Avenida Central

Paragem Diferida

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tadim-diz-obrigado-a-todos-os-funcionarios-da-cp-que-trabalharam-nesta-estacao
© Dario Silva, Setembro de 2002.

Não se esqueçam do Comboio. Até um dia destes.

Apostar num Minho Sobre Carris

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Urbano 15278, Estação de Braga, 2008.12.22
© nmorao

No dia em que este comboio partir de Braga para Guimarães estaremos mais fortes, com mais possibilidades de negócio e com melhores formas de comunicação. No dia em que o comboio voltar a chegar a Fafe, como reivindica o seu edil, estaremos todos mais coesos e com mais oportunidades de desenvolvimento. No dia em que for possível viajar de comboio entre Braga, Barcelos e Viana estaremos todos mais unidos. No dia em que o transporte interurbano se fizer sob carris, podemos afirmar que ao terceiro maior centro urbano do país foi dado o que merece. Até lá, continuaremos a pagar em impostos o Metro de Lisboa, do Porto, da Margem Sul e do Mondego...

Bicicletas e Comboios

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Não que em Portugal seja, de todo, impossível aliar a bicicleta ao comboio, não. Apenas pode ser mais difícil. Mas nós, bracarenses, vamos mais longe ao termos criado aquele que terá sido o primeiro parque de estacionamento pago para bicicletas gratuitas. Não posso deixar de me congratular com o brilhantismo dos nossos grandes líderes, tão cheios de ideias, tão pequeninos. Braga é uma grande cidade portuguesa, tem imenso espaço para os carros mas a orografia - e só ela - repele os eléctricos, os tróleis e as bicicletas.

Braga-Porto

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36minutos
© Dario Silva, 08-06-2009.

Entre Porto e Braga circulam 26 comboios suburbanos num dia típico. A viagem, a bordo de um dos mais modernos comboios suburbanos da Europa, custa € 2,15 (bilhete simples). A assinatura mensal custa € 50,50 (Estudantes € 38,60, 4_18 anos € 25,75).
A portagem na A3 entre Braga-Sul e Maia custa € 3. Ida e volta são seiscentos paus + carro.

Adenda 15h08: ida e volta nas portagens são mil e duzentos paus…

Soluções Demasiado Baratas

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Busway
© Bragablog

«A Transdev implementou um serviço de transporte público rodoviário em via dedicada – BRT ou Busway – na cidade francesa de Nantes. Em hora de ponta, os autocarros conseguem fazer o trajecto num tempo de viagem inferior em 50 por cento relativamente aos automóveis particulares. O resultado traduziu-se num aumento considerável no número de passageiros e na redução do tráfego automóvel. Diariamente, cerca de 26.500 passageiros utilizam a Linha 4 do Busway e os seus 20 autocarros movidos a gás natural baseados no modelo Mercedes-Benz Citaro G. Os autocarros efectuam uma carreira de sete quilómetros com 15 paragens em menos de 20 minutos. Em hora de ponta, operam em intervalos de três minutos. Decididamente, estas soluções rodoviárias em via dedicada parecem ser uma boa solução em quase o mundo… excepto em Portugal. Será pelo baixo custo de investimento?» [Transportes em Revista]

Na cidade de Braga, os problemas relacionados com o excesso de tráfego automóvel têm vindo a agravar-se ao longo dos últimos anos. Ao contrário do que seria desejável, a cidade continua órfã de um verdadeiro plano de mobilidade terrestre, acumulando-se as intervenções avulsas e desconexas. Hoje anuncia-se uma nova linha de autocarros, amanhã faz-se uma espécie ciclovia, no dia seguinte prometem-se bicicletas de borla, depois reivindica-se timidamente uma linha ferroviária entre Braga e Guimarães... No final de contas, está quase tudo na mesma...

Neste Cais da Estação de Braga

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braga2
© Dario Silva, 2001.

Braga 2001

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braga2002
© Dario Silva, 2001

"CM Braga Incentiva Utilização do Comboio"

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ruilhe_2002
© Dario Silva, 2002. O apeadeiro de Ruílhe em 2002

No diário bracarense Correio do Minho vende-se constantemente a ideia de que um dia de chuva diluviana pode ser um bom dia de praia. Tudo depende do ponto de vista, e aí eu estou de acordo. E só assim eu consigo perceber que um título de uma notícia nada tenha a ver com o texto que se lhe segue nem, tão-pouco, com a verdade dos factos.

Na edição de hoje, o CM afirma, com destaque na primeira página, que a Câmara de Braga incentiva a utilização do comboio. A palavra "comboio" despertou-me o interesse e continuei a ler, convicto de que o protagonista da notícia seria ou a CMB ou o "comboio".

O texto do jornal, assinado "redacção", é, afinal, uma cópia clara de um comunicado da própria autarquia, o que, em si, não seria nem grave nem inusitado. No caso vertente, tem só a inconveniente de transformar o Correio do Minho num megafone da verdade soberana do executivo de Mesquita Machado, o que, em si, não seria nem grave nem inusitado.

A mim, enquanto leitor e munícipe, aborrece-me que o(s) título(s) fantásticos nada tenha(m) a ver com o corpo da notícia. A mim, enquanto utilizador compulsivo do comboio, aborrece-me o facto de o título ser mentira. O que não torna o Correio do Minho num mentiroso. Porque se houvesse memória - bastaria apenas dos anos mais recentes - a decência intelectual não permitiria dizer que a CMB "incentiva a utilização do comboio".

É falso, é mentira. Mesquita Machado nunca quis saber do comboio para nada. Como voltarei ao tema mais tarde, deixo, por ora, apenas uma pergunta a Mesquita Machado e a Vitor Sousa, responsável pelos TUB: como foi possível demorar-se cinco anos após a reabertura da linha para criar uma carreira estação-cidade?*

* no caso, e bem, estação-universidade.

A Paragem do Autocarro

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bus-stop
© Dario Silva, 13-10-2009

O autocarro é uma benção, é até o mais eclético e omnipresente transporte colectivo. O autocarro é também um óptimo complemento ao comboio e particularmente útil quando recolhe os passageiros numa estação ferroviária e os entrega na universidade, na escola, na fábrica. Mais admirável se torna quando o bilhete do comboio é, simultaneamente, o bilhete do autocarro.

E quem me explica porque é um bilhete simples de TUB Tadim-Braga (€ 1,75 para 7 km) custa quase tanto como um bilhete simples de comboio Braga-Porto (€ 2,15 para 56,5 km a São Bento)?

Aqueles que nos governam localmente desde 1976 têm alguma explicação ou não tenho o direito a ver o tema debatido?

Vende-se Comboio

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bragacomboio
Vende-se este comboio.
Fabricante: Deltrain
Bitola UIC ou aproximadamente.
Dispõe de HM, Convel, Asfa Digital, anti-bloqueio, anti-patinhagem.
Possibilidade de circular em ecopistas e no Tâmega.
Correio do Minho, 26 de Agosto de 2009.

A Linha do Minho | 1

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viana
© Dario Silva, 22-08-09

Ontem deve ter havido festa em Viana do Castelo. Havia muita gente a ver o comboio passar e neste viajavam 600 pessoas, sentadas e de pé.

O Tâmega | 3

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amarante
© Dario Silva

Dia quatro de Agosto de dois mil e nove e pela primeira vez em cem anos, Amarante existe sem o comboio e sem carris à espera da renovação da linha (em curso). Mais à frente, edifica-se a ecopista que há-de chegar ao Arco de Baúlhe, como o comboio chegou há sessenta anos anos e deixou de chegar há quase vinte.

Transportes no Minho: Que Futuro?

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Barcelona
© So Cal Metro

Ao longo dos últimos anos, o debate cívico em torno dos transportes públicos no Minho tem sido mais intenso que nunca, paixão só comparável aos anos em que se discutiam os planos de implementação da ferrovia no Norte do país.

