Ciclovia de Famalicão Com Cara Nova

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ciclovia famalicão
© CMVNF

Apesar da esperança de alguns, a linha entre Famalicão e a Póvoa de Varzim, encerrada no início dos anos 90, não irá reabrir tão cedo. Apesar de tal, a concretizar-se, ser um caso único e um estrondoso benefício para os famalicenses e concelhos vizinhos (o prolongamento da A7 até à Póvoa não resolveu os problemas de trânsito: mal se sai da auto-estrada num qualquer fim-de-semana, a confusão continua), o executivo famalicense não ficou completamente inerte na questão, tendo procedido à transformação das linhas em ciclovias.

Ao contrário da Câmara poveira. A ciclovia existe apenas até Gondifelos, a última freguesia famalicense, numa extensão de 10,2 quilómetros. Em Balazar já não há sinal da pista. Ainda se notam alguns sinais da antiga linha, em algumas freguesias poveiras... Seria excelente poder ir até à praia de bicicleta.

A ciclovia, como se vê na imagem, ainda está numa fase primitiva. Caminhos em terra, sinalização pouco frequente... vai daí, Armindo Costa decidiu candidatar-se a verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para transformar, por ora, a ciclovia em ecopista até ao apeadeiro de Outiz. Apesar de não existirem ainda prazos, sabe-se que a actual pista vai receber um alcatroamento, sinalização e iluminação. A proposta já foi aprovada em reunião do executivo. Os custos envolvem 316 mil euros, 200 mil dos quais comparticipados pelas verbas públicas.

Do PS já choveram críticas, apesar do voto favorável. Pedem-se passagens desniveladas para as três passagens pela estrada nacional, algo que a coligação no poder considera de pouca importância, considerando as obras de saneamento e água a decorrer no concelho.

Parece-me uma intervenção importante, apesar de apenas cobrir 4,1 km da ciclovia. À semelhança do que acontece noutros locais da região, a ciclovia/ecopista famalicense é muito apreciada pelos apaixonados pela bicicleta e pelo contacto com a Natureza, para além de ser um dos poucos locais exclusivamente destinados à prática de cicloturismo no nosso país. Como se sabe, o Código da Estrada continua a ser bastante omisso em relação às bicicletas. É também nestas coisas que se vê a diferença entre Portugal e os restantes.

É uma pena que tais investimentos nas bicicletas sejam feitos em prejuízo do comboio. Não tenho quaisquer memórias da Linha da Póvoa em actividade. Lembro-me de ser garoto e de a minha mãe dizer que já tinha havido comboio para a praia. Mas não me parece que consiga, tão cedo, ter notícias de um regresso desta ligação emblemática. O comboio não vai ser prioridade.

15 comentários:

  1. Primeiro 'La Coruña', depois 'Póvoa do Varzim'? Mais atenção à toponímia, sff

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  2. Enquanto houver quem dê visibilidade e escreva sobre «eco-coisas», pessoas com poder de decisão, e talvez por isso cegas (ou míopes, não sei bem), vão achar que estão a promover o «bem». As ciclovias são fundamentais para o país que, mais cedo ou mais tarde, terá que se habituar à ideia de que a bicicleta é um ecológico e excelente meio de mobilidade...para distâncias pequenas.
    Para as maiores, adivinharam, é o COMBOIO que vence!
    Deixe-se pois de planos furados e exija-se a reposição da rede ferroviária para bem de todos.
    Gastar essas somas astronómicas em ecopistas (as tais que aproveitam canais ferroviários «em descanso») é, no mínimo, insultuoso!
    Portugal merece uma rede a sério de transporte ferroviário em que a ligação Famalicão - Póvoa é fundamental!

    Exijamo-la,pois!

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  3. G, toda a razão. Erro emendado.

    José Cândido, segundo a ONU, a bicicleta é o veículo mais rápido e prático para percursos de até seis quilómetros de distância. Se não há comboio, que ao menos se use o seu traçado para mais qualquer coisa, não é?

    O facto de não haver comboio é outra discussão.

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  4. "a bicicleta é o veículo mais rápido e prático para percursos de até seis quilómetros de distância"


    Então os lisboetas vão começar todos a pedalar de manhãzinha bem cedo.

