Um Requiem ao Minho (II)

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Parece que o Minho está condenado a acabar. Enquanto as páginas de opinião dos diários minhotos recalcam a actualidade nacional e internacional, o país vai-se reorganizando à medida de uma regionalização que fará da Área Metropolitana do Porto a Grande Lisboa do Norte. A conjuntura é péssima e os resultados serão dramáticos. O Minho vive uma profunda crise política proporcional à carência de líderes, de pensadores e de elites interventivas. A penúria é tal que as estruturas locais dos dois maiores partidos aceitaram, com estranha complacência, a imposição dos portuenses Elisa Ferreira e Luís Filipe Menezes para encabeçarem as listas locais de PS e PSD, respectivamente.

O Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central, vulgo PIDDAC, prevê, para 2007, um investimento de 106€ por cada habitante do Distrito do Porto e de apenas 16€ por cada habitante do Distrito de Braga [via]? Este Programa foi aprovado com o voto favorável dos deputados de Braga eleitos pelo Partido Socialista sem uma única explicação. Quase 10 vezes menos investimento no Distrito de Braga do que no Distrito do Porto. Ninguém diz nada...

Noutro âmbito, o PRACE está a ser implementado sem que o Minho seja sede de uma única Direcção Regional dos serviços da Administração Central. Nem as Direcções Regionais de Educação, Economia ou Cultura. Nem a Administração Regional de Saúde. Nem uma Direcção Nacional da Polícia Judiciária. Nem a Comissão de Coordenação da Região Norte. Nem a Administração da Região Hidrográfica. Até a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte fugiu de Braga para Mirandela. Ninguém diz nada...

Ricardo Gonçalves, deputado socialista eleito pelo círculo de Braga, escreveu que «é preciso que o PRACE distribua o poder por todo o Norte, concretizando o forte eixo constituído pelos distritos de Braga e do Porto, que é o grande pólo dinamizador de toda a região.» No exercício de retórica, o deputado acaba por não explicar como se faz essa distribuição de poder quando o Porto concentra (quase) todas as direcções regionais e dez vezes mais investimento central do que Braga.

Os dados estão lançados. Repudiaremos veementemente a estratégia dos que acenam com devota submissão aos poderes de Lisboa e do Porto e juntamo-nos aos que denunciam a fuga de investimentos e de serviços (vide o caso da Direcção Regional de Viação). Mas não chega. A região precisa de mais do que meras intervenções pontuais: é urgente um plano de acção integrado, uma estratégia global articulada entre os diferentes municípios.

6 comentários:

  1. Pedro, a culpa não é do Porto, mas sim de Lisboa.

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  2. Reparou que os 40M€ gastos na linha do MINHO foram inscritos no Porto, os 3M€ da linha de Guimarães, foram inscritos no Porto, e os 18M€ da linha do Douro foram inscritos no Porto?

    E será que o Minho não beneficia dos 30M€ investidos no Porto de Leixões, que serve todo o Norte?

    E que Lisboa ter maior investimento per capita que o Norte?

    E que 60% do investimento não está inscrito em nenhuma região?

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  3. Caro Pedro,

    Isso não é verdade. As verbas para investimentos que envolvem mais que um distrito surgem noutra parcela.

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  4. Vi no excel onde o César Gomes foi buscar os seus números. Siga os links e verifique por si.

    Estão lá 40M€ - Linha do Minho (Porto-Nine) - Distrito do Porto. A mesma coisa para os outros investimentos. Não tem nada que enganar.

    Eu não estou a falar de cor.

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  5. Pois é lá estão vocês a confundir o Minho com Braga. Minho para vocês é Braga. Não vos adiante depois dizer que os "minhotos" são os culpados. Só se lembraram de Viana do Castelo porque o Presidente da Câmara disse a verdade e ela aleija. Aí lembraram-se que afinal existe um outro Distrito, mas como sempre logo se esqueceram.

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