Avenida Central

Modelos de Avaliação

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«A Fenprof enviou esta manhã uma carta à nova ministra da Educação, Isabel Alçada, pedindo a suspensão urgente do modelo de avaliação» [Público]

Depois de tantos meses de luta, o país continua por saber qual é o modelo de avaliação que a Fenprof defende. A menos que aquela proposta da auto-avaliação fosse para levar a sério...

Crescer Sob Ameaça

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«Era Inverno e a noite fez o Colégio Militar mergulhar numa escuridão gelada. Vestido só com um fato de banho, R. foi molhado com água fria, levado para um local isolado e deixado em sentido. Tinha apenas 13 anos e sentiu frio. Frio e medo das ratazanas. Durou apenas uma hora, no final de 2005, mas uma hora assim não se esquece facilmente.» [i]

Há uns tempos, um amigo militar [a tempo inteiro] explicou-me como é que se impede que alguém não desejado prossiga a carreira militar. Ainda que possa ser um homem de carácter hirto e face impoluta, aquele que não cair nas boas graças da companhia está condenado à tortura social, psicológica e, em alguns casos, física mais malévola e boçal.

Tal como nos meios militares, também nas escolas alastra uma violência inter-pares que tecnicamente denominamos bullying e cujas consequências psíquicas para as vítimas são potencialmente nefastas. A ausência de estratégias para limitar os fenómenos de bullying é uma falha importante do sistema de ensino, agravada pelo facto dos agressores se esconderem atrás de um autêntico muro de silêncio tantas vezes protegido institucionalmente.

Outro fenómeno que merece aprofundada reflexão são as praxes académicas, impregnadas de abusos, coações e ameaças que, embora não sendo a regra, assumem contornos pouco dignificantes para as instituições de ensino superior.

Todos estes fenómenos têm em comum a cultura da discricionariedade e do medo, elementos tão idiosincráticos da nossa cultura portuguesa e condimentos tão relevantes nos contextos mais conservadores. O que se espera é que a moratória a que a sociedade se condenou na sequência das primeiras denúncias de violência doméstica não se repita nestas matérias. O pior que nos poderia acontecer é sabermos que quem cresce sob ameaça não tem a competente protecção jurídica do Estado português.

A Madrassa Pragmática

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No ranking das escolas secundárias do Jornal de Notícias, a Escola Básica da Comunidade Islâmica de Palmela ocupa o topo das 25 escolas com melhor classificação de exame. Segredo? "Respeito, responsabilidade e disciplina". De resto, a maioria dos professores não é muçulmana e há alunos de outros credos que se ocupam de matéria extra-curricular, enquanto os colegas aprendem o Alcorão em árabe. Com um uniforme obrigatório e igual para todos, praxe em colégios privados, o lenço e o topi também são facultativos.

No País das Corporações

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022 manifestacao professores 2008 novembro 15
© fliscorno

Já aqui defendi por várias vezes os professores, vítimas de um sistema que nunca os avaliou durante anos e da inabilidade política de uma Ministra da Educação que o bom senso aconselharia a ter substituído. Contudo, numa democracia com maturidade deve haver um tempo para as lutas profissionais e um tempo para o debate sobre os projectos de Governo para o futuro do país.

Converter as eleições num plebiscito à reforma da educação e aos interesses particulares dos professores é um acto demasiado egoísta. Lamento profundamente que os professores, que alguns professores, estejam a instrumentalizar a campanha eleitoral em função dos interesses da sua corporação. É sinal de que não conseguem perspectivar o futuro do país para além da educação do seu próprio umbigo.

Maquilhagem da Educação

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© Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

É frequente o apontar do dedo dos educadores àqueles educadores que os precederam. Os professores universitários queixam-se que os alunos vêm mal preparados do secundário. Os do secundário queixam-se do básico e estes queixam-se dos pais. Quer se saia para o mercado de trabalho com a conclusão do ensino básico, secundário ou superior, as queixas aí centram-se geralmente na desadequação do ensino (muito "académico") em relação às necessidades do mundo real. Em bom português: ninguém sabe fazer nada quando termina o seu ensino, qualquer que seja o nível. Pode-se saber teoria e ter uma preparação de base, mas é um saber que só por si é disfuncional.

