Avenida Central

[Avenida do Mal] Coelho com Dentes de Leite

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O elogio da pobreza fez escola no Estado Novo como virtude cristã e ambientalista – quem diria talvez: de desenvolvimento sustentado - nacionalista. Discursada pelo Presidente do Conselho e cantada por Amália, fez prosperar a miséria até que arrebentou Abril. Mas o medo do quintal comunitário e da comuna, que não seria mais que a Casa do Povo salazarista, constituições obtusas, mergulharam um País analfabeto numa democracia mediana porque de verdade não é diversa como a economia do mercado.

Dá a sensação, a quem vota ao centro, que entrou num supermercado com estantes apinhadas de arroz – nem de propósito - de marcas diferentes mas que, para lá da embalagem, é todo carolino, rançoso e cada vez mais caro.

É onde o PSD (ou o PPD-PSD como diz Santana Lopes, ou devia ser) se encontra. A cozer o ranço porque, salvo Passos Coelho, é tudo arroz de embalagem encetada e fora de prazo. E talvez neste político profissional, que pouco fez mais que isto na vida, poderia estar a novidade para o confronto com José Sócrates, que dificilmente arranjaria panaceia para o debate.

Mas a novidade do discurso do antigo líder da JSD, aparentemente liberal, demarcado das múmias que ditaram a falência do actual modelo económico e ideológico, tem terreno desfavorável, porque é prematuro e desajustado das bases conservadoras do PSD, mais propícias a soluções medíocres e preguiçosas como Manuela Ferreira Leite.

Apesar das intenções ambiciosas de Passos Coelho, a Direita deste Portugal, onde o liberalismo é conceito núbio, continua defensora de uma espécie de Estado socializóide, gordo, clientelista e metido na vida das pessoas até às orelhas. Quase que se confunde com alguma da Esquerda porque as diferenças no espectro do hemiciclo ficam-se pela capacidade de separar o Sinal da Cruz e os Aleluias, da vista grossa a beijos de língua e à mini-saia… E nessa Direita, Ferreira Leite assenta que nem um véu na beata, para mal dos liberais.

O Eléctrico de Montpellier

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O Norte Optimista

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«só precisamos de esperar uns 3 ou 4 anos para que a Internet fragmente o modelo de Comunicação Social actual. Nessa altura a força colectiva que a Blogosfera representa, da qual 'A Baixa do Porto' tem já uma réplica não meramente imitadora, mas por emergência dos mesmos problemas, chamada 'Avenida Central', passará para a televisão da nossa sala de estar e chegará às massas. Os residentes que não emigrarem para Lisboa nem para Europa encontrarão finalmente palco para conduzirem o nosso próprio desenvolvimento.»

Este texto do José Silva revela um enorme optimismo. Infelizmente, não me parece que os próximos 3 ou 4 anos nos tragam esta história.

Barcelos: Festa das Cruzes

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[fotografias da festa de 2007. roubadas à missixty]

No Meu Domingo Mandam Eles...

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Aos Domingos, o Governo deixa-me ir ao Modelo mas não ao Continente.
Que bom seria se me deixassem escolher...

A ler: Liberalização :: Kontratempos
O moderno condicionamento industrial :: Blogue Atlântico

Enterro da Gata no Estádio Municipal de Braga

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Jorge Palma, James, David Fonseca, Mind Da Gap, Quim Barreiros e Xutos e Pontapés são os cabeças de cartaz da edição 2008 das Monumentais Festas do Enterro da Gata que este ano se transferem para a Alameda do Estádio Municipal de Braga. Para além das marcas corrosivas que as secreções gástricas deixarão no asfalto da Alameda, a mudança, anunciada há vários anos, trará, entre muitas virtudes, alguns problemas que, a serem equacionados previamente, poderão ser minimizados.

As potencialidades do novo espaço são enormes. A Alameda do Estádio oferece limpeza (sem o pó e a lama do costume), permitindo a montagem de barracas com melhores condições de higiene e salubridade e tornando o espaço mais apelativo para públicos pouco habituados a estas andanças. Por outro lado, a nova localização torna-se mais apelativa para as populações a Norte de Braga, em especial de Vila Verde, Amares e Ponte da Barca que, como se sabe, estão entre os concelhos com relações culturais e económicas mais intensas com a cidade de Braga.

O problema mais evidente do novo recinto é a distância relativamente ao centro da cidade e, em particular, à Universidade do Minho, zona em que se concentram a maioria dos estudantes. Esta nova realidade terá que levar à implementação de um sistema de transporte rápido e eficiente que tenha a virtude de não desencorajar os estudantes a participarem nas festas. Em sentido contrário, o estacionamento não deverá ser um grande problema já que a zona está habituada a receber multidões e os problemas só começam a ser significativos a partir dos 20.000 adeptos no estádio.

Pior do que a distância, a segurança, ou a falta dela, deverá ser a maior dor de cabeça para a organização do evento. Conhecidos que são os problemas existentes no interior e em redor do anterior recinto, o novo local parece maximizar os riscos. Os planos de segurança devem ser meticulosamente preparados e articulados entre todos os intervenientes para que a maior festa estudantil do Minho não se converta num pesadelo para muitos dos participantes.

Num ano marcado por novos desafios, o meu desejo é que a organização tenha os maiores sucessos para que a diversão de todos seja máxima. Um bom Enterro para todos!

PS 1 - Parece estar resolvida da melhor forma, a questão da articulação entre o jogo do Sporting de Braga e as Festas do Enterro da Gata.
PS 2 - Felizmente não são assim tantos aqueles para quem o Enterro não passa de «uma semana de bebedeira».

A Árvore da Minha Rua

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Em 17 de Março dei nota da minha satisfação porque a Junta de Freguesia de Gualtar decidiu colocar árvores na rua em que moro, acrescentando urbanidade ao espaço público. Habituei-me a acordar, presenciando dia após dia o explodir de vida de cada um dos seus ramos.

Hoje, menos de dois meses mais tarde, assisti com incredibilidade à remoção de uma das árvores por «ordem do Presidente da Junta». A árvore, plantada no espaço público, alinhada com as outras, por muito incómodo que pudesse causar a um ou outro troglodita, cumpria todas as normas de civilidade. Mais, a árvore era verde. Do mesmo verde que gasta milhões, ano após ano, em campanhas de sensibilização e defesa da natureza. Do mesmo verde que a própria Junta de Freguesia promove em acções públicas que, como se vê, não são mais que puros actos de contrição pela arbitrariedade proposta para a gestão ambiental do espaço público.

A árvore foi arrancada porque alguém não gostava dela? Não quero crer. A gestão do espaço público, por muito eleitoralista que se faça, não se compadece com este tipo de favores, arrancados à custa do dinheiro de todos. Mas, pior que isso, seria sabermos que essa gestão, em vez de estar sujeita a uma política consistente, é vulnerável aos pedidos deste ou daquele cidadão, numa arbitrariedade absolutamente insustentável.

Já sabemos que a sociedade anda alienada, mas há-de pesar-lhes a consciência por arrancarem árvores como se fossem pedras. Nas árvores vemos-lhes a alma...

Projectos 13 | Observatório Astronómico

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Observatório Astronómico de Gualtar

Depois de inaugurado o Laboratório de Ideias, a Orion - Sociedade Científica de Astronomia do Minho - tem em marcha o plano de construção de um observatório astronómico. O equipamento ficará sediado em Gualtar, nas traseiras do edifício da Junta de Freguesia.

Ainda o Theatro Circo

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Número redondos, o Theatro Circo acolheu 52.000 visitantes ao longo do último ano. Não há qualquer dúvida, porque não pode haver, de que o Theatro Circo é um excelente catalizador da cultura bracarense e minhota.

No entanto, o desconhecimento prévio das metas que se pretendiam atingir impede qualquer análise séria e objectiva do resultado apresentado. Aguardamos, portanto, a divulgação das metas para 2008.

[Fotografia de Pedro Guimarães]

A UEFA aqui tão longe...

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A Federação Portuguesa de Futebol confirmou a retirada de 6 pontos ao Belenenses pela utilização irregular de Meyong, afastando quase definitivamente o clube lisboeta da qualificação para as competições europeias.

Apesar da decisão fazer cair o Belenenses para a oitava posição, o Sporting de Braga pouco virá a beneficiar. Obrigado a facturar mais 4 pontos que o Marítimo em apenas 2 jogos, é mais que certo que Portugal terá menos um cabeça de série na próxima edição da Taça UEFA.

Avenida MarginalAos poucos

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Durante muitos séculos a crença num Deus criador foi comum. Aliás, foi não só comum como racionalmente plausível. Porque havia factos a explicar e porque o criacionismo bíblico apresentava-se como a única teoria capaz de o fazer. Claro que havia a concorrência das outras religiões, mas o argumento da heresia era particularmente convicente nesses casos. O argumento da fogueira também não tinha maus resultados.

David Hume atacou de forma incisiva os principais argumentos a favor da tradicional concepção de um Deus criador. Mas faltava-lhe o fundamental: uma explicação alternativa capaz de rivalizar com a hipótese cristã e que pudesse ser pesada na balança dos factos. Por isso, o máximo a que intelectualmente se sentiu obrigado foi a suspensão do juízo em matéria de criação divina. Faltava qualquer coisa que permitisse saltar do tradicional «não sei se a criação foi feita em seis dias» para o actual «mas tu bebes ou quê?».

A revolução veio com Darwin. A explicação que Darwin propôs era simples mas extraordinariamente fecunda. Desde então, deixaram de ser necessários artifícios sobrenaturais para explicar a criação. A hipótese darwinista explicava tudo o que a hipótese bíblica explicava, mas de uma forma muito mais elegante e sem precisar de postular entidades desnecessárias. Era curto e apelativo.

Hoje parecem ridículas as teses bíblicas da criação em seis dias. Posturas como as de Jónatas Machado, que esta semana defendeu o criacionismo em Braga, são praticamente impossíveis de encontrar. O edifício ruiu por dentro. A Igreja adaptou-se e os teológos reviram a hermenêutica. A teologia agilizou-se e tornou-se mais fácil ver metáforas e conotações onde antes havia apenas uma verdade pura e dura. Os tempos mudaram a Igreja fez um lifting. Foi o preço a pagar pela fidelidade dos fiéis em fuga.

Claro que foi um processo gradual. Primeiro aceitou-se que a explicação darwinista era correcta, mas que o processo de selecção natural exigia a mão divina. Depois a mão divina mudou de hospedeiro: era na origem das primeiras formas de vida que residia o toque de Deus. A biologia mostrou que nem para isso era necessário um Deus. E ele conformou-se. Foi aos poucos.

Actualmente, é difícil encontrá-lo. Já não está na criação dos homens nem na sua evolução. Já não está na origem da vida nem na criação dos planetas. Já nem está na Ética. Tem recuado aos poucos, para os únicos lugares que nunca serão perscrutados: para os confins do Universo e para os corações dos fiéis. Os únicos em que nenhum cientista alguma vez poderá entrar para ver se está lá alguém. É o mais sensato. E o mais seguro. Ninguém quer perder o amigo invisível.

O Eléctrico de Barcelona

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O Criacionismo

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«Em suma, a argumentação criacionista descredibiliza-se a si mesma e, pior que isso, descredibiliza o cristianismo, oferecendo alegremente aos seus críticos muitas das armas com que actualmente acreditam conduzir uma guerra conclusiva contra a religião em geral, e contra o cristianismo em particular quando, de facto, apenas combatem contra um moinho de vento.»
[Alfredo Dinis, SJ]


Da leitura deste interessante comentário do jesuíta Alfredo Dinis fica a ideia de que o abandono do criacionismo pelos sectores mais esclarecidos da Igreja Católica pode ser meramente estratégico. Na realidade, a defesa da teoria do criacionismo, sustentada durante séculos pela Igreja Católica como a única explicação aceitável e plausível para a origem da vida, está a tornar-se absolutamente insuportável e, pior do que isso, o patrocínio cego de princípios contrariados por toda a racionalidade e razoabilidade científicas continua a abrir brechas significativas na catequese católica, tornando ainda mais vulneráveis os incipientes fundamentos da fé.

No mesmo texto, Alfredo Dinis escreve que «seria bom não identificar o combate contra este terrível equívoco [do criacionismo] com uma crítica inteligente e informada da religião em geral e do cristianismo em particular.» Mas, na verdade, a crítica inteligente e informada da religião não pode ignorar o facto de existir uma teoria, defendida como dogma durante séculos, que se vai desmoronando às mãos da razão e do conhecimento científico. É que, essa teoria que vai sucumbindo, é tão solidamente fundamentada como as outras: do aborto à homossexualidade e da insolubilidade do casamento à demonização da clonagem terapêutica.

Ainda que este assumir de erros seculares seja positivo, convém não esquecer que apedrejados na Nigéria, enforcados no Irão ou impedidos de conhecer novas formas de tratamento na Europa, hoje, tal como no passado, ainda há quem sucumba injustamente às mãos das certezas absolutas da fé.

Abril Visto de Fora

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«Porque eles calam mas tu não!»

Este foi um Abril chuvoso em que o sol, tal como em mil novecentos e setenta e quatro, raiou ao vigésimo quinto dia. Aproveitei-o para passear à beira mar e, ainda que o politicamente correcto convidasse a um subtil esquecimento, não passo ao lado do Abril que vai ficando por se cumprir.

Nesta Grândola que é mais utopia que espaço de civitas, não há cravo que amenize a tristeza de se continuar a fazer da ignorância panaceia para a conquista do voto popular. Levam-nos o fruto do trabalho, qual sangria, e dele fazem sustento para um Estado ineficiente que os paga com salários de ouro e reformas de diamante.

A banda sonora não ajuda. Enquanto cantamos, com cega convicção, que «o povo é quem mais ordena», venderam a ágora, a nossa ágora de sempre, e o que não pagamos ao Estado temos em débito aos oligarcas do cimento. Da estrada à água, da saúde à educação, da natureza à diversão, pagamos o nosso em impostos e o dos outros em subsídios de duvidosa fiscalização.

Não há fraternidade que resista nesta terra que perpetua legislativamente o preconceito infundado e o moralismo bafiento. O Estado é «regulador» do que como e do que bebo, escolhe a cama em que me deito e com quem me posso nela deitar. Mas o preconceito é sagrado, porque benzido.

Tenho para mim que Abril é, obviamente, melhor que isto. Mas hoje, tal como ontem, ainda há demasiada gente a calar...

O Eléctrico de Bilbau

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BES Photo: Bracarense Miguel Soares Vence 4ª Edição

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O bracarense Miguel Soares foi o vencedor da 4ª Edição do BES Photo, um dos mais prestigiantes prémios nacionais de arte contemporânea A iniciativa é promovida em parceria pelo Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo. Eis a história de um bracarense de sucesso que nunca expôs em Braga...

BIOGRAFIA
«Miguel Soares nasceu em Braga a 5 de Julho de 1970. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou fotografia no Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa, em 1989, altura em que começou a expor fotografia, e daí até 1995 graduou-se em Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Foi artista residente em Nova Iorque, entre 2003 e 2004. Durante esse periodo começou também a produzir objectos escultóricos e instalações por vezes com recurso a luz, som, vídeo e movimento.

Expôs individualmente em 2007 no Museu da Electricidade e na Galeria Graça Brandão, Lisboa. Já este ano, Miguel Soares expôs na Universidade de Coimbra.

Presentemente, Miguel Soares é professor convidado da Universidade do Algarve (Faro), leccionando a cadeira de Vídeo e Imagem Digital. No trabalho de Miguel Soares podemos identificar certos elementos, como uma reflexão sobre o real e uma análise dos mecanismos que regulam e determinam a percepção. Por exemplo, na sua nova série "Planets" (2008), o artista recorre à fotografia convencional para gerar uma série de ilusões que vão sendo desvendadas à medida que vamos percorrendo as imagens...

"A nossa vontade de aceitar a ilusão, mesmo em casos inverosímeis e tecnicamente imperfeitos, a chamada teoria da "Suspension of Disbelief" interessa-me imenso. Há coisas que víamos há vinte anos atrás e pareciam altamente verosímeis e realistas e que hoje em dia parecem muito mal feitas."»

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[agradecimento especial ao Bruno Gonçalves pelas preciosas informações que me fez chegar sobre Miguel Soares e o BES Photo]

Cartão de Visita

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É assim a entrada de Braga...
[mais no abnoxio]
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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