Eu Sonho com uma "Braga Smart City"

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Praça da Republica - Arcada
© moacirdsp

Escrevo-vos sobre este tema, porque hoje foi a tomada de posse do novo executivo do Município de Braga, iniciando-se um novo mandato e que terminará em 2013. Antes de tudo, quero felicitar o Eng. Mesquita Machado pela sua (re)eleição para Presidente de Câmara e o PS pela sua vitória eleitoral. Ao mesmo tempo que desejo a todos os eleitos o maior empenho.

Eu sonho com uma "Braga Smart City", porque se estivesse no lugar de Presidente de Câmara, mantendo todas as prioridades seguidas e o próprio programa eleitoral submetido, sonharia e empenhar-me-ia com o desenvolvimento deste conceito.

É verdade que o desenvolvimento deste conceito, actualmente, só é possível concretizá-lo, porque no passado acertou-se nas prioridades e empreenderam-se as medidas correctas. Também é verdade que o investimento efectuado no projecto Braga Digital servindo a cidade com banda larga (e não só), o projecto académico e de investigação de qualidade desenvolvido pela Universidade do Minho, a instalação do Laboratório Internacional de Nanotecnologia (LIN) em Braga possibilitam pensar no passo seguinte, num passo ambicioso e que em parte está contemplado no programa eleitoral que o PS submeteu a sufrágio.

O que é isto de "Braga Smart City"? Antes de mais, reconheço que é bastante ambicioso, mas Braga merece. Trata-se de ser uma cidade que se afirme como uma Cidade de Ciência, uma Cidade Tecnológica, uma Cidade de Conhecimento, uma Cidade Criativa, uma Cidade Empreendedora. Ou seja, uma Cidade que ao aproveitar a existência do projecto académico da Universidade do Minho, a existência do LIN e o suporte tecnológico de banda larga existente, consiga transformar e alavancar a nossa economia, sociedade, cultura e ambiente com criatividade, inovação e conhecimento. Consiga reter e captar as designadas classes criativas e afirmar-se também como uma Cidade Criativa.

Mas para se realizar este sonho, é necessário pensar diferente. O mais importante não será o capital financeiro, embora será necessário para a construção de algumas infra-estruturas. Mas conseguir agregar entidades que juntas e em rede possam concretizar este conceito. Definir alvos de entidades (muitas delas estarão fora de Braga e haverá muitas outras que serão até internacionais). Ir ao encontro dessas entidades para promover a ideia e por fim concretizar. Como se diz na gíria popular é necessário "dar corda aos sapatos" para se desenvolver este conceito.

Vou dar alguns exemplos que poderiam ser trabalhados para desenvolver este conceito:

1) Braga constituir-se uma Cidade Living Lab, ou seja, disponibilizar-se para que se teste invenções ou protótipos num ambiente real e citadino em áreas como a Mobilidade, as Tecnologias de Comunicação, as Energias renováveis, a Electrónica, a Nanotecnologia, etc. Para isso é necessário ter uma relação com centros de investigação, empresas inovadoras, universidades e disponibilizar condições para tal.

2) Criação de Parques Empresariais de última geração e readaptação dos existentes dotados de uma infraestrutura de comunicações velozes que permita capacitar e captar novas empresas.

3) Constituição ou criação de incubadoras denominadas Hubs, que mais não são do que espaços que promovam a inovação social atraindo a criatividade e inovação com espaços multifuncionais e que estimulam a cooperação dos intervenientes. Um exemplo em Portugal dum espaço como este existe no Porto - o HUB em Paranhos

4) Retenção e Captação de Empreendedores. Aqui refiro-me não só a recém-licenciados, mas principalmente a empreendedores que tenham conhecimentos avançados ou uma carreira sólida, muitos deles em investigação e que queiram criar ou expandir um negócio ou ideia. Para perceberem do que falo, dou exemplos de empresas que foram iniciadas por pessoas que antes de se tornarem empreendedores tiveram uma carreira sólida em investigação e muitos deles no estrangeiro, como a Ydreams, Nova Base e Mobicomp(esta última sediada em Braga). Hoje estas empresas têm uma dimensão internacional e tiveram um crescimento exponencial.

5) Constituição de Serviços que facilitem a criação e registo de patentes.

6) Aposta na qualificação de Espaços Públicos.

7) Excelente Rede de Formação e Aprendizagem.

8) Aposta forte em Marketing Territorial e nas Relações Internacionais.

Ou seja, para se concretizar "Braga Smart City" pode-se seguir vários caminhos e apostas diferentes. Para melhor compreenderem dou um exemplo do projecto "Malaga Smart City". Este é um projecto iniciado por um grupo de onze empresas lideradas pela Endesa e a respectiva Câmara no desenvolvimento das energias renováveis.

Penso que temos condições para tal, considerando as características do actual Presidente da Câmara que se distingui até agora pela sua capacidade de obreiro.

Termino citando Fernando Pessoa: «Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?»

18 comentários:

  1. "Braga Smart City" implica, diga eu, "Braga Smart People" e, no que concerne à turba dirigente, estamos falados.
    Trinta e três anos de mesquitismo fizeram Braga perder muito do seu "Smart" para passar a ter quase apenas um "Braga React City".

    Sim, porque agora MM vai incentivar o uso do comboio, coisa que durante 33 anos nunca se lembrou de fazer (se calhar porque a Oposição também não sabia o cheiro de um comboio a gasóleo…).
    Insisto na ideia: a CMB não age, só reage.

    Mas, sim, agora é que vai ser! Smart! I have a dream.

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  2. Cá estarei eu pela parte q me toca para dar um contributo para este projecto da "Braga Smart City". E já em 2010 vai surgir um novo projecto cultural e inovador em Braga !
    O Avenida Central é tb um belíssimo exemplo de como o cidadão comum pode contribuir para a discussão e lançamento de ideias!

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  3. Como investigadora, empreendedora e jovem Bracarence, a ideia de Smart Braga é bastante interessante. Devo dizer que espero que estes próximos anos sejam os melhor quatro desta câmara, pois só assim esta ideia ou parte dela irá para a frente.
    No entanto não nos podemos esquecer que também nós temos de agir para que isto seja concretizado. Ser empreendedores, inovadores, incentivadores e opositores conscientes (não opor por apenas opor, afinal a cidade escolheu o que quiz).

    Cumprimentos para todos os leitores

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  4. "Devo dizer que espero que estes próximos anos sejam os melhor quatro desta câmara"

    Claro, agora é que vai ser, agora sim, até aqui andámos a brincar.
    Ainda temos Muito Mais para ver, agora sim… gáudio…regozijo… e inaugurações de obras inacabadas, sim!

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  5. Quem dirige Braga é demasiado pequeno para tanta ambição.

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  6. Smart ? então... os espertinhos que andaram a enriquecer à custa do parolo são o quê ? Smart guys e noutros casos, os Mercedes Smarts dos seus filhos! É o máximo que terão de inteligente para a cidade. Até porque, como exemplo nacional, o povinho de braga de smart tem pouco, deram-lhes a democracia e meteram na gaveta. Parem lá com as eleições, é só gastar dinheiro. Venham lá os estrangeiros smarts.

    You have a Dream Miguel, Braga have a NightMare.

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  7. "Quem dirige Braga é demasiado pequeno para tanta ambição."

    Too Smart.

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  8. Caro J Miguel Corais
    Antes de mais parabéns pelo post aqui apresentado. Seria interessante ver a cidade de Braga afirmar-se com uma estratégia para obter um rumo a médio longo prazo, no entanto parece-me que o que apresenta é uma listagens de tarefas que podem facilitar e funcionar como uma receita genérica e Braga tem algumas especificidades que exigem inovação, no entanto percebo a seu lançamento de hipóteses …falta pensar aqui a conexão de Braga com outras cidades, a cidade em rede que este tipo de propostas exige, estabelecer parcerias com outras cidades, que não tem que ser essencialmente as vizinhas, para isso é essencial saber a área de aposta e A marca(branding) para a cidade e o ramo de afirmação para desenvolver no HuB ou no Living Lab. Será que a universidade do Minho está suficientemente ligada á cidade para ditar o sucesso absoluto de apostas como as que sonhou para a cidade. a mim parece-me haver ainda uma falta enorme de disseminação daquilo que se faz dentro da UM.
    Os Hubs são excelentes apostas, mas falta uma correspondência maior com as necessidades da cidade, parece-me que intervenções como as determinadas por um caso similar, mas algo diferente, como os innovation Hubs, pela sua maior abrangência em termos de politica urbana, promovendo uma cultura para a cidade que consegue resolver os problemas de reabilitação urbana, desenvolvimento sustentável, criatividade, tecnologia ,inovação e empreendedorismo, ditariam maior sucesso da intervenção. No entanto faltaria saber em que cluster se deveria apostar , ao exemplo daqueles que vimos em Malaga nas energias renováveis.

