“[…] Eis então o Porto. Ir da Ribeira ao Passeio Alegre e querer viver na Foz Velha. Ir da Alameda dos Liquidambares à Quinta do Mata-Sete. Ir ver dos poetas além de Pessoa. Comer por cinco euros, e bem. Subir ao Minho. Ler Agustina no jardim do Centro Cultural Vila Flor com Guimarães ao fundo. Escalar os jardins da associação Velha-a-Branca e lá de cima avistar Braga. Voltar ao mar em Viana do Castelo, que também tem rio, história, arquitectura e empadas de pato. Caminha, Cerveira, mais para dentro o Gerês. O Verão nas margens do Cávado. O Outono na Mata da Albergaria. Continuar para Trás-os-Montes. Comprar mel escuro em Mourilhe. Ver os carvalhos em Pitões e as amendoeiras em Felgar. Seguir o Sabor de Montesinho a Bragança. Apanhar o Douro em Miranda. Não largar o Douro. De Foz Côa ao Crasto, da Ervamoira a Nápoles, ser Setembro e haver vindima, pisar uva, ouvir cantar, beber e comer bem. […]”
O mapa de Alexandra Lucas Coelho
“O meu mapa” é o título de um texto de Alexandra Lucas Coelho, jornalista e autora do imperdível Caderno Afegão (Lisboa: Tinta da China, 2009), apresentado em Novembro na comunidade de leitores da Velha-a-Branca. O mapa, que poderá ser lido na íntegra, a partir dos próximos dias, no número de Dezembro da Up, uma revista da TAP, inclui um roteiro nortenho que não esquece Braga e Guimarães e que pode ser bastante útil a quem quiser aproveitar os feriados de Dezembro para passear por perto:
IC 19
© Dario Silva, 27-11-2009.
Eles bem tentam alargar e alargar o IC 19 mas não se livram dos engarrafamentos com 18 km de extensão, não se livram! - a solução para a i-mobilidade na Grande Lisboa passa por abrir túneis ou, por outro lado, começar a abrir linha de caminho-de-ferro, coisa que ali não acontece há mais de cem anos*
* não contando as dezenas de quilómetros de linhas de "eléctricos" encerradas e das poucas dezenas de quilómetros da rede do Metro de Lisboa.
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O Intervencionismo das Empresas Públicas
A polémica em torno do caso Face Oculta e a alegada intervenção de empresas públicas no desvio da Red Bull Air Race do Porto para Lisboa são apenas mais dois capítulos nas muitas distorções que as empresas públicas introduzem têm introduzido no funcionamento dos mais diversos sectores do país.
No futebol, por exemplo, quando a PT, a TMN, a EDP, a Galp ou a Caixa Geral de Depósitos financiam apenas os três clubes do costume estão a contribuir para aprofundar as enormes assimetrias que já existem, frenando as hipóteses de outros clubes se assumirem no panorama desportivo nacional. É uma situação que prejudica o desenvolvimento da indústria do futebol fora de Lisboa e do Porto, lesando fortemente a economia local de várias cidades do país.
No futebol, por exemplo, quando a PT, a TMN, a EDP, a Galp ou a Caixa Geral de Depósitos financiam apenas os três clubes do costume estão a contribuir para aprofundar as enormes assimetrias que já existem, frenando as hipóteses de outros clubes se assumirem no panorama desportivo nacional. É uma situação que prejudica o desenvolvimento da indústria do futebol fora de Lisboa e do Porto, lesando fortemente a economia local de várias cidades do país.
O Norte Sem Norte | 3
«O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, denunciou que o Estado está a negociar a realização da Red Bull Air Race em Lisboa, "roubando" o evento a Porto e Gaia.» [JN]
Lisboa, Lisboa e Lisboa. O país resume-se a Lisboa. Das pequenas às grandes coisas, Lisboa açambarca o dinheiro e a inteligência do país, concentrando tudo com uma tirania verdadeiramente emetizante.
Para além destas matérias com grande impacto no desenvolvimento económico da Região Norte, também seria útil que se questionassem o Governo e os deputados sobre a disparidade entre o número de serviços de urgência de Urologia (para só citar um exemplo) a funcionar durante a noite na Região Norte e na (extinta) Região de Lisboa e Vale do Tejo. É que, tendo o Norte mais área e população, não se compreende a disparidade.
Política NHL
© Christopher & AmyCate
Sou um incondicional fã de desporto. Acredito que nele sobressai o melhor da condição humana. O desporto tem algo que a qualquer pessoa de direita agrada, a "meritocracia". Salvo circunstâncias pontuais, no desporto ganha sempre aquele(a) que naquele dia foi melhor. Mas também aqui conseguiu o Homem conspurcar as suas melhores criações. Com o desporto se não é a corrupção dos árbitros é o jogador que joga com a mão, se não é a espionagem de equipas na fórmula 1 é o doping no atletismo, etc, etc.
No entanto, há um desporto que me merece especial respeito e admiração, o hóquei no gelo. Aí, no que depende dos jogadores (com excepção do doping, tinha de haver uma excepção, apesar de muito combatido), não há marosca que resulte. O critério amplo dos árbitros, que as regras permitem e incitam, faz com que sejam permitidas entradas mais violentas, ou, quando necessário, levar a mão e o pé ao disco para o colocar no ringue e/ou para o controlar. Os jogadores podem ainda deitar-se e assim evitar que remates dos adversários cheguem à sua baliza. São permitidos empurrões e contactos físicos duros, até combates entre jogadores acontecem, dando origem à interrupção do jogo e terminando quando um dos dois caia ao chão, sendo ambos castigados com 2 minutos de suspensão. Agora, o que não é de forma alguma tolerado é o chico-espertismo, a deslealdade e a violência gratuita, a saber: encontrões nas costas quando o adversário está desamparado, ou quando não esteja em causa a disputa do disco; elevar o stick à cara do oponente; jogar com as mãos e os pés quando tal não seja absolutamente necessário para o regular prosseguimento do jogo e o atraso intencional do jogo.
E para que falo eu do hóquei no gelo e das suas regras mínimas mas eficazes? Muito simples, para mim, este é um desporto que traduz de forma plena a galhardia do Homem e os valores que vão sendo perdidos na sociedade actual: nobreza de espírito, companheirismo, combatividade, esforço, competência e lealdade.
Tudo isto traduzido para o nosso dia-a-dia resultaria numa pendência judicial bem menor e num desenvolvimento bem mais harmonioso e sustentável.
Traduzido para a política só pode significar um Estado com um conjunto de regras curto mas eficaz, é nisto também que me revejo e que se revêem muitos como eu. Defender um Estado forte é apostar na força dos que lhe dão o sustento, os privados. O estado deve estar lá para, como os árbitros da NHL, corrigir os "erros da carne", não como ministro da moral e dos bons costumes, mas como garante do cumprimento da lei. Quando o Estado pretende ser algo mais do que um eficaz aplicador da lei, um competente distribuidor de riqueza e um imparcial e distante, se bem que alerta, regulador do mercado, perde-se algures no caminho. A paranóia adventista da crise pode servir para corrigir erros passados, mas não deve nunca ser o mote para o estrangulamento das liberdades pessoais, onde se inscrevem, obviamente as económicas. Tentemos todos jogar limpo e queixemo-nos menos ao/do árbitro.
Contra-Natura | 2
© Daniel Nérso
A propósito desta notícia, lembrei-me d'O Principezinho, o primeiro livro em que a minha imaginação encontrou jibóias que comem elefantes. Grande livro.
Contra-Natura
Para quando um referendo sobre estes comportamentos contra-natura que estão a destruir a nossa sociedade?
A Outra Pérola da Boavista
A construção decorreu ao longo dos últimos dois anos, num investimento total de €13,4M. Está em funcionamento a Casa Vodafone do Porto, um projecto com assinatura dos arquitectos José António Barbosa e Pedro Guimarães.
O Celibato, Isso Sim, é Fisiológico
O bispo do Porto alega a «verdade fisiológica básica» do casamento entre homem e mulher, «sobretudo quando a natureza tem afirmações tão consolidadas como acontece, por exemplo, em relação à perpetuação da espécie humana». Sim, sim. Com certeza. Mas se na hierarquia da Igreja estão tão preocupados que a aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo vá frenar a taxa de natalidade, mais uma razão para porem a funcionar o apêndice que a que a natureza, muito fisiologicamente, lhes pôs entre as pernas.
O Norte Sem Norte | 2
«Parece que continuamos a olhar para asa obras não do ponto de vista do interesse nacional, mas com as decisões assentes em outros critérios. Para as migalhas, não vai haver dinheiro. Mas para a terceira travessia do Tejo e para o novo aeroporto, o dinheiro não vai faltar certamente» [Rui Moreira, Público]
Reagindo ao anúncio do atraso de dois anos na construção da Linha de Alta Velocidade entre Porto e Vigo, Rui Moreira coloca o dedo na ferida aberta pelas sucessivas discriminações que o Norte tem sofrido em termos de investimento público. A situação começa a ser insustentável, mas é preciso dizer-se que a responsabilidade é, quase em exclusivo, dos quatro milhões de nortenhos e dos seus políticos tão mediáticos como Valentim Loureiro, Fernando Gomes, Armando Vara, Fátima Felgueiras ou Mesquita Machado.
Dubai Fountain ou a Fonte do Paraíso
É a maior fonte luminosa dançante do mundo, contendo um total de um milhão e quinhentas mil luzes meticulosamente sincronizadas com música (do mundo, clássica e árabe). Os jactos ultrapassam os 500 metros projectando mais de 80.000 litros de água em cada exibição. Trata-se de um projecto da Wet Design que também concebeu as fontes luminosas do Parque das Nações. O espectáculo do Dubai é o vídeo desta semana no Avenida Central.
Os Senhores da Europa
Confesso que na "urgência" da reforma da União Europeia, fui levado de orelha pelo patriotismo coitadinho - um mal de fígado - de ver uma cidade portuguesa inscrita nos anais da Europa. Distracções, aliás, como tantas outras. Mas a nomeação do presidente do conselho europeu diz muito da suposta boa fé do Tratado de Lisboa. Sabe-se lá com que acordos prévios, elege-se para presidente desta União Europeia "dos cidadãos", um desconhecido, ainda que primeiro-ministro da Bélgica, ironicamente à rebelia dos cidadãos.
Herman Van Rompuy, sim, desconhecido, ainda que primeiro ministro de um país que também por ironia não existe, se não nas cabeças de convenções internacionais, por mor de ter servido de tampão à azia entre a Prússia e a França Imperiais (Alemanha e França modernas). Um país que continua, mesmo com Magritte ou Hergé, sem identidade e dividido por dentro, onde os distritos eleitorais têm a fronteira do idioma. Um país que há muito enviesou valores de solidariedade entre povos e cidades livres, pelo efeito contrário da imposição consensualista de um poder supranacional.
Paul Belien, apresenta uma escolha nada inocente e teme que a Europa, a partir de agora, se transforme numa Bélgica do tamanho do continente, com as suas crispações e instabilidade internas. Tendo a concordar, pese embora algumas virtudes antídotas da união, no exemplo maior do espaço Schengen, por ser livre e sem fronteiras. Mas um homem que se diz livre também não pode aceitar poderes desta envergadura. Sobretudo, quando se faz agora na linha do percurso de Herman Van Rompuy, sinistro, ziguezagueante, entre o conservadorismo xenófobo e as omissão ideológica para subir a todo o custo na escalada burocrática da governação global. Belien, no mesmo artigo para o Brussels Journal, remata num tom tolkien:
«Herman is like Saruman, the wise wizard in Tolkien’s Lord of the Rings, who went over to the other side. He used to care about the things we cared about. But no longer. He has built himself a high tower from where he rules over all of us.»
Avenida em Directo
O blogue Avenida Central inaugura hoje uma nova funcionalidade com vista a melhorar a comunicação com os nossos leitores. Em directo dos estádios, os jogos do Braga e do Vitória de Guimarães passaram a ter relato em tempo real através da janela colocada na coluna da direita, mesmo em baixo do vídeo da semana. É um projecto partilhado com o blogue Vimaranes, de Guimarães.
Contra a Classe Média, Taxar, Taxar!
A maioria socialista na Assembleia Municipal com o apoio das Juntas de Freguesia eleitas pelo Partido Socialista aprovou a fixação de taxas máximas de Imposto Municipal sobre Imóveis, IRS e Derrama. Esta notícia é particularmente gravosa num momento em que se vive uma crise crise económica que vem estrangulando financeiramente as famílias bracarenses. No fundo, isto significa que é preciso taxar bem o pessoal que trabalha para haver orçamento suficiente para levar os eleitores aos almoços na Quinta da Malafaia e aos passeios a Fátima.
Adopção Caso a Caso
© Rosedevenice
O meu amigo João Moreira Pinto escreve que a adopção deve ser decidida «caso a caso», confiando aos assistentes sociais a «liberdade de decidir». O princípio parece-me justo e operativo, na medida em que confia aos que estão no terreno a selecção dos melhores condições para o crescimento e desenvolvimento das crianças adoptadas. Contudo, e apesar de reconhecer que a decisão deve ser tomada caso a caso, o João não se isenta de fornecer a receita que deve ser seguida pelos assistentes sociais: primeiro os heterossexuais, ricos, saudáveis, não violentos e por aí fora... No fundo, o que o João desejava era arranjar uma Barbie e um Ken para cada criança, uma ilusão que eu também já tive mas que depressa abandonei quando percebi que o mundo não é preto, nem branco, nem cor de rosa. Além do mais, estou certo de que a defesa dos interesses da criança não passa pela inexorabilidade da precedência destas Barbies e Kens sobre os Antónios e Marias, os Joões e Pedros e as Susanas e Catarinas do Portugal real. Analisemos caso a caso, ok?
Frase do Dia
«Tanto mais que se a vida copia a pornografia, a pornografia copia a vida.» [Luís Pedro Nunes]
O Partido Moribundo
© PSD
Mesmo sem a reclamada vaga de fundo, Marcelo Rebelo de Sousa está a posicionar-se para avançar para a Presidência do PSD, um posicionamento que descansa o partido anti-Passos mas também o país anti-Aguiar Branco, o pequeno burguês elitista da direita mais conservadora do Porto que se tem revelado manifestamente incapaz de separar os interesses pessoais da agenda do partido.
Na verdade e tendo em conta a dimensão do movimento anti-Passos, Marcelo Rebelo de Sousa pode ser a chave para (re)erguer o PSD moribundo, recolocando-o no caminho da social democracia que sabe respeitar o mérito individual, que não penaliza o trabalho, que valoriza a iniciativa privada e que não é moralista, respeitando a liberdade de escolha de cada cidadão nas questões da sua vida privada.
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