«Domingos Paciência perdeu 5ªfeira o seu primeiro jogo oficial ao comando do Sp. Braga . Frente a um Elfsborg que lidera o campeonato sueco e está no seu pico de forma, a equipa do Minho comprometeu a qualificação para a Liga Europa . As críticas dos adeptos benfiquistas entoaram de imediato no Relvado [e no Avenida Central também]. Mas será Domingos assim tão diferente de Jesus?
Sp. Braga e
Benfica contrataram novos treinadores esta temporada.
Domingos , técnico da
nova geração , rumou ao Minho após duas experiências marcadas pelo sucesso desportivo e pela empatia criada com os adeptos - quer em
Leiria quer em
Coimbra.
Jorge Jesus, treinador da
velha guarda , rumou à Luz após um passado fortemente ligado ao futebol português e a experiências bem sucedidas em vários clubes, o último dos quais precisamente o Sp. Braga.
Após meia dúzia de treinos com os arsenalistas, Domingos vem a público dizer que a equipa está
mal preparada fisicamente e que está a sofrer as consequências desse fardo ao ter de iniciar a preparação sem meia dúzia de
lesionados . Vai mais longe e diz também que Jorge Jesus, seu antecessor, podia ter feito muito melhor na temporada passada.
Caiu o Carmo e a Trindade. Um rol de
críticas abateram-se sobre Domingos e os principais contestatários vinham precisamente do novo clube de Jorge Jesus. Foram variadíssimos os
comentários pejorativos , lidos, por exemplo, aqui no
Relvado . O novo treinador do Braga teria desrespeitado o seu antecessor e agido com uma
arrogância imperdoável ...
Só que esses mesmos adeptos que criticaram Domingos esquecem-se que, poucas semanas antes, tinham tido a apresentação de
Jorge Jesus no Benfica marcada por
declarações muito fortes sobre o seu antecessor,
Quique Flores . O novo treinador prometia pôr a equipa
a jogar o dobro ou mais do que no ano passado, que é o mesmo que dizer que o Benfica de Quique Flores não rendia nem metade daquilo que podia! Afirmou também que tinha a certeza que
ia ser campeão naquela casa.
Nessa altura, não caiu o Carmo nem a Trindade. Não se abateu sobre Jorge Jesus qualquer rol de críticas nem tão pouco havia contestatários para definir um ponto de origem. Foram variadíssimos os comentários elogiosos, lidos, por exemplo, aqui no
Relvado. O novo treinador do Benfica ter-se-ia apresentado com uma
enorme dose de confiança e com um discurso motivador . Aquela arrogância saudável era
ao estilo Mourinho e tudo!
Pois... são pontos de vista. As mesmas pessoas que viram as declarações de Jorge Jesus de uma perspectiva positiva, viram mais tarde as de Domingos, em tudo semelhantes, de uma perspectiva muito negativa. E continuam a criticar, inclusive num jogo europeu que ninguém viu, que ninguém sabe como foi, e que é
mais uma facada nas costas para o posicionamento cada vez mais preocupante de Portugal no ranking . Situação que afecta todas as equipas portuguesas, sobretudo quem fica em 3º lugar no campeonato e perde a oportunidade de ir à Champions.
Pois bem, eu diria - sobre ambos os discursos - que
é tudo uma questão de motivação, de injecção de confiança nos jogadores e de ruptura com o passado, fazendo a equipa acreditar que é capaz de muito mais. Ao menos sei que vocês concordam comigo... em 50% daquilo que disse.
Por isso ficam as perguntas: em que é que o discurso de Domingos foi diferente do de Jorge Jesus?
Porque é que a clubite nos faz ver de formas completamente distintas duas situações em tudo semelhantes? Não estará Domingos a sofrer as primeiras consequências de estar
conotado com o FC Porto? Mais: o que ganham os benfiquistas com a
eliminação do Braga?»
Texto de
Susana Valente.