© brianewenO que é que a Escócia tem que o Minho não tem? Campos de golfe é só uma das muitas repostas possíveis, mas aquela que, com maior facilidade e rapidez, pode transformar de forma mais profunda a qualidade da oferta turística do Minho. Foi com esta ideia no pensamento que os 24 municípios do Minho e mais de 400 agentes económicos privados assinaram um acordo para «
valorizar os recursos do Minho rural, convertendo-o em território competitivo.»
Seis novos complexos vão integrar a oferta do Minho na área do golfe que actualmente apenas conta com o
complexo de Ponte de Lima e o
campo de treinos da Universidade do Minho, em Guimarães, onde está em uso o
robô Golfinho, desenvolvido por alunos do Mestrado Integrado em Engenharia Electrónica Industrial e Computadores do Departamento de Electrónica Industrial daquela Universidade. Os novos investimentos no golfe vão concentrar-se no Alto Minho, com
projectos previstos para Arcos de Valdevez, Melgaço, Paredes de Coura e Vila Nova de Cerveira. A sudeste da região, prevêem-se apenas dois equipamentos, um a ser construído em
Tibães (Braga) e outro em Vieira do Minho.
Para além do golfe, o programa assinado pelas três Comunidades Intermunicipais do Minho prevê a aposta na dinamização dos balneários termais, na rede de aldeias e solares, na qualificação do vinho verde e nos desportos náuticos.
Depois de mais de dois anos a combater a crise de identidade do Minho
[ver 1, 2, 3, 4, 5], parece que as autarquias e os agentes económicos da região acordaram finalmente para a importância da promoção conjunta do seu enorme potencial.
Entroncando a Norte da Linha do Douro (esta em bitola ibérica), temos a linha do Tâmega (Livração – Arco de Baúlhe), a linha do Corgo (Régua – Chaves), a Linha do Tua (Tua – Bragança) e a Linha do Sabor (Pocinho – Miranda Duas Igrejas). Destas já só tinham serviço de passageiros, e amputadas, as duas primeiras: a do Sabor morria em 1986 para passageiros, e a do Tua espera a sua reabilitação «para Março», porque «não é para fechar», «tem objectivos próprios», segundo o que se ouviu do Ministro das Obras Públicas.
Mesmo amputadas, mesmo em mau-estado, com serviço de passageiros em nada consentâneo com as necessidades dos mesmos, estas linhas foram sobrevivendo. Servindo populações que não têm alternativa de transporte, encravadas que estão em remotos locais. Até ontem. Altura em que «sem aviso prévio», a gestora da infraestrutura ferroviária, REFER, fechou por alegada falta de segurança as linhas ainda em funcionamento.
Até era de aplaudir esta opção: uma empresa que reconhece a sua ineficácia, e prefere perder a imagem a vidas humanas até não parece tão mal, mas o que se questiona (o mesmo tinha acontecido já com o ramal da Figueira pelas mesmas razões de falta de segurança), é porque é que a opção é «encerrarem temporariamente», quando afinal a sua missão seria de evitar que chegasse a tão desesperado estado de degradação? Então e se todas as entidades responsáveis por serviços ligados a mobilidade de pessoas decidissem fechar? As estradas, elevadores, linhas de metro, eléctricos, portos de mar e pistas de aviação por alegada «falta de segurança»?
Apetece dizer que à falta de um programa nacional de barragens, inventado em cima do joelho para conseguir-se o fecho da linha do Tua (que resistirá pela sua importância e pela importância que pessoas e organizações lhe reconhecem) foi preciso arranjar outra técnica: a do fecho por «falta de segurança»! É que mesmo sem um serviço minimamente capaz, sem qualquer publicidade, as linhas estreitas do Douro chamam milhares de pessoas (turistas) e servem populações locais que de outro modo se veriam induzidas a partir para um litoral descaracterizado, contribuindo para um interior cada vez mais desertificado, numa espiral sem fim.
Num país em que o Ministério do Ambiente não se insurge contra atentados ao património natural, em que o Ministério das Obras Públicas continua preocupado em fazer mais auto–estradas para ligar Porto a Lisboa (ou deverá dizer–se ao contrário?) e nada interessado em reabilitar o caminho–de–ferro como um meio ecológico, sustentável, seguro e confortável de transporte de pessoas e bens (contrariando o pensar europeu) pergunta–se:
Qual a estratégia para a ferrovia em Portugal?
Quantos quilómetros de via-férrea foram construídos ou reabilitados nos últimos quatro anos?
E quantos foram fechados, mesmo que «temporariamente»?
Depois de se ter assistido nos últimos anos a um reforço da insistência da REFER em vender canais ferroviários sem utilização para denominadas ecopistas que ainda precisam provar o seu interesse para as populações por elas servidas, e de ser preciso a união de 28 Concelhos para promover a ligação Pocinho a Barca D’Alva na Linha do Douro (30 km encerrados em 1988 que custarão o mesmo que 2 km de auto–estrada!), estamos entendidos quanto ao interesse que o comboio produz nesta geração de dirigentes «modernos e ambientalistas».
Não tarda, a nossa rede ferroviária será um conjunto de recordações «fechadas para obras», com reabertura não garantida! É pena!