Avenida Central

Os Facilitadores

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Cadeiras atiradas no jogo Braga-Benfica (31/10/09)© Bruno Simões

Já no estádio, rapidamente as preocupações deixaram de ser o jogo e transferiram-se para o repetido olhar por cima do ombro, para ver o que ia caindo. É verdade: o Sporting de Braga colocou as claques encarnadas na bancada superior. A ideia, saída dos sábios pensadores bracarenses, seria a seguinte: como por baixo das claques benfiquistas vai estar um sector de adeptos do Benfica, se lhes acontecer alguma coisa, azar: ninguém os manda não ser do Braga. Infelizmente, esta táctica estava manca: a massa benfiquista espalhava-se muito para lá dos adeptos benfiquistas, cobrindo cerca de metade dos adeptos bracarenses colocados na bancada Nascente.

É amplamente conhecida a propensão dos vândalos das claques encarnadas (de todas, na verdade, mas no caso em questão, são as do Benfica) para a pacatez e a não propensão para a violência. Petardos, tochas a arder, cigarros acesos, cadeiras: you name it. Quem queria ver alguma acção nas bancadas só tinha de olhar para cima e ver o que, desta vez, as claques atiravam. Eu sei que parece inacreditável, mas as claques estavam sozinhas: não havia nenhum cordão de segurança ao pé dos adeptos e apenas se vislumbravam dois elementos da segurança privada do clube a “zelar” pela segurança de quem estava cá em baixo. O arremesso de objectos dependia, naturalmente, do livre arbítrio dos benfiquistas. [ComUM]

Este é um excerto da crónica que publico no meu espaço quinzenal no jornal ComUM. Analisa os preços exorbitantes do jogo do último sábado e a insana decisão de colocar adeptos do Benfica por cima de adeptos do Braga.

Fãs, Dizem Eles

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OMG *-*© Graça das Graças

Os verdadeiros intentos da maior parte daqueles que integraram as filas para adquirir bilhetes para a segunda data dos U2, em Coimbra, revelam-se no site de classificados OLX.

5 mil euros por um bilhete é quase tanto como um ano de salário minímo.

O Cimento Do Tua

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Receando estar a invadir território do Dario Silva, não posso deixar de colocar aqui o trailer do que parece ser mais um excelente documentário do Jorge Pelicano, autor do aclamado "Ainda Há Pastores?", de 2006.

O novo trabalho, intitulado "Pare, Escute, Olhe" debruça-se sobre a Linha do Tua, numa altura em que é certo que o "cimento" da nova barragem, cuja empreitada se inicia em 2010, vai submergir todo, ou parte, do traçado, dependendo da cota que for escolhida para a albufeira.

A entrada, servida em forma de trailer, simboliza aquilo que o Dario vem defendendo nas suas intervenções. O comboio deixou de ser prioridade há vários anos, quando em confronto com os interesses das grandes empresas, e não só. Veja-se bem as imagens dos políticos a defender a necessidade de investir no caminho-de-ferro: Cavaco é um jovem e o seu filho ainda tem um peluche, um urso, para brincar. Muito tempo, de facto.

Aqui fica o vídeo que abre o paladar para o documentário que foi hoje exibido na Culturgest, integrado na Competição Nacional do DocLisboa 2009.

ComUM de regresso

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A prática e os valores que empresta aos seus colaboradores fazem do ComUM uma valiosa oficina de jornalismo onde, ano após ano, pontificam dezenas de alunos de Comunicação. E parece-me imperativo registar que o fazem, todos eles, por "amor à camisola". [ComUM]


As palavras do novo director Paulo Paulos foram bem escolhidas. Espelham bem o que é, de facto, o ComUM.

comumhp

O jornal ComUM Online, do qual fui director no passado ano lectivo, regressa agora com equipa remodelada, uma novidade que se vai transformando em rotina, e que se cumpre a cada ano lectivo dada a curta duração do curso, após a reestruturação de Bolonha.

Após as férias de Verão, a equipa foi retocada, com a conclusão do curso de vários membros. Sei que liderar um projecto assente em vontade de aprender a "amor à camisola" não é fácil, mas não é menos verdade que é do ComUM que saem os jornalistas de amanhã.

Fiquemos a acompanhar a laboração da equipa. Eu, desta vez, fico sentado na cadeira dos cronistas.

