Avenida Central

A Oportunidade Perdida Para a Nossa Democracia

| 1 Comentário | Partilhar
Home of Democracy
© Pedro Presilha, 2007

Finalmente o governo está totalmente constituído e como não se conseguiu formar um governo apoiado pela maioria do parlamento, apetece-me dizer que corremos o risco de perder uma oportunidade para o nosso país e para a nossa democracia.

Na minha opinião, a nossa democracia é recente e demonstra que ainda vai demorar a atingir um ponto de maturidade, como acontece com as democracias do norte da Europa, com países cujas democracias foram instituídas muito antes da nossa e ao mesmo tempo mais desenvolvidos que o nosso. Nestes países, valoriza-se a democracia representativa e o princípio da responsabilidade que os representantes do povo eleitos para os parlamentos têm, de forma a encontrar a solução governativa estável e que garanta um projecto sustentável para o mandato que estão eleitos, a bem do desenvolvimento do seu país, em detrimento das conveniências e tácticas político-partidárias. Por exemplo, antes das últimas eleições, a Alemanha foi governada por uma coligação pós-eleitoral entre o CDU (líder da coligação governativa e partido da mesma família europeia do PSD) e o SPD (partido que anteriormente tinha governado a Alemanha e da mesma família do PS). Estes dois partidos são rivais e o conseguisse governar em coligação durante a totalidade do mandato. Em muitos países, predomina o principio da governação em coligação a com a maioria do parlamento e não os governos minoritários.

Em Portugal parece que se passa o contrário e, como cidadão tenho pena, pois fico com a impressão que corre-se o risco de permanecer em suspenso importantes reformas necessárias ao progresso de Portugal. Ou seja, corremos o risco de termos o país em "gestão corrente" e parado, agravado por um contexto de crise e que é imperativo acção. Ao não conseguirmos garantias de apoio maioritário do parlamento ao Governo, perdemos várias oportunidades.

Sou Fã de Obama...

| 29 Comentários | Partilhar
Obama

Eu sou um fã de Obama e tudo que ele simboliza. Faço aqui a homenagem, a propósito da sua nomeação para Prémio Nobel da Paz e por acreditar na sua influência na futura geração de políticos. Para mim, a eleição de Barack Obama para Presidente EUA, já simbolizou muito e acredito que no Futuro vai simbolizar ainda mais.

Em primeiro lugar com o slogan "Yes We Can", transmitiu que é possível "Acreditar nos Sonhos e Concretizá-los", foi também o primado das convicções, dos princípios e dos ideais em política, em detrimento da cautela, da táctica política e da falta de comprometimento com os eleitores. Ou seja, foi mostrar que um político não deve ter receio de ser audaz na defesa dos seus ideais, projectos e de ser genuíno.

Depois a nova versão do apelo feito pelo Jonh F. Kennedy "Não penses no que o teu país pode fazer por ti mas sim no que tu podes fazer pelo teu país", transmitiu a responsabilidade que cada um nós tem em participar e envolveu os cidadãos nas causas comuns. Foi bastante mobilizador e conseguiu envolver na sua candidatura muitos voluntários que se juntaram espontaneamente e contribuíram para o sucesso da campanha. Trouxe novas pessoas à política, fora da tradicional esfera partidária e fez toda a diferença - permitiu que "A MUDANÇA FOSSE POSSÍVEL". Conseguiu juntar a força do Partido Democrata com a força das pessoas descomprometidas que entusiasticamente o apoiaram.

Res Publicae – “Coisa Pública”

| 6 Comentários | Partilhar
Proclamação da República Portuguesa 5 de Outubro

Inicio a crónica semanal “Futura Avenida” sem deixar de aproveitar a actualidade. Ontem comemorámos 99º Aniversário da Implantação da República, ao mesmo tempo que está em curso a campanha eleitoral para as Autarquias. Ora estes são dois temas que estão associados.

Ontem, em Fafe, o Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (Artur Santos Silva) defendeu que estas comemorações devem inspirar a sociedade para a renovação cívica, assente numa ética republicana do século XXI que reforce a cidadania e a devoção pela causa pública.

Diria que temos de aproveitar estas comemorações para reflectirmos sobre a forma de credibilizar as instituições da República e os seus agentes, reforçando sempre a democraticidade, a cidadania, o mérito, a transparência e a qualidade. Penso aliás, que um bom exemplo a seguir é o do político Barack Obama.

