Paredes de Coura, O Festival, Não É Mito

| 15 Comentários | Partilhar
Actualmente, quando chega Agosto, chega também o final do Festival Paredes de Coura. Este ano, tal como no que passou, estive lá a ver a(s) banda(s). Há várias coisas que tornam este festival um acontecimento importante na região minhota.

Para começar, ou não fosse um festival de música, as bandas que passam pelo palco instalado junto à praia fluvial do Taboão assumem suma importância na hora de decidir juntar os trocos e comprar o bilhete ou não. Suma importância, sim. Mas não total importância.

Palco Festival Paredes de Coura 2009
© Bruno Simões

O espaço parece ter sido propositadamente moldado pela Natureza para dar lugar a um espectáculo musical de vários dias. O palco situa-se na base de um amplo anfiteatro natural, o que garante uma visibilidade soberba em qualquer lugar. O campismo é ao lado, e a vila, onde o contacto com a civilização pode ser retomado, fica a poucos minutos de distância.

Houve, neste caso, uma integração quase ideal entre o Homem e a Natureza. Os festivais não têm só de se resumir à música, há toda uma série de factores envolventes que vão condicionar/justificar a escolha por determinado espaço. Não falta consumismo nem capitalismo dentro do festival, mas a harmonia (leia-se equilíbrio) entre o que está lá desde sempre e o que foi posto mais recentemente agrada e faz muitos fãs, que quase sempre regressam.

Daí que eu retome a ideia de que as bandas que actuam no festival não se revestem de toda a importância na hora de adquirir os ingressos. O propalado espírito do festival, assente na convivência nas tendas, no vaguear por uma vila simpática ou nos mergulhos na água gelada do rio Taboão (que este ano esteve interdito a banhos, devido à presença de salmonelas) representam momentos inesquecíveis. O conforto (ou falta dele) mal se nota.

A fórmula de sucesso já tem sido aplicada em mais festivais minhotos. Dentro de algumas semanas inicia-se o Barco Rock Fest, na freguesia de Barco (Guimarães), que conta com nomes importantes da nova música portuguesa (Wraygunn, Smix Smox Smux ou Sean Riley & The Slowriders) e que parece um Paredes de Coura em formato mini: não falta a praia fluvial e o campismo gratuito para os detentores de bilhete geral. Vale a pena dar lá um salto, a 21 e 22 de Agosto.

Não se pode dizer que o Minho esteja mal servido em termos musicais. Na época de pausa nas casas de espectáculo, os festivais de Verão vão garantindo aos minhotos a certeza de poderem ouvir boa música.

P.S.: Esta edição do Paredes de Coura foi, a meu ver, mais fraca que a do ano passado. Musicalmente falando, claro está, a organização cortou no palco Ibero Sounds, que no ano passado serviu de montra a várias bandas antes do início dos concertos no palco principal.

A ideia de começar os concertos no palco After Hours não foi muito feliz, pois em Patrick Wolf registou-se uma enchente épica num espaço várias vezes mais reduzido que o do palco principal. A um nível muito geral, a qualidade das bandas descresceu relativamente ao ano transacto... o que pode muito bem ser um consequência do fim do patrocínio da cervejeira holandesa Heineken. Os cabeças-de-cartaz asseguraram a festa, entre uma ou outra surpresa (Blood Red Shoes e Portugal. The Man, com registos completamente diferentes um do outro, merecem uma oportunidade).

Para o próximo ano, já se sabem as datas da festividade: 28 a 31 de Julho. Sabe-se também quem não vem: os Radiohead. 750 mil euros são demasiado para um festival com um orçamento de 2 milhões...

Já vai longo, o post-scriptum, mas fica mal não tirar o chapéu à Ritmos, por organizar um festival sem paralelo no nosso país.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores