
© Pedro Presilha, 2007
Finalmente o governo está totalmente constituído e como não se conseguiu formar um governo apoiado pela maioria do parlamento, apetece-me dizer que corremos o risco de perder uma oportunidade para o nosso país e para a nossa democracia.
Na minha opinião, a nossa democracia é recente e demonstra que ainda vai demorar a atingir um ponto de maturidade, como acontece com as democracias do norte da Europa, com países cujas democracias foram instituídas muito antes da nossa e ao mesmo tempo mais desenvolvidos que o nosso. Nestes países, valoriza-se a democracia representativa e o princípio da responsabilidade que os representantes do povo eleitos para os parlamentos têm, de forma a encontrar a solução governativa estável e que garanta um projecto sustentável para o mandato que estão eleitos, a bem do desenvolvimento do seu país, em detrimento das conveniências e tácticas político-partidárias. Por exemplo, antes das últimas eleições, a Alemanha foi governada por uma coligação pós-eleitoral entre o CDU (líder da coligação governativa e partido da mesma família europeia do PSD) e o SPD (partido que anteriormente tinha governado a Alemanha e da mesma família do PS). Estes dois partidos são rivais e o conseguisse governar em coligação durante a totalidade do mandato. Em muitos países, predomina o principio da governação em coligação a com a maioria do parlamento e não os governos minoritários.
Em Portugal parece que se passa o contrário e, como cidadão tenho pena, pois fico com a impressão que corre-se o risco de permanecer em suspenso importantes reformas necessárias ao progresso de Portugal. Ou seja, corremos o risco de termos o país em "gestão corrente" e parado, agravado por um contexto de crise e que é imperativo acção. Ao não conseguirmos garantias de apoio maioritário do parlamento ao Governo, perdemos várias oportunidades.

A Oportunidade Perdida Para a Nossa Democracia


