Há em Portugal uma classe de gente que, mesmo na sua
bárbara incompetência, é intocável como se não houvesse um limite de decência para a tolerância que lhes vamos concedendo por sabermos que
errare humanum est. Todos viram que Paulo Batista passou das marcas e rubricou uma das arbitragens mais incompetentes e escandalosas de que há memória. O que se esperaria, se este fosse um país de gente séria, é que a justiça fosse reposta e o árbitro responsabilizado. Dos dirigentes da arbitragem, sempre afoitos a julgar as atitudes dos outros, esparar-se-ia uma forte reprimenda pública ao juíz e a aplicação de um castigo verdadeiramente exemplar.
O problema é que este é um país de
cobardes oportunistas, gente que se acomoda com os três pontinhos roubados com um descaramento indigno e se deslumbra com um lugar numa qualquer tabela de injustiças. Jornalistas, dirigentes da Liga, da Comissão de Arbitragem e da APAF são todos cúmplices do triste cenário que se apossou do futebol português e que continua a beneficiar sucessivamente os chamados três grandes.
Dizem-me alguns benfiquistas com refinada ironia que «
os erros do árbitro são parte do jogo» e que «
para a História ficará o 1-0.» Ainda que convencido disso e, mesmo depois de consumida a adrenalida de uma partida de escandalosos equívocos, a verdade é que fica demonstrado que o carácter e a credibilidade de alguma desta gente do futebol.
Não me preocupa constatar que o Braga está nove ou dez pontos abaixo do merecido. O que me inquieta é saber que
o futebol é, mais coisa menos coisa, o retrato mais fiel deste país de mentiras e interesses instalados.