Sebastianismo Revisitado: a Confirmação do Mito

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Entre pérolas como “aquilo que há a fazer é travar, tudo menos avançar”, “romper com todas as soluções adoptadas pelo PS em termos de política económica e social” ou até o próprio slogan de campanha "política de verdade" e tantas outras, a Manuela Ferreira Leite absolutizou o seu discurso, tornando-o na afirmação do tudo ou do nada. Um tudo ou nada que resulta, na generalidade dos casos, numa proposta baseada no desfazer e no não fazer. Um tudo ou nada de uma verdade absoluta que resulta em gravíssimas incongruências entre a política professada há meia dúzia de anos e a política defendida agora.

Dizia a Paula Teixeira da Cruz a 10 de Setembro no Correio da Manhã que "Não é aceitável que não se oiça um clamor de exigência de cidadania, de exigência de explicitação do que se quer para o país e com quem".

Quem estava descontente com o PS e com o Sócrates e procurava votar numa alternativa de governo, o PSD, esbarrava no obstáculo que era a sua presidente. No meio de inúmeras personalidades bem mais clarividentes, ela destacava-se pela sua manifesta incapacidade de ser clara, de definir um rumo e, sobretudo, de o explicar. É certo que ouvindo, por exemplo, as suas muletas Rangel ou Pacheco Pereira ficamos com uma percepção mais clara do que é que o PSD entendia fazer. Mas quem é que se propunha a governar e a liderar? Era ela? Ou eram eles?

A tudo isto acresce a sombra do seu medíocre passado enquanto política e governante. Foi má ministra da Educação e das Finanças. Enquanto ministra de Estado e parte do governo, foi preterida por Durão Barroso na sua sucessão, preferindo entrega-lo a um vice-presidente estranho ao governo.

Na altura das directas fiquei com a ideia clara de que a eleição da Ferreira Leite, que pouco ou nada disse e pouco ou nada a fez para as ganhar, era uma demonstração bacoca de enorme fé num mito. Ao longo das presidências de Marques Mendes e Felipe Menezes sempre pairou a ideia de que a Ferreira Leite é que seria a presidente ideal, congredora, uma miraculosa salvadora. Por alguma razão o mito de D. Sebastião é exactamente isso: um mito.

Esta é uma derrota pessoal da Ferreira Leite. O PSD perdeu as legislativas nas directas e a vitória pessoal do Paulo Rangel é a excepção que confirma a regra.

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