Quero que no futuro da República (re)surjam mais políticos que lutam pelas suas convicções e projectos, como foram os políticos Mário Soares, Sá Carneiro e Cunhal, usando a comunicação para ouvir, mas também para convencer os restantes concidadãos, e não o contrário.

E considerando que imagem da República é uma mulher ostentando um barrete frígio, que simboliza a Liberdade, e uma vez que a Lei da Paridade está totalmente instituída, só podemos esperar por uma República com novas protagonistas que possam dar contributos diferentes e dar um olhar diferente à democracia.

Este é um desafio que a geração do pós-25 de Abril (da qual me incluo) deve assumir e deve liderar. Diria mais, tem a responsabilidade de assumi-lo. Mas para isso é necessário pensar e debater que Futura Res Publica queremos e posteriormente agir. Sem esquecer que fruto da limitação de mandatos, em 2013 forçará uma renovação semelhante à que foi provocada pelo 25 de Abril e esta acção exigirá iniciar esta reflexão depois das eleições autárquicas. E a reflexão que falo é da renovação cívica, assente numa ética do século XXI, que credibilize as várias instituições juntos dos cidadãos e os provoque a participarem.

Fugir ao Debate

| 4 Comentários | Partilhar

Houve três debates – RTP-N, Antena 1 e RUM. Mesquita Machado faltou aos três com justificações diferentes. Ninguém acredita que, havendo vontade de ir, não se consiga arranjar tempo para participar. Aliás, para os programas da manhã ou da tarde tipo Praça da Alegria e transmitidos da Arcada o Presidente da Câmara tem tido sempre tempo. Pior – e sabemos todos – é que Mesquita falta a estes debates porque sabe que se participasse a probabilidade de perder eleitores seria grande. Se os debates tivessem outro impacto realizando-se em horário nobre na RTP, na SIC ou na TVI (e por que não?) certamente Mesquita não correria o risco de faltar.

Faltar, como já se disse neste blogue, é um desrespeito pelos bracarenses e pelos outros candidatos. E é um desrespeito pela Democracia uma vez que nos debates os candidatos estão todos em pé de igualdade. Não há fotografias e vídeos com obra feita, não há ofertas de brindes, não há berros nem músicas nem slogans roubados a centros comerciais. Bem moderado, um debate pode ser bastante esclarecedor. Vale a pena ouvir os nossos. Aqui ficam os links.

Antena 1 ouvir aqui
RUM ouvir aqui
RTP-N será retransmitido esta segunda, dia 5, às 21h na RTP-N | notícia ler aqui

Democracia Imperfeita

| 5 Comentários | Partilhar
Há uns meses, Mesquita Machada foi à Avenida da Liberdade participar numa encenação mediática com vista à inauguração do prolongamento do túnel rodoviário. Mesmo depois de gorada a promessa de construir uma praça defronte do Theatro Circo, Mesquita subiu à varanda do mesmo para ali se emocionar numa espécie de acção de campanha para as eleições que se aproximam.

Apesar de se permitir a estes episódios, a Administração do Theatro Circo não se coibiu de impedir a realização de acções políticas do PSD, CDU e Bloco de Esquerda naquele espaço, alegando «a natureza específica e objectivos do equipamento». Se o argumento é esse, não creio que o Theatro Circo tenha sido construído para os Presidentes do Município chorarem diante do povo que se embevece com o seu líder.

Já todos sabíamos que a democracia em Braga não era perfeita... Mas tanto?

Belém

| 3 Comentários | Partilhar
Em vez de desfazer equívocos no mesmo dia em que o Público lançou a "encomenda", Cavaco Silva arrastou a paranóia a corroer o que restava da imagem do Governo e da Democracia Portuguesa. Se isso pode não dizer nada da neutralidade do Presidente da República, diz muito da sua incapacidade política. Com Fernando Lima a sair, resta saber o que Cavaco Silva ainda está lá a fazer.

A Sabedoria da Guidinha

| 3 Comentários | Partilhar
Guida Maria: a actriz de bons atributos diga-se, e noutros mesmo com aquela idade. Salvo erro, vi-a de corpo presente na peça "Polaroides", ainda a companhia de teatro de Braga se contorcia no espaço alternativo PT. No entanto, a mulher que pariu Julie Seargeant - outra sardenta como o pai "dali dali dou: o papagaio voa" -, tem uma daquelas entrevistas execráveis e já cliché na contra-capa do JN de hoje.

