A Prostituição Não Existe!
Em Portugal, a prostituição não existe. Habituados à hipocrisia bafienta, vamos lidando com a tradicional displicência com um assunto que é de saúde e segurança públicas.
Em Guimarães, os moradores da Colina Sagrada revoltaram-se contra uma actividade legalmente inexistente, ameaçando dar porrada a quem se prostituir naquela zona. De qualquer modo, as gajas até se toleram. «O que está a causar a fúria dos moradores é a proliferação da prostituição masculina no circuito das Ruas D. Mafalda, D. Urraca e João Xavier de Carvalho.» [via]
Triste país.
Em Guimarães, os moradores da Colina Sagrada revoltaram-se contra uma actividade legalmente inexistente, ameaçando dar porrada a quem se prostituir naquela zona. De qualquer modo, as gajas até se toleram. «O que está a causar a fúria dos moradores é a proliferação da prostituição masculina no circuito das Ruas D. Mafalda, D. Urraca e João Xavier de Carvalho.» [via]
Triste país.
Exército não entra no Circo Monárquico
«Todos os grupos parlamentares mandataram o presidente, o socialista Miranda Calha, para expressar ao ministro o repúdio pela participação daquelas unidades do Exército em cerimónias não oficiais, para mais organizadas por correntes monárquicas.» [Sol]
Café Blogue: Urbanismo & Saúde Mental
Correia de Campos Caiu
Vital Moreira diz que é «uma clara vitória da rua, do aparelho do PS e da oposição». João Portugal diz que foi Cavaco Silva quem condicionou a saída. CAA vais mais longe, lembrando que Sócrates «fez o que fez contrafeito, forçado, constrangido, quer pelo Presidente da República quer por Manuel Alegre.» Pedro Marques Lopes concorda e afirma que «esta remodelação mostra que Sócrates está muito preocupado com a ala esquerda do PS.» Pacheco Pereira diz que «é um grande sinal de fraqueza do Primeiro-ministro.»Era inevitável. Esperemos que o SNS não caia também.
[Picture Copyright: 5dias.net]
(re)Blogue (II)
Porque há trabalhos que merecem destaque, recomendo:
Blogosfera Regional, no Arrastão
Crónica do Conflito Brácaro-Vimaranense, no Memórias de Araduca
O Governo e os zecos, no Da Literatura
Caiam na Real, no Corta Fitas
«Não diga generalidades. Dê provas!», no Blasfémias
Blogosfera Regional, no Arrastão
Crónica do Conflito Brácaro-Vimaranense, no Memórias de Araduca
O Governo e os zecos, no Da Literatura
Caiam na Real, no Corta Fitas
«Não diga generalidades. Dê provas!», no Blasfémias
(re)Blogue
A blogosfera tem sido alvo de intensas críticas. Salvo raras excepções, o escárnio denota mais horror ao debate do qualquer objecção substancial à reflexão proporcionada pelos blogues. Muitos dos que alegam não gostar dos blogues, evidenciam uma tortuosa relação com a crítica, habituados que estão a controlar os círculos tradicionais do poder, com todos os vícios que os tempos lhe têm imprimido.
Para nós, que aqui estamos por puro prazer, o blogue não é um fim em si mesmo nem a blogosfera é um movimento endémico. Os blogues são um meio adicional para o exercício de uma cidadania que se quer cada vez mais esclarecida. Faço-o aqui, como poderia fazê-lo em qualquer outro fórum, por uma questão de facilidade e eficácia na prossecução desse objectivo.
Mesmo reconhecendo muitas das suas fragilidades, não me parece polémico afirmar que a blogosfera cristalizou a democratização do debate público, liberalizando a opinião e fazendo ceder o sólido monopólio dos órgãos de comunicação social tradicionais. É por isso que, como bem salienta Pedro Romano, «os media de raízes assentes tendem a olhar os blogues com desconfiança.»
Mas, apesar da desconfiança, a blogosfera vai acentuando a agonia dos que vêem o debate democrático como algo absolutamente emético.
Para nós, que aqui estamos por puro prazer, o blogue não é um fim em si mesmo nem a blogosfera é um movimento endémico. Os blogues são um meio adicional para o exercício de uma cidadania que se quer cada vez mais esclarecida. Faço-o aqui, como poderia fazê-lo em qualquer outro fórum, por uma questão de facilidade e eficácia na prossecução desse objectivo.
Mesmo reconhecendo muitas das suas fragilidades, não me parece polémico afirmar que a blogosfera cristalizou a democratização do debate público, liberalizando a opinião e fazendo ceder o sólido monopólio dos órgãos de comunicação social tradicionais. É por isso que, como bem salienta Pedro Romano, «os media de raízes assentes tendem a olhar os blogues com desconfiança.»
Mas, apesar da desconfiança, a blogosfera vai acentuando a agonia dos que vêem o debate democrático como algo absolutamente emético.
Vozes marginais
Perguntaram-me se os blogues são jornalismo. É um péssimo início de conversa. Dá ideia de uma dicotomia que, na realidade, não existe. Como se a escolha fosse binária. De um lado o jornalismo, do outro lado o resto. Pega-se nas gavetas de ontem, rotula-se o produto e guarda-se com cuidado. E, quando a gaveta não fecha, dá-se um empurrão até a coisa se compor. Mas mais valia mudar de gavetas em vez de andar a partir a mobília.
Os blogues não têm a dimensão institucional do jornalismo. Faltam os filtros, falta o processo de edição. Falta a assinatura em baixo da peça, muitas vezes. Se é isto o jornalismo, os blogues não são jornalismo. Mas é duvidoso que seja esse o sentido que normalmente se dá à pergunta. That’s not the point. A questão é se, como os media tradicionais, os blogues informam, apuram e servem ao debate público. É menos uma questão de meios do que uma questão de resultados.
Para a informação ainda falta um bocadinho, até porque é difícil ter um correspondente no Paquistão ou no Quénia a escrever sem salário; mas na discussão a história é outra. Neste ponto, aquilo que afasta os blogues do jornalismo é precisamente aquilo que lhes dá vantagem: a abertura à concorrência. O mercado interno é pequeno, o que limita o universo da comunicação social. Mas um blogue não exige tantos recursos. Antes, quem discordava das vozes habituais contava três opções: ter a sorte de aceder aos microfones oficiais, comer e calar ou fazer um jornal. Hoje é mais simples: cria-se um blogue. Neste mercado de ideias, a sorte e o dinheiro contam cada vez menos.
Nem todos gostam. Os media de raízes assentes tendem a olhar os blogues com desconfiança (embora, claro, haja excepções). É normal. Os blogues apertam a vigilância, apontam as incorrecções, propõem alternativas e quebram o monopólio. Não são jornalismo, nem são ‘o resto’. São as tertúlias de café abertas ao público em noite de entrada livre. São algo diferente a precisar de uma gaveta nova. Claro que se ouvem lamentos. A concorrência externa é frequentemente acompanhada de apelos ao proteccionismo.
A blogosfera também combina um monte de recursos que a tornam um lugar de insulto fácil. A comunicação é rápida, o diálogo está aberto nas caixas de comentários e ninguém tem de assinar o que diz. As calúnias e as imprecisões são os graffitis da blogosfera, mas criticá-la por isso é como criticar uma tertúlia que dá voz a idiotas. Até pode dar, mas só lhes presta atenção quem quer.
Os blogues não têm a dimensão institucional do jornalismo. Faltam os filtros, falta o processo de edição. Falta a assinatura em baixo da peça, muitas vezes. Se é isto o jornalismo, os blogues não são jornalismo. Mas é duvidoso que seja esse o sentido que normalmente se dá à pergunta. That’s not the point. A questão é se, como os media tradicionais, os blogues informam, apuram e servem ao debate público. É menos uma questão de meios do que uma questão de resultados.
