Avenida Central

Mudar de Esquina

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Chegada a hora de mudar de esquina, deixo-vos com um poema. É de Erich Fried (100 Poemas sem pátria. Lisboa: D. Quixote, 1979). Podem imprimi-lo e afixá-lo para o poderem reler de vez em quando.

O QUE ACONTECE

Aconteceu
e acontece agora como dantes
e continuará sempre a acontecer
se não acontecer nada contra isso

Os inocentes não sabem de nada
porque são demasiado inocentes
e os culpados não sabem de nada
porque são demasiado culpados

Os pobres não dão por isso
porque são demasiado pobres
e os ricos não dão por isso
porque são demasiado ricos

Os estúpidos encolhem os ombros
porque são demasiado estúpidos
e os espertos encolhem os ombros
porque são demasiado espertos

Aos jovens isso não preocupa
porque são demasiado jovens
e aos velhos isso não preocupa
porque são demasiado velhos

Eis por que não acontece nada contra isso
e eis por que razão aconteceu
e acontece agora como dantes
e continuará sempre a acontecer

O mapa de Alexandra Lucas Coelho

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“O meu mapa” é o título de um texto de Alexandra Lucas Coelho, jornalista e autora do imperdível Caderno Afegão (Lisboa: Tinta da China, 2009), apresentado em Novembro na comunidade de leitores da Velha-a-Branca. O mapa, que poderá ser lido na íntegra, a partir dos próximos dias, no número de Dezembro da Up, uma revista da TAP, inclui um roteiro nortenho que não esquece Braga e Guimarães e que pode ser bastante útil a quem quiser aproveitar os feriados de Dezembro para passear por perto:

“[…] Eis então o Porto. Ir da Ribeira ao Passeio Alegre e querer viver na Foz Velha. Ir da Alameda dos Liquidambares à Quinta do Mata-Sete. Ir ver dos poetas além de Pessoa. Comer por cinco euros, e bem. Subir ao Minho. Ler Agustina no jardim do Centro Cultural Vila Flor com Guimarães ao fundo. Escalar os jardins da associação Velha-a-Branca e lá de cima avistar Braga. Voltar ao mar em Viana do Castelo, que também tem rio, história, arquitectura e empadas de pato. Caminha, Cerveira, mais para dentro o Gerês. O Verão nas margens do Cávado. O Outono na Mata da Albergaria. Continuar para Trás-os-Montes. Comprar mel escuro em Mourilhe. Ver os carvalhos em Pitões e as amendoeiras em Felgar. Seguir o Sabor de Montesinho a Bragança. Apanhar o Douro em Miranda. Não largar o Douro. De Foz Côa ao Crasto, da Ervamoira a Nápoles, ser Setembro e haver vindima, pisar uva, ouvir cantar, beber e comer bem. […]”

Esqueçamos a hora de Inverno

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Eis que, finalmente, alguém coloca uma boa questão: neste momento de liberalismo mais desabrido, não será chegado o tempo de nos emanciparmos do constrangimento imposto pelo Estado de todos vivermos à mesma hora? A pergunta é aqui formulada por Elie Arié, que julga que podemos começar pela hora de Inverno, decidindo, cada um, qual a hora em que deseja viver.

A afirmação da liberdade, diz ele, impõe que se permita que cada distrito, cada autarquia ou cada indivíduo possa, em cada momento, fixar a hora que considere mais conveniente, sem se deixar influenciar pela escolha dos outros e pelo pensamento horário único. Tem razão.

O Ranking

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O Público on-line dá a notícia que hoje é manchete no Diário do Minho: “O Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, volta aos lugares cimeiros do ranking do ensino secundário feito com base nos resultados dos exames nacionais de 11.º e 12.º ano. Com 14 provas feitas e uma média de 15,81 valores, lidera a lista, sendo a única escola pública entre as 21 melhor classificadas.”

No espaço de comentários, um leitor de Viana do Castelo diz o que se impõe: “A escola Calouste Gulbenkian de Braga faz selecção de alunos, tem provas de selecção logo no primeiro ano e a especificidade dos seus estudos leva a que quem não tenha pernas para andar ao longo dos anos vá saindo. Se todas as escolas públicas fizessem isto será que as privadas ainda dominavam? Este ranking apenas confirma que quando se pode escolher alunos os resultados são bons, quando não, são os possíveis. Tudo o mais é patetice para entreter...”

