Apesar dos insistentes apelos do Provedor do Telespectador (pergunto-me para que serve o departamento senão para sacar mais umas massas ao bolso dos contribuintes), a RTP voltará a violar esta noite os deveres de isenção e pluralismo a que está obrigada pelo contrato de Serviço Público de Televisão. Tal como divulga no seu site, o programa Trio de Ataque propõe-se analisar «a derrota do Benfica em Braga» com a presença dos habituais comentadores Rui Moreira (F. C. Porto), António Pedro Vasconcelos (Benfica) e Rui Oliveira e Costa (Sporting).
Como é público, o jogo da jornada esteve envolto em polémica e a ausência de um representante do incontestável líder do campeonato priva o Sporting de Braga do necessário e desejável contraditório, podendo daí resultar danos irreparáveis para a imagem do clube através da difusão de versões necessariamente enviesadas dos factos ocorridos. Exige-se isenção à estação de televisão que pagamos compulsivamente em impostos.
Luxos
Levantei brevemente a questão no meu último post, mas após ver a famosa nova peça, merece reforçados apontamentos: porque é que só a Manuela Moura Guedes é que explora esta questão?
As fontes são semi-anónimas. Sabe-se que são arguidos e, como tal, facilmente acessíveis a qualquer meio de comunicação social, inclusive a própria (restante) TVI (a Moura Guedes trabalhava com uma equipa só dela e à sua imagem, uma equipa autónoma e dissidente mas protegida). Nenhum outro jornal, rádio ou televisão, TVI inclusive, conseguiu deslindar o que quer que fosse nestes últimos dois meses.
Tendo sido o jornal televisivo de maiores audiências sobretudo por causa dessas peças, acho absolutamente inacreditável que ninguém tenha tentado/conseguido preencher esse vazio. Dois meses de férias e nada! Não houve nada! Sorte?! Não colocava muito a questão antes, mas após estas férias, não consigo perceber como é que esta temática só surge com ela e para tal só concebo duas hipóteses: (a) ou ela está a imaginar coisas que, logicamente, mais ninguém pode "descobrir"; (b) ou existe algum estranho acordo de exclusividade.
Mas se alguém me conseguir explicar porque e como é que ninguém preencheu o vazio, estejam à vontade que até agradeço.
As fontes são semi-anónimas. Sabe-se que são arguidos e, como tal, facilmente acessíveis a qualquer meio de comunicação social, inclusive a própria (restante) TVI (a Moura Guedes trabalhava com uma equipa só dela e à sua imagem, uma equipa autónoma e dissidente mas protegida). Nenhum outro jornal, rádio ou televisão, TVI inclusive, conseguiu deslindar o que quer que fosse nestes últimos dois meses.
Tendo sido o jornal televisivo de maiores audiências sobretudo por causa dessas peças, acho absolutamente inacreditável que ninguém tenha tentado/conseguido preencher esse vazio. Dois meses de férias e nada! Não houve nada! Sorte?! Não colocava muito a questão antes, mas após estas férias, não consigo perceber como é que esta temática só surge com ela e para tal só concebo duas hipóteses: (a) ou ela está a imaginar coisas que, logicamente, mais ninguém pode "descobrir"; (b) ou existe algum estranho acordo de exclusividade.
Mas se alguém me conseguir explicar porque e como é que ninguém preencheu o vazio, estejam à vontade que até agradeço.
Porquê Agora?
Surgiram algumas teses conspiratórias sobre a suspensão do Jornal das Sextas. Desde a intromissão na liberdade de imprensa, às pressões do PS, a razões económicas e bolsistas, entre outras.
