Liberdade de expressão? Claro que sim, mas quando esta colide com o rigor do profissional, há que ter bem presentes as consequências dos comportamentos passados, presentes e futuros. Não é à toa que a um juiz não é lícito, ou pelo menos correcto, comentar as decisões de um colega na praça pública e não é por "mero amiguismo corporativista", é sim pela necessidade de empregar respeitabilidade a um órgão que se deseja imparcial e tendencialmente unívoco na sua actuação.

De duas uma, ou bem que se assumem e passamos a saber com o que contamos ou então esta permanente charada (que se estende, aliás, à linha editorial dos jornais), e que ameaça de morte a imprensa portuguesa, começará a colher as suas vítimas. Ou não, já que isto é o país do faz de conta...

Braga em 100 Imagens

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Valerá a pena dar um saltinho ao Parlamento Global (e esperar que o site esteja a funcionar) para ver "Braga em 100 Imagens, o olhar de Alfredo Cunha", um reporter fotográfico que se encontra actualmente radicado na zona de Braga (Vila Verde).

Parte do seu trabalho pode ser encontrado aqui. Valendo igualmente a pena ver algumas das suas fotos do 25 de Abril, à medida que conta um pouco do seu Abril.

PSD e os Pais na Escola

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escola / school
© f o r a i r e
Sem a efectiva participação de cada comunidade escolar (essencialmente, professores e encarregados de educação), não se estabelecerá uma relação de confiança imprescindível para um clima favorável à materialização da educação sexual no espaço escolar. [Expresso]

Valerá a pena ler o artigo do Pedro Duarte, deputado do PSD acerca d'O PSD e a Educação Sexual', que acima brevemente cito. Por um lado, desenjoa um pouco da oratória política com base em soundbytes. Por outro, concebe uma proposta que, sem desvirtuar aquela que é a proposta do PS/Governo, será, do meu ponto de vista, mais positiva e mais razoável, ao procurar conciliar alguns dos interesses (e direitos) que os pais e as famílias têm na orientação da educação das suas crianças.

Dito isto, parece-me que, podendo alguns encontrar motivos de satisfação - os que se insurgem contra o "monopólio do Estado na Educação" -, parece-me que, dizia, ao contrário do que afirma o Pedro Duarte, uma boa parte de quem se opõe à medida não irá ficar de todo satisfeita, pois pretendem que esta disciplina seja opcional, como a disciplina de Religião e Moral.

Mas mais importante - e por essa razão cito aquela parte em particular - parece-me que a proposta do PSD se baseia num princípio que considero adequado, que faz falta, que (alguns d)os pais reivindicam e pelo qual os professores desesperam. O incremento da participação dos pais e das famílias na Escola, na Educação dos seus filhos.

A Novela do Dia

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Pela Educação

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Por pretenderem extravasar, constantemente, as suas limitadas atribuições - de defesa dos direitos laborais dos docentes -, constituem um empecilho bem maior, na minha opinião, para os docentes e para a Educação, do que qualquer política que o Ministério da Educação, este ou qualquer outro, pretenda implementar.

Eu não confundo professores e as suas pretensões com o seu sindicato - tão politizado - e as suas pretensões. Não obstante este o afirmar, nada do que faz, fará, ou poderá sequer fazer será "pela Educação".

Os professores têm muitas razões de queixa, legítimas, quer relativamente a direitos laborais, quer relativamente ao sistema educativo em geral e todas as suas engrenagens. Têm queixas, mas também (boas) ideias, que só quem está no terreno diariamente pode ter. Ideias sem segundas intenções, sem jogo político, "pela Educação".

Para além do facto de qualquer veiculação de algo que não se encaixe em direitos laborais através do sindicato é uma veiculação ilegítima e absolutamente desadequada, muito dificilmente se pode considerar que a defesa desses direitos foi, nem sequer remotamente, boa.

De facto, o direito (sim, o direito e não a fatalidade, martírio ou chatice) de se ser avaliado foi defendido de uma forma inqualificável ao longo das últimas décadas (sim, décadas!). Esta (avaliação) é simplesmente inexistente. Não concebe, o sindicato, uma carreira assente no mérito. Para um sindicato será, realmente, mais tentador agarrar-se (continuar a agarrar-se) à ideia de que um emprego no Estado é um emprego para a vida, "garantido", com progressão pelo mero decurso do tempo. Enfim, não mexer no que estará "bem".

E será, sobretudo, por toda esta inércia sindical que vejo as suas reivindicações como uma mera reacção. Não houve iniciativa no tempo devido. A (contra-)proposta de um modelo de avaliação, que surge apenas no final desta década, defendendo um modelo diametralmente oposto ao do Ministério, tem, por essa razão, uma enorme dose de mera resistência e casmurrice (e existem professores com esta opinião).

Não nego que o Ministério da Educação tem sido igualmente casmurro e por vezes arrogante. A proposta não será perfeita, mas não faz sentido a sua rejeição completa, tal como defende o sindicato. O esforço de conciliação deve ser mútuo e recíproco.

Uma avaliação dos docentes produz efeitos muito para além dos laborais. Se uma das partes não está interessada (ou quando aparenta estar, apenas para aproveitamento político) nesses efeitos laterais e sistémicos, então será difícil (como tem sido) chegar-se a bom porto.

Os professores, enquanto classe necessitam desesperadamente de uma unidade (em vez da actual inconsequente dispersão associativa), de uma voz que tenha legitimidade para intervir pública e politicamente em aspectos extra-laborais, "pela Educação".

A Vez do Vermelho

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rdk© Brunocerous

Saldanha Sanches chamou a atenção hoje, algures no Frente a Frente com Paula Teixeira da Cruz na SIC Notícias, para o alerta lançado pelo Sindicato das Carreiras de Investigação e Fiscalização do SEF. Segundo o seu Porta-voz, a regulação da actividade nas casas de alterne, com a legalização e regulamentação da indústria do sexo, gerariam receitas fiscais ao Estado capazes de pagar investimentos púbicos - perdão... - públicos, como a nova auto-estrada entre Amarante e Bragança. (a cidade nordestina não se livra das insinuações)

Por outro lado, e é sabido, a legalização permitiria muito maior controle sobre as máfias e o tráfico de seres humanos, optimizando a acção da polícia e até mesmo de organizações governamentais e ONG's que dão apoio também na prostituição de rua. A ilegalidade é geralmente a parede contra a qual se colocam muitas das mulheres obrigadas a uma actividade pela espada de quem as trouxe, com outras promessas, para Portugal. O proibicionismo raramente resulta, e a mudança desse paradigma na política do consumo de droga fez do nosso país exemplo a ser seguido pelos E. U. A..