Para a informação ainda falta um bocadinho, até porque é difícil ter um correspondente no Paquistão ou no Quénia a escrever sem salário; mas na discussão a história é outra. Neste ponto, aquilo que afasta os blogues do jornalismo é precisamente aquilo que lhes dá vantagem: a abertura à concorrência. O mercado interno é pequeno, o que limita o universo da comunicação social. Mas um blogue não exige tantos recursos. Antes, quem discordava das vozes habituais contava três opções: ter a sorte de aceder aos microfones oficiais, comer e calar ou fazer um jornal. Hoje é mais simples: cria-se um blogue. Neste mercado de ideias, a sorte e o dinheiro contam cada vez menos.
Nem todos gostam. Os media de raízes assentes tendem a olhar os blogues com desconfiança (embora, claro, haja excepções). É normal. Os blogues apertam a vigilância, apontam as incorrecções, propõem alternativas e quebram o monopólio. Não são jornalismo, nem são ‘o resto’. São as tertúlias de café abertas ao público em noite de entrada livre. São algo diferente a precisar de uma gaveta nova. Claro que se ouvem lamentos. A concorrência externa é frequentemente acompanhada de apelos ao proteccionismo.
A blogosfera também combina um monte de recursos que a tornam um lugar de insulto fácil. A comunicação é rápida, o diálogo está aberto nas caixas de comentários e ninguém tem de assinar o que diz. As calúnias e as imprecisões são os graffitis da blogosfera, mas criticá-la por isso é como criticar uma tertúlia que dá voz a idiotas. Até pode dar, mas só lhes presta atenção quem quer.
Rui Rio Regionalista
«O presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), Rui Rio, sustentou hoje que o regime "tem dado sinais preocupantes de alguma ingovernabilidade", defendendo que a regionalização poderá ser um passo importante para contornar a situação.» [Lusa]
Uma Manchete Lamentável
«Presidente do Vitória de Guimarães apela a adeptos para não levarem armas brancas para estádios»
Quem lê o título da notícia do Público fica com a ideia (errada) de que o adepto armado era do Vitória de Guimarães. Os desacatos de ontem, à semelhança do que já acontecera em Braga no jogo da primeira volta, foram motivados pelo comportamento dos adeptos do clube de Lisboa.
Quem lê o título da notícia do Público fica com a ideia (errada) de que o adepto armado era do Vitória de Guimarães. Os desacatos de ontem, à semelhança do que já acontecera em Braga no jogo da primeira volta, foram motivados pelo comportamento dos adeptos do clube de Lisboa.
As Minhas Denúncias são Melhores do que as Tuas!
João Miranda, no Blasfémias, expôs a incoerência discursiva do Governo. O Ministro das Finanças que agora se insurge contra as denúncias "sem apontar nomes" de Marinho Pinto, foi o mesmo que corroborou as denúncias, sem apontar nomes, do Secretário de Estado João Amaral Tomaz. Por que é que os jornalistas nunca estão atentos a estas coisas?
Petição: Braga-Porto em 40 Minutos (II)
A petição que um grupo de cidadãos lançou em defesa do encurtamento do tempo de viagem ferroviária entre Braga e o Porto está gerar uma interessante discussão.
Parece-me óbvio que a existência de algumas viagens mais rápidas não prejudica significativamente as populações das localidades intermédias, beneficiando a maioria dos utilizadores do comboio urbano que liga Braga ao Porto.
Parece-me óbvio que a existência de algumas viagens mais rápidas não prejudica significativamente as populações das localidades intermédias, beneficiando a maioria dos utilizadores do comboio urbano que liga Braga ao Porto.
