«But, beyond that, it’s hard to find a pattern to explain this success. Unless you turn to the one constant at the club: António Salvador, their wheeler-dealer president. [...] Yet the Braga case suggests that money and coaches — two supposedly indispensable building blocks — may not be as crucial to success as we may think. Equally, the importance of strong leadership at club level and a clear long-term blueprint, independent of who is actually coaching the club, too often gets underappreciated.» [Gabriele Marcotti, no Times]
Um Caso de Estudo
Dois Ponto Zero | 31
A ler: Juntos Conseguimos, por Sérgio Gonçalves; Rádio acusa PS/Braga de "boicote", no Diário de Notícias; ora bem, o casamento católico visto pela sic-not, por Fernanda Câncio.
Haja Decoro!
© galessa's plastics
A Antena 1 organiza um programa de debate desportivo em que convida um adepto do Porto, outro do Benfica e outro do Sporting. Nesses programas, cada um deles destila argumentos em favor dos respectivos clubes, numa espécia de guerra a trêz vozes. Após queixas de vários ouvintes relativamente à falta de contraditório, Tiago Alves esclarece que «não se pretende analisar os jogos, mas sim o estado das equipas principais da Liga, as que jogam para o titulo e que ganham títulos na Europa, as que representam a esmagadora maioria dos portugueses.»
Em primeiro, Tiago Alves deve andar muito distraído na moderação do programa. Sempre que o oiço, são os jogos dos três clubes chamados grandes que são analisados. Em segundo, Tiago Alves devia saber que o Sporting de Braga já ganhou títulos na Europa e nos últimos tem estado sempre no pódio entre os clubes que mais contribuem para o ranking internacional de Portugal, motivo bastante para que o critério enunciado desqualifique gravemente o seu conhecimento da realidade desportiva nacional. E, em terceiro, o critério da «esmagadora maioria dos portugueses» está por demonstrar de forma objectiva. Adicionalmente, é preciso deixar bem claro que, ainda que a maioria apoie esses três clubes, a sua quota de adeptos não é de 100%, nem nada que se lhe possa comparar pelo que o critério da Antena 1 é inegavelmente inconsistente.
Tiago Alves aborda a questão da ausência de contraditório afirmando que «está salvaguardado e é praticado de forma muito estimulante, do meu de vista, por três adeptos de clubes rivais que estão no mesmo plano competitivo». O ridículo da afirmação é tamanho que esta visão só pode ser vista como anedótica. É mais ou menos como assumir que o CDS-PP não precisa de defender pontos de vista nos debates com o PS, porque o PSD já rebate os argumentos dos socialistas...
Por tudo o que pode ler-se na sua resposta, parece evidente que a posição assumida por Tiago Alves não passa de uma profissão de fé cega ao favorecimento dos três clubes chamados grandes por parte da estação de serviço público. Quando alguém não compreende que não é por serem Grandes Adeptos que deixam de ser Adeptos dos Grandes, está tudo dito. A ironia é que os impostos nos são cobrados compulsivamente e ninguém nos pergunta se somos adeptos de um clube que nao ganha títulos europeus ou de um clube que os ganhou quando os meus pais ainda nem sequer tinham nascido...
Legislativas 2009 na Imprensa Internacional
Em Espanha, o El Pais destaca a provável vitória de Sócrates sem maioria absoluta, enquanto o El Mundo diz que José Sócrates é o grande favorito para vencer as eleições de hoje. O diário catalão La Vanguardia fala na vantagem de Sócrates devido à debilidade da direita portuguesa.
Em Franca, o Le Monde diz que José Sócrates joga a maioria nestas eleições, salientando que os apelos ao voto útil marcaram as campanhas dos dois maiores partidos. O France 24 prefere destacar o facto de José Sócrates estar à beira de perder a maioria absoluta com que governou o país nos últimos quatro anos.
Nos Estados Unidos da América, The Wall Street Journal fala das eleições de um país pobre e a atravessar sérias dificuldades económicas. O New York Times não preparou nenhum trabalho próprio para a cobertura destas eleições, limitando-se a citar a agência Reuters.
A agência internacional Reuters escreve sobre as dificuldades do país, destacando uma provável vitória de José Sócrates. A Associated Press repete o destaque das questões económicas e fala numa vitória dos socialistas.