Sejam Responsáveis

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O problema é que tudo indica que o comportamento desta professora era comentado jocosamente em toda a escola e há muito que era já do conhecimento de toda a gente, incluindo do Conselho Executivo. [...] ninguém fez absolutamente nada, e foi preciso que uma aluna gravasse uma aula para que alguma coisa fosse feita [...] O problema é que tem mesmo de haver um sistema qualquer de avaliação de desempenho dos professores que de forma célere e eficaz distinga os bons dos maus profissionais: e que premeie os melhores e expulse os incompetentes. E, pelos vistos, também... os “perturbados”. [Luís Grave Rodrigues]

Eu comecei a escrever este post ainda em altura oportuna, mas devido às minhas obrigações académicas só me foi possível concluí-lo agora. Entretanto, o Luís Grave Rodrigues, que acima cito, postou sobre o assunto - post que, no geral, subscrevo.

Este caso é a prova cabal de que é necessária uma avaliação.

Uma qualquer avaliação é, certamente, melhor do que nenhuma. Professores, sindicatos e governantes: a avaliação já virá com décadas de atraso. Sejam responsáveis e cheguem a um consenso. A verdade é que uma avaliação provisória poderia ter resolvido este assunto há um ano atrás. Este pode ser um caso extremo, como lembra a Ministra, mas, mais ou menos graves, há problemas em praticamente todas as escolas - quer estejam em causa professores "incompetentes ou perturbados". Da mesma forma que existem professores excelentes, estes também andam por aí, livres e, aparentemente, quase todos impunes.

Nota: façam um favor ao mundo e às crianças, se elas andam três anos a dizer que algo se passa, então algo se passa. Não as tratem como idiotas, incapazes de pensar e seres, por natureza, mentirosos. O risco de eles "inventarem" histórias é tão grande como o de os adultos as inventarem. Não é por se ser Sr. Dr. que se é menos susceptível a "pancas" do que as outras pessoas.

Palma de Ouro

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Boas notícias para começar a semana, João Salaviza vence grande prémio de Cannes para a categoria de Curtas-Metragens com o filme Arena, já premiado no IndieLisboa.

Leiria Sobe. Boavista Desce.

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A Oliveirense fica na Liga Vitalis. Seria interessante ouvir o comentário de Hermínio Loureiro, o candidato do PSD à Câmara de Oliveira de Azeméis.

(R)evoluções?!

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© andrew gallix

Eu que nem sou muito dado a estas coisas das manifestações de rua e das palavras de ordem, que cada vez mais soam a cânticos ensaiados e propaganda encapotada de alguns partidos políticos, sinto-me triste pelo caminho que "a luta" parece ter deixado de trilhar.
Não estive no 25 de Abril, nem tão pouco no primeiro 1.º de Maio, mas não deixo por isso de considerar absolutamente essencial garantir, em democracia, o integral e discricionário direito à indignação.

Diz-se frequentemente que os portugueses são um povo de brandos costumes, afirmação que sempre me deixou com um amargo de boca. É que quando se brame esta bandeira está-se, no fundo, a traduzir por graúdos a pretensa cobardia e conformismo de todos nós. Não nos revoltamos, não nos indignamos, não questionamos poderes instalados e lugares comuns. E para quê? Para salvaguardar uma mediania que nos afaste dos tumultos da incerteza. Os portugueses nunca se enganam e raramente têm dúvidas (como alguém já disse), pudera, se não reflectem, se não problematizam, se não questionam, como poderia ser de outra forma?

Ao definhar da "luta" tem correspondido o atrofio das causas que, não tendo cessado de existir, parecem ter sido assimiladas por instrumentos de participação mais fáceis e confortáveis - petições online, sites de protesto, entre outros. O "cliente" sente-se bem porque deu o seu contributo e nem sequer teve de fechar o separador da pornografia. Daí a uma hora já nem se lembra se "assinou" uma petição para baixar o IVA ou para salvar as ratazanas autóctones dos esgotos de Sacavém.

"A rua" costumava ser o último (e mais precioso) reduto da indignação, a expressão máxima da força da sociedade civil, ao mesmo tempo respeitada e temida. Observando o que se passa actualmente em França, o paradigma da participação cívica, país modelo no que às lutas corporativas diz respeito, onde as manifestações de alunos e professores parecem esmorecer sem resultados práticos, não posso deixar de sentir que "a rua" está a adormecer e nós (europeus, trocadilho vital) somos a mão que lhe embala o berço.

O Ex-Vermelho de Riga

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Centrālā Stacija 4

De dia, Riga é esta cidade de rosto contido, incomodado, dorida de tantos anos de nariz alheio metido nela. Há esta crispação se solicitamos, como se não fossemos bem-vindos, russos nós também. A cidade que acolhe 40 por cento deles, desde a ocupação, quase tantos quanto os letões nativos, encurrala-nos nas boas intenções entre o azedume de um fogo cruzado. Maior remédio que o Balzams com sumo de amora fervido, só o ópio do tempo para amainar as tensões entre hóspedes e hospedeiros caprichosos.

A nova geração letã, no entanto, está agora mais embriagada com as oportunidades que o futuro que lhes reserva - a aventura capitalista - que propriamente o passado, a sua autoridade e a sua austeridade. Enquanto não se desce para as galerias num edifício esquinado ao Município e à Melngalvju nams, onde decorre um festival de música experimental, um grupo de amigos locais fumam civismo ao ar-livre e ironizam dizendo que ali, como na Rússia, certas liberdades ainda se compram directamente à polícia e à nomenclatura e não na lei.

A outra juventude, de origem russa, criada no pós-URSS, conta híbridos escondidos por detrás de apelidos letões, como alternativa ao degredo. Na verdade, os subúrbios, guetos de decadência e os fins de semana à noite em redor da Estação Central, mostram uma Perestroika a afogar as mágoas na vodka. Nas passagens subterrâneas que contornam por baixo o emaranhado de asfalto, carris de eléctricos e fios de trolejbuss, o vaivém de alcoólicos dissimulados, velhas senhoras compram bondade enquanto nos estendem a mão. Parece haver uma miséria de idade e uma miséria de mercado ao mesmo tempo. A União Soviética, esse prolongamento socialista da Rússia imperial, abandonou os seus cidadãos, também aqui, às sortes do Ocidente. A outrora potência dominante tem pujança enferrujada como as carcaças dos Antonov no museu anexado ao Aeroporto de Riga.

