Avenida Central

Norte Sem Norte

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Santuario Santa Luzia - Viana do Castelo - Portugal
© SGandara

O Jornal de Notícias dedica um conjunto de reportagens à situação difícil em que se encontra o Norte de Portugal, encravado encalhado entre os seus próprios defeitos e os defeitos do país. Curiosamente, na lista do que o Norte tem e não tem, 11 das 13 categorias são dedicadas ao Porto. E este é o primeiro sintoma da doença do Norte: goste-se ou não, o portocentrismo é asfixiante para o Norte. Na verdade, quando se fala na crise do Norte quer-se dizer crise do Porto porque o Norte para além do Porto nunca saiu verdadeiramente da crise em que vive desde a Idade Média.

De uma Autarquia, Claro!

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São funcionários públicos do Departamento Técnico de Planeamento e Urbanismo da autarquia de Portimão, a cantar o hino oficial. Sabe-se que ["ohh..."] entram às duas da tarde e depois esperam "outra vez" pelas cinco e meia. E que "as senhoras com carinho fazem" chá e café "todos os dias às quatr'horas".

Crise Sentida

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[Em Braga] No primeiro semestre deste ano, há registo de 364 insolvências [2% das empresas], praticamente o dobro das registadas no período homólogo de 2008. [Correio do Minho]

Quem está na vida activa sente o pulso à economia no seu dia a dia. Os relatórios estatísticos cíclicos só serão, por isso, surpresa para alguns. O princípio do fim da crise ainda está longe de ser sentido.

A Enorme Crise

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Hospital Braga
© sinistro_portugal

É uma estranha crise, esta que nos assola. A mais severa desde a Grande Depressão, dizem. Portugal e o Minho não fogem à regra [1, 2, 3, 4]. Inúmeras notícias sobre a crise económica e social, com maior ou menor fulgor, entram pelas nossas casas adentro.

É por isso com alguma perplexidade que noto semelhante fé investidora em Braga. Uma fé que não é inabalável, mas que confia, imagino que em excesso, numa retoma económica a curto prazo. É certo que as obras já estão no terreno há algum tempo, mas à medida que ganham forma e que a perspectiva do fim da crise ainda não é líquida, torna-se ainda mais questionáveis do que eram dantes.

Uma coisa é certa, quem visitar Braga, não vê crise alguma. Entre hotéis, centros (e superfícies afins) comerciais, dois hospitais, um centro de investigação ultra-moderno, as demais obras municipais e a Universidade que parece estar imbuída do mesmo espírito do Betão, Braga não viveu nada assim nos tempos recentes. Daqui a uns anos vamos ver o que sobrevive.

A Revolução Adiada

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Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? Para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos. Não sejamos, à luz do século XIX, espectros a que dá uma vida emprestada o espírito do século XVI. A esse espírito moral oponhamos francamente o espírito moderno.

Oponhamos ao catolicismo, não a indiferença ou uma fria negação, mas a ardente afirmação da alma nova, a consciência livre, a contemplação directa do divino pelo humano (isto é, a fusão do divino e do humano), a filosofia, a ciência, e a crença no progresso, na renovação incessante da Humanidade pelos recursos inesgotáveis do seu pensamento, sempre inspirado.

Oponhamos à monarquia centralizada, uniforme e impotente, a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal, dando-lhe um carácter radicalmente democrático, porque só ela é a base e o instrumento natural de todas as reformas práticas, populares, niveladoras.

Finalmente, à inércia industrial oponhamos a iniciativa do trabalho livre, a indústria do povo, pelo povo, e para o povo, não dirigida e protegida pelo Estado, mas espontânea, não entregue à anarquia cega da concorrência, mas organizada duma maneira solidária e equitativa, operando assim gradualmente a transição para o novo mundo industrial do socialismo, a quem pertence o futuro.

Esta é a tendência do século: esta deve também ser a nossa. Somos uma raça decaída por ter rejeitado o espírito moderno: regenerar-nos-emos abraçando francamente esse espírito. O seu nome é Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, torná-la impossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mãos das armas. Em si, é um verbo de paz, porque é o verbo humano por excelência.

Meus senhores: há 1800 anos apresentava o mundo romano um singular espectáculo. Uma sociedade gasta, que se aluía, mas que, no seu aluir-se, se debatia, lutava, perseguia, para conservar os seus privilégios, os seus preconceitos, os seus vícios, a sua podridão: ao lado dela, no meio dela, uma sociedade nova, embrionária, só rica de ideias, aspirações e justos sentimentos, sofrendo, padecendo, mas crescendo por entre os padecimentos. A ideia desse mundo novo impõe-se gradualmente ao mundo velho, converte-o, transforma-o: chega um dia em que o elimina, e a Humanidade conta mais uma grande civilização.

Chamou-se a isto o Cristianismo.

Pois bem, meus senhores: o Cristianismo foi a Revolução do mundo antigo: a Revolução não é mais do que o Cristianismo do mundo moderno.

[Causas da decadência dos povos peninsulares nos últimos três séculos, Antero de Quental nas Conferências do Casino de 1871]

Isto é parte de um discurso do séc. XIX. Já no séc. XX o Almeida Negreiros insurgiu-se contra o(s) Dantas. Podemos sinceramente dizer que, hoje, no séc. XXI, não estamos ainda rodeados de Dantas? Abril ainda não trouxe esta Revolução.

Shoppings em Banho Maria

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Bullring
© rotund pictures

Depois do que aqui escrevemos sobre a proliferação de grandes superfícies comerciais no Minho, foi sem grande surpresa (nem tristeza, diga-se) que recebemos a notícia de que os promotores de algumas dessas obras «preferiram adiar os seus projectos, já licenciados, para melhores dias». O Espaço Braga e o Guimarães Plaza contam-se entre os projectos adiados para melhores dias.

Sendo mais que certo que os espaços não seriam no curto e médio prazo rentáveis, a verdade é que não se perde nada. Em Portugal, ao contrário do que sucede noutros países, os centros comerciais são invariavelmente feios. Construídos a granel, crescem como cogumelos no mato e, tantas vezes, nos locais mais inesperados e indesejáveis. Apesar dos avultados investimentos, estão longe de se constituírem como edifícios de referência arquitectónica, acabando por marcar negativamente a paisagem.

Pode não parecer, mas a fotografia retrata um pormenor do Bullring Shopping, um centro comercial localizado em pleno coração da cidade de Birmingham, na Inglaterra.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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