Abdicou de votar e diz-se "farta da democracia", da má-criadagem, e que vivia melhor no tempo do senhor Salazar, onde aos 18 gramava a "fortuna" de uns 14 contos por mês, acrescenta. À Guidinha - diminutivo do tempo da outra senhora que lhe assentaria tão bem como passeio domingueiro e em família no Saldanha -, o jornaleiro de serviço, apelida de "frontal" e outros beneplácitos de protocolo quando neste país alguém diz coisas com deste nível mental para desdenhar o actual estado das coisas. Como se a defesa do sacrifício da democracia e da liberdade pelo respeitinho e 14 contos, fosse coisa que se gabasse só pela sua inteligência e atrevimento. Vão jogar pau com os ursos.

Os Blogues Como Instrumento de Cidadania

| 4 Comentários | Partilhar
«Ao enterrar o trânsito em toda a extensão da Avenida da Liberdade, aumentava-se ainda mais a área pedonal, criando um eixo desde o centro medieval até à zona da Ponte. Com uma solução deste tipo, evitava-se a existência de uma única boca de saída do tráfego, distribuindo-o por várias saídas ao longo do trajecto do túnel e permitia-se a ligação directa entre o Parque da Ponte, o Parque de Exposições e o Monte do Picoto, onde haveria de nascer o grande, desejado, eternamente adiado e persistentemente prometido "Parque da Cidade".»

Este excerto foi escrito há quase um ano na sequência de um texto publicado no extinto blogue "Arcada Nova". Pelos vistos, a ideia agradou ao actual Presidente da Câmara Municipal de Braga. Este caso é mais uma evidência da importância da blogosfera enquanto instrumento de participação cidadã na vida das comunidades locais.

"Erro Informático"

| 4 Comentários | Partilhar
Electronic Voting
© nathangibbs

Um homem da região de Leiria, que ao tirar o cartão do cidadão viu actualizada a secção de voto para o local onde vive, resolveu testar o novo sistema e conseguiu votar em duas freguesias. "Votei duas vezes e no mesmo partido", refere o eleitor, que pode vir a ser punido pelo crime. [...] A Comissão Nacional de Eleições já admitiu o “erro informático” que levou à “falha do programa” [JNegócios]
Como será quando introduzirem o voto electrónico em Portugal?

Hoje, Mais Do Que Nunca, Vote!

| 3 Comentários | Partilhar
Exhibition, Olivier Bardin
© Olivier Bardin

O direito ao voto universal foi uma conquista verdadeiramente morosa e difícil, mas que garante aos cidadãos o poder de, em condições de igualdade, decidirem o futuro dos colectivos que integram. A União Europeia é o espaço comum de 500 milhões de pessoas que partilham não só projectos, mercados e investimentos, mas também expectativas, saber e cultura.

Hoje, mesmo que o seu desejo seja protestar, não se abstenha. O voto é a arma mais poderosa e a mais eficaz para mudar pacificamente o mundo. Hoje, mais do que nunca, vote!

O Novo Fôlego da Bipolarização

| 1 Comentário | Partilhar
Se a sociedade portuguesa já imitava a americana nas desigualdades, o sistema político português ganha agora novo fôlego para a bipolarização. Sem saber, o BE e o PCP - e o CDS - acabam de assinar a sua sentença de morte, a curto ou a longo prazo, com a nova Lei de Financiamento Partidário.

Ora, o PS e o PSD, com raízes mais profundas na estrutura económica, vão sorver todo o capital possível para esmagar qualquer concorrência nas campanhas eleitorais. As grandes empresas e interesses associados, que já pagavam em cargos de administração, arranjam assim a ponta solta que faltava na influência das políticas de governação.

E se já era difícil antes, o sonho de Alegre, em ver independentes e mais forças políticas pequenas na Assembleia da República, só pode ficar pela utopia, porque nem em ciclos uninominais conseguirão fazer frente aos outdoors e aos "microondas" dos political hitmen enviados das sedes nacionais partidárias.

Fascismo Nunca Mais

| 5 Comentários | Partilhar
«Vítor Mesquita, Luís Magalhães e Luís Rosa, dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), estão a ser alvo de inquéritos internos instaurados pelo PCP, partido de que são militantes, por não terem apoiado a lista B nas eleições do Sitava que decorreram a 19 de Março.» [Público]

Um partido que não admite que os seus militantes defendam propostas alternativas é uma congregação de ortodoxos que ainda não percebeu o verdadeiro significado do 25 de Abril.

Sonho de Abril

| 3 Comentários | Partilhar
Celebram-se os heróis da revolução. Festeja-se o fim da guerra colonial. Recordam-se os eventos da revolução, minuto a minuto. Ouvem-se as músicas e contam-se as histórias. De parada militar em parada militar, todos os anos se discursa, em nome do Abril que nos deu a Democracia e a Liberdade.

A história de Portugal pós-abril confunde-se com a história de Portugal na CEE, à qual de imediato nos candidatamos. Com a entrada na CEE e às cavalitas dos 3 milhões de contos por dia, na era Cavaco, lá fomos disfarçando e readiando a crise. Vivemos deslumbrados com uma prosperidade que só seria real sem esbanjamento, com investimentos avisados e, sobretudo, com uma profunda alteração das mentalidades. Até que a torneira se fechou e outros Estados se tornaram membros. Disfarçamos uma crise que não é a crise global de hoje, nem é de 2001. Em bastantes aspectos, tampouco será uma do séc. XX. É uma crise civilizacional. Portugal não fica para trás. Para ficarmos para trás, era preciso ter estado a par daqueles (e "corrido" ao seu ritmo) com quem nos comparamos, alguma vez nos últimos séculos. A par, a nível económico, social e cultural. Outros souberam aproveitar as oportunidades. Com o Plano Marshall a Europa reconstruiu-se. Com a entrada na CEE a Espanha, aqui ao lado, conheceu uma enorme prosperidade, apesar dos seus alicerces, tal como os dos irlandeses, ainda não serem os mais famosos. Portugal corre sempre ao mesmo ritmo enfadonho e pouco ambicioso, desde há séculos. Os "anos dourados" dos fundos da CEE foram apenas uma espécie de doping.

Mas afinal, o sonho de Abril não era e é, para além do objectivo da Liberdade e da Democracia, também um projecto de nação? As celebrações de Abril pautam-se sempre, exclusivamente, pelo saudosismo da conquista dessa liberdade e dessa democracia. Deviam também servir como uma lembrança, como um estímulo constante na persecução desse projecto. Enfim, como um despertar que se adia.

Paridade Fantasma

| 1 Comentário | Partilhar
"O que está em causa é um problema de autenticidade". [...] "Se a dra. Elisa Ferreira e dra. Ana Gomes forem eleitas no Porto e em Sintra e o PS eleger sete eurodeputados, só haverá uma mulher - Edite Estrela - e se elegerem dez eurodeputados, haverá duas mulheres", acusou [Nuno Melo]. [Público]

"Há uma coisa que não faremos de certeza absoluta que é candidatar pessoas candidatos fantasmas. Aquilo que o PS está a fazer, candidatar pessoas às autarquias e ao Parlamento Europeu, é coisa que com a minha direcção nunca acontecerá. Tenho regras muito restritas sobre isto", frisou. [DN]

Esta parece-me ser um boa norma de conduta política. Honesta e transparente. Mas não é sobre isso que me proponho a escrever, como tampouco é especialmente dirigido em especialmente dirigido a algum partido.

Para além da "honestidade", há um outro aspecto em causa: o cumprimento das quotas de mulheres (em rigor, trata-se de uma representação mínima de 33,3% de cada um dos sexos). Pode-se concordar ou não com a imposição legal de quotas nas listas às várias eleições. Acho que, naturalmente, deve existir um equilíbrio de géneros, que claramente não existe.

A garantia que se pretende dar através da impossibilidade de se colocarem mais de dois candidatos do mesmo sexo, consecutivamente, na ordenação da lista, é uma garantia meramente formal. Aliás, uma rápida análise das listas [BE][PCP][PS][PSD][PP] revela que, grosso modo e com excepção do PCP, estas tendem a cumprir este requisito apresentando uma mulher a intervalar dois homens; o contrário é bastante mais raro.

Por outro lado, já se sabe que as suspensões, por uma ou outra razão, são extremamente frequentes. O exemplo dado pelo Nuno Melo é, de facto, flagrante (convém dizer que se o PP eleger os mesmos dois deputados, não vai lá estar nenhuma mulher). Esta Lei da Paridade, quer através de manipulações premeditadas, quer através da "tradição" de suspensões de mandato, ameaça tornar-se um mero formalismo, uma pseudo-paridade, existente apenas no momento de apresentação das listas. As listas para as autárquicas e para as legislativas trarão mais luz a esta questão.