Riga, hoje como nunca, quer livrar-se do vermelho e do cirílico (re)experimenta-se a si mesma, na música, na arquitectura, nas outras artes e na liberdade, ainda que os penteados loiros à Ágata se notem entre as voluptuosas mulheres pernaltas e descapotáveis, raramente obesas. Na febre liberal, os edifícios envidraçados que se erguem alto da outra margem do rio Dauvaga, ou Duína Ocidental, fazem inveja à Torre da Televisão e Rádio Nacional, à Catedral e Igrejas de Galo empoleirado nas erectas cristas. Ousadia que ameaça o título da Unesco e de capital art nouveau mas dificilmente lhe tira este charme patchouli...

E Recomeça(?)

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Agora que o campeonato terminou, seria interessante o presidente da Liga fazer ponto de honra de não haver nenhum clube com salários em atraso na próxima época - vá lá, pelo menos nos primeiros cinco ou seis meses.

Não se trata apenas de punir com perda de pontos e com multas (essa, estando o clube sem pagar salários, é genial). A aferição feita no início do ano, aquando das inscrições deve ser bem mais rigorosa nesta época, para evitar que clubes estejam em incumprimento, logo dois ou três meses, como nesta época.

A Federação parece estar para aí virada. A Liga também. Mas a determinação (e os resultados) destas intenções vamos verifica-las daqui a uns meses...

Do "Jornalismo" Opinativo

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A MMG é das poucas que levanta questões incómodas, por isso é que dizem que ela não é jornalista. [dizia-me o João Miranda (do Blasfémias) no twitter]

Eu não nego que ela levanta algumas questões incómodas. Mas já nego aquilo que ela faz como "jornalismo". Ela não se limita a levantar questões de uma forma jornalística. Therefore, não é jornalismo. Por definição.

Aliás, com toda a discussão que houve há tempos por causa da Fernanda Câncio (bem, foi grande no Twitter) não compreendo bem esse benefício dado à Manuela Moura Guedes. Ao contrário da Câncio, que, paralelamente à sua actividade de jornalista, usa os outros espaços (blogue e crónicas em jornais e programas de televisão) para publicar a sua opinião bastante parcial. Acontece que é - no caso Freeport - favorável ao primeiro-ministro. A Moura Guedes usa um espaço a que chama de "Jornal" para, entre alguns factos e citações recortadas, dar a sua opinião. O Jornalismo enquanto algo supostamente imparcial e isento, enquanto algo em que se pode confiar, enquanto mera informação não existe naquele espaço. Se se opta por chamar àquilo de jornalismo, então é-o de uma forma tremendamente parcial. Opina e comenta.

O que ela faz é opinião ornamentada com factos e recortes. Não há problema algum em fazer-se isso. Nos EUA o O'Reilly e o Olbermann (entre tantos e tantos outros) fazem exactamente isso. A diferença fundamental é que não chamam àquilo "jornal". É um espaço próprio, assumido, onde seleccionam aspectos da actualidade e comentam. A Moura Guedes que assuma isso. Que lhe dêem 3 ou 4 horas depois do jornal só para fazer isso. Não quero saber. Mas aquilo não é um "Jornal" e o que ela está a fazer não é, seguramente, jornalismo.

Que assuma ela e que assumam os media portugueses as suas agendas, as suas identificações políticas - se as tiverem e sejam notoriamente indisfarçáveis. Criaria um ambiente bem mais arejado. Que assumam com frontalidade, como fazem em tantos outros países. O fazer de conta que são todos absolutamente isentos e imparciais enjoa!

Nota: Para mim, não será tanto a existência de um interesse em concreto e identificável - que a Câncio tem e que a Moura Guedes não terá - que está em causa. Isto, apesar de haver uma diferença enorme entre ter sido independente pelo PP ou ter sido pelo PCP. O conteúdo da opinião é relevante, mas nem sequer toco nesse assunto. O que coloco em causa é a simples forma.

Admito que haverá muita gente (PS, sobretudo) a não gostar da Moura Guedes por razões diferentes das minhas. Reafirmo: as minhas resumem-se a questões de forma, independentemente do conteúdo da opinião ou comentário.

Bons Ventos na Medicina Portuguesa | 2

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«Os médicos e os enfermeiros são tidos pelos utentes como a parte melhor dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Do outro lado da tabela aparece o tratamento das reclamações, mas, ainda assim, é considerado satisfatório.» [JN, Público]

Festival Internacional de Jardins

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red army
© rosino

Festival Internacional de Jardins (ambiente)
[29 de Maio a 31 de Outubro. Campos de S. Gonçalo, Ponte de Lima]
Evento ímpar a nível nacional, o Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima decorre nos Campos de S. Gonçalo, entre a Ponte Romana e a Ponte de Nossa Senhora da Guia, na margem direita do Rio Lima. Para mais informações, consulte o o site e o regulamento do concurso.

Bons Ventos na Medicina Portuguesa

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«Alunos voluntários das sete faculdades de medicina do País realizaram terça-feira um exame-piloto do que poderá tornar-se a nova prova de acesso à especialidade. "O objectivo desta prova-piloto não é testar o processo do exame, mas a matriz. Não conheço um médico que defenda o actual exame da especialidade, que avalia a capacidade que os alunos têm de memorizar cinco capítulos de um tratado de medicina interna (Harrison's) e não a capacidade de exercer medicina", explica Nuno Sousa, director do curso de Medicina da Universidade do Minho. Há dois anos que realizam testes da National Board no estabelecimento e que funcionam, apenas, como indicador.» [DN]

Boa Publicidade | 8

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Hay Socialistas e Socialistas

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Com a actual nomenclatura do congénere português impregnada de tanto circunstancialista e ultramontano, que sabe-se lá por que alforge se dão alguns pela denominação, Zapatero vem a Coimbra ao comício rosa e arrisca meter-se em mais uma eucaristia em redor da imagem peregrina de Sócrates. Talvez, nalgum momento, repare que este PS paroquiano não tem nada a ver com o seu PSOE que se afirma e bem, clivado com a Direita espanhola neoliberal e conservadora. Este spot irreverente atesta também aquela que é a agenda política e social do PSOE, em Espanha e na Europa. Coisa que nunca se percebeu nos inquilinos do Rato.

