A Crise Social do Minho [4]

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«Cavaco Silva defendeu a criação de um Observatório Regional sobre o emprego e a economia, que agregue os actores sociais e estatais, lembrando que tal sucedeu no Vale do Ave quando foi primeiro-ministro e foi necessário combater a crise.» [Público]

Em visita a Braga, Cavaco Silva propõe um Observatório Regional sobre o emprego e a economia. A ser criado, os observadores poderiam começar por estimar os custos sociais das portagens do distrito de Braga. Como se sabe, as empresas aqui sediadas concorrem em condições de grave desigualdade relativamente às que se encontram nos distritos de Viana do Castelo, Viseu, Aveiro ou Leiria. É verdadeiramente incompreensível que a viagem entre Braga e Guimarães ou Barcelos seja taxada a um valor superior ao percurso entre Porto e Aveiro (A29 e A1).

Se o Governo assume que a crise não permite taxar as SCUT's, por que motivo mantém a cobrança no distrito de Braga? Onde está a solidariedade que continua a cobrar valores pornográficos aos habitantes de Cabeceiras e Celorico de Basto quando isenta de portagens os habitantes de Lisboa e do Porto? E como se justifica o silêncio dos municípios do Minho, conhecendo-se as campanhas que têm sido desenvolvidas por autarquias como a Maia, Espinho ou Póvoa de Varzim?

Com 11% dos desempregados do país, o Minho continua a viver uma crise sem precedentes. Desde meados da década de noventa, o Minho e o Norte perderam o comboio da inovação e da competitividade, convertendo-se numa das regiões mais pobres do país. A caridade, que devia ser solidariedade, está a tornar-se indispensável para a subsistência de um número muito significativo de cidadãos.

7 comentários:

  1. «A mensagem do Presidente é cliché e sem novidade nenhum» (Vítor Pimenta)

    Afinal sempre há alguma de coisa útil na mensagem do sr Cavaco Silva, o homem da «hipocrisia do discurso catarral»...

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  2. Acho que era interessante começar um movimento para acabar com esta portagem. Podia começar perfeitamente com uma petição e avançar de muitas formas.

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  3. Isto não se resolve com "wishful thinking" presidencial nem com paliativos e aspirinas como a abolição de portagens.

    Estão a colher os frutos que semearam... Frutos podres e fétidos que ainda vão piorar, muito.

    O Minho e o Norte merecem o que lhes está a acontecer. Quando lhes ofereceram a chave para abrir as portas a um futuro melhor, atiraram-na à sarjeta, no referendo à regionalização de 1998.

    Este cenário perspectivava-se desde esse dia. O seu desfecho apenas se precipitou com a crise actual.

    Um povo que não cuida do que é seu, que não acarinha a sua terra, que se demite cobardemente das suas responsabilidades, cívicas, políticas, sociais e culturais, merece acabar desta forma.

    E não adianta lamuriarem-se e transformar este blog num muro de lamentações para virgens carpideiras. Ao votarem NÃO à regionalização por motivos futéis, mesquinhos e paroquiais deviam estar preparados para as consequências que se adivinhavam.

    O Minho e o Norte estão reduzidos à imagem dum indigente de mão estendida à caridade alheia...

    Triste e patético... Quem vos vê agora não consegue imaginar a fibra e a tenacidade da massa dos vossos antepassados.

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  4. Texto pertinente!! Permitam-me acrescentar: O sr. PR não resolve nada, cabe-lhe apenas lançar um alerta social."O povo e quem mais ordena"-Avancem com a petição

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  5. Se Braga e Guimarães não estivessem de costas voltadas, e Famalicão e Barcelos indiferentes a todos, estas portagens seriam muito diferentes. Mas já que os políticos não se entendem, podia aqui e assim começar um interessante movimento cívico. O meu apoio está dado.

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  6. Autonomia para o Minho,já.Vamos mandar, os mandantes de Lisboa,abaixo de Braga.

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  7. Esta história das portagens é realmente flagrante! Princípo do utilizador pagador está bem mas para todos e com medida...As concessionárias abusam!

    Ricardo

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