Quanto à intromissão na liberdade de imprensa, concordaria numa qualquer outra altura. Mas tendo sido alterado o director responsável pelo estatuto editorial (originalmente seria o próprio Moniz a apresentar o programa), naturalmente, essa linha tem de voltar a ser discutida, pois, embora definida pelo director, está sempre sujeita a aprovação da administração. Para além disso, a liberdade de imprensa pode ser violada por acção do jornalista. Por ultrapassar os seus limites - pois embora a absolutização desta liberdade por muitos jornalistas, esta tem limites -, nomeadamente deontológicos. Isso bastaria à administração para fazer o estatuto cair. Há ainda a condenação, há alguns meses, por parte da ERC, por essas razões. Condenação sem sanção, pois, não obstante ser uma liberdade violável, não existe sanção possível para o jornalista. Impunidade.
Mais, a coexistência de duas linhas editoriais distintas passando uma delas só num jornal, nunca fez nem faz muito sentido, pois, segundo a própria Moura Guedes: «há editores intermédios, eu não consigo estar em tudo, não consigo incutir em toda a gente». Por outras palavras: dissidente e ultra minoritária, mesmo na própria estação. Outro sinal claro dessa dissidência tem a ver com o deserto de escândalo-Freeport que atravessamos neste dois meses. Ninguém - nem a restante TVI - foi capaz de explorar ou se interessou sequer por esse filão, talvez por não haver verdadeiramente nada, quiçá. Mas o timing da decisão não me convence completamente. O Moniz já saiu há um mês, o programa está parado à dois e a condenação da ERC já tem meses
A tese das pressões do PS não parecem fazer qualquer sentido. Se há um historial de incómodo, não me parece ter qualquer cabimento a ideia de que existe, hoje, agora, um interesse nesse sentido. As eleições estão à porta e facilmente se percebe que seria pior a emenda do que soneto. Não basta tentar explicar porquê. É necessário explicar porquê hoje. A não ser que me apareça alguém a explicar este porquê, não vejo ponta por onde se lhe pegue, pois parece-me óbvio que a ter algum efeito, será prejudicial, caso não seja esclarecido em breve.
Existem outras teorias de que não vale muito a pena falar, excepto uma que, até ver, me parece ser a única que faz sentido que aconteça hoje e não há um mês ou meio ano atrás. Esta é a ideia de que o Eduardo Madureira aqui fala, no Avenida Central, remetendo para o artigo de opinião do patrão da Prisa, onde este manifesta uma completa ruptura com o PSOE. Note-se que a teoria das pressões do PS têm muito a ver com isto. Diz-se desde 2005 que a Prisa era a porta da entrada do PS na TVI, via PSOE. Parece-me evidente que este "divórcio" arruína esta ideia. Como referem no DN: «Estas declarações, a 21 de Agosto, fazem-no politicamente insensível às repercussões que a sua decisão tenha em Portugal, em vésperas das eleições legislativas».
PS: Caso se dê um esclarecimento relativamente célere, a posição do PSD, por parte do Aguiar-Branco, pode ser eleitoralmente nefasta. Existe sempre um risco associado a este tipo de declarações. Não seria a primeira vez que um partido era penalizado pelo tipo de jogo político que se propõe a fazer. Vamos ver se o PSD não apostou demais e precipitadamente neste caso.
Quanto à intromissão na liberdade de imprensa, concordaria numa qualquer outra altura. Mas tendo sido alterado o director responsável pelo estatuto editorial (originalmente seria o próprio Moniz a apresentar o programa), naturalmente, essa linha tem de voltar a ser discutida, pois, embora definida pelo director, está sempre sujeita a aprovação da administração. Para além disso, a liberdade de imprensa pode ser violada por acção do jornalista. Por ultrapassar os seus limites - pois embora a absolutização desta liberdade por muitos jornalistas, esta tem limites -, nomeadamente deontológicos. Isso bastaria à administração para fazer o estatuto cair. Há ainda a condenação, há alguns meses, por parte da ERC, por essas razões. Condenação sem sanção, pois, não obstante ser uma liberdade violável, não existe sanção possível para o jornalista. Impunidade.
Mais, a coexistência de duas linhas editoriais distintas passando uma delas só num jornal, nunca fez nem faz muito sentido, pois, segundo a própria Moura Guedes: «há editores intermédios, eu não consigo estar em tudo, não consigo incutir em toda a gente». Por outras palavras: dissidente e ultra minoritária, mesmo na própria estação. Outro sinal claro dessa dissidência tem a ver com o deserto de escândalo-Freeport que atravessamos neste dois meses. Ninguém - nem a restante TVI - foi capaz de explorar ou se interessou sequer por esse filão, talvez por não haver verdadeiramente nada, quiçá. Mas o timing da decisão não me convence completamente. O Moniz já saiu há um mês, o programa está parado à dois e a condenação da ERC já tem meses
A tese das pressões do PS não parecem fazer qualquer sentido. Se há um historial de incómodo, não me parece ter qualquer cabimento a ideia de que existe, hoje, agora, um interesse nesse sentido. As eleições estão à porta e facilmente se percebe que seria pior a emenda do que soneto. Não basta tentar explicar porquê. É necessário explicar porquê hoje. A não ser que me apareça alguém a explicar este porquê, não vejo ponta por onde se lhe pegue, pois parece-me óbvio que a ter algum efeito, será prejudicial, caso não seja esclarecido em breve.
Existem outras teorias de que não vale muito a pena falar, excepto uma que, até ver, me parece ser a única que faz sentido que aconteça hoje e não há um mês ou meio ano atrás. Esta é a ideia de que o Eduardo Madureira aqui fala, no Avenida Central, remetendo para o artigo de opinião do patrão da Prisa, onde este manifesta uma completa ruptura com o PSOE. Note-se que a teoria das pressões do PS têm muito a ver com isto. Diz-se desde 2005 que a Prisa era a porta da entrada do PS na TVI, via PSOE. Parece-me evidente que este "divórcio" arruína esta ideia. Como referem no DN: «Estas declarações, a 21 de Agosto, fazem-no politicamente insensível às repercussões que a sua decisão tenha em Portugal, em vésperas das eleições legislativas».
PS: Caso se dê um esclarecimento relativamente célere, a posição do PSD, por parte do Aguiar-Branco, pode ser eleitoralmente nefasta. Existe sempre um risco associado a este tipo de declarações. Não seria a primeira vez que um partido era penalizado pelo tipo de jogo político que se propõe a fazer. Vamos ver se o PSD não apostou demais e precipitadamente neste caso.
Tempos de Antena
O PSD devia fazer nova queixinha da RTP. Com recente ascensão de Garcia Pereira a comentador residente no "Antes pelo Contrário" da estação pública, a quota do PCTP-MRPP deve ter subido uns 500.000%...
Antena 1: Controla Portugal
© Nimages DR
O anúncio que a Antena 1 escolheu para se promover na RTP ultrapassa os limites do «mau gosto», constituindo-se como uma afronta ao direito de manifestação e uma clara violação do dever de imparcialidade daquela estação radiofónica. O anúncio tem contornos de frete ao Governo e, tamanha a polémica em torno do caso, conseguiu veicular uma mensagem anti-democrática contra um direito constitucionalmente consagrado. Como se tudo isto não bastasse, o anúncio foi pago com os impostos de todos.
Este episódio, a juntar-se aos outros que vimos denunciado, vem dar credibilidade às desconfianças que vimos manifestando sobre a manutenção de um serviço público de televisão e rádio. Começa a tornar-se verdadeiramente insuportável continuar a sustentar uma rádio e uma televisão que se rendem à ditadura do popular, furtando-se ao cumprimento dos deveres de pluralidade a que estão obrigados e para os quais os respectivos provedores têm chamado sistematicamente à atenção sem qualquer resultado prático.
Carga de Trabalhos
Para contrariar as notícias dos últimos dias, em que grandes empresas anunciaram cessar milhares de postos de trabalho, a (possível) futura emissora de televisão (digital) generalista portuguesa, que ainda nem sequer sabe se ganha o concurso de emissão em sinal aberto, já começou a recrutar pessoal para "cerca de 330 postos de trabalho directos com contratos sem termo". (via)
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