Do Federalismo Europeu

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The emblem of CoE: the European Flag
© Council of Europe

A campanha (morna) para as Eleições Europeias segue sem grandes sobressaltos que é como quem diz sem grande entusiasmo, prevendo-se níveis de abstenção verdadeiramente preocupantes. A discussão tem-se centrado nos temas nacionais, embora haja muito para discutir sobre os modelos de governação da União Europeia, num tempo em que os cidadãos estão de costas voltadas para Bruxelas.

Uma das questões fundamentais prende-se com a construção de uma Europa federal, desígnio fundamental para o aprofundamento das relações entre os Estados-membro, para o desenvolvimento da União Europeia e para (re)aproximar os cidadãos das instituições europeias. É imperioso substituir o modelo actual (em que um governo de Governos gere os destinos da Europa) por um governo dos cidadãos, eleito de forma directa por todos.

Quando questionado sobre esta matéria, Vital Moreira optou pela resposta mais diplomática, afirmando que «utilizar qualificações que são no mínimo polissémicas, no pior dos sentidos, não ajuda nada a qualificar a nossa posição. Obviamente, a União Europeia (UE) tem traços federalistas, mas não é um estado federal. Devemos ser prudentes e responsáveis quanto a configurar o futuro institucional da UE». Paulo Rangel, por seu turno, assumiu-se como federalista, não temendo os efeitos eleitorais da frontalidade discursiva em tempos de campanha eleitoral.

Já o PCP tem afirmado de forma consistente ao longo dos últimos anos que «rejeita sem hesitações o caminho federalista», posição em que é acompanhado, mas de forma inconsistente, pelo CDS-PP. O Bloco tem tido uma posição mais nebulosa, não assumindo directamente o federalismo mas sendo incessantemente rotulado de federalista pelos colegas da esquerda comunista.

Crimes Sem Castigo

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«Há relatos de violações e de agressões. De medo causado por uma disciplina severa. O relatório sobre o que se passou desde 1936 em instituições católicas irlandesas para acolhimento de crianças era esperado há muito tempo e está a deixar a Irlanda chocada. São 2500 páginas em que se conclui que mais de 2000 crianças sofreram abusos físicos e sexuais e que líderes da Igreja Católica sabiam o que estava a acontecer.» [Público]

A ler: Relatório denuncia abusos sexuais em orfanatos católicos na Irlanda, por Público; Crimes sem Castigo, por Palmira Alves; Amnesty, the Catholic Church and child abuse, por Patrick Corrigan; Ángeles y demonios, por Rafael Ramos; La Iglesia Católica de Irlanda, "avergonzada" por los abusos a cientos de menores en sus asilos, por La Vanguardia.

Acontece no Minho | 32

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Andrew Bird
© TristanWheelock

Mostra de Teatro de Amadores (teatro)
[21 a 23 de Maio. Centro Cultural Vila Flor, Guimarães]
O CCVF volta a ser palco para as apresentações dos projectos vencedores do concurso de apoio à criação teatral para os grupos de teatro de amadores do concelho de Guimarães. Em cena vão estar as peças: “Deus lhe pague”, do Grupo de Teatro de Campelos (dia 21, Pequeno Auditório), “A Excepção e a Regra”, da Citânia - Associação Juvenil (dia 22, Pequeno Auditório) e “Fábula: Era uma vez”, do Teatro de Ensaio Raul Brandão (dia 23, Grande Auditório).

Bloco A4 - Quarteto Mário Santos (jazz)
[22 de Maio, 22h. Espaço Pedro Remy, Braga]
Mário Santos nasceu em 1965. Em 1986, concluiu o 12º ano de escolaridade e ingressou na Faculdade de Engenharia Civil de Coimbra, não chegando a frequentar o curso pois iniciou os estudos musicais na Escola de Jazz do Porto, onde viria mais tarde a leccionar a disciplina de Saxofone. Colaborou na formação de vários grupos de Jazz, integrou o grupo musical Clã e foi elemento fundador dos Amigos da Salsa onde permaneceu durante cinco anos.

Richard Galliano & Tangaria Quartet (jazz)
[22 de Maio, 22h. Centro Cultural Vila Flor, Guimarães]
Richard Galliano é um nome incontornável na história do acordeão. Um prestigiado músico e compositor franco-italiano conhecido pela fusão inimitável do tango com o jazz. Com um extraordinário domínio técnico e uma sonoridade e fluidez de rara qualidade, Galliano foi colaborador e amigo pessoal de Astor Piazzolla, sendo agora um dos maiores responsáveis pela divulgação dos estilos musicais fundamentados pelo génio argentino.

Alela Diane (música)
[22 de Maio, 22h. Casa das Artes, Vila Nova de Famalicão]
Originária do Nevada, Estados Unidos, Alela Diane é uma trovadora do nosso tempo. Na sua voz firme e bela, consegue-se sentir a ruralidade da América profunda, mas sem melancolia nem apego pelo passado. Antes com o fascínio dos lugares visitados e dos momentos perdidos. Nas melodias de Alela Diane encontramos imagens de uma infância feliz. De uma juventude irrequieta e apaixonada. Aqui e ali sente-se uma pequena frustração, característica talvez, de quem viveu longe da urbanidade das grandes cidades cosmopolitas.

Com que Voz: Tributo a Amália Rodrigues (música)
[23 de Maio, 22h. Casa das Artes, Arcos de Valdevez]
Espectáculo no âmbito do Ciclo de Novos Fados de Arcos de Valdevez, com Ricardo Parreira (guitarra) e Marco Oliveira (voz). “Com que voz” foi um dos discos mais representativos da carreira de Amália Rodrigues. Editado em 1970 pela Valentim de Carvalho, tem sido aclamado pela crítica mundial como o disco que mais marcou a carreira da artista mais importante da música portuguesa de todos os tempos.

Andrew Bird (música)
[26 de Maio, 22h. Theatro Circo, Braga]
Depois de em 2008 ter vencido o Plug Independent Music Award para melhor artista masculino, Andrew Bird (na foto) editou em Janeiro deste ano o seu mais recente trabalho, “Noble Beast”. O aguardado sucessor de “Armchair Apocrypha”, gravado em Nashville com o produtor dos Lambchop Mark Nevers e no loft de Chicago dos amigos Wilco, foi considerado por muitos possivelmente o melhor disco de Bird. O público português tem agora a oportunidade de (re)ver um dos mais brilhantes artistas da actualidade.