P.S.: Para quem quiser ler, a revista Jornalismo & Jornalistas fez um artigo sobre jornalismo universitário, e o ComUM representou, obviamente, a informação da Universidade do Minho. A entrevista que me fizeram está aqui, páginas 20 e 21 (o título está um pouco a leste das declarações, mas enfim).

O Têxtil ao Poder

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Paulo Serra CDS PP

É assim em todo o lado, já se sabe. Em quase todas as autarquias, os edis são pessoas com um passado brilhante em termos empresariais. Daí a maior parte deles estar preparado, em termos de agenda, para aceitar um exigente desafio como o de gerir uma cidade. Poucos se notabilizam pela sua caminhada na política, algo que é mais frequente na política nacional.

Aqui no Norte, logo depois de terminar o Minho, a Trofa (palavra que, em árabe, significa fronteira) é um exemplo cabal da ascensão deste tipo de figuras. Numa cidade que muito alicerçou a sua elevação a cidade nas indústrias têxteis presentes nas suas imediações, é natural que comecem a surgir agora na ribalta os responsáveis pelo sucesso empresarial da região.

No futebol, destacou-se Rui Silva, líder do Grupo Ricon, um dos mais importantes do país, que produz e detém participações em marcas como Gant ou Decenio. Dados de 2007 explicam o sucesso da empresa, presente em vários mercados mundiais. Desde que se tornou presidente do Trofense, Silva canalizou verbas da Ricon para patrocinar as camisolas da sua equipa. Sem problemas quanto ao financiamento, a equipa reforçou-se e logrou atingir a 1ª Liga na época transacta.

Surge agora Paulo Serra, cuja empresa Paulo Serra e Irmãos detém uma outra importante marca de vestuário, a Cheyenne. Com um passado, porém, ligado à política, não se pode dizer que Serra seja virgem nestas andanças. Mas reforça a ideia de que os empresários têxteis da Trofa, em algum ponto da sua vida, se irão ligar a outra forma de poder. E lança a dúvida sobre se a apetência para a gestão empresarial se conjugará com a política. A ver vamos se o candidato do CDS tem oportunidade de desfazer a incógnita.

Quem diz da Trofa, diz de Famalicão, que tem o presidente de Câmara mais rico do país, graças à sua fábrica de calçado. Os exemplos florescem por todo o lado. O orçamento para campanhas parece, assim, ser inesgotável.

Outro Caminho

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Uma semana volvida sobre Famalicão, o clube, ter voltado a estar nas notícias, por ter sido o último clube a encaixar 8 golos do Benfica num jogo da Liga antes do Vitória de Setúbal, é interessante avaliar de que forma se encontra o desporto em Famalicão. Em intervenções anteriores já aqui abordei a ciclovia de Famalicão, que se baseia no canal ferroviário da Linha da Póvoa. A nível de atletismo e futebol, há projectos magnificentes para construir uma nova Cidade Desportiva, que, contas feitas, se orçará em 30 milhões de euros (a título de estimativa camarária).

Honestamente, o actual estádio municipal 22 de Junho é, de facto, um equipamento velho, sem capacidade de acomodar com conforto e segurança os espectadores e jornalistas. Nem mesmo os jogadores dispõem de um balneário moderno. Mas a equipa do FC Famalicão encontra-se este ano na 3ª Divisão devido a uma decisão de secretaria, senão estaria a disputar o campeonato Distrital da AF Braga.
Como se vê na ligação do primeiro parágrafo, os tempos áureos do Famalicão terminaram há muito (desde a subida à 1ª Divisão, foi sempre a descer). O bater no fundo aconteceu há um par de anos, com a descida aos Distritais. Entretanto, as crises directivas e dívidas (ao Fisco, por exemplo, foram 350 mil euros) quase levaram à extinção da equipa. Uma decisão administrativa, como já foi referido, voltou a recolocar o clube nos campeonatos nacionais.

Ora, com tanta incerteza a pender sobre esta equipa, não seria mais racional canalizar o investimento para outras modalidades desportivas, reconvertendo, por exemplo, o actual estádio? (Uma espécie de lifting/upgrade, como o que foi efectuado no D. Afonso Henriques, em Guimarães).