Em primeiro, a petição lançada pelo blogue Avenida Central sobre o regresso de um transporte urbano sobre carris à cidade de Braga, proposta que foi debatida na Assembleia e no Executivo municipais e cuja necessidade foi corroborada no Estudo de Mobilidade apresentado pelo município sem que quaisquer outros avanços sejam conhecidos por parte da gestão socialista da câmara;

Em segundo, o surgimento da associação Comboios XXI que levou as suas ideias até à Assembleia da República na defesa de um melhor serviço nas ligações ferroviárias entre Braga e o Porto, objectivo parcialmente alcançado com alguns anúncios de melhorias pontuais em resposta às exigências dos cidadãos;

Em terceiro, o movimento cívico e político que se reúne em torno da ideia de construir uma ligação ferroviária entre Braga e Guimarães, com paragem mais que necessária no AvePark das Taipas, mas ainda sem apoio assumido de nenhum dos principais partidos políticos;

Em quarto, o projecto de construção do comboio de alta velocidade no Minho, com paragem garantida na cidade de Braga, uma proposta que o Partido Socialista sustenta nas próximas eleições legislativas e que tem a oposição declarada da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite;

Em quinto, a modernização da linha do Minho até Viana do Castelo para reduzir os tempos de viagem até Nine e ao Porto e a possível reactivação da concordância de Nine que permitiria ligações directas entre o eixo Viana-Barcelos e a cidade de Braga.

De todas as propostas debatidas ao longo dos último anos, nenhuma está em fase avançada de concretização e, muitas delas, nunca saíram do plano dos anúncios, das intenções, das conferências de imprensa simpáticas ou dos comentários agradáveis. É, pois, tempo de (re)definir estratégias com toda a clareza do mundo. O que pensam, afinal, os partidos e os candidatos sobre estas propostas concretas?

O Tâmega | 2

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Photobucket
© Dario Silva

Cinquenta quilómetros depois de deixar a Livração, e pouco mais de 60 anos após a viagem que apresentou o comboio ao Arco de Baúlhe, a Linha do Tâmega faz-se agora trespassar pela A7, num remate perpendicular ao concelho de Cabeceiras; a construção de vias de comunicação terrestres implica sempre o restabelecimento de outras vias já existentes. Tal é o caso.
Assim, a Linha do Tâmega, o Arco de Baúlhe e o concelho de Cabeceiras de Basto vão - novamente - marcar pontos na história ferroviária portuguesa.

- nesta ponte ferroviária nunca há-de passar um comboio (nada de anormal, várias outras pontes ferroviárias não foram nunca inauguradas, mercê o perecimento precoce de alguns projectos);
- esta ponte ferroviária, construída 18 anos depois do encerramento da via que a atravessa, vai ser inaugurada por bicicletas, lá virá o dia.

Declaração de interesses: nada tenho contra as auto-estradas nem contras as bicicletas! Da Linha do Tâmega só tenho... pena.


Comboios Não São Só Linhas

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Famalição por FotoBen.
© FotoBen

As mudanças nao se restringiram à linha e às composições. As passagens de nível foram quase totalmente suprimidas e foram substituídas por viadutos ou túneis, quer para trânsito pedonal quer para rodoviário.Tais obras, entre 2002 e 2004, transformaram Famalicão num “gigantesco estaleiro ao ar livre”, nas palavras do ainda presidente da Câmara Armindo Costa.

A estação de Famalicão, completamente modificada no decorrer das obras, continua inserida Numa área pouco nobre do concelho, onde grassa um bairro com barracas e casas com os típicos telhados de zinco, onde residem várias famílias ciganas. O executivo camarário tinha em vista realojar as famílias ali residentes e, depois de demolir o bairro, construir um parque com cerca de 100 lugares para os utilizadores da estação.

Como se depreende, apesar da linha se encontrar modernizada, o único local de estacionamento que existe ao pé da estação dispõe de uma meia-dúzia de lugares. Todos os restantes veículos têm de ser acomodados ao lado dos passeios.

O bairro de lata continua de pé, o que, além de prejudicar o acesso à estação (em horas de Ponta e, digamos, com um ligeiro atraso para apanhar o comboio, é tarefa impossível estacionar o carro e entrar em tempo útil na composição), é um péssimo cartão-de-visita de Famalicão, pois quem visita a cidade pela primeira vez, depara-se com um cenário degradante assim que sai do comboio.

A obra está feita, mas podia estar feita até ao fim. Se a modernização da linha custou 100 milhões de euros, certamente que o realojamento e construção de um parque de estacionamento ficariam por uma ínfima parte desse valor.

A Humilde Capital do Trânsito Automóvel

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E agora que podemos usufruir de mais uns metros de desenvolvimento subterrâneo, permitam-me citar um poeta da cidade com quem uma vez, e por um acaso, me cruzei num café junto a uma estação ferroviária. Sebastião Alba viajava muito frequentemente de comboio, os ferroviários conheciam-no mas não sabiam quem era. Sebastião Alba tinha pavor a automóveis e morreu atropelado nas ruas desta cidade.

Circulamos Embolsados

Circulamos embolsados
em automóveis de luxo

Nas portas surdas
os fechos
são linhas a níquel a traçar o limite
dos peões ocasionais

O espaldar desune
anula o solavanco
reduz a área exposta

Esguichos lavam
pára-brisas que a gargalhada abaula
Clareiam as estradas

Só o retrovisor
Lembra o caminho andado
a um olho reflectindo
de quem guia

Trémulo o chassis
pressagia
as roturas
os sulcos dos freios
a divulgação do desastre

Mas real e criada
no bolso de Picasso
uma pomba de bico florido
suja por inocência os tejadilhos.

Sebastião Alba, O Ritmo do Presságio

Braga Vai Ter Bicicletas Eléctricas

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cleta eléctrica por neta®.
© Neta®

A decisão de distribuir 1.000 bicicletas eléctricas está condicionada pela inexistência de vias adequadas à circulação de ciclistas. A ciclovia que existe tem várias deficiências por corrigir e o projecto BUTE não se tem revelado revolucionário na promoção de estilos de vida mais saudáveis e ecológicos.

Numa cidade pensada para o uso exclusivo do transporte motorizado individual, a iniciativa anunciada é extremamente positiva, desde que acompanhada pelo investimento na criação de infraestruturas adequada à circulação de bicicletas em segurança.

A ler: Câmara de Braga disponibilizará bicicletas eléctricas, por Diário Digital; Braga disponibilizará mil bicicletas eléctricas à população, por Agência Lusa; Câmara aprova protocolo com empresa fantasma, por Público; Bicicletas Eléctricas para Quem Quiser, por Município de Braga.

Há Mais Norte Para Além do Porto!

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Urbano 15278, Estação de Braga, 2008.12.22
© nmorao

A Assembleia da República discutiu no passado dia 6 de Maio uma petição da Associação Comboios XXI para que o serviço ferroviário urbano entre Braga e o Porto se faça em 45 minutos. Antes demais, é de toda a justiça enaltecer o trabalho de verdadeira cidadania dos promotores da Petição e reconhecer a pertinência das suas pretensões.

A linha de Braga (e o mesmo se aplica à de Guimarães) tem sido utilizada para fazer serviço de metro entre as estações de Trofa e São Bento, o que resulta num evidente prejuízo para os utilizadores provenientes das duas maiores cidades do Minho. Como bem referiu o deputado Bruno Dias do PCP, «quando se aumenta a oferta de transporte, o resultado é o aumento da procura e da adesão das populações ao transporte público». Do mesmo modo, a degradação do serviço prestado resulta inevitavelmente na diminuição do número de passageiros, o que é bem evidente nos dados referentes à linha de Guimarães.

No mesmo debate, o PSD aproveitou para anunciar a proposta de integração da ligação entre Barcelos e o Porto na rede de comboios urbanos do Porto. A proposta é interessante, mas integra-se no perigoso paradigma vigente de que os comboios urbanos a Norte apenas existem para transportar pessoas de e para o Porto.

Contudo, há mais Norte para além do Porto. Se olharmos para os dados do último recenseamento, verificamos que os movimentos pendulares entre Braga e Barcelos (4.908/dia) ou entre Braga e Guimarães (4.288/dia) superam em larga escala os movimentos pendulares entre o Porto e qualquer uma das três cidades (Braga 2.856/dia; Guimarães 1.752/dia; Barcelos 1.615/dia). Posto isto, é verdadeiramente incompreensível que a ligação ferroviária entre Braga e Guimarães continue por se concretizar e, ainda mais, que não exista uma ligação directa entre Braga e Barcelos. Saliente-se que esta última seria facilmente praticável em menos de 20 minutos, caso existisse a concordância de Nine.

A massa crítica do Minho tem sido verdadeiramente incapaz de sensibilizar os governos (tanto do PS como do PSD e do CDS/PP) para a resolução dos problemas estruturais que afectam a nossa ferrovia e, sobretudo, para a inexistência de alternativas ao transporte rodoviário no terceiro maior centro urbano do país (relembro que Coimbra já está a resolver o seu problema). Em vez disso, aceita-se passivamente a esmola de pertencer aos Comboios Urbanos do Porto que deviam ser, verdadeiramente, Comboios Urbanos de Entre Douro e Minho.

A Ver Passar o Comboio

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Linha do Tua
© Aníbal Gonçalves

Em Viseu, foram várias as vezes que o comboio foi rejeitado sem que os habitantes houvessem punido democraticamente os responsáveis por tamanhas opções. Também em Fafe, foram as negociatas autárquicas que afastaram a cidade da rota dos comboios. Ironicamente, penitenciam-se agora os (mesmos) protagonistas políticos, reclamando um regresso que muito dificilmente se concretizará na próxima década.

O último quarto do século XX está cravejado de equívocos no que respeita às opções ferroviárias e, a avaliar pelas últimas opções governativas, parece que o país não aprendeu mesmo nada com os erros do passado.

A Crise Social do Minho [4]

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«Cavaco Silva defendeu a criação de um Observatório Regional sobre o emprego e a economia, que agregue os actores sociais e estatais, lembrando que tal sucedeu no Vale do Ave quando foi primeiro-ministro e foi necessário combater a crise.» [Público]

Em visita a Braga, Cavaco Silva propõe um Observatório Regional sobre o emprego e a economia. A ser criado, os observadores poderiam começar por estimar os custos sociais das portagens do distrito de Braga. Como se sabe, as empresas aqui sediadas concorrem em condições de grave desigualdade relativamente às que se encontram nos distritos de Viana do Castelo, Viseu, Aveiro ou Leiria. É verdadeiramente incompreensível que a viagem entre Braga e Guimarães ou Barcelos seja taxada a um valor superior ao percurso entre Porto e Aveiro (A29 e A1).

Se o Governo assume que a crise não permite taxar as SCUT's, por que motivo mantém a cobrança no distrito de Braga? Onde está a solidariedade que continua a cobrar valores pornográficos aos habitantes de Cabeceiras e Celorico de Basto quando isenta de portagens os habitantes de Lisboa e do Porto? E como se justifica o silêncio dos municípios do Minho, conhecendo-se as campanhas que têm sido desenvolvidas por autarquias como a Maia, Espinho ou Póvoa de Varzim?

Com 11% dos desempregados do país, o Minho continua a viver uma crise sem precedentes. Desde meados da década de noventa, o Minho e o Norte perderam o comboio da inovação e da competitividade, convertendo-se numa das regiões mais pobres do país. A caridade, que devia ser solidariedade, está a tornar-se indispensável para a subsistência de um número muito significativo de cidadãos.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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