Em Franca, o Le Monde diz que José Sócrates joga a maioria nestas eleições, salientando que os apelos ao voto útil marcaram as campanhas dos dois maiores partidos. O France 24 prefere destacar o facto de José Sócrates estar à beira de perder a maioria absoluta com que governou o país nos últimos quatro anos.
Nos Estados Unidos da América, The Wall Street Journal fala das eleições de um país pobre e a atravessar sérias dificuldades económicas. O New York Times não preparou nenhum trabalho próprio para a cobertura destas eleições, limitando-se a citar a agência Reuters.
A agência internacional Reuters escreve sobre as dificuldades do país, destacando uma provável vitória de José Sócrates. A Associated Press repete o destaque das questões económicas e fala numa vitória dos socialistas.
Estranhas Coincidências | 4
Cláudio, o Público não é um jornal. É um boletim de campanha do PSD e uma expiação de ódio ao Partido Socialista de José Sócrates.
Estranhas Coincidências | 3
Num fim de tarde onde surge uma notícia de fraude eleitoral no PSD o jornal Público prefere destacar o caso ressesso da licenciatura de José Socrates, devido a uma declaração proferida pelo líder da JSD, no jantar de campanha que teve lugar no início da noite de hoje.
Porquê Agora?
Surgiram algumas teses conspiratórias sobre a suspensão do Jornal das Sextas. Desde a intromissão na liberdade de imprensa, às pressões do PS, a razões económicas e bolsistas, entre outras.
Quanto à intromissão na liberdade de imprensa, concordaria numa qualquer outra altura. Mas tendo sido alterado o director responsável pelo estatuto editorial (originalmente seria o próprio Moniz a apresentar o programa), naturalmente, essa linha tem de voltar a ser discutida, pois, embora definida pelo director, está sempre sujeita a aprovação da administração. Para além disso, a liberdade de imprensa pode ser violada por acção do jornalista. Por ultrapassar os seus limites - pois embora a absolutização desta liberdade por muitos jornalistas, esta tem limites -, nomeadamente deontológicos. Isso bastaria à administração para fazer o estatuto cair. Há ainda a condenação, há alguns meses, por parte da ERC, por essas razões. Condenação sem sanção, pois, não obstante ser uma liberdade violável, não existe sanção possível para o jornalista. Impunidade.
Mais, a coexistência de duas linhas editoriais distintas passando uma delas só num jornal, nunca fez nem faz muito sentido, pois, segundo a própria Moura Guedes: «há editores intermédios, eu não consigo estar em tudo, não consigo incutir em toda a gente». Por outras palavras: dissidente e ultra minoritária, mesmo na própria estação. Outro sinal claro dessa dissidência tem a ver com o deserto de escândalo-Freeport que atravessamos neste dois meses. Ninguém - nem a restante TVI - foi capaz de explorar ou se interessou sequer por esse filão, talvez por não haver verdadeiramente nada, quiçá. Mas o timing da decisão não me convence completamente. O Moniz já saiu há um mês, o programa está parado à dois e a condenação da ERC já tem meses
A tese das pressões do PS não parecem fazer qualquer sentido. Se há um historial de incómodo, não me parece ter qualquer cabimento a ideia de que existe, hoje, agora, um interesse nesse sentido. As eleições estão à porta e facilmente se percebe que seria pior a emenda do que soneto. Não basta tentar explicar porquê. É necessário explicar porquê hoje. A não ser que me apareça alguém a explicar este porquê, não vejo ponta por onde se lhe pegue, pois parece-me óbvio que a ter algum efeito, será prejudicial, caso não seja esclarecido em breve.
Existem outras teorias de que não vale muito a pena falar, excepto uma que, até ver, me parece ser a única que faz sentido que aconteça hoje e não há um mês ou meio ano atrás. Esta é a ideia de que o Eduardo Madureira aqui fala, no Avenida Central, remetendo para o artigo de opinião do patrão da Prisa, onde este manifesta uma completa ruptura com o PSOE. Note-se que a teoria das pressões do PS têm muito a ver com isto. Diz-se desde 2005 que a Prisa era a porta da entrada do PS na TVI, via PSOE. Parece-me evidente que este "divórcio" arruína esta ideia. Como referem no DN: «Estas declarações, a 21 de Agosto, fazem-no politicamente insensível às repercussões que a sua decisão tenha em Portugal, em vésperas das eleições legislativas».
