Avenida Central

Mateus 22:21

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«Os senhores padres e bispos, cheios de dons atrás do nome – coisa que ainda não consigo perceber –, vieram a terreiro condenar a prioridade dada à legalização do casamento entre homossexuais. Dizem que «preparam uma resposta» e até se vão reunir em Fátima daqui a uns dias. Eu por mim, acho muito bem que os senhores padres e bispos, mais os seus dons atrás do nome, se divirtam em concílios destes, fingindo que o Estado ainda não é laico e que ainda mandam alguma coisa. Preocupante, preocupante, é que a população portuguesa em geral e a classe política em particular lhes dê algum tipo de importância a não ser aquela que é devida aos comuns cidadãos.

É extraordinariamente interessante que os senhores padres e bispos ainda não tenham percebido que quem decide os contratos civis são os civis e quem decide as matérias religiosas são, por sua vez, os religiosos. Foi Jesus quem o disse e Mateus quem nos fez saber – e julgo que pelo menos esta parte da Bíblia será para ler de uma forma literal. Que os senhores padres e bispos, mais os seus dons antes dos nomes, não queiram, em Igrejas, celebrar matrimónios entre homossexuais, é com eles. Não me interessa. Não nos interessa. O que é importante é que não abusem da sua influência junto de uma boa parte da população, tentando decidir, eles próprios, matérias políticas.»

Texto ostensivamente roubado ao Tiago Moreira Ramalho do Corta-fitas.

Lei das Relações Sexuais Fortuitas?

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Confesso que, estando fora do país, ainda não consegui perceber se este texto do Pedro Lomba se baseia em factos reais ou se se trata de pura ficção. Legislar sobre relações sexuais fortuitas é um devaneio verdadeiramente inacreditável. Por este andar, ainda veremos o legislador, certamente preocupado com o conteúdo das relações sexuais fortuitas, editar o livro de instruções das ditas relações fortuitas. Como diz o outro, valha-nos Santo Bentinho da Loja Aberta!

Adenda - O texto do Pedro Lomba é uma sátira.

Passar as Marcas

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Big Euro Boys futebol céu rezar
© tony_v

O futebol, por muito que não se goste, é um dos espelhos mais fiéis da complexa matriz que enforma a sociedade do nosso tempo. Ainda esta semana, depois de assistirmos à expulsão de Vukcevic por festejar um golo sem camisola, ficámos a saber que a medida se deve, entre outras coisas, ao facto dos muçulmanos, por motivos religiosos, serem «contra a exibição do corpo nu». Vítor Pereira acha normal e justifica: «como o futebol é um jogo global, deve respeitar-se estas crenças religiosas». Curiosamente, nesta mesma semana, surge a notícia de que a FIFA pretende proibir «manifestações de fé nos relvados».

Estas situações, embora aparentemente antagónicas, são sintomas comuns de uma grave doença dos nossos dias que radica na imposição normativa do politicamente correcto. Trata-se de uma nova forma de policiamento da moral e dos bons costumes, limitando de forma severa liberdades fundamentais de cada ser humano. A facilidade com que os defensores do politicamente correcto se indignam com os comportamentos alheios e a passividade com que aceitam este permanente policiamento moral são sintomas verdadeiramente inquietantes.

Por mim, que os golos sejam festejados da forma que cada qual desejar. Não há indignação religiosa ou devaneio neutral que mereça este constante passar as marcas no que respeita à restrição das liberdades dos outros. É assim tão difícil aceitar cada qual como é?

Da Liberdade Religiosa

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O Presidente da Bolívia, Evo Morales, pretende colocar o Estado a controlar as actividades e funções da Igreja Católica no país. É verdadeiramente inacreditável que, em pleno século XXI, haja quem pretenda limitar a liberdade religiosa e o direito às pessoas de se organizarem livremente em religiões. É o mundo que temos.

Os Media e os Clubes de Futebol

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É mais do que óbvio que o Benfica não pode obstaculizar o trabalho dos jornalistas deste ou daquele órgão de comunicação social em conferências de imprensa. Contudo, não deixa de ser irónico que os jornalistas, aqueles que em Portugal mais prestam vassalagem ao Benfica, Porto e Sporting, tenham este tratamento por parte de um desses clubes.

No Divã do Fascismo

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ALicaodeSalazar
© c_alberto_vaz

O Público foi ao íntimo do Estado Novo perscrutar um pouco melhor alguns dos valores de preconceito e descriminação de que se tecia a ideologia do regime ditatorial português. «Deus, Pátria e Família» é a síntese de um regime profundamente machista, intolerante e discriminador.

A ler: O Estado Novo dizia que não havia homossexuais, mas perseguia-os; Guerra Colonial: Sim, havia maior liberdade sexual, mas um oficial matou-se na parada; Amor numa cadeia da PIDE.

O Liberalismo é de Esquerda

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«Na direita portuguesa, os que aderiram ao que chamam "liberalismo clássico" na economia são, em boa verdade, conservadores e não liberais. São-no sempre em matérias de costumes e de bioética. Nunca se preocupam muito com a defesa das liberdades individuais. Desconsideram as minorias. A sua adesão ao mercado livre deriva apenas da oposição à política igualitária da esquerda. Defendem o mercado contra o Estado social e distributivo, não a favor da liberdade.» [João Cardoso Rosas]

A Vez do Vermelho

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rdk© Brunocerous

Saldanha Sanches chamou a atenção hoje, algures no Frente a Frente com Paula Teixeira da Cruz na SIC Notícias, para o alerta lançado pelo Sindicato das Carreiras de Investigação e Fiscalização do SEF. Segundo o seu Porta-voz, a regulação da actividade nas casas de alterne, com a legalização e regulamentação da indústria do sexo, gerariam receitas fiscais ao Estado capazes de pagar investimentos púbicos - perdão... - públicos, como a nova auto-estrada entre Amarante e Bragança. (a cidade nordestina não se livra das insinuações)

Por outro lado, e é sabido, a legalização permitiria muito maior controle sobre as máfias e o tráfico de seres humanos, optimizando a acção da polícia e até mesmo de organizações governamentais e ONG's que dão apoio também na prostituição de rua. A ilegalidade é geralmente a parede contra a qual se colocam muitas das mulheres obrigadas a uma actividade pela espada de quem as trouxe, com outras promessas, para Portugal. O proibicionismo raramente resulta, e a mudança desse paradigma na política do consumo de droga fez do nosso país exemplo a ser seguido pelos E. U. A..

Com Este Decote, Já Serve?

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Yemen Lafforgue
© Eric Lafforgue

Depois dos textos De Uniforme é Melhor e Festival Eurovisão da Censura escritos pelo Pedro, fiquei a pensar, afinal, para onde vamos. Suponho que seja algo como a imagem ilustra...

Festival Eurovisão da Censura

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A forma como vamos perdendo a capacidade de nos indignarmos perante repetidos atropelos aos Direitos do Homem é verdadeiramente inquietante. Na noite de hoje, perante os holofotes do mediatismo mais inútil, o Festival Eurovisão da Canção realiza-se em Moscovo, num palco tingido pela triste cor da discriminação e da censura.

1. A música «We don’t wanna put in» da Geórgia foi censurada pela organização do evento na sequência das pressões do regime russo que exigiam que o trocadilho «put in» fosse removido da canção. A Geórgia abandonou o evento, organizando uma alternativa bem mais democrática e o Presidente Saakashvili georgiano clama, muito sensatamente, contra a vergonha da Eurovisão.

2. Depois de muitas ameaças, vários manifestantes foram detidos em Moscovo quando participavam numa marcha de protesto contra a discriminação dos homossexuais. Como se sabe, a Rússia não respeita os direitos das minorias sexuais, atentando repetidamente contra os Direitos Humanos. O porta-voz da Câmara de Moscovo afirmou que «semelhantes manifestações não só destroem as bases morais da nossa sociedade como provocam conscientemente desordens que irão ameaçar a vida e a segurança dos moscovitas e dos hóspedes da capital», enquanto que a Igreja Cristã Ortodoxa embarcou na tese de que «a propaganda da homossexualidade é, em qualquer caso, um crime contra a infância».

3. Os organizadores do Festival Eurovisão da Canção pediram à representante da Alemanha, Dita von Teese, para mostrar menos decote na actuação desta noite. Segundo os senhores da Eurovisão, o decote da senhora von Teese não é apropriado para um «espectáculo televisivo familiar».

São apenas três exemplos da censória defesa da moral e dos bons costumes que impregna os nossos dias. Tolerantes perante os pequenos abusos, abrimos caminho às imposições mais ignóbeis e aos atropelos mais graves aos Direitos Humanos que todos devíamos professar. As «diferenças culturais entre os países participantes» não são justificativo bastante para que possamos prescindir da liberdade de expressão, seja escrita ou performativa, do direito à manifestação e da defesa universal da igualdade entre todos, independentemente do sexo, do género, da cor de pele, da orientação sexual ou da religião.

A ler: Gays em desgraça na cidade de Moscovo, por José Milhazes.

Os Pais Sabem Melhor?

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"Numa área da educação [sexual] tão ligada às questões éticas, morais e religiosas, é inadmissível que haja esta espécie de ditadura da Assembleia da República", diz Isabel Lima Pedro, do MOVE, defendendo que a liberdade de escolha dos pais é a melhor solução para todos. [Expresso]

Nem vale a pena fazer grande alusão "às questões éticas, morais e religiosas". Na maior parte dos casos acredito que será um mero eufemismo para "fé" ou "religião", o que torna qualquer discussão absolutamente inútil.

Bem sei que a própria lei confere esse direito de orientação da educação - inclusive da religiosa - aos pais. Mas, na minha opinião, é um direito que deve ser exercido com responsabilidade, sem fundamentalismos, com moderação e no melhor interesse, não dos pais, mas (sempre) dos filhos.

O que este grupo de pais defende, aparentemente, é a substituição de "inadmissível" ditadura da Assembleia da República por uma outra, ditadura, que já entendem como admissível. E a expressão ditadura não é despropositada, pois, de facto, a liberdade de escolha [menos a dos adolescentes] é a melhor solução para todos.

Existe uma diferença inegável entre um adolescente de 10 anos e um adolescente de 17 anos e 364 dias. Por um lado, consigo compreender a posição dos pais se aplicada à fase inicial da adolescência. Por outro, já não consigo compreender, de todo, como é que pais que são, obviamente, envolvidos e dedicados e que, certamente, procurarão a melhor educação possível para os seus filhos, concebem essa educação sem conferirem algum grau (evolutivo, ao longo da adolescência) de liberdade de escolha aos seus filhos. Aliás, se essa liberdade não existe, também não pode existir responsabilidade e esta não nasce do nada, magicamente, aos 18 anos.

Por uma vez que seja, deixem que quem governa faça aquilo que os jovens, a quem a medida exclusivamente se dirige, já reivindicam há muitos anos. Aquele vasto grupo da população que não pode votar e raras vezes vê os seus anseios respondidos pela classe política. Já agora, outra das reivindicações, essa mais recente, é o voto aos 16 anos.

Acontece no Canavial | 3

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Antes de mais agradeço ao Pedro ter nomeado todos os efeitos possíveis da cannabis. É aliás a forma mais sensata que um médico dispõe para prevenir quer o consumo em si, quer o consumo exagerado da cannabis, como de qualquer medicamento ou erva-dormideira à venda em Vilar de Perdizes.

O mesmo princípio se aplica no consumo de álcool, tabaco, sal, açúcar refinado e gordura saturada - onde são sabidos os resultados quando se opta somente pela deriva proibicionista. Quarta-feira que vem, por exemplo, há-de esta cidade assistir a uma parada maior pelo consumo etílico, sem que se veja um esforço por alertar das consequências deletérias.

A marcha global da Marijuana é também contra o preconceito global contra uma planta que deu o nome a Marco de Canaveses: berço de Cármen Miranda, horto de Avelino Ferreira Torres; e que tem inúmeras aplicações na economia sem os impactos dos eucaliptos por exemplo - plantas, já agora, que só por obra humana e sem graça nenhuma, grassa mesmo contra-vontade na paisagem deste país.

Acontece no Canavial

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Canhamo
© StePagna

Marcha Global da Marijuana (Activismo)
[Amanhã, 9 de Maio, 15h00, início no Arco da Porta Nova - Braga]
Ora aí está, mesmo com a gripe A a desaconselhar aglomerados de gente, a oportunidade de arejar as ideias contra essa coisa de proibir o crescimento de plantas por decreto.