Deserto a Norte

| 4 Comentários | Partilhar
President Pöttering in the choice box
© European Parliament
Além de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, o quiosque multimédia [Choice Box] vai percorrer mais quatro cidades portuguesas (Beja, Évora, Lisboa e Santarém) [Público]

Serão ainda seleccionadas duas sugestões por dia de cada Estado-membro para serem transmitidas em ecrãs gigantes em algumas cidades europeias, como por exemplo Bruxelas. [Tek]

Em Portugal as instalações em 3D estarão disponíveis no Funchal, Faro, Setúbal, Montijo, e Portalegre. [IOL]

Por «as mensagens gravadas t[erem] um tempo limite de 20 segundos» e por se destinar a «chamar a atenção para as eleições europeias em Junho», a Choice Box até pode ser absolutamente inconsequente...

Mas pelo mero simbolismo da coisa, não ficaria mal incluir o centro e o norte do país.

A Vossa Avenida, O Nosso Compromisso.

| 15 Comentários | Partilhar
Ao longo dos últimos anos, o blogue Avenida Central tem assumido um lugar de destaque no debate acerca do futuro da cidade e da região, centrando a discussão nas ideias e nos projectos, sem deixar de reflectir sobre os estilos de governação que melhor se adequam aos desafios vindouros. Os próximos meses serão, necessariamente, muito agitados em termos políticos e o blogue Avenida Central compromete-se a continuar o(s) debate(s) e o(s) diálogo(s) que ajudam a perspectivar o futuro.

Desde há cerca de um ano, as caixas de comentários do nosso blogue têm sido invadidas por comentários ofensivos para algumas personalidades bracarenses, bem como por insultos e ameaças aos autores deste blogue por não permitirem a difusão de afirmações manifestamente difamatórias e improvadas. Como bem afirma Marco Santos, «abrir um blogue e mantê-lo não implica aceitar como válidos comentários ordinários de trolls e idiotas que nem sequer sabem ler os posts com atenção».

Estranhamente, ou não, nunca essas mensagens de teor difamatório foram vistas noutros blogues bracarenses com autores identificados, pelo que se pode concluir tratar-se de uma campanha especificamente dirigida ao Avenida Central com objectivo de condicionar o exercício da nossa liberdade de expressão.

No filme «A Dúvida», há um padre que explica exemplarmente as consequências da insinuação e da calúnia: «repor a verdade após uma calúnia é como ter que apanhar todas as penas que o vento levou para bem longe após o esventrar de uma almofada no telhado de uma casa...» E, se qualquer insinuação ou calúnia é de si grave, mais repugnante se torna quando feita sob a capa do anonimato e com objectivos políticos aos quais somos completamente alheios.

Por tudo isto,

Reafirmamos a convicção de que a democracia só se cumpre quando a expressão for um exercício de cidadania verdadeiramente livre e responsável;

Reafirmamos o compromisso de jamais permitirmos a instrumentalização do blogue Avenida Central;

Reafirmamos o imperativo ético de continuar a moderar todos os comentários que profiram afirmações caluniosas, difamatórias ou insultuosas, bem como todas as referências a blogues que, pela sua natureza anónima, insistam na difusão de campanhas repugnantes que envergonham a liberdade e a democracia;

Reafirmamos o compromisso de informar com isenção e comentar com independência, sem nunca prescindirmos do direito à livre expressão, na plena convicção de que um blogue é sempre um espaço de natureza pessoal;

Reafirmamos, por último, a disponibilidade para continuar o debate sobre o futuro da região de forma transparente, sem prejuízo do apoio que os membros do blogue Avenida Central vierem a dar, a título individual, aos diferentes projectos que concorrerem aos próximos actos eleitorais.

Privacidade

| 3 Comentários | Partilhar
A questão da privacidade, quer na internet (ex: Google) quer noutras tecnologias (ex: Telemóveis no RU), quer na forma de mercado de dados, quer na de Big Brother, começa a merecer entrar na agenda política. Sobretudo se considerarmos que até a DECO abusa destes mercados de dados - e reincide -, para, através de intermediários, nos invadir com spam, como documenta o Paulo Querido.

Estão também com isto relacionados os recentes episódios em torno do Terms of Service do Facebook. O título deste post - "We Can Do Anything We Want With Your Content. Forever." - resume a ideia (via @PauloQuerido - Twitter (o que é?)).

