Do "Jornalismo" Opinativo

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A MMG é das poucas que levanta questões incómodas, por isso é que dizem que ela não é jornalista. [dizia-me o João Miranda (do Blasfémias) no twitter]

Eu não nego que ela levanta algumas questões incómodas. Mas já nego aquilo que ela faz como "jornalismo". Ela não se limita a levantar questões de uma forma jornalística. Therefore, não é jornalismo. Por definição.

Aliás, com toda a discussão que houve há tempos por causa da Fernanda Câncio (bem, foi grande no Twitter) não compreendo bem esse benefício dado à Manuela Moura Guedes. Ao contrário da Câncio, que, paralelamente à sua actividade de jornalista, usa os outros espaços (blogue e crónicas em jornais e programas de televisão) para publicar a sua opinião bastante parcial. Acontece que é - no caso Freeport - favorável ao primeiro-ministro. A Moura Guedes usa um espaço a que chama de "Jornal" para, entre alguns factos e citações recortadas, dar a sua opinião. O Jornalismo enquanto algo supostamente imparcial e isento, enquanto algo em que se pode confiar, enquanto mera informação não existe naquele espaço. Se se opta por chamar àquilo de jornalismo, então é-o de uma forma tremendamente parcial. Opina e comenta.

O que ela faz é opinião ornamentada com factos e recortes. Não há problema algum em fazer-se isso. Nos EUA o O'Reilly e o Olbermann (entre tantos e tantos outros) fazem exactamente isso. A diferença fundamental é que não chamam àquilo "jornal". É um espaço próprio, assumido, onde seleccionam aspectos da actualidade e comentam. A Moura Guedes que assuma isso. Que lhe dêem 3 ou 4 horas depois do jornal só para fazer isso. Não quero saber. Mas aquilo não é um "Jornal" e o que ela está a fazer não é, seguramente, jornalismo.

Que assuma ela e que assumam os media portugueses as suas agendas, as suas identificações políticas - se as tiverem e sejam notoriamente indisfarçáveis. Criaria um ambiente bem mais arejado. Que assumam com frontalidade, como fazem em tantos outros países. O fazer de conta que são todos absolutamente isentos e imparciais enjoa!

Nota: Para mim, não será tanto a existência de um interesse em concreto e identificável - que a Câncio tem e que a Moura Guedes não terá - que está em causa. Isto, apesar de haver uma diferença enorme entre ter sido independente pelo PP ou ter sido pelo PCP. O conteúdo da opinião é relevante, mas nem sequer toco nesse assunto. O que coloco em causa é a simples forma.

Admito que haverá muita gente (PS, sobretudo) a não gostar da Moura Guedes por razões diferentes das minhas. Reafirmo: as minhas resumem-se a questões de forma, independentemente do conteúdo da opinião ou comentário.

11 comentários:

  1. Marinho Pinto é a única personagem da vida pública nacional com coragem para denunciar os conluios existentes na nossa sociedade.
    A Ordem dos Advogados tem um pergaminho de defesa da Justiça e da Liberdade ao longo das décadas.
    Ao contrário de outras Ordens que se limitam a defender os interesses da suas classes, a O.A. pugna por valores.
    Esta herança já vem dos tempos da ditadura quando centenas de advogados bradavam bem alto quando todos calavam.
    Não é por acaso que as grandes figuras da liberdade são oriundas desta classe (Álvaro Cunhal, Mário Soares, Manuel Alegre, Jorge Samapaio, etc).
    Moura Guedes quis montar mais um circo e uma armadilha, desta feita ao bastonário da O.A..
    Na semana anterior, o bastonário dos médicos foi cilindrado no meio de uma avalanche.
    Penso que tão cedo não se deixará cair noutra.
    Mas Marinho Pinto é feito de outra matéria e M.M.G. deveria sabe-lo.
    Habituado a alegar, argumentar e a combater nos tribunais, não é uma qualquer jornalista que o deixa K.O.
    M.P teve a coragem de fazer aquilo que muitos já desejaram.
    O bastonário dos bastonários tem a cabeça a prémio porque ousou combater os conluios mais intrincados deste país.
    Inclusive apresenta uma proposta que visa impedir que os advogados exerçam funções de deputado enquanto persistem com as actividades profissionais.
    Não podemos esquecer que a grande maioria dos deputados são oriundos desta classe.
    A capacidade argumentativa e a facilidade em compreender a actividade legislativa, torna-se numa espécie de saída profissional para muitos advogados.
    Nenhuma outra Ordem ousaria impor-se desta forma contra membros da sua classe.
    A O.A. mostrou mais uma vez que é diferente.
    Ainda bem.