Não Importa em Quem. Dia 7, Vote!

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video

Poucas vezes um vídeo de propaganda consegue ser tão abrangente e consensual. Foi elaborado pelo PSOE espanhol, mas é um verdadeiro apelo à consciencialização dos eleitores do poder do seu voto nas próximas eleições europeias. O voto é uma arma para ser utilizada com inteligência e moderação.

Progressista, Mas Não Muito | 2

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O candidato do PSD a Bruxelas é mais um que entrou na modinha dos católicos pro a imitar o bispo de Viseu. Tal como Ilídio Leandro, em mais coisa menos coisa, o metaleiro diz que «a igreja tem de mudar o discurso sobre a ordenação das mulheres, o casamento dos padres, os homossexuais, os anticoncepcionais e o divórcio».

Mas quando confrontado especificamente com a consagração na Lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, prefere ir devagar, como que untando as coisas. É uma espécie de progressista por etapas: defende que deve começar-se por uniões civis como que a habituar o esfíncter conservador da sociedade portuguesa, para só depois lhe entrar com o casamento em pleno direito e denominação, talvez anexado da adopção. Não que um ou uma homossexual seja menos bom pai que os outros: "Não, não é menos. Não é menos. Não é menos." - insiste.

Ora, por muito à frentex que queira parecer - até que não duvido que seja -, Rangel enrola-se nestes exercícios de moderação sofismáticos, porque a igualdade de direitos - na lei pelo menos - não é, nem pode ser, gradual num país democrático e civilizado, tal como o direito ao voto em si não é um bem que distribua a uns por inteiro e a outros pela metade.

A Professora de Espinho | 2

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O Diário de Notícias promete revelar, de forma integral e exclusiva, a polémica aula de Espinho. Mas afinal qual é o interesse noticioso da dita gravação? Já não há ética no jornalismo???

A Professora de Espinho

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Escola de Artes Visuais
© Halley Pacheco

Ainda antes de concluído o inquérito à professora de Espinho, os juízos multiplicam-se e os pedidos de demissão ou castigo avolumam-se sem qualquer proporcionalidade, ao mesmo tempo que um conjunto de artistas tenta associar o episódio às políticas educativas do Governo, à proposta de introdução da Educação Sexual nos currículos e também à imperiosidade da avaliação dos professores (1, 2, 3 e centenas de comentários espalhados pela internet e fóruns de opinião).

Tudo isto demonstra exemplarmente a mediania do debate político nacional e a falta de honestidade intelectual com que alguns participam na vida pública. Sendo certo que o teor da conversa é impróprio para uma sala de aulas, as reais circunstâncias em que sucede e o estado de saúde dos seus intervenientes ainda estão por apurar e, como tal, a posição do Ministério da Educação tem sido irrepreensível. É que, o caso da professora de Espinho é verdadeiramente excepcional e não vem demonstrar nada para além do que já sabíamos. Haja decência.

As Boas Acções da Igreja em África

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A vontade de construir um mundo melhor leva a que, não raras vezes, ignoremos as boas acções de instituições ou pessoas, dando apenas destaque às suas posições e opiniões mais criticáveis. Sendo certo que a Igreja deveria rever algumas das suas posições para que fosse possível construir uma sociedade mais justa, solidária, respeitadora e feliz, a verdade é que merece destaque positivo a acção que tem desenvolvido nos países do chamado terceiro mundo.

Esta semana foi notícia que a Igreja Católica dedicou 144 milhões de dólares das ofertas que recebeu aos que sofrem com o vírus da SIDA no Congo. Segundo a Agência Ecclesia, o dinheiro será aplicado em quatro vertentes (educação e prevenção; assistência médica, espiritual, psicológica e socioeconómica; aspectos éticos e jurídicos; comunicação) que muito beneficiarão os doentes congoleses.

Lobos com Pele de Cordeiro

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«Laurinda quer um mundo melhor, mais próximo, onde os comissários possam ir a casa das pessoas e perguntar “diz-me, amigo, qual é o teu problema!”. No fundo, a Laurinda acha que a União Europeia é uma espécie de mega-paróquia ou uma ala de crianças com leucemia no IPO.» [Jorge C.]

Não imaginava possível resumir em tão poucas linhas aquilo que tem sido a campanha eleitoral de Laurinda Alves, a candidata mais simpática do campeonato dos pequeninos. Confesso que não me comovo com a postura delicada de Laurinda Alves e, muito menos, com a teoria de que devíamos dar aos novos partidos uma oportunidade só por serem estreantes.

Por entre as parangonas do costume, não há nenhuma evidência que demostre que o Movimento Esperança Portugal possa trazer a anunciada esperança que permitiria romper com o sistema político tradicional e, no essencial, sobrepõem-se ao PS e ao PSD, replicando-lhe vários vícios e acrescentando uma doutrina moralizadora que quase torna redundante o nascimento desse partido-religião a que chamam «Portugal Pela Vida».

Salientando pela positiva as interessantes propostas em termos de acolhimento aos imigrantes, de valorização do papel dos idosos na sociedade e da função reguladora do Estado, permitam-me que questione as opções do MEP em três aspectos que considero fundamentais.

Muito curiosamente (ou talvez não) o MEP assume-se “familio-cêntrico” sem nunca esclarecer o seu conceito de família. Desta situação resulta o perigo da exclusão das famílias que, por não se enquadrarem nos valores da memória e da tradição, não venham a ser consideradas pelo MEP, bem como da discriminação de todos os que, por opção ou acaso, se vêm privados de uma família. Ao contrário do MEP, sou de opinião que o indivíduo deve continuar a ser a unidade fundamental da sociedade democrática, sem deixar de se reconhecer a importância dos grupos e comunidades que integra, dos quais o mais relevante de todos é a família. Além do mais, fica a ideia de que o MEP pretende trocar a democracia das pessoas pelo poder das corporações, incentivando ao protagonismo da rapaziada que os acompanha nas associações de famílias e outras coisas afins.

No capítulo educativo, fica a impressão que o MEP pretende aprofundar a erosão da Escola Pública, apostando no «reforço da liberdade de ensinar e da liberdade de aprender», claro eufemismo para uma aposta no ensino particular e cooperativo. Demonstrando algum desprezo pelos debates que a sociedade civil tem vindo a promover, o MEP não dedica uma única linha do seu programa à Educação Sexual, mas depreende-se que gostaria de a deixar à mercê das famílias, o que resulta no abandono das crianças e jovens oriundos de núcleos familiares com menos competências educativas.

Para a saúde, o MEP propõe que deve ser «alargado o esforço de comparticipação da despesa em saúde, por parte das famílias, consoante a sua capacidade financeira». Na prática, isto resulta na dupla tributação do quarto de portugueses que paga impostos. Também aqui o MEP «defende uma maior abertura e cooperação com o sector social e privado para uma prestação integrada, complementar ou alternativa de cuidados de saúde, possibilitando ao cidadão a capacidade de escolha entre SNS público, sector privado e sector social».

Falemos claro: o MEP quer menos Estado na saúde e na educação e nós sabemos a quem é que o MEP gostava de entregar estes sectores. É uma proposta legítima que deveria ser assumida abertamente e que eu não hesito em rejeitar.

A ler: MEP nas europeias para dar voz aos que defendem causas sociais, no Público; Mas defendem o quê: a igreja e as empresas?, por Miguel Vale Almeida.

200 Anos Que Mudaram o Mundo

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Desde o momento em que tive o primeiro contacto com o site - Gapminder - que o adorei. Na altura postei um vídeo sobre o rácio entre o número de mortes e o número de notícias em relação à gripe suína e à tubercolose.

O Hans Roling é um médico que tem um particular fascínio pela estatística e fundou a fundação Gapminder com uma visão: Unveiling the beauty of statistics for a fact based world view. Para tal, patrocinou o desenvolvimento de um software de demonstração de estatísticas. Como se pode constatar através deste vídeo, como de outros no site, é fantástico! Também nós podemos explorar muitas estatísticas que eles processam.

Bons Ventos

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la mancha
© Dario Silva

Em Espanha, o operador ferroviário estatal Renfe terá, em 2010, a frota mais moderna da Europa. Em 2020, a Espanha será líder mundial em quilometragem de linhas de altas prestações: 10.000 quilómetros sempre a abrir. Hoje, é ainda espanhola a mais extensa via métrica europeia, 1.300 km da Galiza ao País Basco. Não páram. Todos os dias se constrói ou reconstrói caminho-de-ferro.

adenda 24 horas depois: porque não há bela sem senão, em Espanha também se perdem enlaces com comboios da Alta Velocidade porque o comboio Regional de ligação chega quatro minutos antes da partida do anterior. Ou seja, tempo insuficiente para descer e subir as escadas; os portões fecham dois minutos antes. Esperam-se algumas horas até ao comboio seguinte debaixo de um calor demolidor.
Onde terão os espanhóis ido buscar ideias para a descoordenação dos horários dos comboios de categorias diferentes?

A Avenida Para as Pessoas

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Avenida da Liberdade
© Município de Braga

No próximo mês, a Avenida da Liberdade vai conhecer uma nova vida, encerrando um ciclo que apenas durou dez anos. Consciente do erro que fora construir um túnel sob o centro histórico da cidade, o Município de Braga decidiu transladar a desagradável confluência de barulho e fumo da boca (do túnel) para um local um pouco mais abaixo. O topo Norte da Avenida é assim devolvido às pessoas que, com mais espaço, podem (usu)fruir num dos núcleos edificados mais exemplares e interessantes da cidade.

Os canteiros, cheios de flores, são espaço alegre para os olhos, mas terreno inútil para os corpos. É um pequeno pormenor que poderia ser alterado sem grandes custos, cumprindo o projecto inicial. Talvez não fosse má ideia relvar os canteiros para que, sem deixarem de ser verde para os olhos, possam também ser pasto de fruição para o corpo.

Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012

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Castelo de Guimarães

A ler: dois mil e doze - como nos venden la moto, por Eduardo Brito; Algumas notas sobre a CEC, por Samuel Silva; Capital Europeia integra municípios do Distrito e da Galiza, por RTP.

A ver: Reacções ao anúncio de «Guimarães, CEC», por Guimarães TV.

Dia Internacional Para Quem?

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É quase uma regra mundial fechar as portas dos museus à Segunda-feira e mantê-las abertas durante os restantes dias da semana, inclusivé ao Domingo.

Hoje é Dia Internacional dos Museus e Segunda-feira, logo, essa regra foi quebrada e a promoção da cultura foi um dado adquirido para a maior parte dos museus nacionais e internacionais. As comemorações irão ter lugar um pouco por todo o país e as portas estarão abertas à noite (em alguns locais farão 24h non-stop). Com entradas gratuitas, esta é uma oportunidade para captar o interesse de vários públicos.

No mesmo mês dos Encontros da Imagem de Braga, este poderia ser o mote para se abrirem as portas da cultura à cidade neste dia Internacional dos Museus. Mas, além de não haver promoção de actividades e festividades, estes estão fechados (à excepção do D. Diogo de Sousa, Fonte do Ídolo e Museu dos Biscaínhos). Como é que não há interesse em promover este dia?

Nem vou tentar explicar a importância da cultura na evolução das sociedades e da história da humanidade. Só não entende quem esteve muito desatento na escola.

Ontem, por exemplo, na tentativa de completar a ronda das exposições dos Encontros da Imagem, reparo à porta do Museu Nogueira da Silva no seguinte horário: aberto de Terça a Sexta e Sábados à tarde. Bravo! Aplausos! É que realmente é disto que precisamos. No dia do Senhor todos descansam, menos os shoppings (e outros que tal), como é óbvio. A Casa dos Crivos idem aspas, aliás, nem faço ideia do horário porque não está afixado. Safou-se a Torre de Menagem.

Como se pode apostar no turismo cultural se não permitem o usufruto destes locais no dia de maior fluxo? Dois dias de paragem é a morte lenta anunciada. Neste aspecto, aplaudo o Mosteiro de Tibães que para além de oferecer a entrada até às 13h de Domingo, está aberto até às 18h.

Como disse Frascisco Sande Lemos no seu primeiro post: "O convívio de público infantil e adulto com alicerces de ruas ortogonais, passeios porticados, lojas articuladas com residência, pode ser algo tão perigoso como os livros, a arte ou a música." Será o lema destes organismos "A ignorância é uma benção e o serviço público tem dias."?

