«O Tribunal europeu dos direitos do homem condenou hoje Portugal por ter proibido, em 2004, a entrada nas suas águas territoriais de um barco fretado por organizações favoráveis à despenalização do aborto.» [Público]
Europa, Felizmente!
Braga é, Mais Coisa Menos Coisa, Isto...
Ricardo Vasconcelos, o chefe de redacção do Correio do Minho, ficou horrorizado com a programação erótica que a SIC escolheu para a noite de ano novo. O jornalista confessa que «o trabalho que a Miss [Liliana Queirós] fez para a Playboy há cerca de um ano» foi «algo nunca antes visto», chegando mesmo a comparar a blasfémia sensual da SIC às bombas que Israel lançou sobre os Palestinianos: «E, tal como em Gaza, valeu quase tudo, mesmo transmitir um programa erótico pouco depois da meia-noite.»
A resposta ao azedume moralizador de Ricardo Vasconcelos chegou, imagine-se, pelo Diário do Minho, o jornal da Diocese. «Suprema ironia, na capa da edição da tomada de posição obtusa, o jornal que diariamente publicita prostituição ostentava uma foto de página inteira de uma modelo completamente nua, ao melhor estilo das suas edições diárias», assim escreveu o sempre acutilante Joaquim Martins Fernandes.
À missiva de Martins Fernandes, respondeu Vasconcelos com uma homilia digna de calma leitura e ainda mais lenta digestão. Confessando-se ex-seminarista, deixa escapar que os valores que defende para a sua vida podem não corresponder aos que o Correio do Minho apresenta na linha editorial da qual ele mesmo, o próprio, é chefe de redacção. A pérola, contudo, estava guardada para o remate final: «não sendo eu ninguém para julgar os comportamentos dos outros, a justiça de Deus será feita.» Resta saber como...
O assunto assim contado parece digno de filme de comédia, mas o retrato é trágico e fiel da beatice da cidade. Aos que não salivam nem querem deixar salivar com a sensualidade de Liliana Queirós, convirá lembrar as sábias palavras de Sophia de Mello Breyner Andressen:
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas.
Contra Factos, Não Há Argumentos
25% dos golos sofridos pelo Sporting de Braga na presente edição da Liga Sagres foram obtidos de forma irregular.
A Democracia de Joelhos
«A missa das 11 horas ainda não tinha acabado quando o autarca, de cima do púlpito, foi ovacionado por centenas de fiéis, que se rejubilaram com o facto de Menezes ainda ter prometido a construção de casas mortuárias na freguesia dos Carvalhos (um projecto a rondar os 250 mil euros).» [JN]
A laicidade do Estado é uma das maiores anedotas do Portugal democrático. A política subterrânea que se faz à custa da iliteracia política de alguns crentes e a complacência com que padres e bispos aceitam comícios nas celebrações religiosas são espectáculos profundamente emetizantes. Ainda a procissão vai no adro e já se multiplicam os casos de padres que fazem comícios e de comícios que se fazem nas missas. O ano eleitoral de 2009 promete...
Autárquicas 2009: Braga a Aquecer
Na sequência das polémicas de arbitragem que têm assolado o futebol nacional e que colocaram Mesquita Machado no centro de uma eleitoralmente muito conveniente guerra contra a Comissão de Arbitragem, Ricardo Rio propôs que o executivo municipal aprovasse uma moção a condenar a inverdade desportiva. O texto foi rejeitado pela maioria socialista.
O PS diz que «as intervenções da oposição sobre esta matéria "põem mais ênfase no ataque ao presidente da Câmara do que na expressão de solidariedade». Contudo, o texto está limpo de qualquer ataque ao executivo de Mesquita Machado, ficando a ideia de que a moção foi rejeitada pelo simples facto de haver sido apresentada pela oposição, uma postura que nada contribui para a qualidade da nossa democracia.
Também incompreensíveis, são as palavras de Alex Prata no blogue Geração Braga 2009, ao perguntar «porquê €440,000 para o S. C. Braga e zero para os restantes?», referindo-se aos apoios que foram concedidos pela autarquia bracarense ao «programa de desenvolvimento desportivo que o Sporting Clube de Braga está a desenvolver na presente temporada».
Registe-se que os restantes clubes não recebem zero euros, mas valores que variam conforme a sua dimensão, o número de atletas em formação e as competições que disputam. Ainda bem recentemente foram anunciados apoios ao Hóquei Clube de Braga e ao ABC de Braga. Por outro lado, se se acredita que a Câmara Municipal deve delegar algumas das suas competências na sociedade civil, então o Sporting de Braga parece ser um agente natural e privilegiado na promoção da actividade desportiva e na formação de atletas.
Em jeito de conclusão, o que se deseja é que haja mais amor a Braga e ao Braga e menos estratégia política. Penso que ninguém duvida que Mesquita Machado concorda integralmente com o conteúdo desta moção que, aliás, subscrevo na íntegra.
O PS diz que «as intervenções da oposição sobre esta matéria "põem mais ênfase no ataque ao presidente da Câmara do que na expressão de solidariedade». Contudo, o texto está limpo de qualquer ataque ao executivo de Mesquita Machado, ficando a ideia de que a moção foi rejeitada pelo simples facto de haver sido apresentada pela oposição, uma postura que nada contribui para a qualidade da nossa democracia.
Também incompreensíveis, são as palavras de Alex Prata no blogue Geração Braga 2009, ao perguntar «porquê €440,000 para o S. C. Braga e zero para os restantes?», referindo-se aos apoios que foram concedidos pela autarquia bracarense ao «programa de desenvolvimento desportivo que o Sporting Clube de Braga está a desenvolver na presente temporada».
Registe-se que os restantes clubes não recebem zero euros, mas valores que variam conforme a sua dimensão, o número de atletas em formação e as competições que disputam. Ainda bem recentemente foram anunciados apoios ao Hóquei Clube de Braga e ao ABC de Braga. Por outro lado, se se acredita que a Câmara Municipal deve delegar algumas das suas competências na sociedade civil, então o Sporting de Braga parece ser um agente natural e privilegiado na promoção da actividade desportiva e na formação de atletas.
Em jeito de conclusão, o que se deseja é que haja mais amor a Braga e ao Braga e menos estratégia política. Penso que ninguém duvida que Mesquita Machado concorda integralmente com o conteúdo desta moção que, aliás, subscrevo na íntegra.
Salva
© Miguel Leite Pereira
«O ministro do Ambiente, Nunes Correia, garantiu ontem, em Vila Real, que a cascata das Fisgas de Ermelo não vai ser afectada com a construção das barragens do Alto Tâmega.» [Diário de Notícias]
A oferta do ministro, em salvar a maior queda de água do País, não amortiza a impressão abominável do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico no Vale do Tâmega - rio, que na prática, vai deixar de o ser. E com a discussão pública do impacto ambiental agendada para breve, nunca é tarde, nem demasiado, insistir na subscrição da petição on-line contra as barragens, do qual sou um dos signatários.
Avenida do Nosso Umbigo
Há uns dias, Pedro Correia, do Corta-Fitas, esteve na Antena 1 onde, entre outras coisas, mencionou diversos blogues que gosta de ler, «como o Arrastão, o Blasfémias e o Portugal dos Pequeninos, sem esquecer os melhores de âmbito regional, como a Avenida Central ou a Praça da República». Também na Antena 1, o Vitor Pimenta foi lido pelo Pedro Rolo Duarte, a propósito do texto sobre Obama nas Alturas. Deixo também uma nota de agradecimento para a simpática referência de Paulo Gorjão.
Com 35.460 visualizações de páginas, 23.614 visitas e mais de 1.100 leitores diários, Janeiro foi o mês em que o blogue Avenida Central bateu todos os recordes da sua história.
A todos, o nosso muito obrigado.
Com 35.460 visualizações de páginas, 23.614 visitas e mais de 1.100 leitores diários, Janeiro foi o mês em que o blogue Avenida Central bateu todos os recordes da sua história.
A todos, o nosso muito obrigado.
Acontece no Minho [18]
© Paer Kjellén
Para terminar a semana, depois de algumas sugestões perdidas, ficam os espectáculos de hoje no Centro Cultural Vila Flor e no Theatro Circo, em Guimarães e Braga, respectivamente.
Amor de Perdição (ópera)
[Sábado, Janeiro 31, 22h. Grande Auditório, CC Vila Flor, Guimarães. €15 a €10]
Um século depois da sua estreia, “Amor de Perdição” volta a estar em cena. Considerada a ópera mais representativa do período romântico português, esta obra ombreia musical e estilisticamente com a grandiosidade da escrita de G. Puccini (1858-1924) e J. Massenet (1842-1912). “Amor de Perdição”, de João Arroyo, é uma ópera em três actos, com libreto de Francisco Bernardo Braga. Baseada no romance homónimo de Camilo de Castelo Branco, escrito em 1861, a obra lírica reconstitui a história de amor proibido que deixou um marco na literatura portuguesa. (ccvf)
Sir Richard Bishop (música)
[Sábado, Janeiro 31, 21h30. Sala Principal, Theatro Circo, Braga. €10]
Elemento fundador dos históricos Sun City Girls, Bishop merece todas as salas cheias do mundo. Existirão pouco músicos tão generosos, virtuosos, livres e universalizantes a pisar palcos hoje em dia como ele. Um verdadeiro mestre contemporâneo. (theatrocirco)
Ano Internacional da Astronomia
© rgdaniel
Com um concerto e uma conferência da Professora Teresa Lago na Casa da Música do Porto, a comunidade astronómica portuguesa assinala hoje o arranque oficial do Ano Internacional da Astronomia 2009. Em Braga, a Orion (Sociedade Científica de Astronomia do Minho) promove uma conversa informal sobre o Ano Internacional da Astronomia. A iniciativa começa às 22 horas, na FNAC.
Braga e o Comboio de Alta Velocidade (TGV)
Está desfeito o mistério sobre o canal que vai ser utilizado para a linha de alta velocidade na cidade de Braga. Segundo os planos divulgados pelo Governo, a alta velocidade utilizará o canal actualmente existente até Aveleda, onde desvia para Norte em direcção a Gondizalves e Semelhe. Assim, a nova estação ferroviária de Braga deverá localizar-se no extremo oeste da cidade, entre as freguesias de Ferreiros e Aveleda.
Ainda a Lei do Divórico
Num evidente compasso com as posições da hierarquia da Igreja Católica, Cavaco Silva prossegue a campanha de diabolização da nova lei do divórcio. Ao falar em Fátima diante de uma plateia repleta de activistas católicos, o Presidente da República disse «temer que a nova lei do divórcio leve ao aumento do número de “novos pobres”». Apesar das preocupações do Presidente, não creio que a deterioração das relações afectivas que fundeiam o casamento civil esteja dependente das normas jurídicas que enquadram o divórcio.
A ler: Antes de se divorciar, olhe lá outra vez para o extracto bancário, por Pedro Sales; Fixação Presidencial, por Vital Moreira.
A ler: Antes de se divorciar, olhe lá outra vez para o extracto bancário, por Pedro Sales; Fixação Presidencial, por Vital Moreira.
Carga de Trabalhos
Para contrariar as notícias dos últimos dias, em que grandes empresas anunciaram cessar milhares de postos de trabalho, a (possível) futura emissora de televisão (digital) generalista portuguesa, que ainda nem sequer sabe se ganha o concurso de emissão em sinal aberto, já começou a recrutar pessoal para "cerca de 330 postos de trabalho directos com contratos sem termo". (via)
Think Pong
Os irmãos Silva convidam Luísa Teresa Ribeiro e Luís Soares para uma conversa sobre "Blogues - Espaços de (Des)Informação", que terá lugar amanhã pelas 15 horas no Centro de Artes e Espectáculos São Mamede, em Guimarães.
Capítulo 27: do assobio
Quando há uma semana li o Rui Tavares chamar ao Andrew Bird "o meu génio vivo preferido", roí-me de inveja. Era mesmo isso, porque é que não me lembrei antes? E andava eu há um mês a pensar em palavras que escrevessem uma justa homenagem ao Noble Beast, o novo álbum do senhor pássaro.
Bird é como um sofisticado homem dos sete instrumentos, manobrando violono, guitarra, glockenspiel e assobio - e que assobio! - à cadência de pés calçados de meias-riscas. E os concertos são isso mesmo: à vez, instrumento a instrumento, para no fim soarem todos em conjunto, em músicas que nunca são iguais e que não terminam em si mesmas.
Estará na harmonia, no equilíbrio, na melodia; estará também na fina ironia, na poesia. O segredo deste álbum estará algures por aí mas vai muito mais além: é uma obra-prima e cresce com o tempo. Para mim, é já o melhor da discografia do senhor e, no primeiro mês do ano, é já o melhor de 2009; no fim logo se vê.
As ideias que vos deixo para esta semana de chuva são as das bonitas composições cromáticas nas paisagens de Noble Beast. Boas audições!
Havia de Vir-se Outro Salazar
A SIC prepara-se para exibir (será mesmo esse o termo adequado) uma mini-série sobre a vida sexual do ditador que caiu da cadeira, baseado no livro da Felícia Cabrita - mulher com interesses estranhos no que toca ao romper de meias-solas da classe política portuguesa. O papel de Presidente de Conselho foi entregue a Diogo Morgado (nada contra o fundador do blog, tudo pelo blog), crónico e mais-que-agastado actor do quadro de Carnaxide, desde que se andou a lambuzar, ainda pós-púbere, com a professora Teresa.
A receita deverá ser a mesma do Crime do Padre Amaro: um rapagão vestido em tons de preto/cinzento-escuro, com o desígnio de Deus, os seus dilemas morais e cheinho do charme (com) que o poder encerra - ou melhor - abre as pernas à Soraia Chaves. A ela, calha-lhe um Salazar relativamente bem-parecido e com abdominais definidos. Às outras, da vida real (vila real, como eu dizia quando era garoto), calhou-lhes um de mofo...
Mas enfim, em contexto de crise, de amuo com a Democracia e com o país, sem um bode expiatório que valha, nada como trazer à memória e criar expectativas com saudades do tempo em que o austero professor Oliveira Salazar, de Santa Comba Dão e tez beata, mantinha o país endireitado pela espinha - que nem se mexia-, e por outro lado era sedutor(?) e mulherengo como um português de raça deve ser, com o seu pau de rapadura (do mesmo nome), e não como estes maricas e intrometidos de agora...
A receita deverá ser a mesma do Crime do Padre Amaro: um rapagão vestido em tons de preto/cinzento-escuro, com o desígnio de Deus, os seus dilemas morais e cheinho do charme (com) que o poder encerra - ou melhor - abre as pernas à Soraia Chaves. A ela, calha-lhe um Salazar relativamente bem-parecido e com abdominais definidos. Às outras, da vida real (vila real, como eu dizia quando era garoto), calhou-lhes um de mofo...
Mas enfim, em contexto de crise, de amuo com a Democracia e com o país, sem um bode expiatório que valha, nada como trazer à memória e criar expectativas com saudades do tempo em que o austero professor Oliveira Salazar, de Santa Comba Dão e tez beata, mantinha o país endireitado pela espinha - que nem se mexia-, e por outro lado era sedutor(?) e mulherengo como um português de raça deve ser, com o seu pau de rapadura (do mesmo nome), e não como estes maricas e intrometidos de agora...
Trabalhar Mal
O condutor encosta a traseira do camião ao sítio do passeio mais recomendável para a realização do trabalho que há para fazer. Depois, os três homens da empresa transportadora de Valongo envolvem-se em demoradas manobras para fazer descer para o passeio um enorme e pesado objecto. O destinatário é um supermercado. O objecto, percebe-se depois, é um daqueles expositores frigoríficos que servirá para a colocação de, por exemplo, queijo, iogurtes e coisas do género. Os três homens vão movendo, a custo, o objecto, tentando encontrar um modo de o colocar na rampa elevatória do camião. O tamanho do expositor, terão julgado estes homens, torna o trabalho difícil. Mais do que difícil: impossível, constataria facilmente qualquer pessoa que reparasse na cena. Esforçados, os homens não desistem. Bastante tempo depois de as operações se terem iniciado, o expositor tomba sobre um dos homens. As pessoas que observaram o que se passou gritam. Muita gente acorre, subitamente, de todos os lados para levantar o objecto ainda mais pesado do que parecia. Um milagre fez com que o trabalhador tivesse encaixado na parte do expositor em que se colocam as prateleiras. Não ficou, por isso, esmagado. Nem ele nem qualquer uma das inúmeras pessoas que constantemente passavam junto ao camião com a traseira colocada em cima deste passeio bracarense.
Há, todos os dias, milagres assim. Entre nós, trabalha-se, demasiadas vezes, muito. Muito, mas mal, muito mal. De forma desleixada ou incompetente. Colocando em risco vidas que apenas por milagre se salvam.
Há, todos os dias, milagres assim. Entre nós, trabalha-se, demasiadas vezes, muito. Muito, mas mal, muito mal. De forma desleixada ou incompetente. Colocando em risco vidas que apenas por milagre se salvam.
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