Fosse este um País decente, sem distracção em coisas de importância inchada, como os futebóis e as suas comadres zangadas, as Fátimas Felgueiras e parideiras, os fados de salão desgraçado que inquinam de tristeza a Praça da Alegria, e José Sócrates daria um oportuno exemplo para a
punidade política.
Por simples e óbvio motivo: mesmo sem "luvas", tem as mãos metidas no Caso Freeport. Quanto mais não seja porque imita, na ascensão, o político do arranjinho, ao amigo,
ao tio e ao primo (mesmo que lhe chame
"filho do meu (seu)
tio" - não o deve gramar nem a tiro, agora que lhe destapou os pés). Está comprometido porque não é diferente a arranjar toda e qualquer desculpa para
distorcer as regras do ordenamento do território da noite para o dia. (Diria antes: o
ordenhamento do território.) Do julgamento político - pelo menos - ficaria o precedente, a bem de uma democracia de políticos desassossegados.
Mas não. Ainda nestes dias lançou
as barragens do Tâmega, qual Roosevelt untado de
pro-retinol A, e justificou a
megalomania em meia dúzia de disparates
enclichezados sobre energia, potencial hídrico, investimento estrangeiro e dependência de petróleo, que qualquer distraído come. O processo está, aliás, acelerado e em total vilipêndio com impactes ambientais e interesses das populações - é o
desajuste directo. No dia seguinte, seguiram-se as auto-estradas no Sul. O discurso de tom anti-depressivo foi com o vento, como quase ia a barraca onde se apertavam ministros e diáconos do habitual conclave.
Para mal dos pecados de uma economia em recessão, Sócrates está visivelmente amuado e em modo de gestão de prejuízo, sem plano de salvação, depois de um mandato falhado e desgastante. Já não vale como primeiro-ministro, nem como secretário-geral: passou de
Tony a
Gordon em menos de 4 anos. Se alguma coisa ainda lhe segura a aura enjoativa, é a paralisia messianista do actual Partido Socialista e a nulidade caturra e engrunhada de Ferreira Leite.