    "Se não há comboio, que ao menos se use o seu traçado para mais qualquer coisa, não é?"

    Certo, do mal o menos, ao menos - digo eu - preserva-se o canal, evita-se que alguma autarquia vá vazar lixo em cima do canal ferroviário (propriedade pública, diz a Constituição), tal como aconteceu há uns tempos ali p'rás Terras de Basto...
    Também se evita a construção de casas, piscinas e auto-estradas em cima do canal ferroviário. Certo.

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  5. "Pedem-se passagens desniveladas para as três passagens pela estrada nacional,"

    A acontecerem estes desnivelamentos por causa das bicicletas, Famalicão estará na linha da frente nacional e, quiça, internacional... já vi muita coisa, já vi gente a viajar de comboio mas fora dele... mas... desnivelamentos por causa de bicicletas?

    Deve ser coisa para 500,000 eur cada uma, um milhão e meio de contos no total. Trocos.

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  6. Caros amigos das ciclopistas...é um rebuçado para calar as gentes, saberá a muito pouco, pobre compensação para quem perdeu uma linha histórica, também ela produto e sacrificio dos nossos antepassados.Fracos herdeiros que deixaram cair o património.Quando em 1875chegou a Póvoa de Varzim, em 1878 a Fontaínhas e 1881 a Famalicão, o povo festejou a chegada do comboio,era o progresso, a economia e o serviço públçico que contavam, hoje perdemos centenas de Kmºs de linha e descobrimos, só agora, que a auto estrda não substitui a ferrovia.Parafraseando um amigo meu direi apenas..." a Ferrovia não se aprende nas Universidades".

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  7. "Seria excelente poder ir até à praia de bicicleta..."

    Seria também uma excelente ideia poder ir de comboio e porque não levar a bicicleta.

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  8. Duvido que essa linha venha a abrir nos próximos 10 a 20 anos. E se vier a ser aberta uma nova linha, o mais certo é o traçado ser diferente, devido à alteração das necessidades da população.

    A ideia da Câmara é excelente. Há cada vez mais pessoas a fazer uso das bicicletas para deslocações curtas.

    Qunato ao que foi referido acerca dos custos da ciclovia. Convémr elembrar que muito pouco se tem gasto com ciclovias em Portugal, por isso não faz grande mal às contas públicas gastar-se uma boa quantia com esta e mais uma ou outra ciclovia. De ciclovias precisa, e muito, o país. Pelos menos se se quer que Portugal chegue aos calcanhares dos países mais desenvolvidos da Europa, onde se gastou imenso em ciclovias, enquanto em Portugal se gastava imenso em estradas.

    Também convém relembrar que a bicicleta é dos transportes mais econólogicos que existem. E alguns comentadores parecem ignorar um aspecto, ao referir que a bicicleta é um meio para pequenas distâncias, para além disso depender da inclinação do piso, já existem bicicletas que utilizam um pequeno motor eléctrico que ajuda imenso em pisos mais inclinados (em Paris tem feito sucesso), o que permite fazer-se distâncias mais extensas.

    Sim, Portugal merece uma rede de transporte ferroviário em quantidade e em boas condições. Todavia, tal não é possível devido "às negas" do poder central. Perante estas "negas", o poder local não pode fazer mais do que esta Câmara fez, ou seja, "fazer uma omelete com os ingredientes de que dispõe". É preferível ter uma boa ciclovia do que uma linha ferroviária ao abandono.

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  9. "Pelos menos se se quer que Portugal chegue aos calcanhares dos países mais desenvolvidos da Europa, onde se gastou imenso em ciclovias"

    O prezado anónimo sabe quantos km de caminho de ferro foram abertos entre 1949 e 1999?
    50 anos, portanto.
    Não?
    A resposta é nula, zero km (não contando ramais industriais e Metro de Lisboa).

    E desde 1999 até 2009?
    20 km, da Ponte 25 de Abril ao Pinhal Novo.

    E vias rápidas nos últimos 40 anos?
    2,600 km (a maioria com portagens, o resto é pago pelo povo em suaves prestações)

    Portanto, seja honesto e não venha falar nos "calcanhares da Europa" porque é verdadeiramente onde nós estamos...