À Atenção da Comissão Nacional de Eleições

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O estabelecimento de ensino onde vou tratar da questão do voto tem várias secções. Cada uma localiza-se numa sala de aulas com o nome de um escritor. Quando estou à porta da sala que corresponde ao meu número eleitoral, na fila para ir votar, reparo que a sala da esquerda é dedicada a Alice Vieira e a da direita a Sophia de Mello Breyner Andresen. Se os senhores da Comissão Nacional de Eleições tiverem alguma sensibilidade literária compreenderão que não é possível deixar de sentir algum incómodo por ter de ir votar na sala José Jorge Letria. No futuro, não me poderá ser concedida a possibilidade de votar na sala de um escritor mais a meu gosto?

Escutas

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Resumindo: houve escutas porque, no Verão, uns tipos do PS apareceram a denunciar umas coisas que não ocorreram e que só souberam que ocorreram porque andaram a espiar. É isto, não é?

Os Espanhóis e o Jornal de Sexta

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O fecho do programa de Manuela Moura Guedes suscitou inúmeras perorações. Muita gente tirou conclusões tomando como certa a circunstância de o Grupo PRISA, que manda na TVI, depender ou, pelo menos, ter boas relações com o governo socialista espanhol. “É uma ordem socialista através do seu aliado, a PRISA”, disse, por exemplo, Paulo Portas. Saber alguma coisa do assunto, evidentemente, só atrapalharia os comentários. O certo é que o Grupo PRISA e o governo espanhol têm, presentemente, uma péssima relação, como saberá qualquer pessoa medianamente informada sobre o que se passa em Espanha. Um dos mais agressivos ataques feitos, recentemente, ao governo socialista espanhol partiu do administrador delegado do Grupo PRISA, Juan Luis Cebrián. Não vale a pena resumir o artigo que ele publicou no diário El País do dia 21 de Agosto. Quem quiser, pode lê-lo aqui.

O Primeiro Rasgão no Asfalto

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Obras na Nova Avenida da Liberdade, Braga

Quando uma rua, uma avenida ou uma estrada acabam de ser asfaltadas, surgem, pelo menos, duas perguntas: Ao fim de quanto tempo receberão o primeiro rasgão? Que instituição tratará de o fazer?

Em relação à Avenida da Liberdade, em Braga, a resposta acaba de ser dada. Asfaltada pouco antes das Festas de S. João, a avenida recebeu hoje o primeiro buraco. A iniciativa pertenceu à EDP.

Outras Perspectivas do Rasgão: 1 e 2.

Ir à Volta

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Não sei quem, com autorização de também não sei quem, apropriou-se do espaço público para uso privado. Nada de extraordinário, mas, desta vez, a coisa passa-se, desde ontem, no centro da cidade de Braga. Não sei quem, portanto, resolveu aproveitar o S. João para organizar uma festa e cortou a Rua Gonçalo Sampaio, que liga a Avenida da Liberdade ao Largo Carlos Amarante. A quem pretendia passar, os moços da festa, prejudicando quem, em múltiplos casos, estava a trabalhar, determinavam: "Tem de ir à volta". Ter de andar às voltas é a consequência óbvia de haver gente em roda livre.

O Dinheiro das Obras

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Vinte e oito economistas querem que o governo proceda a uma reavaliação dos grandes investimentos públicos no sector dos transportes, assim como das suas prioridades e dos respectivos calendários. Dizem, portanto, que é preciso mais estudos.

Esperemos que eles não queiram que se gaste nos estudos o dinheiro das obras.

Terceiro o Benfica

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«'Primeiro o Benfica' é o lema da recandidatura de Vieira», diz um título do Público on-line. Se Vieira se dignasse prestar alguma atenção à verdade, outro lema se lhe imporia. Podia ser “Terceiro o Benfica” ou, se o pouco avisado optimismo prevalecesse, “Segundo o Benfica”.