Timidamente se tem tentado reintroduzir o ensino profissional ou tecnológico a nível do secundário. Da mesma forma que algumas universidades começam a distinguir mestrados profissionais de mestrados científicos.

A par desta falta de ferramentas práticas, convém lembrar que Portugal é dos países europeus com mais elevada taxa (44%) de iliteracia funcional, não obstante os dados mais recentes já terem alguns anos.

Se o programa novas oportunidades tem os seus méritos, um dos seus principais efeitos é meramente estatístico, como poderá ser o alargamento do ensino obrigatório para 12 anos, se tudo se mantiver assim. A Educação necessita de uma grande reforma, que não se limite às infraestruturas e às tecnologias. Felizmente, parece haver alguma predisposição para isso. Mas esperamos para ver.

Do Inalienável Valor do Rosto

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Burqa Cartoon

Os franceses debatem desde há alguns anos a necessidade de deliberar no sentido de limitar o uso de burqas por parte da comunidade islâmica radicada naquele país. Sendo certo que a indumentária é um assunto que respeita à liberdade individual de cada indivíduo, também é verdade que o uso da burqa surge como uma imposição cultural baseada numa visão menorizante do papel e dos direitos das mulheres na sociedade.

A forma como o Islão trata as mulheres não é compatível com a dignidade que lhes reconhecemos na sociedade a que chamamos ocidental. E não há multiculturalismo nem relativismo moral que resistam à sagrada violação dos mais elementares direitos inidividuais. Em termos físicos, o rosto é a marca identitária mais forte que cada indivíduo possui. Viver de cara tapada numa sociedade de faces sorridentes constitui-se como uma mutilação severa de graves consequências psicológicas.

Neste contexto, a educação assume-se como a chave que pode fazer a diferença nas sensíveis matérias de liberdade religiosa, direitos individuais e igualdade de género. Mais importante que proibir o uso de um adorno que, em muitos casos, ainda é defendido pelas próprias mulheres islamicas, o Estado tem a obrigação de garantir que todos o jovens em idade escolar recebem uma educação que integra e respeita a diferença, mas que é exigente e intransigente no respeito pela dignidade de cada um, independentemente das convicções religiosas das suas famílias.

A ler: Sarkozy diz que o uso da burqa “não é bem-vindo” em França, no Público.

Desiguldade no Ensino Público

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No início do ano lectivo, o professor A tem melhor classificação que o professor B para ensinar Matemática. Nem um nem outro são colocados no Concurso Nacional de Professores, contudo o professor B é convidado por um Bispo para leccionar Educação Moral e Religiosa Católica a partir do mês de Setembro. Já o professor A acaba por conseguir uma vaga de substituição de outro docente de Matemática em Dezembro. No ano seguinte, o professor B passa a ter melhor classificação que o professor A nos concursos públicos a um lugar de ensino da Matemática.

Para evitar situações de injustiça e desigualdade como a descrita, parece-me evidente que o tempo de serviço no ensino da Educação Moral e Religiosa Católica ou de qualquer religião não pode ser considerado para efeitos de concurso a outra disciplina.

Choque Tecnológico

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Aqui pode ser lido o artigo que documenta este vídeo via @vanessaquiterio.

Apesar de distribuições fantasma e encenadas de portáteis Magalhães, um dos aspectos, sem dúvida, mais positivos desta governação socialista consistiu no tão badalado choque tecnológico. É um processo em curso, mas o acesso à tecnologia tem melhorado imenso nestes quatro anos. Assim como as próprias condições das salas de aulas - os quadros interactivos, computadores e video-projectores simbolizarão essa verdadeira revolução.

Mas essa revolução não se fará apenas com meios tecnológicos. Os professores, do ensino primário ao superior, terão de expandir os seus horizontes, desenvolver ideias e experimentar novos métodos. Não é um processo fácil, quer por incapacidade ou formação insuficiente na própria utilização dos próprios meios tecnológicos, quer pela resistência à novidade, pelo cepticismo que, naturalmente, irá ser sentido. Estas ferramentas encerram um potencial enorme, mas elas serão apenas aquilo que nós fizermos delas. A experiência feita por esta docente norte-americana com o Twitter (o que é o Twitter?) é um óptimo exemplo disso.

Uma utilização criativa, inovadora, dinâmica e, claro, educativa destas novas ferramentas - esse será o verdadeiro choque tecnológico.

Pela Educação

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Por pretenderem extravasar, constantemente, as suas limitadas atribuições - de defesa dos direitos laborais dos docentes -, constituem um empecilho bem maior, na minha opinião, para os docentes e para a Educação, do que qualquer política que o Ministério da Educação, este ou qualquer outro, pretenda implementar.

Eu não confundo professores e as suas pretensões com o seu sindicato - tão politizado - e as suas pretensões. Não obstante este o afirmar, nada do que faz, fará, ou poderá sequer fazer será "pela Educação".

Os professores têm muitas razões de queixa, legítimas, quer relativamente a direitos laborais, quer relativamente ao sistema educativo em geral e todas as suas engrenagens. Têm queixas, mas também (boas) ideias, que só quem está no terreno diariamente pode ter. Ideias sem segundas intenções, sem jogo político, "pela Educação".

Para além do facto de qualquer veiculação de algo que não se encaixe em direitos laborais através do sindicato é uma veiculação ilegítima e absolutamente desadequada, muito dificilmente se pode considerar que a defesa desses direitos foi, nem sequer remotamente, boa.

De facto, o direito (sim, o direito e não a fatalidade, martírio ou chatice) de se ser avaliado foi defendido de uma forma inqualificável ao longo das últimas décadas (sim, décadas!). Esta (avaliação) é simplesmente inexistente. Não concebe, o sindicato, uma carreira assente no mérito. Para um sindicato será, realmente, mais tentador agarrar-se (continuar a agarrar-se) à ideia de que um emprego no Estado é um emprego para a vida, "garantido", com progressão pelo mero decurso do tempo. Enfim, não mexer no que estará "bem".

E será, sobretudo, por toda esta inércia sindical que vejo as suas reivindicações como uma mera reacção. Não houve iniciativa no tempo devido. A (contra-)proposta de um modelo de avaliação, que surge apenas no final desta década, defendendo um modelo diametralmente oposto ao do Ministério, tem, por essa razão, uma enorme dose de mera resistência e casmurrice (e existem professores com esta opinião).

Não nego que o Ministério da Educação tem sido igualmente casmurro e por vezes arrogante. A proposta não será perfeita, mas não faz sentido a sua rejeição completa, tal como defende o sindicato. O esforço de conciliação deve ser mútuo e recíproco.

Uma avaliação dos docentes produz efeitos muito para além dos laborais. Se uma das partes não está interessada (ou quando aparenta estar, apenas para aproveitamento político) nesses efeitos laterais e sistémicos, então será difícil (como tem sido) chegar-se a bom porto.

Os professores, enquanto classe necessitam desesperadamente de uma unidade (em vez da actual inconsequente dispersão associativa), de uma voz que tenha legitimidade para intervir pública e politicamente em aspectos extra-laborais, "pela Educação".

Sejam Responsáveis

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O problema é que tudo indica que o comportamento desta professora era comentado jocosamente em toda a escola e há muito que era já do conhecimento de toda a gente, incluindo do Conselho Executivo. [...] ninguém fez absolutamente nada, e foi preciso que uma aluna gravasse uma aula para que alguma coisa fosse feita [...] O problema é que tem mesmo de haver um sistema qualquer de avaliação de desempenho dos professores que de forma célere e eficaz distinga os bons dos maus profissionais: e que premeie os melhores e expulse os incompetentes. E, pelos vistos, também... os “perturbados”. [Luís Grave Rodrigues]

Eu comecei a escrever este post ainda em altura oportuna, mas devido às minhas obrigações académicas só me foi possível concluí-lo agora. Entretanto, o Luís Grave Rodrigues, que acima cito, postou sobre o assunto - post que, no geral, subscrevo.

Este caso é a prova cabal de que é necessária uma avaliação.

Uma qualquer avaliação é, certamente, melhor do que nenhuma. Professores, sindicatos e governantes: a avaliação já virá com décadas de atraso. Sejam responsáveis e cheguem a um consenso. A verdade é que uma avaliação provisória poderia ter resolvido este assunto há um ano atrás. Este pode ser um caso extremo, como lembra a Ministra, mas, mais ou menos graves, há problemas em praticamente todas as escolas - quer estejam em causa professores "incompetentes ou perturbados". Da mesma forma que existem professores excelentes, estes também andam por aí, livres e, aparentemente, quase todos impunes.

Nota: façam um favor ao mundo e às crianças, se elas andam três anos a dizer que algo se passa, então algo se passa. Não as tratem como idiotas, incapazes de pensar e seres, por natureza, mentirosos. O risco de eles "inventarem" histórias é tão grande como o de os adultos as inventarem. Não é por se ser Sr. Dr. que se é menos susceptível a "pancas" do que as outras pessoas.

Crimes Sem Castigo

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«Há relatos de violações e de agressões. De medo causado por uma disciplina severa. O relatório sobre o que se passou desde 1936 em instituições católicas irlandesas para acolhimento de crianças era esperado há muito tempo e está a deixar a Irlanda chocada. São 2500 páginas em que se conclui que mais de 2000 crianças sofreram abusos físicos e sexuais e que líderes da Igreja Católica sabiam o que estava a acontecer.» [Público]

A ler: Relatório denuncia abusos sexuais em orfanatos católicos na Irlanda, por Público; Crimes sem Castigo, por Palmira Alves; Amnesty, the Catholic Church and child abuse, por Patrick Corrigan; Ángeles y demonios, por Rafael Ramos; La Iglesia Católica de Irlanda, "avergonzada" por los abusos a cientos de menores en sus asilos, por La Vanguardia.

A Professora de Espinho | 2

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O Diário de Notícias promete revelar, de forma integral e exclusiva, a polémica aula de Espinho. Mas afinal qual é o interesse noticioso da dita gravação? Já não há ética no jornalismo???

A Professora de Espinho

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Escola de Artes Visuais
© Halley Pacheco

Ainda antes de concluído o inquérito à professora de Espinho, os juízos multiplicam-se e os pedidos de demissão ou castigo avolumam-se sem qualquer proporcionalidade, ao mesmo tempo que um conjunto de artistas tenta associar o episódio às políticas educativas do Governo, à proposta de introdução da Educação Sexual nos currículos e também à imperiosidade da avaliação dos professores (1, 2, 3 e centenas de comentários espalhados pela internet e fóruns de opinião).

Tudo isto demonstra exemplarmente a mediania do debate político nacional e a falta de honestidade intelectual com que alguns participam na vida pública. Sendo certo que o teor da conversa é impróprio para uma sala de aulas, as reais circunstâncias em que sucede e o estado de saúde dos seus intervenientes ainda estão por apurar e, como tal, a posição do Ministério da Educação tem sido irrepreensível. É que, o caso da professora de Espinho é verdadeiramente excepcional e não vem demonstrar nada para além do que já sabíamos. Haja decência.

De Uniforme É Melhor! | 2

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Afinal, o Bruno Aleixo é de Palmela.

De Uniforme É Melhor!

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Mocidade Portuguesa
© lusografias

«Um professor veio ao Conselho Executivo dizer que se tinha sentido incomodado pelo facto de estar a dar uma aula e de ter, à sua frente, uma aluna com uma saia tão curta que se viam as cuequitas [...] Os exageros podem levar a uma falta de respeito entre alunos. Algum cuidado na forma de se apresentarem poderá contribuir para o apaziguamento de certas situações» [Jornal de Notícias]

Este trecho diz muito sobre o espírito salazarento e machista que ainda domina o país. A defesa da moral e dos bons costumes não dá tréguas, mesmo quando o móbil é o desconforto erotizante de um professor que se incomoda diante das vestes minimalistas de uma aluna. Até quando os meninos apalpam as meninas, a culpa é delas que se vestem desmesuradamente apetecíveis. Isto é Portugal, estúpido!

Os Pais Sabem Melhor?

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"Numa área da educação [sexual] tão ligada às questões éticas, morais e religiosas, é inadmissível que haja esta espécie de ditadura da Assembleia da República", diz Isabel Lima Pedro, do MOVE, defendendo que a liberdade de escolha dos pais é a melhor solução para todos. [Expresso]

Nem vale a pena fazer grande alusão "às questões éticas, morais e religiosas". Na maior parte dos casos acredito que será um mero eufemismo para "fé" ou "religião", o que torna qualquer discussão absolutamente inútil.

Bem sei que a própria lei confere esse direito de orientação da educação - inclusive da religiosa - aos pais. Mas, na minha opinião, é um direito que deve ser exercido com responsabilidade, sem fundamentalismos, com moderação e no melhor interesse, não dos pais, mas (sempre) dos filhos.

O que este grupo de pais defende, aparentemente, é a substituição de "inadmissível" ditadura da Assembleia da República por uma outra, ditadura, que já entendem como admissível. E a expressão ditadura não é despropositada, pois, de facto, a liberdade de escolha [menos a dos adolescentes] é a melhor solução para todos.

Existe uma diferença inegável entre um adolescente de 10 anos e um adolescente de 17 anos e 364 dias. Por um lado, consigo compreender a posição dos pais se aplicada à fase inicial da adolescência. Por outro, já não consigo compreender, de todo, como é que pais que são, obviamente, envolvidos e dedicados e que, certamente, procurarão a melhor educação possível para os seus filhos, concebem essa educação sem conferirem algum grau (evolutivo, ao longo da adolescência) de liberdade de escolha aos seus filhos. Aliás, se essa liberdade não existe, também não pode existir responsabilidade e esta não nasce do nada, magicamente, aos 18 anos.

Por uma vez que seja, deixem que quem governa faça aquilo que os jovens, a quem a medida exclusivamente se dirige, já reivindicam há muitos anos. Aquele vasto grupo da população que não pode votar e raras vezes vê os seus anseios respondidos pela classe política. Já agora, outra das reivindicações, essa mais recente, é o voto aos 16 anos.

Estão Todos Doidos?

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Spes altera vitae
© DTP999

Segundo o Expresso, «o Ministério da Educação acreditou um curso de formação para professores ministrado pela Fundação Casa Índigo, uma instituição baseada na teoria de que a 'aura' das crianças tem diferentes cores, em função da sua energia e da ligação que mantêm com o universo». A avaliar pela amostra, o Ministério da Educação ainda vai contratar a Maya para formar os professores em astrologia, horóscopo e afins...

Escola Inclusiva?

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Em dia de greve, mais de 90% dos professores voltam a rejeitar as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues. A escola pública continua a ferro e fogo e, enquanto isso, os alunos dos colégios privados aprendem tranquilamente. Perpetuar esta guerra por via da prepotência é o melhor contributo para obstaculizar a missão da escola inclusiva.

Esticar a Corda

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mANIFESTAÇÃO dOS pROFESSORES
© Manuel Manso

O Ministério da Educação convidou os sindicatos para uma negociação que está morta à partida. Ao assumir que «não vai haver qualquer alteração no modelo de avaliação dos professores», José Sócrates dá razão aos sindicatos quando se queixam da irredutibilidade do Ministério.

Convém lembrar que os grandes prejudicados deste impasse são os estudantes. Enquanto o Governo procura maximizar os proveitos eleitorais do braço de ferro com os professores, a escola pública vivifica num clima de guerrilha e desmotivação. José Sócrates está a esticar a corda, mas não é certo que ela parta pelo lado dos professores.

Uma Ministra a Mais [6]

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«a paralisação foi a maior de sempre no sector, com uma adesão acima dos 94 por cento, ou seja, 132 dos 140 mil professores aderiram ao protesto.» [Público]

Quando todo o país educativo não suporta a Ministra da Educação, a escola não pode cumprir a sua missão. Não conheço um único professor que não tenha feito greve.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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