Res Publicae – “Coisa Pública”

| Partilhar
Proclamação da República Portuguesa 5 de Outubro

Inicio a crónica semanal “Futura Avenida” sem deixar de aproveitar a actualidade. Ontem comemorámos 99º Aniversário da Implantação da República, ao mesmo tempo que está em curso a campanha eleitoral para as Autarquias. Ora estes são dois temas que estão associados.

Ontem, em Fafe, o Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (Artur Santos Silva) defendeu que estas comemorações devem inspirar a sociedade para a renovação cívica, assente numa ética republicana do século XXI que reforce a cidadania e a devoção pela causa pública.

Diria que temos de aproveitar estas comemorações para reflectirmos sobre a forma de credibilizar as instituições da República e os seus agentes, reforçando sempre a democraticidade, a cidadania, o mérito, a transparência e a qualidade. Penso aliás, que um bom exemplo a seguir é o do político Barack Obama.

Quero que no futuro da República (re)surjam mais políticos que lutam pelas suas convicções e projectos, como foram os políticos Mário Soares, Sá Carneiro e Cunhal, usando a comunicação para ouvir, mas também para convencer os restantes concidadãos, e não o contrário.

E considerando que imagem da República é uma mulher ostentando um barrete frígio, que simboliza a Liberdade, e uma vez que a Lei da Paridade está totalmente instituída, só podemos esperar por uma República com novas protagonistas que possam dar contributos diferentes e dar um olhar diferente à democracia.

Este é um desafio que a geração do pós-25 de Abril (da qual me incluo) deve assumir e deve liderar. Diria mais, tem a responsabilidade de assumi-lo. Mas para isso é necessário pensar e debater que Futura Res Publica queremos e posteriormente agir. Sem esquecer que fruto da limitação de mandatos, em 2013 forçará uma renovação semelhante à que foi provocada pelo 25 de Abril e esta acção exigirá iniciar esta reflexão depois das eleições autárquicas. E a reflexão que falo é da renovação cívica, assente numa ética do século XXI, que credibilize as várias instituições juntos dos cidadãos e os provoque a participarem.



Falando do momento eleitoral que assistimos, diria que Braga não pode perder nos próximos 4 anos, a oportunidade que hoje tem em mãos e já me referi no passado. Falo da oportunidade de Braga se afirmar como Cidade de Conhecimento, Cidade Inovação e Cidade Internacional, devido à instalação do Laboratório Internacional de Nanotecnologia.

Durante o próximo mandato, certamente que um pelouro que esteja relacionado com as actividades económicas, turismo, relação com as universidades e ciência, marketing territorial e relações internacionais, irá ganhar obrigatoriamente outro protagonismo que no passado não foi necessário ter, até porque as prioridades eram outras. Mas actualmente podemos dar prioridade às políticas mais intangíveis, porque no passado conseguiu-se executar as politicas tangíveis, como o saneamento, vias rodoviárias, escolas, entre outras.

Para terminar, regozijo-me pelo no programa do Partido Socialista, contemplarem propostas que vão no sentido de não perdermos esta oportunidade, nomeadamente “incentivar a criação de um grande parque tecnológico dirigido fundamentalmente às TIC’s e indústrias criativas, que consistirá num centro de serviços partilhados e incubadora de empresas, estimulando assim a inovação e as sinergias entre empresas, proporcionando aos jovens empreendedores uma ferramenta de apoio para a constituição do próprio negócio nestas áreas”. Neste capítulo, o contributo dos jovens socialistas foi determinante, pois desde de 2005 defendem estas questões.

Da mesma forma, será determinante o contributo da geração do Pós-25 de Abril para renovação das instituições democráticas e da Res publica. Vamos aceitar o apelo feito?

6 comentários:

  1. Pelo menos tem sentido de humor. Alguém do PS Braga, e que integra uma lista encabeçada por Mesquita Machado, referir "democraticidade, a cidadania, o mérito, a transparência e a qualidade" é de certeza um parodiante.

    ResponderEliminar
  2. Os manos Corais sempre foram uma consciência crítica da JS, ainda que admire mais o Tiago, que me parece ser mais de acção. Sempre me disseram que o Miguel é mais de aparecer que fazer, mas ambos são bem pensantes. Não podem é esconder-se dos resultados de uma governação da cidade entregue a uma rede de interesses. Interesses a que a própria JS já se vendeu. Os principais quadros políticos da JS estiveram neste último mandato na CMB como assessores políticos, sem que tenham visto grandes resultados. O saldo é apenas um refrescar da imagem, mas no resto um enorme zero. Fica mesmo a ideia que eram simplesmente tolerados pela parte política - uns miúdos que andavam por aí e a quem se tinha que pagar um salário. Simultaneamente é sabido o desprezo com que os funcionários da CMB lidavam com estes assessores. Em parte derivado por alguma falta de humildade dos “jotinhas” e também alguma inveja que o chorudo ordenado despertava. A verdade é que se procurarem as ideias que dizem defender nos últimos Planos de Actividade da CMB não as encontram. Situação que comprava a ideia que as propostas do PS são apenas uns balões para encher na campanha, assim como a profunda inutilidade dos ditos assessores. Militantes como o Miguel Corais são uma esperança que o PS poderá sair melhor de uma cura de oposição. Quando os oportunistas saírem há esperança para o PS Bracarense

    ResponderEliminar
  3. Caro anónimo,
    Vai-me desculpar,mas não percebo porque acha uma paródia.
    Se há Partido em Portugal que tem um património na defesa da democracia e nas suas instituições, esse é o Partido Socialista. Ao longo da sua história procurou reforçar a "democraticidade, a cidadania, o mérito, a transparência e a qualidade". Não esquecer que foi o primeiro Partido abrir-se ao independentes com os Estados Gerais.
    Apesar de achar o seu comentário não ofensivo, espero que não seja uma nova versão de "asfixia democrática"...

    Com este Post pretendo só referir que a democracia é sempre um projecto inacabado e apelar à próxima geração de cidadãos a fazerem o que fizeram os nossos antecessores - lutar pela democracia e pela liberdade.
    Obrigado

    ResponderEliminar
  4. Fico satisfeito por ver uma nova geração com ideias e ideais tão bem definidos.
    Concordo que 2013 vai ser verdadeiramente o ano de viragem, sendo por isso necessário preparar desde já o imenso desafio que se aproxima…
    Continua o bom trabalho. Braga agradece…

    ResponderEliminar
  5. Refrescante! Quando se fala tanto, e se sente, entre amigos, nas organizações (variadas), mesmo nos partidos, uma crise generalizada de referências, é cada vez mais importante afirmar os valores Republicanos como pilar fundamental da construcção democrática de Portugal do pós 25 de Abril. Somos, na verdade, para além de uma democracia jovem, igualmente uma (II) República jovem (ditaduras republicanas não existem – são figuras de estilo da falta de progresso!). E não é só de renovação que se trata. A ética da República vai muito para além do sr.X e da sra.Y, não se encerra na limitação de mandatos ou na renovação da confiança nos políticos e nas políticas. Salvo algum negativismo mental, pessimismo integral e inação crónica, de que muita gente está farta, a verdade é que se constituem poucas alternativas consistentes no exercício da cidadania, e isso, pena minha (!), não é responsabilidade dos Partidos. É responsabilidade de nós, cidadãos. Assim, o apelo é evidente, cabe a todos transformar positivamente a intervenção cívica a vários níveis, da participação eleitoral à prática de voluntariado e à renovação partidária, eliminar esse pessimismo integral que fala mal, diz mal, está chateado e não produz valor (e se possível trocar por um optimismo irreparável, tenha o custo que tiver), e, finalmente, resolver o problema da inação crónica, que planeia, pensa, discute, reage, reflecte, problematiza, mas não faz nada. E, entre sentado a decidir a vida toda, ou de pé e de mangas arregaçadas, os Republicanos, mesmo em Braga, já decidiram há muito.

    ResponderEliminar
  6. No abstracto, partilho inteiramente das ideias subjacentes neste artigo. Sobretudo os valores enunciados tais como a democraticidade, a cidadania, o mérito, a transparência e a qualidade. Mas são precisamente estes valores que não prevalecem no actual executivo camarário.
    A não participação nos debates por parte de Mesquita Machado é a prova inequivoca do seu desprezo por tudo aquilo em que assenta a democracia republicana...

    Em Portugal, e muito particularmente no executivo camarário de Braga, falta o princípio da meritocracia e só por isso se compreende que os manos Corais nunca tenham sido suficientemente reconhecidos e valorizados pelo PS local...Perde o partido e perde a cidade...

    ResponderEliminar

Antes de comentar leia sobre a nossa Política de Comentários.

"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores