Avenida Central

Jamais

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Duas vezes não. Nem coligações nem acordos parlamentares. Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, foi a primeira a ouvir a pergunta de José Sócrates sobre a disponibilidade para uma coligação ou um acordo de incidência parlamentar. O PSD, afirmou Ferreira Leite, fará uma “oposição responsável” e afirma-se indisponível para os tais acordos com os socialistas. [Público]

A Ferreira Leite tem um peculiar entendimento do que é uma "oposição responsável". Acordos e entendimentos? Jamais!

Uma "oposição responsável", parece-me, não é compaginável com afirmações radicais. A recusa, à partida, de qualquer entendimento legislativo é uma contradição com essa responsabilidade que evoca. Continua com a mania da afirmação de absolutos.

A Fraude dos Votos no Estrangeiro

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No dia em que se conheceram os votos dos portugueses residentes no estrangeiro há uma reflexão que se impõe. Apesar do PS ter sido o partido mais votado com 9.135 votos, o PSD, com os seus 8.706 votos, elegeu três vezes mais deputados (3 do PSD contra 1 do PS). Esta situação é a face mais insólita de um sistema eleitoral verdadeiramente decrépito.

Se tivermos em conta os votos registados no território nacional, verificamos que o PS elegeu um deputado por cada 21.548 votos enquanto ao PSD bastaram 21.103 votos para eleger cada mandato. Os pequenos partidos necessitaram de um esforço maior: o CDS-PP só elegeu um deputado por cada 28.188, a CDU por cada 29.745 e o Bloco de Esquerda precisou de mais de trinta mil votos (34.818) para eleger cada um dos seus parlamentares. Saliente-se que apesar de ter conquistado 52.632 votos, o MRPP não elegeu nenhum deputado.

Sem prejuízo da reforma profunda que é inevitável fazer-se, penso que a questão dos emigrantes se resolvia facilmente com a distribuição dos seus votos pelo último círculo eleitoral onde residiram em Portugal. Seria mais justo e evitaria as distorções que agora se denunciam.

Reorganização da Direita?

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A subida do CDS-PP é um motivo de preocupação para o PSD. Foi em parte graças à descrença na figura da Ferreira Leite e ao desnorte com que o PSD nos presenteou nos últimos anos que o CDS-PP encontrou margem para subir. Quando escrevi isto, ainda não se conhecia a real dimensão dos resultados. A maior "habilidade política", como lhe chamou o Pedro Morgado, a boa campanha que fez, como referiu o Bruno Gonçalves, e, acrescento eu, a melhor e mais coerente oposição ao governo, quando comparado com o PSD, foram factores-chave para este resultado. O autêntico bluff que a Manuela Ferreira Leite revelou ser (para quem ainda não o tinha percebido) ajudou de sobremaneira.

E é motivo de preocupação, pois o PSD foi ao tapete. Pode-se levantar, mas se não o fizer neste espaço de quatro anos, fica K.O., abrindo o espaço da direita ao CDS-PP. A avaliar pela enorme instabilidade interna dos últimos anos e pela dificuldade de encontrar um líder que seja pacífico para os "vários PSDs", este deverá mesmo ser um sério motivo de preocupação. Pese embora existir a possibilidade do Pacheco Pereira ter apreendido a lição com a derrota da sua líder e se abstenha de, no futuro, procurar fazer cair líderes, como fez com Marques Mendes e Filipe Menezes.

A não demissão da Ferreira Leite também será um motivo de preocupação acrescida. Sendo certo que começa agora um ciclo de quatro anos, pode suceder que não se dê apenas um êxodo de votantes para o CDS-PP, mas também de figuras que lá venham a encontrar um partido com o qual se identificam (e, seguramente, muitos haverão no PSD), enfraquecendo o PSD e fortalecendo o CDS-PP. Quanto mais tempo o PSD demorar a encontrar-se, pior para o PSD. Em bom português: o PSD que se ponha a pau!

O Dia Depois de Amanhã

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José Sócrates
© JN

No dia em que os portugueses escolheram a composição da nova Assembleia da República, muitas são as interrogações que ainda se colocam quanto ao futuro do país. Antes demais, convém deixar bem claro que a vitória do Partido Socialista tem um amargo sabor a derrota, só amenizado pelo autêntico desaire do PSD. José Sócrates tem um resultado inferior ao obtido por Ferro Rodrigues no ocaso do guterrismo e, ainda assim, o PSD mostrou-se incapaz de gerar uma alternativa credível que pudesse dar ao país um novo governo. Pior do que isso, o PSD afastou-se da matriz social democrata, entregando-se ao conservadorismo mais beato e inimigo das causas sociais e da liberdade individual. Manuela Ferreira Leite e José Pacheco Pereira são os grandes derrotados desta noite.

Custe a quem custar, é preciso dizer com muita clareza que o grande vencedor da noite é o CDS-PP e Paulo Portas. A habilidade política garantiu-lhe uma aumento significativo do número de votos, a quase duplicação do número de deputados e, mais importante, a quase imprescindibilidade para a solução governativa do país. Ainda no campeonato dos pequenos partidos, o Bloco de Esquerda duplica o número de deputados, ultrapassa a CDU, mas não chega ao pódio. 

É pouco provável que os próximos dias, em plena campanha autárquica, sejam pródigos em novidades quanto ao futuro governo do país, mas, quanto a mim, as soluções plausíveis são apenas três: 1) o Partido Socialista governa sozinho, viabilizado pela abstenção do PSD no Orçamento; 2) o PS governa com base em acordos de incidência parlamentar pontuais com diferentes partidos; 3) o PS governa em coligação com o CDS-PP. Veremos.

Umbigo

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A Região de Basto conseguiu 2 deputados pelo círculo de Braga: Isabel Coutinho pelo PS e Altino Lemos Bessa pelo CDS-PP.

Manuel Monteiro

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Depois de tanto alarido, de tanto marketing e de ter iniciado a campanha muito mais cedo do que qualquer outro candidato, é impossível não fazer qualquer referência ao resultado ridículo que o Manuel Monteiro teve no distrito de Braga. Não se limitou a "falhar a eleição". Se se vai dizendo que a Manuela Ferreira Leite morreu politicamente, o Manuel Monteiro teve hoje o seu velório.

Mais 4 Anos Socialistas

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Passados 4 anos de uma desastrosa política socialista, um Primeiro-Ministro com tiques autoritários como nunca antes visto e sem qualquer reforma significativa realizada após 4 anos de mandato, a reeleição de José Sócrates é uma má notícia para Portugal e para todos os que ansiavam por uma mudança de líder, uma mudança de política e a rejeição dos sucessivos ataques às liberdades dos cidadãos e da liberdade de imprensa, que este governo demonstrou sem qualquer pudor.

A derrota clara do PSD, um péssimo resultado, não deixa a Manuela Ferreira Leite qualquer solução que não seja a sua demissão. Perante este PS, perante este governo, perante este Primeiro-Ministro, esta derrota é devastadora. Amanhã poderemos discutir as causas deste resultado. Neste momento, é com pena que vejo MFL recusar-se a assumir a responsabilidade desta derrota com a sua demissão. A sua liderança é neste momento insustentável.

O crescimento do Bloco de Esquerda, mais que duplicando o número de deputados no parlamento deve assustar qualquer eleitor moderado. Um partido composto por marxistas, maoístas e trotskistas conseguir cerca de 10% dos votos é um caso inédito na Europa e é certamente preocupante.

Esta noite, muito infeliz para o país na minha opinião, certamente tem algumas notícias que são reconfortantes. É certo que o PS não atingiu a maioria absoluta, uma pequena, muito pequena vitória da oposição. A boa notícia é o crescimento do CDS, aparentemente a terceira força política. Foi o partido que realizou a melhor campanha, que defendeu boas ideias em várias áreas e que merece o resultado que obteve.

Sebastianismo Revisitado: a Confirmação do Mito

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Entre pérolas como “aquilo que há a fazer é travar, tudo menos avançar”, “romper com todas as soluções adoptadas pelo PS em termos de política económica e social” ou até o próprio slogan de campanha "política de verdade" e tantas outras, a Manuela Ferreira Leite absolutizou o seu discurso, tornando-o na afirmação do tudo ou do nada. Um tudo ou nada que resulta, na generalidade dos casos, numa proposta baseada no desfazer e no não fazer. Um tudo ou nada de uma verdade absoluta que resulta em gravíssimas incongruências entre a política professada há meia dúzia de anos e a política defendida agora.

Dizia a Paula Teixeira da Cruz a 10 de Setembro no Correio da Manhã que "Não é aceitável que não se oiça um clamor de exigência de cidadania, de exigência de explicitação do que se quer para o país e com quem".

Quem estava descontente com o PS e com o Sócrates e procurava votar numa alternativa de governo, o PSD, esbarrava no obstáculo que era a sua presidente. No meio de inúmeras personalidades bem mais clarividentes, ela destacava-se pela sua manifesta incapacidade de ser clara, de definir um rumo e, sobretudo, de o explicar. É certo que ouvindo, por exemplo, as suas muletas Rangel ou Pacheco Pereira ficamos com uma percepção mais clara do que é que o PSD entendia fazer. Mas quem é que se propunha a governar e a liderar? Era ela? Ou eram eles?

A tudo isto acresce a sombra do seu medíocre passado enquanto política e governante. Foi má ministra da Educação e das Finanças. Enquanto ministra de Estado e parte do governo, foi preterida por Durão Barroso na sua sucessão, preferindo entrega-lo a um vice-presidente estranho ao governo.

Na altura das directas fiquei com a ideia clara de que a eleição da Ferreira Leite, que pouco ou nada disse e pouco ou nada a fez para as ganhar, era uma demonstração bacoca de enorme fé num mito. Ao longo das presidências de Marques Mendes e Felipe Menezes sempre pairou a ideia de que a Ferreira Leite é que seria a presidente ideal, congredora, uma miraculosa salvadora. Por alguma razão o mito de D. Sebastião é exactamente isso: um mito.

Esta é uma derrota pessoal da Ferreira Leite. O PSD perdeu as legislativas nas directas e a vitória pessoal do Paulo Rangel é a excepção que confirma a regra.

A Noite Negra do Cavaquismo

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Quero ver que desculpa vai ter Manuela Ferreira Leite para não se demitir hoje, e Cavaco Silva amanhã.

Segurança

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Aparentemente e na minha opinião, a política de segurança propagada pelo CDS-PP será a principal razão para a subida e por o resultado que se prevê não ser só aquele do costume, um pouco acima das sondagens, mas antes, possivelmente, um resultado histórico para o CDS-PP. Esta ideia confirmar-se-á se, de facto, a subida do CDS-PP se verificar nos centros urbanos.

Mas creio existir algum demérito por parte dos outros partidos, pois houve uma relativa omissão sobre esta matéria nas respectivas campanhas e, na percepção da opinião pública, este facto terá acentuado a ideia de que o CDS-PP tería uma preocupação genuína e que os outros a não tinham.

As Eleições no Minho: PS Segue na Frente

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23h50m. O PS também venceu em Viana do Castelo, mantendo 3 deputados. PSD é segundo com 2 eleitos e CDS-PP mantém o deputado do Alto Minho.

23h43m. O Partido Socialista venceu em Braga com uma votação (41,73%) superior à média nacional e mantendo o mesmo número de deputados na Assembleia da República. O PSD perdeu votos e também um deputado que é capitalizado pelo CDS-PP. O Bloco de Esquerda é a quarta força política do distrito e o CDU é quinto, conseguindo manter o seu deputado.

21h30. Em Braga com 310 freguesias apuradas (205 por apurar): PS 42,31%; PSD 30,46%; CDS 9,54%; BE 7,83%; CDU 4,54%; PND 0,78%.

20h30m. Projecção para Braga: PS 8; PSD 7; CDS-PP 2; BE 1; CDU 1. Manuel Monteiro falhou eleição.

20h17m. Em Braga com 61 freguesias apuradas (433 por apurar): PS 44,3%; PSD 30,51%; BE 6,88%; CDS 8,9%; CDU 4,12%; PND 0,77%.

20h. Conhecidos os primeiros resultados nacionais, aguardamos a votação no distrito de Braga.

18h. No Arco de Baúlhe são os mais velhos que mais votam.

17h50m. Em 2005, o Partido Socialista venceu no círculo de Braga com 45,42% dos votos, elegendo nove deputados. O PSD elegeu sete com 32,88% dos votos. CDS-PP e CDU elegeram um deputado cada, com 7,82% e 4,78%, respectivamente. O BE com 4,61% ficou a escassos votos de conquistar um deputado.

14h30m. Em Vilar de Mouros, a mesa eleitoral distribuiu boletins de voto das Eleições Europeias. Trata-se de um caso inédito, ainda à espera de resolução. O PPV vai apresentar queixa.

08h. Já se vota em Portugal para escolher o futuro do país. O Minho elege 25 dos 230 deputados que compõem a Assembleia da República. Braga é o terceiro maior círculo eleitoral do país, com 19 mandatos. Viana do Castelo elege 6 deputados. Nenhum órgão de informação do Minho faz a cobertura online destas eleições em directo. Saiba tudo no Avenida Central.

Legislativas 2009: PS Vence Eleições

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Previsões [Projecções]

20h07m. Todas as sondagens avançam com a vitória do Partido Socialista. O Bloco de Esquerda ascende ao terceiro lugar. E o CDS-PP deverá ser a quarta força mais votada, ultrapassando a CDU.

20h. O Partido Socialista venceu as eleições legislativas com uma vantagem na ordem dos 10%. Esta previsão tem um ano, mas parece que acertou em cheio.

Notas Breves

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Um vencedor claro, o Partido Socialista e José Sócrates. Uma derrota clara para o PSD e para Manuela Ferreira Leite. A liderança de MFL está a partir de agora em risco, mesmo que consiga aguentar-se até às autárquicas.

CDS e BE claramente demarcam-se nos respectivos campos, com ganhos consideráveis, caso se confirmem as sondagens.

Legislativas 2009: em actualização

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19h10m. A maior abstenção de sempre em legislativas: Abstenção entre 36,9 a 41,1 por cento. Registados vários problemas na Madeira.

17h10m. A afluência às urnas era de 43% às 16 horas (mais de quatro milhões de votantes). Até essa hora, votaram menos 380.000 eleitores do que em 2005, ano em que a percentagem de afluência era de 50,9%. PSD de Leiria apresenta queixa contra PS.

14h. Ao meio dia tinham votado mais de 21,29% dos portugueses (em 2005 eram 21,9% à mesma hora). Apesar da diminuição em termos percentuais, há mais 200.000 votantes. Há dois episódios que marcam o dia eleitoral no Algarve: tentativa de furto de votos em Loulé e cartaz político à porta da mesa de voto em Castro Marim. Mantém-se também os problemas com o Cartão do Cidadão.

13h30m. Cavaco Silva, José Sócrates, Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa também votaram de manhã e todos apelaram ao voto nestas eleições. Não há notícias de boicotes eleitorais e apesar do prometido ainda não foram divulgados os números da afluência às urnas.

12h55m. Durão Barroso espera uma participação importante. Francisco Louçã votou apelando ao voto. Mário Soares está muito optimista relativamente ao futuro.

11h20m. Paulo Portas foi o primeiro líder a votar e apelou aos portugueses para "falarem através do voto".

11h11m. PSD de Paredes, acusado de fazer campanha em dia de reflexão, nega as acusações.

11h10m. As várias opções para a formação de governo. O Público também faz notícia do facto de haver muitos judeus que não vão votar por motivos religiosos.

08h. Os portugueses escolhem o Governo para os próximos 4 anos. O Avenida Central acompanhará o processo eleitoral ao longo de todo o dia, com actualização em directo de todas a informações relavantes recolhidas nos jornais nacionais, blogues de referência, twitter e facebook. A partir das 19h, Pedro Morgado estará com Gabriel Silva e Luís Aguiar Conraria na análise dos resultados em directo na Rádio Universitária do Minho.

Eleições 2009 no Avenida Central

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A convite do Pedro Morgado estarei neste espaço, para além do meu twitter, a comentar a noite eleitoral. Por um dia, este blog contará com uma voz à direita a escrever neste espaço directamente de Lisboa. Stay tunned.

Estados de Alma

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Este é o dia em que o país desenha o seu futuro numa perspectiva de um, dois, três ou, na melhor das hipóteses, quatro anos. O dia está solarengo. O humor dos portugueses nem por isso.

Legislativas 2009 na Imprensa Internacional

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Em Espanha, o El Pais destaca a provável vitória de Sócrates sem maioria absoluta, enquanto o El Mundo diz que José Sócrates é o grande favorito para vencer as eleições de hoje. O diário catalão La Vanguardia fala na vantagem de Sócrates devido à debilidade da direita portuguesa.

Em Franca, o Le Monde diz que José Sócrates joga a maioria nestas eleições, salientando que os apelos ao voto útil marcaram as campanhas dos dois maiores partidos. O France 24 prefere destacar o facto de José Sócrates estar à beira de perder a maioria absoluta com que governou o país nos últimos quatro anos.

Nos Estados Unidos da América, The Wall Street Journal fala das eleições de um país pobre e a atravessar sérias dificuldades económicas. O New York Times não preparou nenhum trabalho próprio para a cobertura destas eleições, limitando-se a citar a agência Reuters.

A agência internacional Reuters escreve sobre as dificuldades do país, destacando uma provável vitória de José Sócrates. A Associated Press repete o destaque das questões económicas e fala numa vitória dos socialistas.

A Mesma Avenida, Numa Nova Avenida

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Ao longo dos últimos anos, debatemos a actualidade da região, do país e do mundo com independência, pluralismo, rigor e também alguma irreverência. O respeito pela liberdade de opinião e a garantia da elevação do debate foram preocupações sempre presentes e para as quais contribuíram indelevelmente a qualidade dos autores que se juntaram ao projecto.

Inicia-se hoje mais um capítulo da história do blogue Avenida Central. Depois de um excelente trabalho do Designer Cláudio Rodrigues, esta Avenida acolhe novas funcionalidades, mais interactividade, mais opinião e mais informação.

No dia em que se decide o futuro do país, o Avenida Central, tal como sucedeu nas Eleições Europeias, terá uma emissão especial de cobertura total das Eleições Legislativas com informações dos principais órgãos de comunicação social, do twitter e do facebook e também com os comentários dos nossos autores habituais e também de alguns convidados especiais.

Ao longo dos próximos dias, anunciaremos também os novos autores do blogue Avenida Central. reforços de peso em nome do pluralismo ideológico e geográfico.

Abaixo a Manuela, Pim!

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Porque discordo profundamente das políticas propostas na área da saúde, com um propositado discurso dúbio sobre a privatização e consequente enfraquecimento do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente nas áreas da oncologia, saúde mental, infecciologia e cuidados intensivos;

Porque discordo profundamente do desmantelamento progressivo do sistema público de Segurança Social, conforme substanciado com a abertura ao "plafonamento" do valor das contribuições e das pensões mais elevadas;

Porque discordo profundamente da visão do PSD para as obras públicas, excessivamente crítico da construção de uma rede de comboios de alta velocidade que cobre uma parte significativa do território, mas convenientemente conivente com a construção de um novo aeroporto para Lisboa;

Porque discordo profundamente das propostas atávicas e conservadoras sobre a família, numa visão que alimenta a exclusão, que mantém a discriminação, que instiga o preconceito e que impõe valores religiosos mesmo aos cidadãos que não têm religião;

Porque repudio a farsa do apoio eleitoralista aos professores e o taticismo com que retirou o apoio sempre reiterado às políticas do Ministério da Educação em matéria de avaliação dos docentes;

Porque repudio a inclusão dos amigaços arguidos nas listas do PSD em clara contradição com o discurso da verdade tão propalado e tão pouco cumprido;

Por tudo isto e porque representa a ala mais direitista e conversadora do PSD, considero que Manuela Ferreira Leite foi uma oportunidade perdida para o PSD e para o país.

As Propostas do Bloco

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Francisco Louçã
© José Goulão

«Promoção de consumos conscientes, informados e responsáveis de substâncias como tabaco, álcool, drogas e medicamentos»
Eu nem quero acreditar no que leio... O Bloco não só propõe a liberalização do consumo das "drogas leves" como também a promoção de consumos conscientes, informados e responsáveis. A promoção do consumo de drogas é sempre perversa. Penso que é do mais elementar bom senso colocar a tónica nas politicas de desincentivo ao consumo de drogas.

«Diversificar os currículos, os conhecimentos e as práticas, iniciando um debate em torno das medicinas não convencionais, tantas vezes omitidas e ocultadas, e abrindo espaço para a sua implementação e complementaridade.»
Não me parece que seja missão dos políticos desocultarem as ciências ocultas por muita crença que tenham nelas. Deixemos à ciência e às universidades a demonstração da eficácia deste tipo de práticas, coisa que, até ver, não tem sido bem sucedida nem aqui nem em nenhuma outra parte do mundo. Ao que parece, o Bloco quer desocultar por decreto o que ainda ninguém conseguiu demonstrar com senso da evidência.

«Redução do sistema de deduções e benefícios ao estritamente necessário nas despesas de saúde e educação»
É inqualificável que num programa de 110 páginas, o Bloco não defina o que é estritamente necessário em matéria de saúde e educação. Reduzir os benefícios fiscais é penalizar ainda mais a pequena parcela dos portugueses que, por via dos impostos, sustentam a sua saúde e a sua educação bem como a saúde e educação dos outros. Será que as ciências ocultas se incluem no estritamente necessário do Bloco?

«Assumir o controlo público da investigação científica e da tecnologia, dando prioridade às alternativas no campo das energias renováveis e da eficiência energética que permitam o uso democrático dos recursos»
Controlo público da investigação científica? Onde é que eu já vi isto? URSS? China? Coreia do Norte?

«Criação de um banco de cérebros em Portugal para promover uma investigação científica séria, eficaz e segura na área das Neurociências (como Alzheimer e Parkinson), acabando com o sacrifício de centenas de animais por ano para efeitos deste estudo»
Este Bloco de Esquerda é mesmo um perigo. Primeiro dizem que querem controlar a investigação científica e, umas linhas abaixo, demonstram que não percebem mesmo nada de investigação científica. Quem lê esta frase até pensa que a investigação que se faz em Portugal não é séria, eficaz e segura, o que é verdadeiramente ultrajante para todos os investigadores em neurociências do país.

«Obrigar a TV Cabo a aceitar a transmissão das emissões, em igualdade de circunstâncias, de todos os canais que se candidatem a elas, desde que garantam viabilidade económica e técnica»
Eu presumo que os accionistas da TV Cabo, agora Zon, não são estúpidos e aceitam transmitir canais com viabilidade económica. Ainda assim, gostava de perceber porque é que o Bloco só exige à Zon e não pede o mesmo à Meo... Preconceito ideológico?

«Impedir posição dominante no mercado das rádios de âmbito nacional»
Mais uma medida interessante. Estão a pensar proibir as pessoas de ouvir Rádio Renascença e RFM e obrigá-las a sintonizarem Antena Minho e Rádio Voz do Neiva?

«O Bloco de Esquerda reconhece e defende os legítimos direitos dos autores a manterem o controlo da reprodução, comunicação e distribuição das suas obras» desde que esses autores não se tenham dedicado ao desenvolvimento de software. Pelos vistos, ser informático e desenvolver software é uma profissão mal amada pelo Bloco que propõe «a rejeição das patentes de software
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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