Avenida Central

Bicicletas e Comboios

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Não que em Portugal seja, de todo, impossível aliar a bicicleta ao comboio, não. Apenas pode ser mais difícil. Mas nós, bracarenses, vamos mais longe ao termos criado aquele que terá sido o primeiro parque de estacionamento pago para bicicletas gratuitas. Não posso deixar de me congratular com o brilhantismo dos nossos grandes líderes, tão cheios de ideias, tão pequeninos. Braga é uma grande cidade portuguesa, tem imenso espaço para os carros mas a orografia - e só ela - repele os eléctricos, os tróleis e as bicicletas.

IC 19

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intercidades-19
© Dario Silva, 27-11-2009.

Eles bem tentam alargar e alargar o IC 19 mas não se livram dos engarrafamentos com 18 km de extensão, não se livram! - a solução para a i-mobilidade na Grande Lisboa passa por abrir túneis ou, por outro lado, começar a abrir linha de caminho-de-ferro, coisa que ali não acontece há mais de cem anos*

* não contando as dezenas de quilómetros de linhas de "eléctricos" encerradas e das poucas dezenas de quilómetros da rede do Metro de Lisboa.

Terra da Promissão

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Trams in Metro Sul do Tejo, Almada, Portugal.
© Bob Lennox

O Metro de Almada é o primeiro sistema ferroviário ligeiro a sul do Tejo. Iniciou o serviço comercial em Maio de 2007 depois de um fastidioso processo de decisão política. A rede atinge agora, após mais duas inaugurações intermédias, 13,5 km de extensão e servindo 19 paragens, sendo duas delas interfaces com as estações ferroviárias de Pragal e Corroios (serviço suburbano Setúbal-Lisboa).

Visto a uma distância confortável, algo parece não correr bem em Almada. Antes da construção, havia quem se queixasse, por exemploe, de que se passasse o metro na avenida, ía ser difícil estacionar o jipe à porta de casa. Logo após a abertura do serviço, a média de passageiros em cada viagem era de quatro pessoas. O actual bilhete ou assinatura só à custa de mais nove euros/mês é compatível com o bilhete integrado Lisboa Viva (uma cópia imperfeita do sistema Andante do Porto).

Nem em Dublin, nem no Porto, nem em Montpellier nem em Sevilha (2) vi alguém pedir que o metro andasse mais devagar. Em Almada, sim! Também é em Almada que os comerciantes pedem mais carros no centro. Penso que a Maia e Matosinhos não querem voltar atrás. Visto a uma distância confortável, dizia, algo parece não correr bem em Almada.

Nota: nunca viajei no metro de Almada em serviço comercial mas sei bem que qualquer passeio no Feijó serve para largar o carro durante a noite. Ou durante o dia. Qualidade de Vida.

A Revolução Adiada

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Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos. Não sejamos, à luz do século XIX, espectros a que dá uma vida emprestada o espírito do século XVI. A esse espírito moral oponhamos francamente o espírito moderno.

Oponhamos ao catolicismo, não a indiferença ou uma fria negação, mas a ardente afirmação da alma nova, a consciência livre, a contemplação directa do divino pelo humano (isto é, a fusão do divino e do humano), a filosofia, a ciência, e a crença no progresso, na renovação incessante da Humanidade pelos recursos inesgotáveis do seu pensamento, sempre inspirado.

Oponhamos à monarquia centralizada, uniforme e impotente, a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal, dando-lhe um carácter radicalmente democrático, porque só ela é a base e o instrumento natural de todas as reformas práticas, populares, niveladoras.

Finalmente, à inércia industrial oponhamos a iniciativa do trabalho livre, a indústria do povo, pelo povo, e para o povo, não dirigida e protegida pelo Estado, mas espontânea, não entregue à anarquia cega da concorrência, mas organizada duma maneira solidária e equitativa, operando assim gradualmente a transição para o novo mundo industrial do socialismo, a quem pertence o futuro.

Esta é a tendência do século: esta deve também ser a nossa. Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito. O seu nome é Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, torná-la impossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mãos das armas. Em si, é um verbo de paz, porque é o verbo humano por excelência.

Meus senhores: há 1800 anos apresentava o mundo romano um singular espectáculo. Uma sociedade gasta, que se aluía, mas que, no seu aluir-se, se debatia, lutava, perseguia, para conservar os seus privilégios, os seus preconceitos, os seus vícios, a sua podridão: ao lado dela, no meio dela, uma sociedade nova, embrionária, só rica de ideias, aspirações e justos sentimentos, sofrendo, padecendo, mas crescendo por entre os padecimentos. A ideia desse mundo novo impõe-se gradualmente ao mundo velho, converte-o, transforma-o: chega um dia em que o elimina, e a Humanidade conta mais uma grande civilização.

Chamou-se a isto o Cristianismo.

Pois bem, meus senhores: o Cristianismo foi a Revolução do mundo antigo: a Revolução não é mais do que o Cristianismo do mundo moderno.

[Causas da decadência dos povos peninsulares nos últimos três séculos, Antero de Quental nas Conferências do Casino de 1871]

Isto é parte de um discurso do séc. XIX. Já no séc. XX o Almeida Negreiros insurgiu-se contra o(s) Dantas. Podemos sinceramente dizer que, hoje, no séc. XXI, não estamos ainda rodeados de Dantas? Abril ainda não trouxe esta Revolução.

Euro 2008: Chora, Portugal!

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A guitarra chora baixinho
© neblina matinal

1. As consequências psicológicas da ejaculação precoce são nefastas. Espero que aqueles que instigaram a euforia estejam cheios de remorsos.

2. Gilberto Madaíl deixou que Scolari fizesse tudo o que quisesse ao longo destes anos. Desde agredir jogadores até insistir na mediania de alguns jogadores (Ricardo, Ricardo e Ricardo!), passando por intoleráveis insultos a vários agentes consagrados do futebol nacional e terminando com o anúncio extemporâneo da saída para o Chelsea. O resultado está à vista.

3. Perante as arbitragens do Portugal-Suíça e do Portugal-Alemanha, espero que os adeptos do Porto, Benfica e Sporting percebam finalmente o que custa constatar que os ricos e poderosos são sempre, mas sempre, beneficiados.

E não se esqueçam de os ir aplaudir, Scolari, Madaíl, Abramovic e o resto da matilha..., à chegada ao aeroporto...
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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