Avenida Central

A Inteligência

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Via Garatuja.

Autárquicas nas Terras de Basto

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Numa eleição que se previa disputada a 3 para a Câmara de Mondim de Basto (Vila Real), o tiro que candidato socialista António Cunha disparou sobre o marido da presidente da Junta de Ermelo fez mais mossa no PSD que no PS. Verdade é que ainda com esta desgraçada freguesia por apurar, torna-se quase certa a vitória do Partido Socialista de Humberto Cerqueira, que elegeu já dois vereadores e tem de momento 517 votos de avanço sobre o CDS (2º) que conta com 1 vereador eleito, assim como o PSD. Com um mandato ainda por atribuir, e nas actuais circunstâncias, é bem mais provável este que se torne segundo dos centristas do que o terceiro dos socialistas ou o segundo do sociais-democratas.

Mas nem só de tiros certeiros se faz a democracia nas Terras de Basto. O agora socialista concelho de Mondim faz par com Cabeceiras de Basto, bastião rijo do PS de Joaquim Barreto, também ele presidente da distrital socialista de Braga. Na pequena freguesia de Passos, encaixada nos vales encostados à serra de Fafe, os disparos que chamaram por várias vezes a GNR aos lugarejos na consoada das eleições, não se sabendo se para defender algum baldio ou lavoura, não dissuadiram as poucas dezenas de eleitores de entregar ao PS a presidência perdida em 2005 para o PSD. Em serviços mínimos, os sociais-democratas coligados com o CDS-PP, sem comícios ou sessões de esclarecimento, desaguaram no pior resultado de sempre da direita para a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto: 25,3% e 2 mandatos contra os 68,6% e 5 mandatos do Partido Socialista. O PS domina agora as presidencias 14 das 17 juntas de freguesia.

Em Celorico de Basto, Joaquim Mota e Silva sucede ao pai. Num país em que o voto no PS estava a saldos, o incómodo de uma sucessão dinástica não chegou para os socialistas - que até tiveram um resultado motivador nas legislativas - baterem o PSD na terra do pregador Marcelo. Fica a sensação que a candidatura de Lopes Machado não ganhou nada com o caso "encomendado" ao Jornal O Basto, que por algum motivo teve uma tiragem extraordinária no último número. Pior ainda, quando José Diogo Quintela ridicularizou um dos cartazes apinhados de gente que a candidatura socialista tinha espalhado pelo concelho.

Em Ribeira de Pena (Vila Real), a coligação PSD/CDS de Agostinho Pinto saiu reforçada com mais de 62% dos votos e uma diferença de mais de 1500 votos ao PS que também perde as duas juntas de freguesia que detinha, Santa Marinha e Cerva, para a coligação que este ano atingiu o pleno.

Umbigo

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A Região de Basto conseguiu 2 deputados pelo círculo de Braga: Isabel Coutinho pelo PS e Altino Lemos Bessa pelo CDS-PP.

Marcha Tipo 80

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t80
© Dario Silva, 22-09-09

Aos mesmos 54 km que separam Porto Campanhã de Braga, um comboio de via métrica desce de Manresa em direcção a Barcelona. É um comboio "regional" no sentido em que é sustentado pelo governo autonómico da Catalunha (cujo feriado comemorativo aconteceu ontem).

A FGC gere 183 km de vias, 74 estações, 85 comboios dos quais oito são locomotivas para serviço de mercadorias e 187 vagões. Em 2007, transportou 79 milhões de passageiros (acompanhando uma clara tendência de subida), quase metade do tráfego da CP.

Esta rede regional de via estreita, a que se junta a FEVE (a maior rede métrica da Europa) entre outras, utiliza maioritariamente carril de 54 kg/m (como os bons carris da Linha do Douro e Minho e, anteriormente, Braga), cantonamento automático, travessas de betão monobloco (como as da nossa Linha do Norte, apenas mais pequenas) e comboios eléctricos.

Também transportam bicicletas (dentro dos comboios) que circulam em "marcha tipo oitenta", 80 km/h.

O Tâmega

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Imagens raras, senão mesmo únicas, da Linha do Tâmega em 1976 e 1986, recolhidas por Bob Lennox Docherty. A Linha do Tâmega é a expressão viva (morta?) do que nós, portugueses, somos ou fomos, capazes de não-fazer. Na sua totalidade, esta via férrea percorreu quase 52 km nas margens do rio Tâmega, unindo a Livração-Caldas de Canavezes (Linha do Douro) ao Arco de Baúlhe, passando também por Amarante, Mondim de Basto (ainda que na margem oposta) e Celorico de Basto. A Cabeceiras de Basto nunca viria a chegar nem nunca se ligaria à Linha de Guimarães, vinda de Fafe, nem subiria nunca a Ribeira de Pena e à Linha do Corgo (em Vila Pouca de Aguiar ou Vidago). Foi a via férrea portuguesa que mais tempo demorou a ser construída: depois de longos anos de intenções, chegou a Amarante em março de 1909, a Celorico em 1932 e ao seu terminus provisório, Arco de Baúlhe, em 1949. Quarenta anos para 52 quilómetros. E foi também a via férrea portuguesa que resistiu menos tempos ao ares da modernidade: em 1990 o troço Amarante-Arco viu partir os últimos comboios.

Três dias depois do seu centenário, o troço sobejante foi temporariamente encerrado por alegadas razões de segurança. A montante de Amarante, todo o canal ferroviário será transformado numa pista para bicicletas que há-de chegar ao Arco, dizem. Quanto aos antigos projectos de expansão da Linha do Tâmega, a ligação a Fafe e a Espanha por Chaves faz-se agora a bordo de duas auto-estradas, a A7 e A24, a primeira paga a peso de ouro e a segunda "gratuita".

