Avenida Central

Uma Questão de Princípio

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“Se depender de mim, divulgo as escutas para isto acalmar” [Expresso]

Como é que chegamos ao ponto em que o próprio Procurador-Geral da República anuncia, com aparente naturalidade, a intenção de violar o segredo de justiça, praticando um crime?

Toda a razão tem o Bastonário Marinho Pinto, quando afirma (até antes de saber desta intenção) que:
“Não se pode pretender que as escutas sejam válidas para o debate político, uma vez que se concluiu que ele estava para ali a dizer umas laracha ou umas coisas que podem ter importância política”, defendeu, nunca tendo nomeado quem quer que seja. [...] “Isto não pode ser e a legalidade é para respeitar e não se pode legitimar, 'a posteriori', violações dessa legitimidade, sobretudo por quem tem por função fazê-la respeitar”, completou. [i]

muito boa gente a precisar de um time-out para pensar...

"Está Quase" - 1

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Portugal, feliz e contente, vai sendo governado por "lisboetas", todos nascidos algures, muitos nas berças, como nós. Não podemos ter um grande futuro pela frente. Está Quase… 2.

Eu Tenho Dois Amores...

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Elisa Ferreira no Parlamento Europeu
© erikamann_mep

As eleições europeias continuam a fazer mossa, depois do resultado desastroso do PS e das peripécias de Dr Jekyll e Mr. Hide (na versão tuga "Animal Feroz e Português Suave”), agora os arautos da democracia, do 25 de Abril e de todas as conquistas democráticas, pois claro, lembraram-se de copiar os reaccionários, trauliteiros e fascistas. Isto para pôr as coisas em termos perceptíveis a qualquer cidadão bom pai de família.

O PS (Partido de Sócrates como o PP é o do Portas) decidiu, por unanimidade e aclamação do líder, que a táctica do vou ali e já volto de Elisa Ferreira e Ana Gomes (a agente infiltrada da internacional socialista na CIA) poderá não ter sido bem gizada. O Argonauta das novas tecnologias, que fez de Magalhães seu companheiro de viagem (se bem que a 32 kbs, que os contratos de internet custam caro e os paizinhos têm mais do que fazer ao dinheiro), lança-se assim à conquista de um novo Bojador, fazer de nós parvos V 2.0. Não temendo crítica que o belisque ,nem vacilando perante cabalas negras ou brancas (que somos todos diferentes mas todos iguais), o Engenheiro (?![sim, convém pôr estas sinaléticas para que não nos esqueçamos das dúvidas que pairam sobre um inglês técnico que logrou derreter em compaixão George W. Bush]) engendra novo plano rumo à maquinização do voto.

Fátima já lá vai, Cabeceiras foi um dia e Belém é particípio que causa arrepios na espinha do mais temerário cooperador estratégico. Donde, esgotadas as técnicas que deram origem a múltiplas obras de belo traço por toda a província das Beiras, sobra a Sócrates esburacar a caverna onde as sombras deixaram de passar e abraçar o Sol.

Como fazê-lo? Muito simples, seguir o trajecto das sombras até ao seu próximo destino, que, a julgar pelo feedback (termo de inglês técnico significando ressonância sonora que provém das entranhas vocais dessa amálgama a que chamamos de povo) fica ali para os lados da São Caetano-à-Lapa. Cá está em meia dúzia de linhas a nova táctica de Sócrates. Quando não sabes, copia, um ensinamento que parece ter estado presente ao longo de toda a sua académica vida.

Unanimismo SMS

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Desde já agradeço o comentário e a visão alternativa de Miguel Corais, delegado in loco, ao meu último post aparentemente desvariado e azedo sobre o Congresso do PS de Espinho. No entanto não deixo de ficar surpreendido quando revela que "2 Moções Globais Estratégicas foram apresentadas e discutidas".

Não nego tal afirmação, porque confesso ter lido em surdina algures. Mas não posso é deixar passar ao lado o facto de a Moção Global de José Sócrates ao XVI Congresso Nacional ter sido a única a utilizar o Serviço de SMS oficial do Partido Socialista na sua promoção. Isto se não contar a forma como o mesmo serviço foi utilizado, semanas antes, para convencer todos "camaradas" na subscrição da (única) propositura da (re)candidatura do actual Secretário-Geral. Ou isto é muito sintomático do actual estado de fileira cerrada, ou então há uma outra visão interna do partido um pouco arredada das novas tecnologias...

Fazer da Política um Espectáculo

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Nunca os políticos e os partidos estiveram tão dependentes dos órgãos de comunicação social, em particular das televisões, para fazer chegar as suas mensagens ao eleitorado. A alergia quase generalizada à participação cívica e a nacional aversão à leitura, dos livros infantis aos jornais diários, são alguns dos principais justificativos para essa dependência.

A política passou a fazer-se no palco televisivo e, como numa verdadeira peça de teatro, tudo é encenado até ao pormenor aparentemente mais insignificante. Os actores políticos não escolhem apenas os fatos e as gravatas, mas também o tom de voz, a pose corporal e a expressão facial. A palavra, sempre tão decisiva, perdeu a sua genuinidade autêntica para ser cozinhada até à sílaba mais irrelevante em verdadeiros laboratórios de marketing.

É inegável que, mesmo sem ser pioneiro, José Sócrates tem sido o protagonista mais irrepreensível de uma política-espectáculo em que a discussão das ideias tem sido secundarizada pela exposição das fraquezas dos adversários.

Não escondo a náusea que me causam certas poses de Estado, sabendo-se que não passam de charme meticulosamente treinado para o palco em que tornaram o circo político português. E depois, quando cai a cortina do show, borra-se a pintura com uma naturalidade que assusta e, invariavelmente, o desenlace faz-se também no palco mediático com público e comiserado acto de contrição.

O episódio mais recente sucedeu neste fim de semana. Em pleno congresso socialista, José Sócrates anunciou que vai levar o caso Freeport a votos. O anúncio era desnecessário quando se sabe que o Primeiro Ministro não é arguido nem suspeito, mas questões de estratégia eleitoral parecem justificar que o caso seja convertido em arma de arremesso político. É o último capítulo da história de um sistema judicial que caiu nas ruas (da amargura). A fórmula, que já fora testada por Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino Morais, favorece invariavelmente as supostas vítimas. Manda o politicamente correcto que os adversários políticos sejam comedidos na sua utilização mediática e mostra a experiência do passado recente que estes casos não têm grande influência nas escolhas dos portugueses
.

A teatralização da política e a eleitoralização da justiça aliadas à higienização do debate público e à falta de «cultura de liberdade individual» são condimentos altamente tóxicos para a democracia, criando um clima de suspeição muito favorável ao crescimento de movimentos radicais e marginais que se poderão revelar perigosos para a estabilidade governativa. São também os principais sintomas de uma letargia cujos efeitos poderão ser muito nefastos para o futuro do país. Que, ao menos, a indignação [exemplarmente cantada por Miguel Torga] lhe resista.


E o que não presta é isto,
esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Últimas da Freeportlândia

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Alcochete
© fotos ilca

Round 1: CAA vs Tiago Barbosa Ribeiro
Round 2: Fernanda Câncio vs Mário Crespo
Round 3: João Miranda vs Fernanda Câncio
Round 4: Vasco M. Barreto vs João Miranda

Padre Fontes e Maya de Sobrolho

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«José Sócrates enfrenta "poderes ocultos"...» [Público]

Portugal Revisitado

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«É um país de tuberculosos arguidos, governado por um tuberculoso suspeito.» [Winston Churchill, citação modificada]

A Cicuta

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Fosse este um País decente, sem distracção em coisas de importância inchada, como os futebóis e as suas comadres zangadas, as Fátimas Felgueiras e parideiras, os fados de salão desgraçado que inquinam de tristeza a Praça da Alegria, e José Sócrates daria um oportuno exemplo para a punidade política.

Por simples e óbvio motivo: mesmo sem "luvas", tem as mãos metidas no Caso Freeport. Quanto mais não seja porque imita, na ascensão, o político do arranjinho, ao amigo, ao tio e ao primo (mesmo que lhe chame "filho do meu (seu) tio" - não o deve gramar nem a tiro, agora que lhe destapou os pés). Está comprometido porque não é diferente a arranjar toda e qualquer desculpa para distorcer as regras do ordenamento do território da noite para o dia. (Diria antes: o ordenhamento do território.) Do julgamento político - pelo menos - ficaria o precedente, a bem de uma democracia de políticos desassossegados.

Mas não. Ainda nestes dias lançou as barragens do Tâmega, qual Roosevelt untado de pro-retinol A, e justificou a megalomania em meia dúzia de disparates enclichezados sobre energia, potencial hídrico, investimento estrangeiro e dependência de petróleo, que qualquer distraído come. O processo está, aliás, acelerado e em total vilipêndio com impactes ambientais e interesses das populações - é o desajuste directo. No dia seguinte, seguiram-se as auto-estradas no Sul. O discurso de tom anti-depressivo foi com o vento, como quase ia a barraca onde se apertavam ministros e diáconos do habitual conclave.

Para mal dos pecados de uma economia em recessão, Sócrates está visivelmente amuado e em modo de gestão de prejuízo, sem plano de salvação, depois de um mandato falhado e desgastante. Já não vale como primeiro-ministro, nem como secretário-geral: passou de Tony a Gordon em menos de 4 anos. Se alguma coisa ainda lhe segura a aura enjoativa, é a paralisia messianista do actual Partido Socialista e a nulidade caturra e engrunhada de Ferreira Leite.

Justiça de Vidro

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O principal problema de um sistema judicial falido como o nosso é que nunca se sabe quem são os inocentes e quem são os culpados. José Sócrates disse o mesmo que disseram Dias Loureiro, Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino Morais. Estão todos inocentes. E agora?

Duas coisas são certas: 1) o assunto chega à cena pública num momento crítico para o próximo ciclo eleitoral. 2) o processo não é totalmente claro, embora o Primeiro-Ministro possa estar completamente inocente.

Pressões

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A pressão governativa sobre a comunicação social é um dos sintomas mais preocupantes da doença da nossa democracia.

Battlestar Socratica

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inspirado nisto

O Engodo

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Maria de Lurdes Rodrigues
© Miguel A. Lopes

Há duas formas elementares para aumentar o sucesso escolar - diminuir os níveis de exigência ou aumentar a qualidade da formação.

Quando se opta pela primeira solução, contribuiu-se para a degradação do ensino numa espiral de sucessivo facilitismo. O sucesso escolar converte-se num fim em si mesmo e, ao contrário do que possa pensar-se, o incremento artificial desse sucesso não é um promotor de igualdade e integração nem um motor para a economia do país. Pelo contrário, constitui-se como um terrível empecilho ao desenvolvimento social, acarretando o ónus de gerar falsas ilusões nos jovens estudantes e nas suas famílias.

Façamos o exercício meramente teórico de imaginar o que sucederia se uma escola médica decidisse aumentar o sucesso escolar dos seus alunos pela mesma via que foi seguida pelo Ministério da Educação. Primeiro facilitavam-se os testes de Farmacologia e deixava-se de se exigir que os alunos conheçam os grupos farmacológicos. Depois tentava-se resolver o problema da Anatomia e as avaliações passavam a perguntar coisas tão básicas como quantos estômagos temos?. Finalmente, dispensavam-se aos alunos de saber manter uma conversa coerente com os seus pacientes. No fim de tudo, teríamos uma escola médica absolutamente exemplar do ponto de vista do sucesso académico, mas teríamos hipotecado o compromisso social de formar médicos competentes.

Por via da mentira repetida à exaustão num registo de indignada vitimização, Maria de Lurdes Rodrigues e respectiva horda de seguidores convenceram a esmagadora maioria dos portugueses de que os esforços empreendidos pelo seu Ministério conduziram a uma efectiva melhoria dos conhecimentos e das competências dos alunos na disciplina de Matemática. Isto sucede porque a mediania do país, reflexo da mediania da Escola das passagens políticas e administrativas, não lhe permite perceber o tamanho da ficção dos resultados apresentados. No entanto, a honestidade e o bom senso políticos recomendam que as preocupações relativamente aos maus desempenhos dos alunos nas disciplinas nucleares - Matemática e Português - se mantenham inalteradas apesar do milagre estatístico operado nos corredores do Ministério da Educação.

A situação a que chegámos é altamente confrangedora. Nos dias que correm, um aluno chega ao ensino superior sem conhecer as noções matemáticas mais simples, sem nunca ter abordado temas tão básicos como ligações covalentes, sem imaginar quem se senta na Assembleia da República e, pior que tudo, sem ter a mínima noção do tamanho do desconhecimento.

E não há xoque tecnológico que nos valha...

Moral da História

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«Porque das duas, uma. Ou os camionistas tinham razão, e o governo foi incompetente, desde o princípio, em não ter a razão deles em conta (mais: em não a prever), enquanto a vida de muita gente era transtornada e dinheiro a rodos era desbastado. Ou os camionistas não tinham razão - razão politicamente ponderada, entenda-se -, e o governo, estando-se nas tintas para os contribuintes, tira do bolso deles o necessário para se safar.» [Paulo Tunhas, Blogue Atlântico]

A «Média Europeia» Quando Convém...

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O Ministro da Economia diz que o preço dos combustíveis em Portugal está próximo da média europeia. Pena que os salários dos portugueses estejam tão longe dessa mesma média...

Paixão pela Transgressão

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«O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezula. O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo.» [Público]

Não escondo a náusea que me causam certas poses de Estado, com cenas de jogging à mistura, quando se sabe que não passam de charme meticulosamente treinado para o palco em que tornaram o circo político português. Cai a cortina e borra-se a pintura com uma naturalidade que assusta.

Mas, aconteça o que acontecer, o povo gosta de um líder autoritário, que transpire sentimento e que, num rasgo de similitude com a turba que o aclama, vá trangredindo. Ainda que a lei seja só para os súbditos, a transgressão é cada vez mais a marca identitária deste povo.

Coisas do Céu

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«Igreja pede a Sócrates que controle laicismo de alguns membros do PS»

1. Numa instituição repleta de gente com tão bons contactos, talvez fosse mais sensato pedir uma coisa dessas directamente a Deus...

2. Boa oportunidade para o Primeiro-Ministro pedir ao Papa que controle o conservadorismo, o reaccionarismo, a homofobia, a luxúria e a intromissão nos assuntos do Estado de alguns membros da Igreja?

The Show Must Go On

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14 de Março de 2008
Sócrates: quem fala em baixar impostos demonstra "leviandade e irresponsabilidade"

26 de Março de 2008
Governo baixa taxa do IVA de 21 para 20 por cento

A tenda está montada. De espectáculo em espectáculo temos campanha garantida até 2009.

Portagens Contestadas (III)

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Vital Moreira fala em «caminho perigoso» ao comentar o último anúncio absurdo do Ministro das Obras Públicas.

Afinal, a Rua Ainda Vale!

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Ministério da Educação aberto a recuar em casos pontuais
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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