© Tavis CobornO meu comentário vai agora bem para lá da ressaca do Congresso de Espinho, tão inebriante de superficialismos
barbie girl e
ken, que tão pouco me dei ao trabalho de assistir com vontade. E na realidade, além do socialista
freelancer Vital Moreira, uma espécie de Pequeno Prazer do McSócrates para a esquerda-
qualquer-coisa do partido que lhe resta, pouco anima na fila para a comunhão aos agora socialistas não-praticantes (no que a esta doutrina de aparelho diz respeito). Como eu, que me falta também pagar a cota do último semestre, para ajudar nas despesas do
bureau com a água e luz na sede do Rato, ou na factura das empresas de logística que montam o palanque ao Líder.
Mas apesar do
cathering externo e do moderno teleponto transparente posto sobre um palco futurista, a única e trágica ironia retirada dali é que, quer no unanimismo difuso, quer na forma como o partido atiçou António Costa aos trotskistas (do Bloco), nunca como agora o PS esteve mais parecido com um tradicional Partido Comunista - de inspiração estalinista, pesado, neurótico e quase a roubar o espaço político do PCP. Arriscaria que a semelhança tende até para uma deriva de mercado
deng xiaopinguiana do PC Chinês pós-Mao, tardia e a más horas. Isto, se lhe juntarmos o
Magalhães: um misto de Livro Vermelho com o
Trabant, produzido em massa e para todos, cá dentro e lá fora, para glória do Povo.