Dá Deus NUT's a Quem Não tem Dentes

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Vale do Tâmega/Sra da Graça
© samura

A redefinição das Comunidades Intermunicipais (CIM) para organizar o aprontamento das bocas perante a postura da galinha dos ovos do QREN dá origem a engraçados mapas. Fenómeno caricato tal, e não só no litoral minhoto, que não tendo congruência com a realidade e as sinergias entre as populações dos concelhos que as integram, dizem mais do oportuno relacionamento "pessoal e institucional "entre autarcas.

Se não vejamos. A CIM do Ave, arranjou um inesperado membro em Mondim de Basto, concelho encostado a Vila Real e do mesmo distrito, porque a boa relação entre os edis de Cabeceiras de Basto e Mondim assim o ditou. Foi como um convite para a sueca. Por outro lado, e talvez para não se ter de sentar à mesa com tais personagens, o presidente da Câmara de Celorico de Basto deixou-se ficar na tainada do Tâmega com a gente interessante de Amarante, Baião ou de Marco de Canaveses, e isto apesar de muita de população do seu concelho fazer vida e negócio com muitos dos concelhos do Ave. Já Ribeira de Pena então, para não se sentir um enclave com a debandada, delegou-se para a CIM de Alto Trás-os-Montes.

O trágico é que com o capricho e o oportunismo das circunstâncias, a Região de Basto perdeu uma ocasião única (definida até por defeito) para ter os 4 concelhos que a compõe unidos num mesmo espaço administrativo - fosse do Ave ou do Tâmega - e sentados à mesma mesa. Tal desígnio potenciaria a Região de Basto como um pólo de influência e como Marca forte no mercado competitivo do sector primário ou do Turismo. Sem isso, ficam os empreendedores órfãos e os consumidores confusos.

Já o parecia antes, mas nunca como agora dizer-se de Basto teve tanto de romântico como dizer-se da Galécia ou do Al-Andaluz. Temos pena...

A Esmola é Grande

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«Em posse da boa-nova oficial, como porta-voz do encontro, Alexandre Chaves disponibilizou aos jornalistas um triunfal: "A linha do Corgo tem 103 anos de vida e temos de fazer uma intervenção estrutural para que ela complete mais 100". Chaves sossegou o povo e garantiu que "o encerramento nunca esteve em causa". Com críticas aos "pessimistas do costume", aqueles que dizem sempre que "quando se começa uma obra é para piorar" perspectivou uma "linha moderna" para o Corgo.» [Jornal de Notícias]

A promessa de que o encerramento do troço que sobrava das duas linhas, Tâmega e Corgo, é temporário veio com o aceno de 40 milhões de euros para modernizar ambas as estruturas. Mas perante tal oferta, os representantes do Governo e Refer estranham que se franza o cenho. A verdade é que não arranjam abono em precedentes.

A linha do Tua fechou também por razões de segurança e está agora com a existência sujeita aos desígnios da arrogante aventura barragista. E isto para não falar do há muito amputado troço da Linha do Tâmega, encerrado poucos dias depois de Cavaco Silva (primeiro-ministro de então) ter prometido em Celorico de Basto que não o faria sem que houvesse uma alternativa rodoviária. A via chegou mal e porcamente apenas até Celorico. Mas se Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto) até têm vias a mais para algumas direcções, Mondim de Basto, por exemplo, está há quase 20 anos pendente, sem estradas ou mobilidade dignas - coisas do umbigo dos outros.

100 Anos e 3 Dias

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Estação da Livração
© J. Lago

A Linha do Tâmega encerra poucos dias depois de soprar um centenário. É o fim de mais um braçal da linha do Douro por mor da política paradoxal do governo na ferrovia. O processo tem ainda a arrogância da falta de aviso prévio - o Governo "socialista" imita de forma mais aguçada e moderna os piores tiques do cavaquismo. Chega a ser salazarista porque ignora, como sempre ignorou, os interesse e a dignidade das pessoas, fria e desumanamente como o Estado Novo afundou Vilarinho das Furnas.

Tenho cada vez mais vergonha desta democracia moribunda, destes políticos de serventia, quais caixeiros-viajantes do status quo económico, de si próprios e da sua nomenclatura. Ainda hoje, o primeiro-ministro foi no seu tom de televenda incentivar à compra de automóveis em prol de uma indústria em falência. Fez o elogio do automóvel, menos democrático, menos cómodo e muito menos seguro que o transporte ferroviário. Estas coisas não acontecem por acaso no mesmo dia.

No próximo fim-de-semana, se não caio em erro, é inaugurado mais um broto do delírio rodoviário português: uma escusada variante de 20 milhões de euros a Arco de Baúlhe, com um seu caprichoso e absurdo viaduto, para o gáudio e o colarinho, os vivas ao discurso acicatado - o viagra que mantém de pé a santidade local, em adiantado estado de putrefacção de regime. Quando não nos damos conta do poder que legamos no voto, temos país que merecemos.

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fisgas do ermelo
© Miguel Leite Pereira

«O ministro do Ambiente, Nunes Correia, garantiu ontem, em Vila Real, que a cascata das Fisgas de Ermelo não vai ser afectada com a construção das barragens do Alto Tâmega.» [Diário de Notícias]

A oferta do ministro, em salvar a maior queda de água do País, não amortiza a impressão abominável do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico no Vale do Tâmega - rio, que na prática, vai deixar de o ser. E com a discussão pública do impacto ambiental agendada para breve, nunca é tarde, nem demasiado, insistir na subscrição da petição on-line contra as barragens, do qual sou um dos signatários.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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