Apesar de no novo estádio poderem vir a actuar todas as equipas do concelho que competem nos Nacionais (Joane, Oliveirense, Ribeirão e Famalicão), seria, porventura, mais inovador e importante apostar numa pista de atletismo de pista coberta, por exemplo. Seria a primeira em Portugal construída do zero. Alguém duvida da visibilidade que tal empreitada teria? Os atletas de alta competição portugueses, que tanto pedem ao Governo uma pista onde não chova nem faça frio, poderiam ter em Famalicão a sua nova Meca.

Por vezes é preciso inovar. Não questiono que um novo Estádio seja bom para o concelho. Mas é a obra óbvia, para uma cidade cuja principal equipa não tem categoria para encher um estádio com 12 mil lugares (no curto-prazo, pelo menos) - será, como termo de comparação, o novo Estádio do Algarve (embora, vá lá, este ano o Olhanense jogue lá por ser do Algarve, apesar de ainda ter de andar vários quilómetros para lá chegar).

Na verdade, é preciso ver mais além. Explorar áreas que não estejam ainda muito desenvolvidas, coisas em que ninguém pense. E, claro, vai sempre ser um exercício interessante verificar se, daqui a uns tempos, o custo da obra se cifrou realmente perto dos 30 milhões de euros.

GNR Patrulhou Bem o Barco

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WrayGunn - Enterro da Gata 09
© samura

Não, não voltou a haver nenhum cargueiro desaparecido por esse oceano fora, nem nada que se pareça. Houve, isso sim, um inesperado protagonista no Barco Rock Fest, um festival de música que tem lugar na praia fluvial de São Cláudio de Barco (Guimarães), e que aspira a tornar-se, já em ano de capital europeia da cultura vimaranense (2012), um festival tão grande como o mítico Paredes de Coura.

O mal-estar instalou-se quando a Guarda Nacional Republicana (GNR), contratada para garantir a segurança no recinto, começou a fazer rondas pelo campismo com cães peritos em farejar drogas. Um dos elementos dos Born a Lion, banda da Marinha Grande que actuou na sexta-feira, foi apanhado com uma quantidade considerável de estupefacientes, detido e, como é estrangeiro, corre o risco de ser repatriado.

É comum acreditar, entre os festivaleiros, que nestes acampamentos tudo é permitido. A verdade, como sabemos, é que não é. Outra verdade, também, é que se em Paredes de Coura, por exemplo, as revistas à entrada e ao campismo fossem minuciosas, mais de 50% das pessoas seria detida ou identificada por posse e/ou consumo de drogas.

Este 'excesso de zelo' causou desconforto entre a organização, que falou em "abuso de autoridade", e entre as bandas que actuaram no sábado, quando o Avenida Central esteve presente no recinto. Saltou logo à vista o dispositivo policial ainda o recinto estava longe. Na rotunda a seguir ao Hotel das Taipas, uma meia-dúzia de viaturas policiais e duas dezenas de agentes tinham montada uma vistosa operação-stop. Dada a hora precoce (22h00), o dispositivo estaria a controlar as idas e não as vindas do festival.

O espaço tem, de facto, muitas semelhanças com o de Paredes de Coura. Situa-se ao lado de um rio (Ave), dispõe de uma praia fluvial, tem igualmente uma ponte a dar acesso ao campismo e várias árvores a ladear o espaço. Frente ao palco, a inclinação é ligeira, ao contrário da acentuada de Coura, mas cá atrás vê-se igualmente bem para os artistas. A filmagem funcionou bem, com várias câmaras a apresentarem imagens dos concertos numa tela enorme, visível da área de alimentação.

É nessa parte, precisamente, que ainda se nota o carácter novato do festival, este ano na sua terceira edição. Pouca oferta, com ementas manuscritas e quase todas semelhantes. É certo que a procura não foi elevada, mas, se fosse, estaria aqui um problema a resolver. Ainda assim, com as expectativas de internacionalização já para o próximo ano, é boa ideia tentar oferecer mais variedade gastronómica aos visitantes do festival, que podem não estar tão habituados à comida portuguesa.

Ouviam-se os últimos acordes dos vimaranenses Let The Jam Roll quando eram cerca de 22h30. Os interregnos para a mudança de bandas foram sempre muito curtos, exceptuando o que antecedeu a entrada em cena dos cabeças-de-cartaz Wraygunn. Acabados de entrar em cena, os senhores que se seguiram, Abandon Mute, demonstraram muita descontracção e à-vontade em palco, bem como vários apontamentos de relevo, mas pecaram por tentar ser mais uma cópia do que uma banda influenciada pelos Muse, facto que se pode comprovar ouvindo a faixa 'Hurricane' (a banda, sediada em Inglaterra, tocou ainda uma versão de Hyper Music, igualmente dos Muse).

smix smox smux @ sá da bandeira
© no i'm not, i'm very married

Logo depois, chegou o momento do festival, pelo menos para o vocalista e guitarrista dos Smix Smox Smux, Filipe Palas (na foto). Logo após abrirem o espectáculo com "Fim-de-semana", Palas começou um outro show, este não tão musical, onde abordou os incidentes com a GNR já referidos. Não se limitou, porém, a narrá-los, tratando de fazer troça dos elementos da força policial presentes no festival. "Fumem, bebam e vomitem-lhes em cima", foi uma das dedicatórias do claramente ébrio guitarrista. Não se ficou por aqui: chamou "filhos da p*ta" aos agentes, que supôs que se chamavam todos Joaquins e Antónios. O público rejubilava e sentia-se identificado com o músico, o único com coragem para dizer o que muitos pensavam.

Conquistado o público, o concerto foi memorável. Uma ou outra dedicatória à GNR, mais discreta, intrometeu-se até final. O tempo não foi muito (não chegou a meia-hora de concerto), mas o público ficou claramente agradado com a banda, que se destaca mais pelas letras e sonoridade pueril e imaginativa do que propriamente pela capacidade vocal dos seus elementos. No final, a já célebre "Intifada" levou o público ao quase êxtase. Houve também um outro encore, que nem todos viram: os quatro agentes da GNR presentes no recinto dirigiram-se, no final, ao backstage e esperaram o vocalista, que foi identificado, levou um processo-crime e terá de comparecer em tribunal por, supõe-se, desrespeito à autoridade.

Os doismileoito entraram em palco logo depois, nada dispostos a alinhar em mais problemas com as autoridades. Apresentaram vários temas do seu álbum de estreia homónimo, que conta com vários registos interessantes, com boas letras, melodias e, agora sim!, boa voz. Foi um concerto estupendo dos maiatos, que começaram a atrair quase todo o público presente e disperso pelo recinto do Barco Rock Fest.

Entretanto, foi a vez dos poderosos Wraygunn encerrarem o dia. Fazendo menção à ilusão de pensar que Portugal é um país com liberdade de expressão, Paulo Furtado, mais contido nas palavras (assegurou que não ia ser malcriado) lamentou o aparecimento do "Grupo Novo Rock (GNR)" no festival, chegando a lançar suspeitas sobre os comportamentos dos agentes: "Esta música [Drunk or Stoned] pode parecer que é sobre os elementos do Grupo Novo Rock, mas não". Com quase uma hora e meia de concerto, os Wraygunn puseram o público aos saltos, com as habituais excentricidades do carismático frontman Furtado. "She's a Go Go Dancer" ou "Everything's Gonna Be Ok" lançaram a confusão na frente do palco, onde a pequena multidão fez mosh e houve alguns aventureiros a fazer, pasme-se, crowd surfing.

Não estariam mais de 1500 pessoas no espaço, durante a actuação da banda de Coimbra. As expectativas da organização não terão sido atingidas, pois em nenhum momento pareceu crível ser possível igualar, num só dia, as 3700 pessoas que estiveram no festival em 2008 (o objectivo era duplicar esse número). Porém, como Paulo Furtado referiu, Paredes de Coura também já foi, em 1993, um festival "muito pequenino, e agora é um dos melhores da Europa em termos de música independente".

No final da noite, a tenda electróncia animou os resistentes. Palas, que tinha prometido lá ir, não ficou por muito tempo. Estava visivelmente abalado pelo sucedido. A actuação das autoridades marcou, pois, um festival com pernas para andar. Resta ver como irá correr o próximo ano. Potencial não falta, vai é ser preciso criar mais alguns incentivos, porque o público continua a aparecer aos pouquinhos.

O Querido Mês de Agosto

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toni carreira - festival credial_2007© alkmix_lux

Não há nada mais categórico a assinalar a chegada do Verão. É quase como que uma segunda data oficial de chegada da estação estival. Monovolumes, carros 'station wagon' para trazer toda a família, cada qual com o seu traço distintivo e identificador: a matrícula. Francesas, espanholas, luxemburguesas, suíças... Aos poucos, os carros dos emigrantes vêm mostrar aos portugueses, sem ser no papel, que agora sim!, estamos de férias.

É uma das coisas que por aí grassa nestas alturas de silly season, parcialmente atenuada com o regresso da Liga de futebol. Quem tem os emigrantes na família aprende a valorizar estas escassas semanas de contacto, trocadas no fim do mês pela busca de uma vida melhor, um carro melhor, uma casa melhor. A portugalidade vira sabor agri-doce: se por um lado não se coíbem de exibir as suas origens nas viaturas (cachecóis, autocolantes, terços...), por outro ostracizam, voluntariamente ou não, a língua portuguesa. 'Ordinadores' e 'd'accordo' são alguns dos exemplos que no 'Bom Português' da RTP levavam com o som da sirene.

Como complemento da onda de emigração, para as boas-vindas ou, quiçá, para prestar alguma homenagem, variados cantores dedicam grande parte das suas composições aos portugueses que trabalham no estrangeiro. Um deles é Graciano Saga, outro o Marante; com os seus espectáculos de Verão trazem-nos outro postal ilustrado da época: as festas tradicionais das freguesias minhotas.

Durante todo o ano fazem-se os preparativos. Peditórios, comissões de festas, donativos... tudo para que, na data do costume, a festa possa agradar às expectativas do povo. E há vários itens a considerar: localização, bandas, foguetes, procissões, ranchos, etc. Quanto mais farto o orçamento, mais conhecido o artista. Até os cachets deles divergem substancialmente: enquanto a Ruth Marlene se fica por uns modestos 11 mil euros, o super Tony Carreira cobra cerca de 45 mil... e não em qualquer palco.

E é ver o povo todo reunido nestas festas, tradicionalmente nos sábados à noite. Novos e velhos, sem excepção, vão na onda. Os emigrantes vêm, pois, compor um pouco mais o número de habitantes das várias localidades do Minho. E ajudam a preencher o retrato do querido mês de Agosto. E, sim, é certamente a altura de maior sentimento de pertença e inclusão na comunidade e no país que o povo sente. Sim, apesar de a juventude achar a música pirosa, o fenómeno é deveras interessante e espelha os costumes das nossas gentes.

Lanço uma sugestão: se tiverem fotos das festas da vossa aldeia, ou se vão a alguma em breve, enviem-nas para o email do nosso estabelecimento (avcentral@gmail.com) e, lá para inícios de Setembro, haveremos de fazer uma galeria com elas. Mesmo que não sejam do Minho - sei que, pelo menos no Norte (Douro e Trás-os-Montes incluídos), a festa é semelhante.

Ciclovia de Famalicão Com Cara Nova

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ciclovia famalicão
© CMVNF

Apesar da esperança de alguns, a linha entre Famalicão e a Póvoa de Varzim, encerrada no início dos anos 90, não irá reabrir tão cedo. Apesar de tal, a concretizar-se, ser um caso único e um estrondoso benefício para os famalicenses e concelhos vizinhos (o prolongamento da A7 até à Póvoa não resolveu os problemas de trânsito: mal se sai da auto-estrada num qualquer fim-de-semana, a confusão continua), o executivo famalicense não ficou completamente inerte na questão, tendo procedido à transformação das linhas em ciclovias.

Ao contrário da Câmara poveira. A ciclovia existe apenas até Gondifelos, a última freguesia famalicense, numa extensão de 10,2 quilómetros. Em Balazar já não há sinal da pista. Ainda se notam alguns sinais da antiga linha, em algumas freguesias poveiras... Seria excelente poder ir até à praia de bicicleta.

A ciclovia, como se vê na imagem, ainda está numa fase primitiva. Caminhos em terra, sinalização pouco frequente... vai daí, Armindo Costa decidiu candidatar-se a verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para transformar, por ora, a ciclovia em ecopista até ao apeadeiro de Outiz. Apesar de não existirem ainda prazos, sabe-se que a actual pista vai receber um alcatroamento, sinalização e iluminação. A proposta já foi aprovada em reunião do executivo. Os custos envolvem 316 mil euros, 200 mil dos quais comparticipados pelas verbas públicas.

Do PS já choveram críticas, apesar do voto favorável. Pedem-se passagens desniveladas para as três passagens pela estrada nacional, algo que a coligação no poder considera de pouca importância, considerando as obras de saneamento e água a decorrer no concelho.

Parece-me uma intervenção importante, apesar de apenas cobrir 4,1 km da ciclovia. À semelhança do que acontece noutros locais da região, a ciclovia/ecopista famalicense é muito apreciada pelos apaixonados pela bicicleta e pelo contacto com a Natureza, para além de ser um dos poucos locais exclusivamente destinados à prática de cicloturismo no nosso país. Como se sabe, o Código da Estrada continua a ser bastante omisso em relação às bicicletas. É também nestas coisas que se vê a diferença entre Portugal e os restantes.

É uma pena que tais investimentos nas bicicletas sejam feitos em prejuízo do comboio. Não tenho quaisquer memórias da Linha da Póvoa em actividade. Lembro-me de ser garoto e de a minha mãe dizer que já tinha havido comboio para a praia. Mas não me parece que consiga, tão cedo, ter notícias de um regresso desta ligação emblemática. O comboio não vai ser prioridade.

Paredes de Coura, O Festival, Não É Mito

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Actualmente, quando chega Agosto, chega também o final do Festival Paredes de Coura. Este ano, tal como no que passou, estive lá a ver a(s) banda(s). Há várias coisas que tornam este festival um acontecimento importante na região minhota.

Para começar, ou não fosse um festival de música, as bandas que passam pelo palco instalado junto à praia fluvial do Taboão assumem suma importância na hora de decidir juntar os trocos e comprar o bilhete ou não. Suma importância, sim. Mas não total importância.

Palco Festival Paredes de Coura 2009
© Bruno Simões

O espaço parece ter sido propositadamente moldado pela Natureza para dar lugar a um espectáculo musical de vários dias. O palco situa-se na base de um amplo anfiteatro natural, o que garante uma visibilidade soberba em qualquer lugar. O campismo é ao lado, e a vila, onde o contacto com a civilização pode ser retomado, fica a poucos minutos de distância.

Houve, neste caso, uma integração quase ideal entre o Homem e a Natureza. Os festivais não têm só de se resumir à música, há toda uma série de factores envolventes que vão condicionar/justificar a escolha por determinado espaço. Não falta consumismo nem capitalismo dentro do festival, mas a harmonia (leia-se equilíbrio) entre o que está lá desde sempre e o que foi posto mais recentemente agrada e faz muitos fãs, que quase sempre regressam.

Daí que eu retome a ideia de que as bandas que actuam no festival não se revestem de toda a importância na hora de adquirir os ingressos. O propalado espírito do festival, assente na convivência nas tendas, no vaguear por uma vila simpática ou nos mergulhos na água gelada do rio Taboão (que este ano esteve interdito a banhos, devido à presença de salmonelas) representam momentos inesquecíveis. O conforto (ou falta dele) mal se nota.

A fórmula de sucesso já tem sido aplicada em mais festivais minhotos. Dentro de algumas semanas inicia-se o Barco Rock Fest, na freguesia de Barco (Guimarães), que conta com nomes importantes da nova música portuguesa (Wraygunn, Smix Smox Smux ou Sean Riley & The Slowriders) e que parece um Paredes de Coura em formato mini: não falta a praia fluvial e o campismo gratuito para os detentores de bilhete geral. Vale a pena dar lá um salto, a 21 e 22 de Agosto.

Não se pode dizer que o Minho esteja mal servido em termos musicais. Na época de pausa nas casas de espectáculo, os festivais de Verão vão garantindo aos minhotos a certeza de poderem ouvir boa música.

P.S.: Esta edição do Paredes de Coura foi, a meu ver, mais fraca que a do ano passado. Musicalmente falando, claro está, a organização cortou no palco Ibero Sounds, que no ano passado serviu de montra a várias bandas antes do início dos concertos no palco principal.

A ideia de começar os concertos no palco After Hours não foi muito feliz, pois em Patrick Wolf registou-se uma enchente épica num espaço várias vezes mais reduzido que o do palco principal. A um nível muito geral, a qualidade das bandas descresceu relativamente ao ano transacto... o que pode muito bem ser um consequência do fim do patrocínio da cervejeira holandesa Heineken. Os cabeças-de-cartaz asseguraram a festa, entre uma ou outra surpresa (Blood Red Shoes e Portugal. The Man, com registos completamente diferentes um do outro, merecem uma oportunidade).

Para o próximo ano, já se sabem as datas da festividade: 28 a 31 de Julho. Sabe-se também quem não vem: os Radiohead. 750 mil euros são demasiado para um festival com um orçamento de 2 milhões...