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  2. 1. não percebo qual é a crise. o júdice já tinha feito afirmaçoes similares como bastonário e ninguém o crucificou.

    2. em relação à MMG, tem toda a razão, apesar de não simpatizar com o homem. jornalismo isento é cada vez mais díficil de encontrar, mas a MMG, para além de não o saber fazer, nem tem sequer um mínimo de credibilidade para um espaço de opinião - as opiniões dela valem zero, não é de todo uma "cabeça iluminada pelos saber e pelo poder de argumentação", é apenas populista e parva.

    3. Os espaços informativos deveriam assumir de uma vez por todas as suas tendências políticas. vejam a FOX news, assumidamente neocon, ou o The Independent, o Guardian, o NY times, o Chicago Tribune, ou o Washington post. assumem as suas tendências. pelo menos não enganam ninguém, já sabemos que por muito isento que um jornalista queira ser, é o veículo da história, pelo que as próprias palavras moldarão a verdade. mas pelo menos saberiamos para que lado a verdade estaria a ser moldada...

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  3. Eu, pelo meu lado, opinei assim:

    http://atributos-1.blogspot.com/2009/05/tvi-mmg-bastonario-o.html


    Melhores cumprimentos

    José Magalhães

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  4. Para mim Marinho Pinto é um lambe botas do governo! Dou todo o meu apoio à Manuela Moura Guedes e à TVI que têm denunciado o que de pior há em Portugal!

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  5. Eu gostava que apontassem então os orgãos que fazem jornalismo em Portugal.

    Todos têm as suas "tendências", uns mais outros menos. A TVI é dos mais atacáveis, sem duvida.

    Mas desde o Diário do Minho e o Correio do Minho (o Correio do Minho nem sabe que existe "luta" na comunidade civil pelas Sete Fontes), a passar pelo JN, Publico... acabando nos Jornais das Televisões, todos são tendenciosos, e têm jornalistas mais ou menos tendenciosos.

    A RTP quase não fala dos "indícios" que vão aparecendo do Socrates. Etc...

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  6. Lamento mas é por causa da Justiça que o país está onde está.

    Quando falam em penas de prisão para obter justiça, está logo errado à partida.

    Quando falam em poder financeiro, para contratar os melhores advogados, para viciarem os resultados dos jogos que se fazem nos tribunais, está logo errado à partida.

    Quando não se aceitam diversos meios de prova, o que leva a uma superprotecção a quem já tem poder financeiro e move influências, está errado.

    E por aí fora...

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  7. É verdade que a MMG não pratica um jornalismo independente, mas também é verdade que um bastonário da ordem dos advogados deve manter uma postura menos "peixeira". Na minha opinião perdeu parte da razão pela forma como reagiu. Já para não falar no elevado número de vezes que participa em programas como o "Fátima"... Há lugares para tudo... O lugar para discutir questão graves como as que ele discute não é em programas sensacionalistas como este.

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  8. Pois, Catarina. Eu acho que ele fez bem em reagir, mas terá exagerado na forma. Apesar de também achar que lhe disse umas boas verdades... Mas há outras formas mais dignas de se reagir. A saída do Santana Lopes dos estúdios da Sic Notícias (porque interromperam a entrevista para dar um directo da chegada do Mourinho ao aeroporto), deu que falar, mas ele, explicando as suas razões, reagiu sem perder a compostura.

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  9. Queremos o Arturzinho a Bastonário!!

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  10. País fraco, jornalismo fraco...

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  11. E já agora o Sócrates que também pôs em causa os jornais nacionais de sexta da TVI!

    Noticias cortadas a metades de forma objectivo em denegrir e provocar. Isso não é bom para ninguém, nem mesmo para a oposição que se diverte com aquele circo.

    Atenção que fora do jornal nacional da MMG, consegue-se um serviço noticioso bem mais perto da realidade, apesar de sem sensacionalista.

    Ok é politico não conta mas disse o que tinha de ser dito!

    Marinho Pinto és o maior!

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