PS: Caso se dê um esclarecimento relativamente célere, a posição do PSD, por parte do Aguiar-Branco, pode ser eleitoralmente nefasta. Existe sempre um risco associado a este tipo de declarações. Não seria a primeira vez que um partido era penalizado pelo tipo de jogo político que se propõe a fazer. Vamos ver se o PSD não apostou demais e precipitadamente neste caso.
Quanto à intromissão na liberdade de imprensa, concordaria numa qualquer outra altura. Mas tendo sido alterado o director responsável pelo estatuto editorial (originalmente seria o próprio Moniz a apresentar o programa), naturalmente, essa linha tem de voltar a ser discutida, pois, embora definida pelo director, está sempre sujeita a aprovação da administração. Para além disso, a liberdade de imprensa pode ser violada por acção do jornalista. Por ultrapassar os seus limites - pois embora a absolutização desta liberdade por muitos jornalistas, esta tem limites -, nomeadamente deontológicos. Isso bastaria à administração para fazer o estatuto cair. Há ainda a condenação, há alguns meses, por parte da ERC, por essas razões. Condenação sem sanção, pois, não obstante ser uma liberdade violável, não existe sanção possível para o jornalista. Impunidade.
Mais, a coexistência de duas linhas editoriais distintas passando uma delas só num jornal, nunca fez nem faz muito sentido, pois, segundo a própria Moura Guedes: «há editores intermédios, eu não consigo estar em tudo, não consigo incutir em toda a gente». Por outras palavras: dissidente e ultra minoritária, mesmo na própria estação. Outro sinal claro dessa dissidência tem a ver com o deserto de escândalo-Freeport que atravessamos neste dois meses. Ninguém - nem a restante TVI - foi capaz de explorar ou se interessou sequer por esse filão, talvez por não haver verdadeiramente nada, quiçá. Mas o timing da decisão não me convence completamente. O Moniz já saiu há um mês, o programa está parado à dois e a condenação da ERC já tem meses
A tese das pressões do PS não parecem fazer qualquer sentido. Se há um historial de incómodo, não me parece ter qualquer cabimento a ideia de que existe, hoje, agora, um interesse nesse sentido. As eleições estão à porta e facilmente se percebe que seria pior a emenda do que soneto. Não basta tentar explicar porquê. É necessário explicar porquê hoje. A não ser que me apareça alguém a explicar este porquê, não vejo ponta por onde se lhe pegue, pois parece-me óbvio que a ter algum efeito, será prejudicial, caso não seja esclarecido em breve.
Existem outras teorias de que não vale muito a pena falar, excepto uma que, até ver, me parece ser a única que faz sentido que aconteça hoje e não há um mês ou meio ano atrás. Esta é a ideia de que o Eduardo Madureira aqui fala, no Avenida Central, remetendo para o artigo de opinião do patrão da Prisa, onde este manifesta uma completa ruptura com o PSOE. Note-se que a teoria das pressões do PS têm muito a ver com isto. Diz-se desde 2005 que a Prisa era a porta da entrada do PS na TVI, via PSOE. Parece-me evidente que este "divórcio" arruína esta ideia. Como referem no DN: «Estas declarações, a 21 de Agosto, fazem-no politicamente insensível às repercussões que a sua decisão tenha em Portugal, em vésperas das eleições legislativas».
PS: Caso se dê um esclarecimento relativamente célere, a posição do PSD, por parte do Aguiar-Branco, pode ser eleitoralmente nefasta. Existe sempre um risco associado a este tipo de declarações. Não seria a primeira vez que um partido era penalizado pelo tipo de jogo político que se propõe a fazer. Vamos ver se o PSD não apostou demais e precipitadamente neste caso.
Cucos
Depois do representante Pina Moura ter gabado o programa do PSD, cancelar o jornal de Manuela Moura Guedes era a coisa mais congruente que a sucursal da PRISA podia fazer. Ali, sem vaselina.
Serviço Público?
O Braga continua líder, mas a RTP, televisão para que pagamos compulsivamente em impostos, preferiu transmitir o resumo do jogo entre o 12º e o 16º... Critérios?
Dois Ponto Zero | 28
A ler: De boas intenções e golpes rasteiros está o inferno cheio, por Pedro Vieira; Ética dos Princípios, por João Galamba; Pedro Santana Lopes e coisas pequenas, por Pedro Rolo Duarte; España, el país que sorprendió, por Eduardo Martín de Pozuelo.
A ver: O Homem da Mala, por We Have Chaos in the Garden.
A reflectir: O caso António Preto incomoda-me. A democracia, a qualidade da democracia, não se compadece com o amiguismo aparelhista dos partidos. Manuela Ferreira Leite que não diz nada de substancial para o país, deitou tudo a perder quando a única mensagem que nos dirige é a de que os interesses do partidos estão, afinal, acima dos interesses do país. Triste antagonismo de Sá Carneiro. Sugiro a leitura de Paulo Marcelo, membro do Conselho Nacional do PSD.
A ver: O Homem da Mala, por We Have Chaos in the Garden.
A reflectir: O caso António Preto incomoda-me. A democracia, a qualidade da democracia, não se compadece com o amiguismo aparelhista dos partidos. Manuela Ferreira Leite que não diz nada de substancial para o país, deitou tudo a perder quando a única mensagem que nos dirige é a de que os interesses do partidos estão, afinal, acima dos interesses do país. Triste antagonismo de Sá Carneiro. Sugiro a leitura de Paulo Marcelo, membro do Conselho Nacional do PSD.
Jornalismo?
O jornal i destaca na sua edição online de hoje, 5 de Agosto, um post escrito por um jornalista espanhol em 16 de Maio passado. Alguém me explica qual é o critério jornalístico?
Os Media e os Clubes de Futebol
É mais do que óbvio que o Benfica não pode obstaculizar o trabalho dos jornalistas deste ou daquele órgão de comunicação social em conferências de imprensa. Contudo, não deixa de ser irónico que os jornalistas, aqueles que em Portugal mais prestam vassalagem ao Benfica, Porto e Sporting, tenham este tratamento por parte de um desses clubes.
Do Centralismo de Lisboa
As televisões perdem toda a credibilidade quando se entregam ao jornalismo dos cidadãos das causas individuais de cada cidadão sem qualquer sentido crítico perante o que é difundido. Na edição de hoje do programa Nós Por Cá, surge a reportagem de um cidadão indignado por ter que ir a Peniche para ser operado a uma hérnia inguinal. Isto sucede, porque os Hospitais de Lisboa não têm, de momento, capacidade para garantir aquela cirurgia ao doente. A situação não é diferente de milhares de outras situações de doentes que têm que se deslocar para receber tratamentos médicos e cirúrgicos no âmbito Serviço Nacional de Saúde (SNS) e é a única opção razoável para manter o SNS sustentável para o erário público.
Como bem se percebe, o SNS não tem capacidade para garantir certos tratamentos em todo o país e, a muito custo, os doentes têm que se deslocar, às vezes diariamente, entre Miranda do Douro e o Porto ou entre Moimenta da Beira e Viseu. É a realidade dura do país real. Do mesmo modo e imagino que com bastante frequência, haverá cirurgias que, não estando disponíveis no Hospital de Peniche, obrigam a deslocações dos doentes deste concelho aos Hospitais de Leiria, Coimbra ou Lisboa.
Não percebo o espanto deste cidadão de Lisboa e muito menos a pertinência da reportagem quando se sabe que há milhares de doentes que fazem o percurso inverso rumo aos hospitais de Lisboa. Será que isto só é notícia porque desta vez é um cidadão a ter que se deslocar para fora de Lisboa?
Como bem se percebe, o SNS não tem capacidade para garantir certos tratamentos em todo o país e, a muito custo, os doentes têm que se deslocar, às vezes diariamente, entre Miranda do Douro e o Porto ou entre Moimenta da Beira e Viseu. É a realidade dura do país real. Do mesmo modo e imagino que com bastante frequência, haverá cirurgias que, não estando disponíveis no Hospital de Peniche, obrigam a deslocações dos doentes deste concelho aos Hospitais de Leiria, Coimbra ou Lisboa.
Não percebo o espanto deste cidadão de Lisboa e muito menos a pertinência da reportagem quando se sabe que há milhares de doentes que fazem o percurso inverso rumo aos hospitais de Lisboa. Será que isto só é notícia porque desta vez é um cidadão a ter que se deslocar para fora de Lisboa?
Regionalistas, Mas Pouco
© Caio Meireles
O grupo Lena lançou o semanário Grande Porto que descreve como «um projecto de informação geral, privilegiando naturalmente a Região Norte». Se o objectivo do grupo era promover a regionalização a Norte, então a estratégia, a começar pelo título, é um autêntico tiro no pé. Já imaginaram o que diriam no Grande Porto se voltasse às bancas um jornal chamado Semanário de Lisboa e se assumisse como naturalmente nacional?
Empecilho Dourado
Existe uma preocupação muito grande com a linha editorial por parte dos vários partidos. É oportunismo. A TVI não tem uma linha editorial contra o PS. Tem contra o governo, como eventualmente terá com o próximo, se este mudar.
Mas visto pela perspectiva privada, este poderia ser um bom negócio para a PT, pelo que o me acaba por chocar mais é o desespero da direita, sobretudo da direita, pelo veto desta compra. As golden shares, como qualquer pessoa de direita - e não só, verdade seja dita - dirá, noutra altura que não esta, são uma aberração. De facto, não vale muito a pena fazer-se uma pseudo-privatização de uma empresa, se depois se impede activamente o seu natural crescimento, que se façam bons negócios. E choca-me porque o discurso que seria de esperar era não o do apelo ao veto, mas sim o do fim da participação do Estado nesta empresa, numa altura em que se torna absolutamente evidente que o Estado não é mais do que um empecilho. De resto, o recuo do Governo, perante tão consensual oposição, é natural. Para muito mal da PT e dos seus accionistas. Se existe benefício para os portugueses... Não creio. O crescimento da PT encontra-se bloqueado.
Nota: A PT pretendia adquirir a Media Capital
Ironias que a Rede Tece
© freep.com
A internet tem destas coisas: em cima da notícia da morte de Michael Jackson, vendem-se bilhetes para a próxima digressão. Sem comentários.
Provedor de Quem?
«Têm fundamento e são verificáveis, as queixas do predomínio dado a esses três clubes, quer nos programas desportivos, quer nas notícias, onde os outros clubes têm um tratamento muito secundarizado. E se, por um lado, não pode ser a RTP a graduar de modo diferente, por valores de importância desportiva os grandes clubes, também não pode ser a RTP a desconsiderar os outros clubes. Também neste ponto devem prevalecer os parâmetros de pluralismo do estatuto de serviço público.» [Provedor do Telespectador da RTP]
Vai longa a batalha daqueles que defendem uma RTP verdadeiramente plural nas questões desportivas. O excesso mediático do futebol dos três grandes, acompanhado de forma inaceitável pela estação de serviço público, constitui-se como uma inaceitável distorção do pluralismo a que estão obrigados os órgãos de comunicação social. A situação é mais grave quando é público e notório que a RTP continua a reincidir após repetidos apelos do seu Provedor.
A última situação verificou-se a propósito da novela da transferência de Jorge Jesus para a Luz, processo em que a RTP nunca ouviu um único comentador afecto ao Sporting de Braga, limitando-se a um desfilar de opiniões de benfiquistas severamente críticos da intransigência do clube minhoto na defesa dos seus legítimos interesses. A situação é grave e viola os deveres de imparcialidade e pluralismo a que a RTP está obrigada.
Mais recentemente, um comentador residente da RTPN (e conhecido benfiquista) fez um ataque selvagem à postura do Sporting de Braga naquele negócio sem que haja qualquer oportunidade para a instituição bracarense ser defendida. Estas situações devem ser lidas como um ataque institucional da própria RTP ao Sporting de Braga, nada empenhada em garantir o contraditório a que também está obrigada. Às queixas formuladas pelos telespectadores, o Provedor responde com o já habitual acto de contrição sem qualquer consequência: «A falta de imparcialidade e isenção tem sido uma preocupação constante do Provedor no exercício da suas funções e não deixará de continuar a transmitir ao Director de Informação as pertinentes reclamações dos telespectadores».
Afinal, para que serve um Gabinete do Provedor cujas recomendações são reiteradamente ignoradas pelos seus destinatários?
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