Gerou-se um enorme buzz e uma onda de contestação que se espalhou pelas várias redes sociais. A verdade é que o Facebook não deseja a má publicidade e quer evitar uma fractura com o seu público-clientes, pois uma empresa e muito menos uma empresa deste género, não suporta o sacríficio (ou a fuga, se preferirem) que um confronto pode implicar. Por isso, passado poucos dias, o Facebook voltou atrás.

Este é um testemunho do poder da rede e da web social, contra uma empresa 2.0, que compreende o 2.0 como poucos; da mesma forma que os outros casos são exemplos da insuficiência lobista da rede contra ataques semelhantes fora da rede; mas, sobretudo, são um testemunho da inoperância e passividade que nós, como colectividade, aceitamos estes abusos e ataques à privacidade e propriedade intelectual de cada um.

Se o João Martinho questionava aqui na sua Avenida Ideal sobre o que seria a democracia: «a democracia é, ou não, verificável pelo facto de existir voto»?

A minha opinião é, claramente, a de que esta não se pode bastar pelo voto. Existem mecanismos quer de pressão social quer até legais (como a acção popular, a propósito das touradas em Braga, por exemplo) através dos quais se prossegue e exerce uma democracia. Chame-se cidadania ou acção cívica, se se quiser. Mas considero-o democracia e uma parte complementar mas fundamental desta, sobretudo em democracias de deficiente representatividade, como (considero) a nossa.

A Democracia de Braga

| 4 Comentários | Partilhar
Sede concelhia do PSD de Braga foi alvo de actos de vandalismo

Bailinho da Madeira

| 3 Comentários | Partilhar
Alberto João Jardim fala com Mário Crespo, interrompe-o, divaga em caroladas ao senhor Sócrates e ao piésse-diê, irrita - como irrita Mário Crespo na sua sofrível e esforçada aura CBS. A entrevista ondulou como um carrossel entre o reallity-show, Na Casa do Alberto João, e umas boas verdades- cliché(que até lhe fica mal dizer): a Constituição obtusa, com obrigações adiadas ( vá lá que gabou a parte dos direitos, liberdades e garantias), a escumalha politico-partidária que faz carreira, os interesses, os grupinhos (para não dizer grupões) anexados ao Estado Central que tão depressa sorve a riqueza em impostos, como muito devagar compensa os de quem sorve.

O presidente do governo regional da Madeira é inteligente, nota-se, (os madeirenses também não são estúpidos) talvez demasiado honesto quando fala, mesmo contra si, sem dever nada ao vernáculo. A ilha, é como se sabe, uma social-democracia instalada e emaranhada na sociedade civil, como deve ser uma social-democracia, keynesiana. Tal como no resto do país, mas com a vantagem da poncha e túneis para Curral de Freiras. O restante carnaval é - bem vistas as coisas - o mesmo da mentalidade portuguesa, apenas estendida ao Atlântico. Vê-se do Minho ao Algarve. Mas se o sistema político português está em falência, como repetiu, é porque está refém do carisma dos seus políticos, beneficiando os melhores vendedores de banha da cobra. Alberto João Jardim vende como ninguém.

The Rolling Stone Roses

| 10 Comentários | Partilhar
Com um 2009 a cheirar a fresco, há que contar velhos hábitos e monges. Em ano de eleições para quase tudo quanto é instituição democrática digna de sufrágio universal, esperar-se-ia renovação de actores, porque não dizer de"músicos". Não é, no entanto, o que se consta do barulho de bastidores que precede o leilão de cadeiras. Correndo as listas, nada de novo. E no que ao poder local minhoto diz respeito, nota-se este síndrome incontornável de mick jagger, de gente cuja auto-noção de talento interminável faz prolongar a sua actuação em palco, de tal modo que nem imaginam viver e fazer arte noutros lugares, ou ver a sua arte feita por outras pessoas.

Mas entre Divas e Decanos sem percepção dos limites, que por muita canção nova que lancem fazem por guardar-se dos velhos singles com que construíram carreira, pior é o coro paradoxal de fãs e seguidores leais, a pedir encore atrás de encore. Se Joaquim Barreto, líder da Distrital Socialista, por exemplo, ganhar as próximas eleições autárquicas em Cabeceiras de Basto, poderá completar 20 anos de mandato à frente da edilidade - por ali deve ficar. Mas nada que se compare ao seu camarada de Braga, Mesquita Machado, cuja tournée conta quase tantos ou mais anos que a Democracia em si. Tanto tempo que, em democracia, tem como principal adversário alguém que nunca conheceu outro presidente que não ele...
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores