Dia Europeu da Depressão
No vídeo desta semana, o blogue Avenda Central associa-se ao Dia Europeu da Depressão (17 de Outubro) e divulga o trabalho conjunto de Mariza e Boss AC para o Movimento UPA 2008.
Levanta-te Contra a Discriminação
1. Assinala-se hoje o Dia Mundial da Saúde Mental e, trabalhando nesta área, não posso deixar de partilhar alguns pontos de reflexão. Antes de mais, cumpre informar que, se outros motivos não encontrar para ler este artigo, deve saber que um em cada quatro portugueses sofrerá, em dado momento da sua vida, de uma doença mental.
2. Há precisamente um ano, a Federação Mundial para a Saúde Mental divulgou uma série de artigos de reflexão sobre o estado das políticas de promoção da saúde mental em todo o mundo. Num desses artigos, destacavam-se alguns dados verdadeiramente preocupantes: dos cento e noventa e dois membros da Organização Mundial de Saúde (OMS) que foram analisados, apenas dois terços dos países apresentam políticas públicas de saúde mental e, mesmo nesses, 60% das leis em vigor são anteriores a 1960; em 30% dos países não existe qualquer orçamento específico para a saúde mental; e em 25% daqueles em que existe orçamento, a verba destinada à saúde mental é menos de 1% do total despendido em saúde. Em síntese, a desproporção entre as necessidades e a oferta de acompanhamento, diagnóstico e tratamento psiquiátrico é verdadeiramente preocupante em termos globais.
3. Em Portugal, o investimento no tratamento das doenças mentais deve ser realçado: a) os hospitais têm reforçado a sua capacidade de intervenção em saúde mental, através da oferta de serviços médicos, mas também de Psicologia Clínica e Assistência Social; b) os serviços comunitários têm sido, embora muito lentamente, reforçados com meios humanos e materiais; c) os tratamentos mais inovadores têm sido disponibilizados aos doentes portugueses praticamente ao mesmo tempo do que sucede no resto da Europa e EUA; d) a nossa investigação em neurociências tem sido reconhecida internacionalmente, ombreando com os trabalhos produzidos em alguns dos centros mais avançados do mundo.
2. Há precisamente um ano, a Federação Mundial para a Saúde Mental divulgou uma série de artigos de reflexão sobre o estado das políticas de promoção da saúde mental em todo o mundo. Num desses artigos, destacavam-se alguns dados verdadeiramente preocupantes: dos cento e noventa e dois membros da Organização Mundial de Saúde (OMS) que foram analisados, apenas dois terços dos países apresentam políticas públicas de saúde mental e, mesmo nesses, 60% das leis em vigor são anteriores a 1960; em 30% dos países não existe qualquer orçamento específico para a saúde mental; e em 25% daqueles em que existe orçamento, a verba destinada à saúde mental é menos de 1% do total despendido em saúde. Em síntese, a desproporção entre as necessidades e a oferta de acompanhamento, diagnóstico e tratamento psiquiátrico é verdadeiramente preocupante em termos globais.
3. Em Portugal, o investimento no tratamento das doenças mentais deve ser realçado: a) os hospitais têm reforçado a sua capacidade de intervenção em saúde mental, através da oferta de serviços médicos, mas também de Psicologia Clínica e Assistência Social; b) os serviços comunitários têm sido, embora muito lentamente, reforçados com meios humanos e materiais; c) os tratamentos mais inovadores têm sido disponibilizados aos doentes portugueses praticamente ao mesmo tempo do que sucede no resto da Europa e EUA; d) a nossa investigação em neurociências tem sido reconhecida internacionalmente, ombreando com os trabalhos produzidos em alguns dos centros mais avançados do mundo.
O Tâmega | 2
© Dario Silva
Cinquenta quilómetros depois de deixar a Livração, e pouco mais de 60 anos após a viagem que apresentou o comboio ao Arco de Baúlhe, a Linha do Tâmega faz-se agora trespassar pela A7, num remate perpendicular ao concelho de Cabeceiras; a construção de vias de comunicação terrestres implica sempre o restabelecimento de outras vias já existentes. Tal é o caso.
Assim, a Linha do Tâmega, o Arco de Baúlhe e o concelho de Cabeceiras de Basto vão - novamente - marcar pontos na história ferroviária portuguesa.
- nesta ponte ferroviária nunca há-de passar um comboio (nada de anormal, várias outras pontes ferroviárias não foram nunca inauguradas, mercê o perecimento precoce de alguns projectos);
- esta ponte ferroviária, construída 18 anos depois do encerramento da via que a atravessa, vai ser inaugurada por bicicletas, lá virá o dia.
Declaração de interesses: nada tenho contra as auto-estradas nem contras as bicicletas! Da Linha do Tâmega só tenho... pena.
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Transportes no Minho
Jornais de Referência?
«Uma pessoa triste ou deprimida nunca pode resolver o problema com uma droga, porque não são doenças físicas» [Elisabete Dâmaso, DN]
Tristeza e depressão são realidades bem distintas e, tanto quanto se sabe, a depressão cursa com alterações físicas mensuráveis em termos de funcionamento neurobiológico do cérebro, alterações que são geralmente revertidas por fármacos anti-depressivos. A depressão é uma doença psiquiátrica cuja prevalência ao longo da vida é de cerca de 12% e cujas consequências podem ser muito graves se não for devidamente tratada.
Um jornal sério não devia permitir-se difundir afirmações manifestamente desmentidas por toda a evidência médica e científica sem o necessário contraditório. Assim sucede nas notícias sobre curas milagrosas católicas e também nas profecias de algumas religiões e seitas emergentes. A credibilidade (ou a falta dela) das fontes da informação que é difundida nos jornais que se assumem como referência não é suficiente para minimizar que os efeitos da sua divulgação. Ainda mais, quando se passam ideias que estão erradamente sedimentadas no pensamento de uma parte significativa da população.
Crenças e Valores
© Palmira Silva
«Às vezes desaparecem os valores e surgem as crenças. O Público de 2 de Maio continha um artigo intitulado “Tratamentos para alterar orientação sexual não são uma coisa do passado”. Tudo começou com a petição online de um homem de trinta anos que reclama “um comprimido, uma injecção”, para fazer face ao “enorme desgosto por sofrer de tendências homossexuais”. Na pesquisa do jornal, destacam-se pela negativa declarações de psiquiatras portugueses que surgem na tradição homofóbica de alguma psiquiatria, que felizmente o conhecimento científico há muito condenou. Dezenas de anos depois da homossexualidade ter deixado de ser considerada doença pela comunidade internacional, alguns dos nossos psiquiatras (com responsabilidades!) falam de “homossexualidade primária”, com “cunho biológico marcado” e de “homossexualidade secundária”, ou desenvolvem a possibilidade de “reenquadrar a identidade de género e as opções de relacionamento sexualizado”.
O problema não é saber se os psiquiatras podem tratar homossexuais, a questão é que não devem. É certo que muitos homossexuais revelam sintomas psicopatológicos, mas a análise cuidada dessas manifestações demonstra que elas são devidas à discriminação sofrida: quem não se sentirá mal se for alvo sistemático de troça ou de humilhação? O papel dos terapeutas, perante um eventual pedido, deverá ser o de capacitar para a luta contra a homofobia, ajudando a que sejam capazes de afirmar a sua orientação sexual primeiro junto de pessoas próximas, depois (se o desejarem) em contextos mais alargados.
Quando psiquiatras portugueses admitem “tratar” a homossexualidade (alinhando, portanto, na velha e ultrapassada ideia da “doença homossexual”), estão também a manifestar intolerância contra quem é diferente. As declarações são ainda mais graves quando já se iniciou entre nós a discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque não faltarão referências a estas posições como justificativas da não alteração da legislação sobre o casamento, embora elas não possuam qualquer justificação. O caso é ainda mais sério quando a posição ideológica provém de alguém com responsabilidade na Ordem dos Médicos, mas serve para todos: mais uma vez as vozes de alguma Psiquiatria portuguesa continuam ao lado da ideologia mais retrógrada, em vez de se colocarem no sentido do avanço da ciência.»
[Daniel Sampaio, Pública 10.05.2009]
A ler: Cronologia dos Acontecimentos, por Ana Matos Pires; Associações escandalizadas com terapias para mudar de orientação sexual, no Público; «O Carnaval dos homofóbicos», por Joana Amaral Dias.
A assinar: Petição à Ordem dos Médicos.
A celebrar: Hoje é o Dia Internacional Contra a Homofobia, celebrando a data em que a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional das Doenças.
Avanços Científicos no Tratamento da Depressão
© alexnnero
A depressão é uma doença que afecta o cérebro, levando à alteração da configuração de alguns dos seus constituintes celulares (neurónios e células da glia), das comunicações que se estabelecem entre eles (por exemplo, as sinapes) e da concentração de algumas substâncias que nele circulam (por exemplo, sabe-se que neurotransmissores como a serotonina estão diminuídos).
Apesar dos sucessos resultantes do desenvolvimento de novos fármacos antidepressivos, a verdade é que muito está por conhecer no que diz respeito à depressão e ao modo como actuam os medicamentos que têm ajudado a tratá-la. Uma das hipóteses explicativas da acção dos anti-depressivos baseava-se no facto destes fármacos induzirem neurogénese (isto é, o nascimento de novos neurónios) numa área cerebral chamada hipocampo. Contudo, um estudo de investigação desenvolvido na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho veio demonstrar que, mesmo bloqueando o nascimento de novos neurónios, os antidepressivos continuavam a actuar.
Tal como adianta o Jornal de Notícias, «os efeitos dos fármacos antidepressivos no aumento da produção de novos neurónios no cérebro não estão directamente relacionados com a melhoria dos sintomas da depressão, como até aqui se pensava. Este estudo revelou ainda que os efeitos terapêuticos dos antidepressivos estão relacionados com a sua acção na morfologia dos neurónios em diferentes áreas cerebrais e na forma como estes comunicam entre eles.»
Na prática, estas descobertas são muito importantes para o aperfeiçoamento dos fármacos já existentes, mas sobretudo para o desenvolvimento de novos medicamentos que actuem directamente nos locais mais afectados pelo desenvolvimento da doença. Segundo alguns dados epidemiológicos, a depressão afecta cerca de 20% da população portuguesa.
O trabalho científico foi desenvolvido por João Bessa e Nuno Sousa, Professores e Investigadores da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, e foi publicado numa das mais conceituadas revistas mundiais de psiquiatria.
Unidos para Ajudar
© UPA
O Movimento UPA - Unidos para Ajudar, cujo mote é «Levanta-te Contra a Discriminação das Doenças Mentais», envolveu ao longo dos últimos meses alguns dos mais significativos nomes da música portuguesa. De Janeiro a Outubro, foi lançado um tema por mês que resulta da parceria entre duas personalidades marcantes da nossa música, a qual será alusiva aos temas propostos pela Encontrar+se, tendo sempre como ponto de partida duas palavras (ou atitudes...) antagónicas, procurando desta forma alertar para a necessidade de uma mudança de mentalidades na forma como a doença mental é encarada entre nós. O projecto musical foi concebido pelo Zé Pedro Reis (Xutos) em parceria com a Paula Homem e o Pedro Tenreiro, e terá a direcção artística e produção de Nuno Rafael, conceituado músico e cúmplice habitual de Sérgio Godinho. [informação retirada do site UPA08]
Neste Natal, Levante-se Contra a Discriminação das Doenças Mentais e ofereça o CD do projecto a todos os seus amigos.
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