25 de Abril

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Monumento à liberdade
© lulubignardi [25 de Abril, Viana do Castelo]

Há por aí muito caudilho mal agradecido que, estivéssemos na velha senhora, nem se atreveria a desafiar os valores do regime com odes à sua antítese. Trinta e cinco anos volvidos, ainda escasseia a maturidade democrática para que reconheçamos sem falsas heresias que, não fora o vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro, e ainda andávamos todos a prestar vassalagem a um déspota qualquer escolhido pelas armas ou pela herança genética sacro-santa.

Sonho de Abril

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Celebram-se os heróis da revolução. Festeja-se o fim da guerra colonial. Recordam-se os eventos da revolução, minuto a minuto. Ouvem-se as músicas e contam-se as histórias. De parada militar em parada militar, todos os anos se discursa, em nome do Abril que nos deu a Democracia e a Liberdade.

A história de Portugal pós-abril confunde-se com a história de Portugal na CEE, à qual de imediato nos candidatamos. Com a entrada na CEE e às cavalitas dos 3 milhões de contos por dia, na era Cavaco, lá fomos disfarçando e readiando a crise. Vivemos deslumbrados com uma prosperidade que só seria real sem esbanjamento, com investimentos avisados e, sobretudo, com uma profunda alteração das mentalidades. Até que a torneira se fechou e outros Estados se tornaram membros. Disfarçamos uma crise que não é a crise global de hoje, nem é de 2001. Em bastantes aspectos, tampouco será uma do séc. XX. É uma crise civilizacional. Portugal não fica para trás. Para ficarmos para trás, era preciso ter estado a par daqueles (e "corrido" ao seu ritmo) com quem nos comparamos, alguma vez nos últimos séculos. A par, a nível económico, social e cultural. Outros souberam aproveitar as oportunidades. Com o Plano Marshall a Europa reconstruiu-se. Com a entrada na CEE a Espanha, aqui ao lado, conheceu uma enorme prosperidade, apesar dos seus alicerces, tal como os dos irlandeses, ainda não serem os mais famosos. Portugal corre sempre ao mesmo ritmo enfadonho e pouco ambicioso, desde há séculos. Os "anos dourados" dos fundos da CEE foram apenas uma espécie de doping.

Mas afinal, o sonho de Abril não era e é, para além do objectivo da Liberdade e da Democracia, também um projecto de nação? As celebrações de Abril pautam-se sempre, exclusivamente, pelo saudosismo da conquista dessa liberdade e dessa democracia. Deviam também servir como uma lembrança, como um estímulo constante na persecução desse projecto. Enfim, como um despertar que se adia.

Acontece no Minho | 28

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Zeca Afonso
© Armando Caldas

Sérgio Godinho (música)
[24 de Abril, 22h. Centro Cultural Vila Flor, Guimarães]
A Câmara Municipal de Guimarães oferece música de Abril para celebrar Abril. Em concerto de entrada livre, Sérgio Godinho terá um Grande Auditório cheio e com um brilhozinho nos olhos para o ouvir cantar.

Pedro Barroso (música)
[24 de Abril, 22h. Casa das Artes, Arcos de Valdevez]
Pedro Barroso estreia-se em 1969 no célebre programa da RTP Zip-Zip. Desde então, a sua carreira de quase 40 anos conheceu um crescendo permanente, evoluindo em paralelo com um país que conheceu fantásticas mutações políticas e sociais, elementos que desde sempre estiveram subjacentes às suas letras e melodias, a par dessa vontade imensa de cantar o amor e a verdadeira alma portuguesa.

Traz o Teu Cravo Também (música)
[24 de Abril, 21h21m. Velha-a-Branca, Braga]
Na noite da liberdade, o Estaleiro Cultural apresenta DJ set com a dupla do RUM Upload, Paulo Sousa e Sérgio Xavier.

Zeca canta Zeca (música)
[24 de Abril, 22h. Theatro Circo, Braga]
Neste ano cumprem-se 22 anos sobre a morte do compositor e cantor português Zeca Afonso, figura que deu grande contributo à cultura em Portugal e no mundo. Este espectáculo tem como intérprete principal José Carlos Barbosa, também ele “Zeca”. Nasceu em Viana do Castelo, em Agosto de 1956. Desde muito novo acompanhou a evolução da música portuguesa, particularmente dos compositores e cantores da resistência.

Rão Kyao (música)
[25 de Abril, 22h. Casa das Artes, Vila Nova de Famalicão]

Rão Kyao apresenta através das suas flautas de Bambu, com os magníficos arranjos a Oriente, sonoridade tão particular deste músico, uma homenagem à música tradicional Portuguesa e a Zeca Afonso.

GNR (música)
[25 de Abril, 23h. Queima das Fitas, Póvoa de Lanhoso]
Em noite de abertura, a Queima das Fitas do ISAVE apresenta GNR, a mítica banda do Porto que se celebrizou nos anos oitenta e noventa. Os Flow 212 abrem a noite.

Frida Hyvönen (música)
[25 de Abril, 22h. Theatro Circo, Braga]
A dar continuidade ao “Musa - Ciclo no Feminino”, o palco da sala principal acolhe a estreia nacional da voz simultaneamente doce e ácida de Frida Hyvönen e aos seus temas “pop”, ora envolvidos por um clima sombrio, ora nascidos de uma ingénua alegria infantil. A sueca traz a Braga um dos concertos do ano no Minho.

Enfiar o Barrete

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Mosteiro S. Miguel Refojos Cabeceiras de Basto
© VRfoto

Joaquim Barreto, edil de Cabeceiras de Basto, e alto quadro do aparelho socialista, na circunstância de presidente da distrital do PS de Braga e com lugar na comissão nacional do Rato, dá-se mal com a opinião livre e os exercícios de literatura. Vendo-se retratado num texto criativo e pleno de humor, entre a paródia e a realidade crua, escrito por Alexandre Vaz, um respeitado professor e historiador-amador cabeceirense, atiçou João Pedroso para lhe defender a honra e o bom nome na barra do tribunal. Este trâmite de duvidosa cultura democrática parece já habitual por estes lados, não olhando a despesas, mesmo quando se chega a insistir instância acima sem razão nenhuma...

Pessoalmente, não desdenho que alguém faça por repor, dentro do bom senso, a sua iniquidade deturpada na exposição da praça pública. Mas um político de craveira, como qualquer outro, que nunca há-de agradar a gregos e a troianos, tem de saber dar a volta nos palcos próprios da política e responder com as armas devidas da democracia. É que assim a aura de "medo de levantar o toutiço", que Joaquim Barreto tanto abomina que se lhe aponte no feudo, é apenas confirmada por este modus operandi, de silenciar na Justiça, com o alto patrocínio dos contribuintes, os detractores da paranóia que tanto lhe incomodam. Há dias e lugares onde festejar Abril se torna simplesmente uma anedota.

A Vossa Avenida, O Nosso Compromisso.

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Ao longo dos últimos anos, o blogue Avenida Central tem assumido um lugar de destaque no debate acerca do futuro da cidade e da região, centrando a discussão nas ideias e nos projectos, sem deixar de reflectir sobre os estilos de governação que melhor se adequam aos desafios vindouros. Os próximos meses serão, necessariamente, muito agitados em termos políticos e o blogue Avenida Central compromete-se a continuar o(s) debate(s) e o(s) diálogo(s) que ajudam a perspectivar o futuro.

Desde há cerca de um ano, as caixas de comentários do nosso blogue têm sido invadidas por comentários ofensivos para algumas personalidades bracarenses, bem como por insultos e ameaças aos autores deste blogue por não permitirem a difusão de afirmações manifestamente difamatórias e improvadas. Como bem afirma Marco Santos, «abrir um blogue e mantê-lo não implica aceitar como válidos comentários ordinários de trolls e idiotas que nem sequer sabem ler os posts com atenção».

Estranhamente, ou não, nunca essas mensagens de teor difamatório foram vistas noutros blogues bracarenses com autores identificados, pelo que se pode concluir tratar-se de uma campanha especificamente dirigida ao Avenida Central com objectivo de condicionar o exercício da nossa liberdade de expressão.

No filme «A Dúvida», há um padre que explica exemplarmente as consequências da insinuação e da calúnia: «repor a verdade após uma calúnia é como ter que apanhar todas as penas que o vento levou para bem longe após o esventrar de uma almofada no telhado de uma casa...» E, se qualquer insinuação ou calúnia é de si grave, mais repugnante se torna quando feita sob a capa do anonimato e com objectivos políticos aos quais somos completamente alheios.

Por tudo isto,

Reafirmamos a convicção de que a democracia só se cumpre quando a expressão for um exercício de cidadania verdadeiramente livre e responsável;

Reafirmamos o compromisso de jamais permitirmos a instrumentalização do blogue Avenida Central;

Reafirmamos o imperativo ético de continuar a moderar todos os comentários que profiram afirmações caluniosas, difamatórias ou insultuosas, bem como todas as referências a blogues que, pela sua natureza anónima, insistam na difusão de campanhas repugnantes que envergonham a liberdade e a democracia;

Reafirmamos o compromisso de informar com isenção e comentar com independência, sem nunca prescindirmos do direito à livre expressão, na plena convicção de que um blogue é sempre um espaço de natureza pessoal;

Reafirmamos, por último, a disponibilidade para continuar o debate sobre o futuro da região de forma transparente, sem prejuízo do apoio que os membros do blogue Avenida Central vierem a dar, a título individual, aos diferentes projectos que concorrerem aos próximos actos eleitorais.

Viana É Cidade Anti-Touradas

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«A maioria socialista na Câmara Municipal de Viana do Castelo, decidiu hoje não permitir a realização de qualquer espectáculo tauromáquico no espaço público ou privado do município, sempre que ele dependa de qualquer autorização a conceder pela autarquia.» [Público]

A Câmara Municipal de Viana do Castelo deu o exemplo: uma autarquia à altura dos desafios do nosso tempo não se deixa levar pelas virtudes populistas e eleitoralistas do espectáculo que aplaude o sofrimento cruel de qualquer animal. Na capital do Alto Minho, não há mais touradas se tal depender de qualquer aprovação da autarquia. Este exemplo de Viana do Castelo merece ser enaltecido e devia ser replicado por todo o Minho.

Contudo, as notícias mais recentes mostram uma realidade bem distinta: ao fim de muitos anos sem este espectáculo violento, Braga prepara-se para receber uma tourada; em Guimarães, as festas Gualterianas voltarão a ser palco de uma tourada; e na Póvoa de Varzim, a tourada continua a fazer-se regularmente na Praça de Touros. Infelizmente, a modernidade não está ainda ao alcance de todos...

Braga É, Mais Coisa Menos Coisa, Isto... [2]

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Musée D'Orsay - Courbet
© lapinot

«A PSP de Braga apreendeu hoje numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura. A polícia considerou que o quadro do pintor Gustave Courbet, reproduzido nas capas dos exemplares, era pornográfico, adiantou uma fonte da empresa livreira.
António Lopes disse que os três agentes policiais elaboraram um auto no qual afirmam terem apreendido os livros por terem imagens pornográficas expostas publicamente.
O quadro do pintor oitocentista - tido como fundador do realismo em pintura - expõe as coxas e o sexo de uma mulher, sendo, por isso, a sua obra mais conhecida. Pintado em 1866, está exposto no Museu D'Orsay em Paris.
» [Público, JN]

Poderá gostar-se muito ou gostar-se pouco, poderá achar-se uma obra prima ou simplesmente detestar-se... Contudo, dificilmente se poderá considerar como pornográfica esta representação realista da anatomia genital feminina. Ainda assim, a «Origem do Mundo» de Gustave Courbet conseguiu despertar o zelo de alguns agentes da PSP de Braga que, segundo as últimas notícias, apreenderam os livros em cuja capa constava tão realista ilustração, alegando tratar-se de pornografia.

A notícia assim contada assume traços de comédia, mas a tragédia é bem real e constitui-se como mais um infeliz atropelo à liberdade de expressão e uma intolerável censura sobre a expressão artística. É mais uma crónica que espelha a forma como a defesa da moral e dos bons costumes se está a tornar-se ridiculamente intolerável nesta cidade tão idolátrica.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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