Avenida Central

"Está Quase" - 1

| 0 Comentários | Partilhar


Portugal, feliz e contente, vai sendo governado por "lisboetas", todos nascidos algures, muitos nas berças, como nós. Não podemos ter um grande futuro pela frente. Está Quase… 2.

O Querido Mês de Agosto

| 10 Comentários | Partilhar
toni carreira - festival credial_2007© alkmix_lux

Não há nada mais categórico a assinalar a chegada do Verão. É quase como que uma segunda data oficial de chegada da estação estival. Monovolumes, carros 'station wagon' para trazer toda a família, cada qual com o seu traço distintivo e identificador: a matrícula. Francesas, espanholas, luxemburguesas, suíças... Aos poucos, os carros dos emigrantes vêm mostrar aos portugueses, sem ser no papel, que agora sim!, estamos de férias.

É uma das coisas que por aí grassa nestas alturas de silly season, parcialmente atenuada com o regresso da Liga de futebol. Quem tem os emigrantes na família aprende a valorizar estas escassas semanas de contacto, trocadas no fim do mês pela busca de uma vida melhor, um carro melhor, uma casa melhor. A portugalidade vira sabor agri-doce: se por um lado não se coíbem de exibir as suas origens nas viaturas (cachecóis, autocolantes, terços...), por outro ostracizam, voluntariamente ou não, a língua portuguesa. 'Ordinadores' e 'd'accordo' são alguns dos exemplos que no 'Bom Português' da RTP levavam com o som da sirene.

Como complemento da onda de emigração, para as boas-vindas ou, quiçá, para prestar alguma homenagem, variados cantores dedicam grande parte das suas composições aos portugueses que trabalham no estrangeiro. Um deles é Graciano Saga, outro o Marante; com os seus espectáculos de Verão trazem-nos outro postal ilustrado da época: as festas tradicionais das freguesias minhotas.

Durante todo o ano fazem-se os preparativos. Peditórios, comissões de festas, donativos... tudo para que, na data do costume, a festa possa agradar às expectativas do povo. E há vários itens a considerar: localização, bandas, foguetes, procissões, ranchos, etc. Quanto mais farto o orçamento, mais conhecido o artista. Até os cachets deles divergem substancialmente: enquanto a Ruth Marlene se fica por uns modestos 11 mil euros, o super Tony Carreira cobra cerca de 45 mil... e não em qualquer palco.

E é ver o povo todo reunido nestas festas, tradicionalmente nos sábados à noite. Novos e velhos, sem excepção, vão na onda. Os emigrantes vêm, pois, compor um pouco mais o número de habitantes das várias localidades do Minho. E ajudam a preencher o retrato do querido mês de Agosto. E, sim, é certamente a altura de maior sentimento de pertença e inclusão na comunidade e no país que o povo sente. Sim, apesar de a juventude achar a música pirosa, o fenómeno é deveras interessante e espelha os costumes das nossas gentes.

Lanço uma sugestão: se tiverem fotos das festas da vossa aldeia, ou se vão a alguma em breve, enviem-nas para o email do nosso estabelecimento (avcentral@gmail.com) e, lá para inícios de Setembro, haveremos de fazer uma galeria com elas. Mesmo que não sejam do Minho - sei que, pelo menos no Norte (Douro e Trás-os-Montes incluídos), a festa é semelhante.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores