Avenida Central

Fuck Them!(?)

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“Só os medíocres é que estão preocupados com" o facto de Manuel Ferreira Leite ter usado um carro do Governo Regional da Madeira, pertença do Estado, na visita que realizou à madeira no âmbito da sua campanha eleitoral para as eleições legislativas. Depois, face à insistência dos jornalistas [Alberto João Jardim] acrescentou: “Fuck them’ [eles que se fodam]." [Público]

Os "medíocres", pois. Aqueles que questionam a utilização de um carro oficial, por parte de uma candidata a líder do governo nacional, numa acção de campanha. Uma conduta que levou à condenação da Fátima Felgueiras por peculato de uso, por se ter deslocado para um congresso do PS num carro oficial do seu município.

"Fuck them!", diz o chefe do governo regional da Madeira, em resposta aos jornalistas que o tentavam "asfixiar", asfixando-os, ao lado da candidata a chefe do governo nacional. Uma candidata que, em relação a isso, cala e consente. Uma candidata que ainda elogia o "exemplo típico [de] um bastião inamovível do PSD, que é um exemplo do bom governo do PSD", negando ainda qualquer asfixia democrática na Madeira, pois "quem legitima o poder é o voto do povo". Um dia em cheio.

Bailinho da Madeira

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Alberto João Jardim fala com Mário Crespo, interrompe-o, divaga em caroladas ao senhor Sócrates e ao piésse-diê, irrita - como irrita Mário Crespo na sua sofrível e esforçada aura CBS. A entrevista ondulou como um carrossel entre o reallity-show, Na Casa do Alberto João, e umas boas verdades- cliché(que até lhe fica mal dizer): a Constituição obtusa, com obrigações adiadas ( vá lá que gabou a parte dos direitos, liberdades e garantias), a escumalha politico-partidária que faz carreira, os interesses, os grupinhos (para não dizer grupões) anexados ao Estado Central que tão depressa sorve a riqueza em impostos, como muito devagar compensa os de quem sorve.

O presidente do governo regional da Madeira é inteligente, nota-se, (os madeirenses também não são estúpidos) talvez demasiado honesto quando fala, mesmo contra si, sem dever nada ao vernáculo. A ilha, é como se sabe, uma social-democracia instalada e emaranhada na sociedade civil, como deve ser uma social-democracia, keynesiana. Tal como no resto do país, mas com a vantagem da poncha e túneis para Curral de Freiras. O restante carnaval é - bem vistas as coisas - o mesmo da mentalidade portuguesa, apenas estendida ao Atlântico. Vê-se do Minho ao Algarve. Mas se o sistema político português está em falência, como repetiu, é porque está refém do carisma dos seus políticos, beneficiando os melhores vendedores de banha da cobra. Alberto João Jardim vende como ninguém.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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