“Primeiro o Benfica” é que é um manifesto despropósito. Mas de Vieira pode-se esperar tudo. Mesmo o mais inconcebível. Como, por exemplo, tratar de promover a contratação do treinador da equipa contra a qual vai jogar alguns dias depois. Valha a verdade que não é apenas de Vieira que se pode aguardar tudo. Se assim não fosse, do treinador assediado apenas seria expectável a decência de um não – um simples e óbvio não – ao convite feito em tão indignas circunstâncias.

Sondagens

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O Jaguar de Paulo Portas
© tsf

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, pediu uma audiência ao Presidente da República para lhe transmitir o que considera ser “o problema das sondagens”. O problema, segundo Paulo Portas, é que elas são “uma viciação da vontade eleitoral”.

Para o comprovar, o líder do CDS-PP apresenta um exemplo que demonstra o contrário do que diz. Afirma Portas que as sondagens para as eleições europeias que se publicaram foram “uma viciação da vontade eleitoral”, porque disseram que o PS ganhava e o PS perdeu e que o CDS morria e o CDS cresceu. Se as sondagens viciassem a vontade eleitoral no sentido referido por Portas, forçoso seria que as urnas confirmassem as sondagens. Não as confirmando, mostram que o condicionamento de que o líder do CDS-PP se queixa não existiu. Aliás, se o argumento de Portas uma indignação justificasse, seria a do PS, que as sondagens disseram que iria ganhar e perdeu.

Dito isto, acrescente-se que, desde há muito, se sabe bastante bem que as sondagens são susceptíveis de provocar efeitos perversos nos resultados eleitorais. De resto, Paulo Portas, que foi gerente de uma empresa de sondagens, a famosa Amostra, sabê-lo-á, com certeza, melhor do que a generalidade dos inquiridos e dos votantes.

Democracia Representativa

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Seria, sem dúvida, um exercício interessante. Consistiria em contabilizar o número total de pessoas que participam no processo de escolha de um executivo de um município. Esclareça-se que o exercício não visaria conhecer o número de cidadãos que votam nas eleições autárquicas. O que se pretenderia, exactamente, seria apurar o número de pessoas que, em cada partido, decide quem vão ser os candidatos à câmara municipal e somar tudo.

Os eleitores, por estes dias, já podem ir começando a saber os nomes que os partidos indicam para encabeçar as listas concorrentes às câmaras municipais, teoricamente, portanto, os candidatos à presidência do concelho. Permanecem, todavia, na ignorância sobre quantas pessoas é que participaram no processo de selecção de cada candidato e, claro, quantas participarão na escolha de cada um dos que ainda surgirão.

Será que o candidato foi indicado pelas três pessoas mais activas da concelhia ou seja lá qual for o nome do órgão executivo do partido? Foi designado pelo presidente da distrital? Foi escolhido por um plenário em que participaram cinquenta e três militantes? Ou vinte e nove? Ou dezassete, que, por acaso, pertencem a três famílias? O candidato foi o único que apareceu no café no dia em que se agendou a feitura da lista? Tudo isto somado, dá quantas pessoas? Sessenta e duas? Noventa e quatro? Cento e noventa e uma?

Seria, com certeza, curioso contabilizar o número total dos militantes partidários que peneiram – e seria também elucidativo saber como peneiram – os candidatos à presidência da câmara municipal. No fim, fazia-se uma comparação com o número de eleitores do município.

Participar

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Em circunstâncias normais, se assim se pudesse dizer, considerar-se-ia que os partidos políticos, particularmente os que aspiram a governar os municípios, estariam, agora, a aproveitar o facto de, em breve, se realizarem eleições autárquicas para dinamizarem iniciativas públicas para discutir o que as vilas e as cidades devem ser e para, da criatividade incentivada, aproveitar ideias para os seus programas eleitorais.

Nada disso. Apesar de uma ou outra mais ou menos conhecida e honrosa excepção, abundam os candidatos autárquicos que não precisam de ouvir o que os cidadãos têm a dizer. Às vezes, é verdade, promovem uns simulacros de participação que servem para entreter o voluntarismo de uns quantos, mas esses numerosos candidatos sabem que o que mais importa é tomar conta do poder e, depois, o que as vilas e as cidades devem ser será coisa que se irá vendo.

E o que as vilas e as cidades vão sendo, em grande medida, é mais do mesmo, sobretudo mais de tudo o que alguns promotores imobiliários e construtores civis tiverem para oferecer. E vão sendo, noutros domínios, o que a força da inércia for determinando que sejam. Os casos em que os municípios se distinguem por excelentes razões – não só pelo que fazem, mas também pelo modo como envolvem os cidadãos nas decisões sobre o que há para fazer – são assaz minoritários, mas mereciam, por isso, ser amplamente conhecidos.

De Automóvel Pelo Ex-Jardim de Portugal

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A destruição da paisagem minhota e a auto-mobilização geral foram assuntos que me pareceram apropriados para iniciar, em 2002, a minha colaboração na edição Minho do Público. Lendo o que recentemente Pedro Morgado aqui tem escrito, julgo que não é descabido recuperar esse texto inaugural:

“Durante muito tempo, o Minho foi bastante elogiado pelo seu bucolismo.

Embora outras características recomendáveis – como, por exemplo, a transbordante alegria da população – não ficassem esquecidas, a qualidade da paisagem sempre mereceu a primazia de uma quase generalizada exaltação, não desprovida, por vezes, de um ou outro traço mais marcadamente kitsch.

‘A paisagem minhota, no coração do Minho, é a dum gracioso presépio, um desses presépios lindos, em que figurassem os aprazíveis reis magos, na sua visita ao prodígio da Galileia’, escrevia Teixeira de Queirós. O Conde de Aurora notava igualmente que ‘no Minho é tudo pequenino, tudo é de brincar, tudo é teatral como um presépio; tudo é graça, tudo é beleza’. Com mais ou menos encómios, as opiniões convergiam. O Minho era, para usar uma expressão do séc. XIX, da autoria de José Augusto Vieira, ‘o jardim de Portugal!’.

A região também tinha uma contabilidade negativa. Durante séculos, foi um movimentado campo de batalhas. E era pobre. Só com o advento do regime democrático é que a água, a luz e o saneamento básico começaram a chegar à maioria das casas rurais minhotas. Em nome da melhoria das condições de vida da população foi, entretanto, legitimada uma série de atentados contra o património cultural e ambiental, como se o desenvolvimento fosse impossível sem deixar um rasto de destruição.

Os tempos mais recentes têm transformado uma parte substancial do Minho num sítio em que os terrenos agrícolas foram decorados com bombas de gasolina e stands de automóveis. A degradação da paisagem minhota, já tão danificada pela construção caótica, tem sido ainda acelerada pela multiplicação de estradas. O modelo de crescimento desordenado não é uma especificidade minhota, nem sequer nacional. Mas, tem, sempre e em todo o lado, os mesmos nefastos resultados.

O tipo de crescimento em voga tem estimulado o uso do automóvel, tornado hoje um objecto quase indispensável. Sucede que, citando o antropólogo Edward T. Hall, ‘o automóvel isola o homem do seu ambiente, bem como de contactos sociais. Permite apenas os tipos de relação mais elementares, que põem muitas vezes em jogo a competição, a agressividade e os instintos de destruição. Se quisermos redescobrir o contacto perdido tanto com os seres humanos como com a natureza, teremos que achar uma solução radical para os problemas colocados pelo automóvel’.

Talvez valha a pena pensar nisto.”

Talvez.

Pequenos Abusos Quotidianos

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Obras na Avenida da Liberdade
Obras na Avenida da Liberdade

Os senhores empreiteiros tomam conta do espaço público empurrando os peões para o meio do trânsito rodoviário.

Trabalhar Mal

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O condutor encosta a traseira do camião ao sítio do passeio mais recomendável para a realização do trabalho que há para fazer. Depois, os três homens da empresa transportadora de Valongo envolvem-se em demoradas manobras para fazer descer para o passeio um enorme e pesado objecto. O destinatário é um supermercado. O objecto, percebe-se depois, é um daqueles expositores frigoríficos que servirá para a colocação de, por exemplo, queijo, iogurtes e coisas do género. Os três homens vão movendo, a custo, o objecto, tentando encontrar um modo de o colocar na rampa elevatória do camião. O tamanho do expositor, terão julgado estes homens, torna o trabalho difícil. Mais do que difícil: impossível, constataria facilmente qualquer pessoa que reparasse na cena. Esforçados, os homens não desistem. Bastante tempo depois de as operações se terem iniciado, o expositor tomba sobre um dos homens. As pessoas que observaram o que se passou gritam. Muita gente acorre, subitamente, de todos os lados para levantar o objecto ainda mais pesado do que parecia. Um milagre fez com que o trabalhador tivesse encaixado na parte do expositor em que se colocam as prateleiras. Não ficou, por isso, esmagado. Nem ele nem qualquer uma das inúmeras pessoas que constantemente passavam junto ao camião com a traseira colocada em cima deste passeio bracarense.

Há, todos os dias, milagres assim. Entre nós, trabalha-se, demasiadas vezes, muito. Muito, mas mal, muito mal. De forma desleixada ou incompetente. Colocando em risco vidas que apenas por milagre se salvam.

“Praise song for the day”

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Mal termina o discurso de Barack Obama, há comentadores televisivos que se precipitam para a conversa fiada. Não reparam, por isso, que, no mesmo instante, em Washigton, a multidão escuta uma poeta, Elizabeth Alexander. Esta mulher lê um poema escrito para esta ocasião. Intitula-se “Praise song for the day”. É a quarta vez que a poesia é convidada para uma cerimónia de posse presidencial. A primeira tinha sido em 1961, ano em que Robert Frost leu “The Gift Outright” no início do mandato presidencial de John Fitzgerald Kennedy. Já se sabe que há maus políticos que gostam de excelente poesia ou de excelente música, mas também é verdade que nunca fomos muito longe com gente inculta.

Há comentadores televisivos que, com pressa de falar, se dispensam de observar o que está a suceder. Nada dizem, por isso, sobre o assunto, mas a atenção que neste dia, em Washigton, se concedeu à poesia é, evidentemente, um sinal que apenas pode ser considerado como muito auspicioso.

Boas Entradas

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Feliz 2009

48 Horas de Tranquilidade

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Os apelos ao fim do conflito entre Israel e o Hamas multiplicam-se. Nuns, manifesta-se um efectivo desejo de paz; noutros, percebe-se que o que se quer é, somente, aproveitar um pretexto para atacar Israel (é apenas a isso que se dedica, por exemplo, essa caricata agremiação que dá pelo nome de Conselho Português para a Paz e Cooperação).

Nestes dias de grande desespero, um genuíno apelo à calma chegou pela voz do escritor David Grossman. No diário Ha’aretz de hoje, pede ele: “Neste momento, depois das primeiras e severas investidas israelitas em Gaza, seria uma boa ideia parar e dizer aos chefes do Hamas: até sábado passado, Israel mostrou a sua contenção perante os milhares de mísseis Kassam disparados a partir da faixa de Gaza. Agora, perceberam até que ponto pode ser dura a nossa reacção. Porém, para não aumentar o número de mortes e a destruição, manifestamos a nossa intenção de cessar-fogo de modo unilateral e absoluto durante as próximas 48 horas. Mesmo que continuem a disparar sobre Israel, não retomaremos as operações militares. Cerraremos os dentes, como fizemos até há pouco tempo, e não nos deixaremos tentar a replicar pela força. Ao mesmo tempo, apelaremos solenemente aos Estados, próximos e longínquos, que o desejem, a uma arbitragem entre vocês e nós para que a calma se restabeleça. Desde logo, se vocês igualmente declararem um cessar-fogo, faremos o mesmo. Em contrapartida, se ao fim destas 48 horas, vocês continuarem à atacar, apesar da nossa vontade de contenção, pois bem, replicaremos. Mas mesmo neste caso, deixaremos a porta aberta à negociação, tanto para regressar à calma, como para encarar um acordo mais vasto”.

As notícias mais recentes dizem que este apelo a um cessar-fogo israelita durante 48 horas terá sido ouvido. Se o foi, espera-se que abra um caminho para uma paz mais prolongada.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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