    O caso de Malaga funciona muito bem sobretudo pela conciliação do projecto com uma qualidade climática, paisagística bem como o perfeito entrosamento da comunidade britânica, que me parece obreira de parte do seu sucesso, e com a tal cultura que se pretende para desenvolver a cidade bem como a tolerância o talento e a tecnologia… e será que Braga tem estas os três caracteristicas de uma cidade criativa que Florida canta…? Parece-me que pelas especificidades presentes e a ligação com os instrumentos que foi lançando… a ligação ao digital e nano tecnologia poderia corresponder por excelência a uma cidade inteligente.
    De destacar neste âmbito, um trabalho que está a ser elaborado pelo município de Braga em parceria com a INTELI que me deixa mais esperançoso sobre o sucesso para esta cidade

    http://www.inteli.pt/cms/view/id/170/

    Bem haja , e continue a ter sonhos de qualidade semelhante

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  9. ""Braga Smart City" implica, diga eu, "Braga Smart People" e, no que concerne à turba dirigente, estamos falados" subscrevo na integra.

    É curioso este senhor dos Corais vir falar nisto, e no programa Braga Digital, que foi inaugurado, que teve o custo de 10 Milhões de Euros e que esta funcional uns 5%.

    Não atirem mais areia pois as pessoas já estão cegas!

    Para quê mais artificios?Sinceramente...
    João Rodrigues

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  10. Reparem na citação do Pessoa (não pondo em causa a sua obra que tanto admiro, temos sempre de ter espírito critico)

    «Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?»

    Ao que eu acrescentaria...mas de que serve o palácio se já não há reis nem príncipes?!O êxito está em ter êxito, e o êxito depende não do objecto mas da interpretação que o povo lhe dá.

    É uma boa medida, que vem contradizer a política dos últimos 33 anos, e que vindo de quem vem, parece condenada ao insucesso...são mais quatro anos, as trapalhadas, os projectos em cima do joelho, o engenhar...tudo vai continuar...
    João Rodrigues

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  11. Preferia uma Braga Intelligent City (BIC) ao invés das espertezas de um M&M saloio que derrete dinheiro mas não betão. Toda a gente sabe que o cerne de Braga está farto do mesmo senhor. Braga Intelligent Center pediu que o homem fosse posto a andar, rejeitou este projecto. As pessoas esclarecidas sabem que, com ele à frente, não existe projecto de futuro. A ideia é boa, temo é que, tal como aconteceu no passado com outras infra-estruturas e projectos, este possa ser mais um falhanço. Espero me equivocar desta vez, para bem da cidade.

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  12. Desculpem a intromissão e gostaria de ver, neste blog dito plural, o meu comentário publicado.

    Não são da opinião que este blog perde credibilidade e interesse quando comentários e abordagens, que deveriam ser isentas, partem de "jotinhas" a fazer campanha política? Não tenho qualquer preferência partidária e faço sempre os possíveis para ser honesto e imparcial nas minhas análises mas este tipo de situações ultrapassa todos os limites.

    Braga e o Minho têm muitos jovens inteligentes e interessados que não estão envolvidos com a mediocridade que são as ditas juventudes partidárias. Deveriam dar destaque a quem o merece e não a quem o procura sem ter qualquer mérito para isso.

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  13. Caro ultimo anónimo (das 13:58),

    Lamento o seu complexo e deformação democrático.

    Prefiro, por uma questão de ética e transparência, não esconder a minha militância partidária e não me escondo no anonimato, a bem da democracia. Mas não prescindo de ter uma participação cívica e de cidadão como o faço neste Blog. Trata-se da minha opinião e sou livre para expressar. Outra informação adicional (e até desnecessária), mas provavelmente nem sabe que a minha actividade profissional não é política.

    Por outro lado, lamento que tenha essa ideia linear (e simplista) dos Partidos. Ou pensa que só existe "jovens inteligentes e interessados" fora dos Partidos? Ou os cidadãos que integram os Partidos não têm os mesmos direitos de participarem no debate "plural" que refere? Há principios democráticos e republicanos que defendo "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". Conhece o significado destes valores?

    Uma sugestão, pronuncie-se sobre a matéria, sem complexos e com tolerância (outro valor das sociedades democráticas e livres)

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  14. Boa tarde,

    1)Concordo que para haver uma "Braga Smart City" é necessário haver "Smart People". E a questão que colocam está ao contrário. Neste caso em concreto, é necessário é que Braga tenha uma classe de "Smart People" ou, dito de outra forma, cidadãos qualificados e com massa crítica. Caso contrário não existe base de partida para avançar com esta ideia. A minha opinião sincera, temos essa "matéria prima" e as Universidades existentes (nomeadamente a Universidade do Minho) muito contribuiu. Assim, temos a base de partida para tal.
    2)É uma falsa questão colocar a responsabilidade em exclusivo no municipio, embora possa ser um elemento importante, facilitador e desejável. Mas pode partir perfeitamente de outras instituições, grupos ou da própria iniciativa privada. Como já escrevi anteriormente, "Sou Fã de Obama" e essa é uma das mensagens que passa. "Está também nas nossas mãos organizarmo-nos e levarmos a obra a bom porto". Da minha parte podem contar com essa disponibilidade.
    3) Quero agradecer o contributo do Carlos Almeida para este debate. Pelo que li sinto que andamos a ler uma literatura similar e estamos sintonizados. Concordo plenamente na necessidade de criação de redes na implementação deste conceito e inclusive já escrevi sobre isso (http://ofuturopassaporaqui.blogspot.com/search?q=Cooperar+para+Competir)
    Também conheço o link que enviou e no programa eleitoral do PS faz referência às "classes criativas" e "cidades criativas"

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  15. Pena que isto não tenha sido discutido durante a campanha. Sob o tema apenas ouvi o João Delgado a falar no debate da RUM.
    Já agora,do programa do BE:
    "O programa do Bloco de Esquerda coloca o programa de incentivo ao desenvolvimento económico no quadro de um triplo papel do Município, e em torno de uma estratégia de modernização e de atractividade de investimentos com consequência no desenvolvimento integral do concelho: aproveitamento dos recursos de conhecimento instalados, a partir da Universidade do Minho, das suas unidades de investigação, do Laboratório Ibérico de Nanotecnologias e de outros centros de investigação e desenvolvimento, tendo em vista potenciar a realização de congressos e espaços de comunicação científica e tecnológica
    – Braga, cidade de Congressos; desenvolvimento das infra-estruturas, nomeadamente as que respeitam ao acesso da população, nas melhores condições, das redes digitais, bem como as que se relacionam com o Parque de Exposições e os parques industriais; apoio directo a actividades económicas, nomeadamente as que se inserem no quadro da economia social."

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  16. Beber muita água é prejudicial para o debate democrático.
    Tenho dito.

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  17. Caro JMiguel Corais, parece-me que a ideia de cidade criativa avançada por Florida, já vem a ser ultrapassada por outro tipo de conceito, nomeadamente o de cidade inteligente(Intelligent City como referenciada já aqui nos comentários), que no meu entender concilia o que melhor tem uma cidade do conhecimento e de uma cidade criativa, e conjuga tudo isso com a tecnologia. Numa lógica de parceiros é preciso não esquecer o quadrilátero urbano, e este conceito de cidade poderia estar intrínseco ao mesmo, em que as quatro polaridades desempenhariam papeis diferentes na cidade pretendida.
    A classe criativa é actualmente indispensável para desenvolvimento da cidade, mas a criatividade tem que ter disseminação na restante cadeia produtiva, senão poderemos estar a simplesmente a promover descriminação a nível sectorial, entre os criativos e os restantes cidadãos (ou seja não os podemos endeusar), a cidade precisa de todos, e o sucesso depende da entrega de todos.

    Carlos Leite

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