Já vai longo, o post-scriptum, mas fica mal não tirar o chapéu à Ritmos, por organizar um festival sem paralelo no nosso país.

Autárquicas Em Cartaz

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Já se começam a notar as primeiras movimentações do furor que será a campanha autárquica dentro de alguns meses. Por aqui, em Famalicão, nada de muito especial. Apesar de a candidatura da coligação PSD-CDS/PP ter sido apresentada apenas na passada segunda-feira, o que não falta pela cidade são gigantescos cartazes com uma cara sorridente do autarca mais rico do país.

Uma volta pelo centro urbano encontra cerca de uma dezena de cartazes, em quase todas as entradas da cidade e também no seu interior: junto ao parque 1º de Maio, ao pé da Rotunda da Água... esta última, na foto, foi aliás uma das obras de requalificação urbana mais emblemáticas deste mandato social-democrata. A rua S. João de Deus, contígua à rotunda, foi das primeiras obras a receber a placa a assinalar a empreitada, com o nome de Armindo Costa. Várias foram vandalizadas, entretanto.

Cartaz de Armindo Costa (PSD/CDS-PP), Famalicão
© Bruno Simões

A campanha em si, em termos estéticos, está muito bem conseguida. Bom jogo de cores, uma imagem que inspira confiança, um slogan que apela à continuidade, e a ligação para o blogue do candidato na parte superior do cartaz. A juntar a isto, há um cartaz em cada esquina da cidade.

Já a do PS, por seu turno, está muito mais discreta. O cartaz, como se pode ver na foto, apela à mudança, em linha com a moda Obama, mas tem falhas gravíssimas. O candidato, Reis Campos, é pouco conhecido junto da população, e o facto de o seu nome não fazer parte dos cartazes de campanha é péssimo. Na verdade, este cartaz está colocado numa das saídas da Variante Nascente de Famalicão já há vários meses, quase aos mesmos que me ia interrogando sobre quem seria este candidato.

Não detectei mais de 4 cartazes de Reis Campos pelo centro urbano famalicense. As diferenças entre as candidaturas são, neste momento, abissais. Tenho a impressão de que há mais propaganda ao PS de Sócrates, para as Legislativas, do que às Autárquicas. Talvez ainda vá ser lançada alguma nova campanha socialista em Famalicão. No blogue de Reis Campos, é possível encontrar as suas principais ideias e motivações.

Cartaz de Reis Campos (PS) em Famalicão
© Bruno Simões

Do PCP ou do Bloco nada se vê, por ora. Aliás, há mais cartazes da Missão Minho, do Manuel Monteiro (dois) do que dos restantes partidos com assento parlamentar.

A direita está, pois, em peso, em Famalicão. Tudo aponta para uma repetição dos resultados de 2005, que deram a maioria à coligação PSD-CDS/PP com 55% dos votos. Aliás, das 49 freguesias famalicenses, só 5 é que não são laranja e têm presidentes socialistas.


Comboios Não São Só Linhas

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Famalição por FotoBen.
© FotoBen

As mudanças nao se restringiram à linha e às composições. As passagens de nível foram quase totalmente suprimidas e foram substituídas por viadutos ou túneis, quer para trânsito pedonal quer para rodoviário.Tais obras, entre 2002 e 2004, transformaram Famalicão num “gigantesco estaleiro ao ar livre”, nas palavras do ainda presidente da Câmara Armindo Costa.

A estação de Famalicão, completamente modificada no decorrer das obras, continua inserida Numa área pouco nobre do concelho, onde grassa um bairro com barracas e casas com os típicos telhados de zinco, onde residem várias famílias ciganas. O executivo camarário tinha em vista realojar as famílias ali residentes e, depois de demolir o bairro, construir um parque com cerca de 100 lugares para os utilizadores da estação.

Como se depreende, apesar da linha se encontrar modernizada, o único local de estacionamento que existe ao pé da estação dispõe de uma meia-dúzia de lugares. Todos os restantes veículos têm de ser acomodados ao lado dos passeios.

O bairro de lata continua de pé, o que, além de prejudicar o acesso à estação (em horas de Ponta e, digamos, com um ligeiro atraso para apanhar o comboio, é tarefa impossível estacionar o carro e entrar em tempo útil na composição), é um péssimo cartão-de-visita de Famalicão, pois quem visita a cidade pela primeira vez, depara-se com um cenário degradante assim que sai do comboio.

