Avenida Central

O Fim da Avenida Central

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Esta fotografia da parte final da Avenida Central foi tirada nos anos 30. O eléctrico ainda aqui parava (o símbolo no poste indicava uma paragem) e passava a caminho do Bom Jesus, o jardim da Senhora-a-Branca tal como o conhecemos não existia, o Palacete Matos Graça ainda ostentava a escadaria, os tectos magníficos, as pinturas nas paredes e as madeiras exóticas que a Câmara e um projecto (segundo sei do Arquitecto Noé Diniz) entenderam não ter interesse, a Velha-a-Branca ainda era “apenas” a casa de habitação e o consultório médico do então Presidente da Câmara de Braga. A cidade não tinha ainda entrado a sério na "modernidade".

A casa que vemos em primeiro plano do lado direito, embora sem grande interesse especial, já não existe. Como é hábito, foi substituída por uma reles imitação em cimento. Por cá não se usa restaurar o antigo quando vale a pena ou demolir sem medo para fazer edifícios novos, modernos e marcantes (só o estádio teve direito a esse luxo). Prefere-se a hipocrisia de fingir que se restaura o centro histórico, mostrando aos turistas um cenário asséptico de telenovela que esconde prédios, na verdade, tão maus como os de Lamaçães (quantas casas realmente antigas ainda haverá no nosso centro histórico?).

Posso associar a esta foto uma série de coincidências pessoais, talvez insignificantes: vivo aqui perto nos últimos anos, a Velha-a-Branca nasceu numa das casas que se vê na foto, estudei na escola primária atrás do fotógrafo e admiro os transportes sobre carris. E claro, é a minha avó - na altura recém chegada a Braga e agora com 90 anos - que está à janela!

A Avenida Para as Pessoas

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Avenida da Liberdade
© Município de Braga

No próximo mês, a Avenida da Liberdade vai conhecer uma nova vida, encerrando um ciclo que apenas durou dez anos. Consciente do erro que fora construir um túnel sob o centro histórico da cidade, o Município de Braga decidiu transladar a desagradável confluência de barulho e fumo da boca (do túnel) para um local um pouco mais abaixo. O topo Norte da Avenida é assim devolvido às pessoas que, com mais espaço, podem (usu)fruir num dos núcleos edificados mais exemplares e interessantes da cidade.

Os canteiros, cheios de flores, são espaço alegre para os olhos, mas terreno inútil para os corpos. É um pequeno pormenor que poderia ser alterado sem grandes custos, cumprindo o projecto inicial. Talvez não fosse má ideia relvar os canteiros para que, sem deixarem de ser verde para os olhos, possam também ser pasto de fruição para o corpo.

Pormenores de Cidade

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A remodelação de vários espaços da cidade trouxe inevitavelmente muitas vantagens mas fez desaparecer uma série de pormenores históricos. Desde anúncios comerciais e montras de lojas a sistemas de iluminação de várias épocas e diversos tipos de calçada e passeios todos estes elementos fazem a alma de Braga. Nos últimos 15 anos muitos destes elementos têm vindo a ser substituídos por sucedâneos modernos, principalmente no centro histórico. Embora esta apreciação tenha sempre uma boa dose de subjectividade, parece-me que em determinados casos valeu a pena a mudança mesmo quando se substituiu o antigo por um standard actual de catálogo.

Porém, não estou a ver o que ganha o Campo Novo (Praça Mouzinho de Albuquerque) ao serem desmantelados os seus antigos lampiões em ferro fundido. Aliás, a arquitectura em ferro da cidade tem sido a grande vítima dos “restauros” ao ponto de ser hoje muito difícil descobri-la. É certo que os candeeiros do Campo Novo, por estarem velhos, precisam de ser restaurados. Mas o que é que não é possível fazer hoje em dia?
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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