Independentemente da dificuldade de comunição e de verbas, em Braga os museus deveriam pautar-se pelo funcionamento em rede, com horários idênticos e interligação de actividades. Era uma grande aposta.

Galo de Barcelos

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Braga vs Benfica: Jesus Vence Primeiro Jogo

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Braga-Estádio Axa 7

Num estádio perto de si. Depois de um jogo marcado pelo trabalho do árbitro Paulo Baptista na primeira volta, Braga e Benfica voltam a encontrar-se num jogo ensombrado pelas notícias de negociações entre Jorge Jesus e o Benfica.

Numa primeira parte marcada por duas ofertas da defesa do Braga ao Benfica fica a sensação de que há Judas em Braga mesmo antes da época terminar. De qualquer modo, a história do jogo seria outra se o árbitro tivesse marcado o pénalti mais que evidente cometido pela mão de um jogador do Benfica aos 35 minutos da primeira parte.

O futebol é isto. Hoje o Benfica jogou melhor e venceu com justiça. O que soa estranho é mesmo a equipa que Jorge Jesus (des)montou. Fico feliz porque nunca embarquei em idolatrias para um treinador que não fez melhor que outros. Boa viagem.

A ler: «Os minutos seguintes (30 e 31) ficaram marcados por dois lances merecedores de grande penalidade a favor dos minhotos», no DN; «A equipa tranquilizou-se num ambiente cada ano mais hostil», no Mais Futebol.

Outras Notícias: Olhanense confirma subida de divisão; Santa Clara e União de Leiria adiam decisões para a última jornada; Boavista foge à zona de despromoção.

Democracia Representativa

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Seria, sem dúvida, um exercício interessante. Consistiria em contabilizar o número total de pessoas que participam no processo de escolha de um executivo de um município. Esclareça-se que o exercício não visaria conhecer o número de cidadãos que votam nas eleições autárquicas. O que se pretenderia, exactamente, seria apurar o número de pessoas que, em cada partido, decide quem vão ser os candidatos à câmara municipal e somar tudo.

Os eleitores, por estes dias, já podem ir começando a saber os nomes que os partidos indicam para encabeçar as listas concorrentes às câmaras municipais, teoricamente, portanto, os candidatos à presidência do concelho. Permanecem, todavia, na ignorância sobre quantas pessoas é que participaram no processo de selecção de cada candidato e, claro, quantas participarão na escolha de cada um dos que ainda surgirão.

Será que o candidato foi indicado pelas três pessoas mais activas da concelhia ou seja lá qual for o nome do órgão executivo do partido? Foi designado pelo presidente da distrital? Foi escolhido por um plenário em que participaram cinquenta e três militantes? Ou vinte e nove? Ou dezassete, que, por acaso, pertencem a três famílias? O candidato foi o único que apareceu no café no dia em que se agendou a feitura da lista? Tudo isto somado, dá quantas pessoas? Sessenta e duas? Noventa e quatro? Cento e noventa e uma?

Seria, com certeza, curioso contabilizar o número total dos militantes partidários que peneiram – e seria também elucidativo saber como peneiram – os candidatos à presidência da câmara municipal. No fim, fazia-se uma comparação com o número de eleitores do município.

Crenças e Valores

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Soldado Gay do Vietname
© Palmira Silva

«Às vezes desaparecem os valores e surgem as crenças. O Público de 2 de Maio continha um artigo intitulado “Tratamentos para alterar orientação sexual não são uma coisa do passado”. Tudo começou com a petição online de um homem de trinta anos que reclama “um comprimido, uma injecção”, para fazer face ao “enorme desgosto por sofrer de tendências homossexuais”. Na pesquisa do jornal, destacam-se pela negativa declarações de psiquiatras portugueses que surgem na tradição homofóbica de alguma psiquiatria, que felizmente o conhecimento científico há muito condenou. Dezenas de anos depois da homossexualidade ter deixado de ser considerada doença pela comunidade internacional, alguns dos nossos psiquiatras (com responsabilidades!) falam de “homossexualidade primária”, com “cunho biológico marcado” e de “homossexualidade secundária”, ou desenvolvem a possibilidade de “reenquadrar a identidade de género e as opções de relacionamento sexualizado”.

O problema não é saber se os psiquiatras podem tratar homossexuais, a questão é que não devem. É certo que muitos homossexuais revelam sintomas psicopatológicos, mas a análise cuidada dessas manifestações demonstra que elas são devidas à discriminação sofrida: quem não se sentirá mal se for alvo sistemático de troça ou de humilhação? O papel dos terapeutas, perante um eventual pedido, deverá ser o de capacitar para a luta contra a homofobia, ajudando a que sejam capazes de afirmar a sua orientação sexual primeiro junto de pessoas próximas, depois (se o desejarem) em contextos mais alargados.

Quando psiquiatras portugueses admitem “tratar” a homossexualidade (alinhando, portanto, na velha e ultrapassada ideia da “doença homossexual”), estão também a manifestar intolerância contra quem é diferente. As declarações são ainda mais graves quando já se iniciou entre nós a discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque não faltarão referências a estas posições como justificativas da não alteração da legislação sobre o casamento, embora elas não possuam qualquer justificação. O caso é ainda mais sério quando a posição ideológica provém de alguém com responsabilidade na Ordem dos Médicos, mas serve para todos: mais uma vez as vozes de alguma Psiquiatria portuguesa continuam ao lado da ideologia mais retrógrada, em vez de se colocarem no sentido do avanço da ciência.»
[Daniel Sampaio, Pública 10.05.2009]

A ler: Cronologia dos Acontecimentos, por Ana Matos Pires; Associações escandalizadas com terapias para mudar de orientação sexual, no Público; «O Carnaval dos homofóbicos», por Joana Amaral Dias.

A assinar: Petição à Ordem dos Médicos.

A celebrar: Hoje é o Dia Internacional Contra a Homofobia, celebrando a data em que a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional das Doenças.

Santa Marta das Cortiças, Falperra

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Muitos alunos do Ensino Secundário aprenderam, e talvez ainda lhes ensinem, que a Idade Média principiou com a queda do Império Romano do Ocidente, nos inícios do século V. Actualmente a generalidade dos investigadores, arqueólogos ou historiadores, considera que o período entre os sécs. V e VIII deve ser designado como Antiguidade Tardia. A Idade Média somente começa com as invasões islâmicas quando o Mar Mediterrâneo é cortado em dois, estendendo-se o domínio árabe a quase toda a Península Ibérica. A Antiguidade Tardia está bem representada em Braga, embora o seu estudo ainda esteja muito longe de ter alcançado os patamares desejáveis. Nesse período Bracara manteve a sua capitalidade, pois foi sede do Reino dos Suevos. Por outro lado os nomes de S. Martinho de Dume e de S. Frutuoso, bispos bracarenses, são referentes obrigatórios da História do Gallaecia, pela importância que assumiram na organização diocesana e no ordenamento territorial em paróquias. Conservam-se numerosos vestígios tardo-antigos em Bracara cidade (estruturas e materiais). No concelho existem pelo menos três monumentos excepcionais: a basílica de São Martinho de Dume; o templo de São Frutuoso; e o conjunto de Santa Marta das Cortiças.

Relativamente a Santa Marta das Cortiças surpreende que a Càmara Municipal de Braga nunca tenha patrocinado um projecto de estudo e valorização das estruturas arqueológicas. Os trabalhos realizados pelo Cónego Arlindo Ribeiro da Cunha e por Rigaud de Sousa descobriram, nos anos 70, os alicerces de uma basílica paleo-cristã bem como um vasto conjunto palatino considerado por alguns investigadores portugueses e espanhóis como a possível residência dos reis suevos. Para além da muralha que circundava o palácio e a basílica também se conservam vestígios do sistema defensivo do castro da Proto-História que aí existiu muito antes. Aliás uma sondagem efectuada por Manuela Martins demonstrou que a ocupação do monte recua pelo menos à Idade do Bronze Final (séc. XI a VIII a.C.). Sem grandes custos este sítio, que também é um excepcional miradouro (em dias claros avista-se a foz do Cávado), poderia ser estudado e valorizado se para tanto houvesse vontade politíca da autarquia e do Ministério da Cultura.

Pois este sítio excepcional que merecia ser tratado com mil cuidados foi “assaltado” pelo Ministério da Administração Interna, sem que a GNR ou a PSP tomassem nota do crime (segundo o Diário do Minho terá havido destruição de património arqueológico). O Comandante da PSP só a posteriori tomou conhecimento da ocorrência que no estanto estava licenciada pelo MAI. Estamos já no domínio da ficção: 007, Licença para Matar.

Com Este Decote, Já Serve?

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Yemen Lafforgue
© Eric Lafforgue

Depois dos textos De Uniforme é Melhor e Festival Eurovisão da Censura escritos pelo Pedro, fiquei a pensar, afinal, para onde vamos. Suponho que seja algo como a imagem ilustra...

Festival Eurovisão da Censura

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A forma como vamos perdendo a capacidade de nos indignarmos perante repetidos atropelos aos Direitos do Homem é verdadeiramente inquietante. Na noite de hoje, perante os holofotes do mediatismo mais inútil, o Festival Eurovisão da Canção realiza-se em Moscovo, num palco tingido pela triste cor da discriminação e da censura.

1. A música «We don’t wanna put in» da Geórgia foi censurada pela organização do evento na sequência das pressões do regime russo que exigiam que o trocadilho «put in» fosse removido da canção. A Geórgia abandonou o evento, organizando uma alternativa bem mais democrática e o Presidente Saakashvili georgiano clama, muito sensatamente, contra a vergonha da Eurovisão.

2. Depois de muitas ameaças, vários manifestantes foram detidos em Moscovo quando participavam numa marcha de protesto contra a discriminação dos homossexuais. Como se sabe, a Rússia não respeita os direitos das minorias sexuais, atentando repetidamente contra os Direitos Humanos. O porta-voz da Câmara de Moscovo afirmou que «semelhantes manifestações não só destroem as bases morais da nossa sociedade como provocam conscientemente desordens que irão ameaçar a vida e a segurança dos moscovitas e dos hóspedes da capital», enquanto que a Igreja Cristã Ortodoxa embarcou na tese de que «a propaganda da homossexualidade é, em qualquer caso, um crime contra a infância».

3. Os organizadores do Festival Eurovisão da Canção pediram à representante da Alemanha, Dita von Teese, para mostrar menos decote na actuação desta noite. Segundo os senhores da Eurovisão, o decote da senhora von Teese não é apropriado para um «espectáculo televisivo familiar».

São apenas três exemplos da censória defesa da moral e dos bons costumes que impregna os nossos dias. Tolerantes perante os pequenos abusos, abrimos caminho às imposições mais ignóbeis e aos atropelos mais graves aos Direitos Humanos que todos devíamos professar. As «diferenças culturais entre os países participantes» não são justificativo bastante para que possamos prescindir da liberdade de expressão, seja escrita ou performativa, do direito à manifestação e da defesa universal da igualdade entre todos, independentemente do sexo, do género, da cor de pele, da orientação sexual ou da religião.

A ler: Gays em desgraça na cidade de Moscovo, por José Milhazes.

Fazer Escola na Arquitectura

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Santiago Bernabéu: Projecto de Cobertura (fotomontagem)
© AS

O projecto de Florentino Pérez para a cobertura do estádio Santiago Barnabéu foi inspirado no Estádio Municipal de Braga. A notícia surge no diário espanhol AS e demonstra a admiração que a obra de Souto Moura continua a despertar um pouco por todo o mundo. O Estádio AXA é uma marca arquitectónica da cidade e do país e o Sporting de Braga muito tem contribuído para a divulgar internacionalmente.

Braga Vai Ter Bicicletas Eléctricas

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cleta eléctrica por neta®.
© Neta®

A decisão de distribuir 1.000 bicicletas eléctricas está condicionada pela inexistência de vias adequadas à circulação de ciclistas. A ciclovia que existe tem várias deficiências por corrigir e o projecto BUTE não se tem revelado revolucionário na promoção de estilos de vida mais saudáveis e ecológicos.

Numa cidade pensada para o uso exclusivo do transporte motorizado individual, a iniciativa anunciada é extremamente positiva, desde que acompanhada pelo investimento na criação de infraestruturas adequada à circulação de bicicletas em segurança.

A ler: Câmara de Braga disponibilizará bicicletas eléctricas, por Diário Digital; Braga disponibilizará mil bicicletas eléctricas à população, por Agência Lusa; Câmara aprova protocolo com empresa fantasma, por Público; Bicicletas Eléctricas para Quem Quiser, por Município de Braga.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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