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  10. Dario Silva, ao se restringir a uma das frases que escrevi, não tomou atenção ao resto do meu texto.

    Em nenhum local escrevi que Portugal se construiram muitos caminhos de ferro nos últimos anos, o que escrevi foi que se construíram muitas estradas. O que escreveu acerca de vias rápidas só confirma o que eu referi.

    Também não escrevi que estávamos no pelotão da frente da Europa mas, sim, que se Portugal quisesse chegar (no futuro) aos calcanhares dos países mais desenvolvidos da Europa, teria que investir em ciclovias. Não falei na necessidade de investimento em caminhos de ferro porque o que estava a ser posto em causa era a cosntrução de uma ciclovia.

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  11. Exacto, caro anónimo, estamos apenas a caminho dos calcanhares...

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  12. Entre calcanhares e futebol isto é bonito de ler, porém permitam acrescente em causa estará sempre a necessidade de aproveitar e desenvolver recursos que sendo legado do passado, deviam manter-se até porque ninguém provou fossem dispensáveis, isto é, prestar um serviço público a um preço acessível ao povo e tentar melhorar esse serviço, seria o minimo exígivel num País pequeno e pobre onde se contam os cêntimos.Repomnham pois o comboio, optem pelo eléctrico ou ponham a circular carros de cavalos mesmo com ciclovia...

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  13. Caso Famalicão/Póvoa, competia ás Camaras das Respectivas cidades, sem grande investimento, acodar com a Refer e pôr em funcionamento a linha servindo o interesse das populações e o turismo.Mesmo a opção pelo eléctrico seria uma solução aceitável e melhor que a existente...Se o traçado existe, não faz sentido não haver um projecto que recupere a prestação de um serviço público naquele traçado.Haja vontade Política e que o Povo exija das Camaras, maior acção, competência e vontade de agir.

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  14. caro Senhor autor do blog gostaria de mandar um pequeno comentário acerca da linha de caminho de ferro em questão, estou a fazer uma tese de mestrado com a intenção da defesa do caminho de ferro para um novo traçado de metro, a questão é que tenho imagens da nova estação de metro da povoa de Varzim, e gostaria de as ver publicadas juntamente com o comentário, a questão é para que lhe envie isso tenho de ter o seu mail obrigado luis vaz da silva arquitecto

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  15. É incrível a maneira medíocre com que as pessoas pensão, uma ciclo via aproveitando um espaço onde poderia funcional uma linha de metro que resolvia não só questões de mobilidade mas também ambientais, com as problemáticas questões ambientais em que vivemos, o excesso de veículos particulares a circular, que todos os dias lançam poluentes incalculáveis para a atmosfera e querem uma ciclo via com tanto monte para andar, meus caros parem de pensar nos vossos umbigos e verão que daqui a 100 anos quando já cá não estiverem, os vossos bisnetos estarão cá a pagar com todos os nosso erros, só porque a comodidade de hoje nos faz andar de bicicleta em terreno plano só porque é moda. Uma linha que funcionou durante 117 anos meus caros, transportou milhares de pessoas para os seus empregos, quer para um lado quer para o outro, e que felizes que foram, mas encerrou porque começou a ser moda ter um carro, mas eram poucos carros e imprevisível a praga que se iriam tornar e o mal que nos iriam fazer, meus ilustres a realidade é que hoje queremos um espaço livre de ruído e poluição e temos de fazer km para o encontrar. Se pararmos para pensar o quanto benéfico seria a sua abertura como linha de metro, e na infinidade de hipóteses que temos de andar de bicicleta não questionava-mos a oportunidade maravilhosa que estamos a desperdiçar. Já não falo da cultura, das terras perdidas, do quanto era lindo naquele tempo e no turismo regional assim como o enriquecimento de toda a região. Caros políticos andais mesmo tapadinhos, alias não andais olhos abertos tendes vós e bolsos cheios, pensais muito no vosso presente e não no futuro a longo prazo, andais mesmo iludidos.
    O meu nome é Luis Vaz e sou arquitecto, mais um que pensa em resolver questões para um futuro de gerações vindouras, só espero que os meus filhos que já nasceram um dia possam dizer aos seus filhos o quanto é bom este planeta.
    Obrigado caro leitor

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