A obra está feita, mas podia estar feita até ao fim. Se a modernização da linha custou 100 milhões de euros, certamente que o realojamento e construção de um parque de estacionamento ficariam por uma ínfima parte desse valor.


Minho Digital, Mas Pouco

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Santuário de São Bento - Vizela
© Jorge Miranda

A prioridade dos investimentos camarários, como se vê por estes dias, são as obras. Qualquer tipo de obra. Nem que seja para alcatroar uma rua, meter uns espaços ajardinados, uns passeios mais bonitos. O que interessa é que haja confusão, trânsito congestionado, operários com maquinaria pesada, para as pessoas pensarem "Eh lá, sim senhor, estão a pôr isto jeitoso".

Na era digital em que nos inserimos, o exemplo de uma freguesia de Vizela, Tagilde, ganha particular relevância. Não, não foi lá nenhum político nem se fez lá nenhum comício. A terra é pequena, os acessos remotos e ninguém lhe aponta muitas qualidades além da beleza natural. Mas na verdade, é uma das poucas freguesias com acesso à internet wireless disponível gratuitamente para todos os habitantes, e por toda a freguesia.

Estive lá em trabalho há umas semanas e fiquei surpreendido por encontrar uma rede sem fios numa zona em que, além da igreja, só havia uma ou duas casas. Não pude utilizá-la, pois ela está apenas disponível para os habitantes. Mas, verdade seja dita, não serão muitos os utilizadores a visitar aquela terra com necessidade de se conectarem.

No site da Junta, lê-se que os vários pontos de acesso permitem que o sinal se estende por um espaço de 12 km (a vila tem 2,77 km quadrados...), e que, para usufruir do serviço, é necessário deslocar-se à sede administrativa da freguesia, munindo-se de BI e Cartão de Eleitor, para obter um username e uma password.

Em Famalicão, planeia-se instalar internet nas escolas primárias. Um dos planos do Governo, com a modernização do Parque Escolar, é disponibilizar acessos à rede sem fios em todas as escolas. O e-escolas e o e-escolinhas são projectos excelentes, mas vão continuar a ter uma grande pecha enquanto os alunos não puderem aceder à internet gratuitamente (sim, eu sei que os portáteis e-escolas trazem banda larga móvel, que é paga...).

Braga tem o projecto Braga Digital, que foi lançado em 2007, cuja apresentação final foi feita em meados do mês passado. Os acessos wireless, a funcionarem, cingem-se à zona histórica. Vários outros projectos são descritos como estando em "fase final de implementação". Há uns tempos vi uma espécie de terminal informático com as inscrições "Braga Digital" a ser instalado na Universidade do Minho. Deduzo que vá disponibilizar acesso à internet, mas desconheço a sua utilidade numa instituição que tem internet wireless.

A verdade é que no sítio da Câmara de Famalicão, as palavras tecnologia, internet ou wireless não fazem parte da Visão Estratégica Central do Programa de Actuação do executivo de Armindo Costa para 2009. Na 5.ª Linha Estratégica de Desenvolvimento, fala-se de "promover a inovação e o desenvolvimento" no âmbito da Sociedade do Conhecimento, o que engloba, além de apresentar um novo website da Câmara (para substituir o excelente que agora existe), instalar internet sem fios... nas escolas primárias. Não é mau, mas não chega.

Se o objectivo é "afirmar o concelho no país e no mundo", a internet era uma boa forma de começar. Mas o que fica na retina são as ruas reordenadas, realcatroadas, revitalizadas. Eu cá nem me posso queixar. A minha rua foi alcatroada há poucas semanas.

Avenida Plural

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Junho foi o mês em que o blogue Avenida Central atingiu o meio milhão de visitantes, com 3.412 visitas no dia das Eleições Europeias e um total mensal acumulado de 43.510 páginas vistas e 31.609 visitas. Para reforçar os nossos quadros, passamos a contar a partir de amanhã com Bruno Simões, o primeiro contributo regular de Vila Nova de Famalicão.

Bruno Simões é recém-licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho. Enquanto universitário, esteve envolvido nos projectos jornalísticos da academia, e destacou-se no único digno desse epíteto, o ComUM. Foi, em anos consecutivos, redactor, editor e director. Pelo meio, participou em vários outros projectos, do online à rádio. Está à procura do primeiro emprego.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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