[Avenida do Mal] A Profilaxia do Medo
Esta semana, veio de Espanha um vento de medo, numa advertência de que por cá se chocavam ovos num ninho terrorista, radicalismo islâmico, em pleno país que não faz mal a uma mosca. De repente, o véu histérico do terror alastrou-se para cá da Raia, e não tendo bombistas madeirenses de fonte segura – que eles gostam mais de largar polémicas, em insultos à República - não houve mochila e saco do Cavalinho que fosse imune a suspeita de engenho armadilhado à Segurança Nacional e ao nosso relaxado pacote turístico. Nem por alturas de PREC, quando o catolicismo reaccionário roçou a jihad. Na paranóia generalizada, as condutas de gás também não deram sossego. Era um país de Fim-de-Mundo por aí abaixo, Gomorra a cheirar a enxofre, um Portugal Ground-Zero, Faixa de Gaza. Alvo do radicalismo islâmico, pelos vistos, talvez com cacilheiros e catamarãs a arrebentar contra as sapatas da 25 de Abril ou o Padrão dos Descobrimentos. Medonho.Não sou teólogo nem pensador de religiões. Tenho a formação do contacto, da leitura ocasional e interessada, da cultura que me foi metida dentro depois de lavada a cabeça de água benta na moleirinha. Desde miúdo me interessa o diverso, o que não há por perto, o estranho, o colorido. Parece absurdo mas cheguei a querer uma mesquita, uma sinagoga e um templo budista que fosse, na vila onde me vinha criando. Um pouco de cosmopolitismo, uma Córdoba entre Minho e Trás-os-Montes, onde o Chamamento do Imã às 6 da manhã me ia aborrecer tanto quanto folclore nos altifalantes na capelinha no ermo, no outro lado do rio. Onde o Hannukah se misturasse com o Natal. Enfim, utopias…
Apesar disso, e finado o salazarismo em nomenclatura, temos um país compulsivamente modernizado, a bem e a mal, a torto e a direito, e secular a toda a força - como deve ser, pois então!- mesmo que às vezes, e na mente de alguns, absurdamente obcecado com isso. Para lá dos terços pendurados nos Hospitais Públicos, um Estado não deve ter fé, que não nos Homens, mas não pode cair no erro do fundamentalismo laico e fazer por negar aos seus cidadãos o direito a Deus, nas suas variadas maneiras. Sem financiar Madrassas nem Catequese, deve incluir nos conteúdos do seu Sistema Educativo, desde cedo, o estudo das religiões e a promoção da diversidade, pelo que de positivo traz, até para a economia do País, mais criativa e de horizontes alargados.
É que, neste mundo de intolerantes, a ignorância é o combustível do medo. E melhor profilaxia ao ambiente de terror é a livre troca de ideias e de conhecimento, que mais que fomentar a tolerância torna-a parte da fisiologia, não se eriçando os pêlos perante um turbante ou uma mitra. Os melhores vigias de um país são os seus cidadãos e sobretudo, quando conhecedores e esclarecidos, embebidos de um espírito aberto, acolhedor, dialogante e solidário, conseguem melhores resultados em Segurança que um quinhão de polícias, soldados e câmaras de filmar juntos. E muito mais barato.
Coisa a ter em conta, desde já, por partidos políticos de índole socializante e secular que, muito se gabando de serem motores de transformação da sociedade, não se deviam limitar a patrocinar viagens de militantes idosos a Fátima e ao Mosteiro da Batalha. Porque não incluir no itinerário a Mesquita de Lisboa, a Sinagoga do Porto, Templos Budistas e o Cinema Império?
É que tal como uma espécie, no contexto darwinista, entendo que uma sociedade deve fazer por ser o mais diversa possível face às adversidades e aos obstáculos de futuro. Portanto, não acredito que sociedades monocórdicas possam ser progressistas e tão pouco se podem impor na História. Portugal não o conseguiu quando deixou de ter judeus e muçulmanos integrados, nas suas virtudes e defeitos. E nestes tempos, o medo não pode ser desculpa. Muito menos na renitência em abrir as ruas e fronteiras a gente de mil formas e formações, com boa-vontade e a querer uma melhor vida por cá. Integrados, até fazem melhor que o SIS. É que o terrorismo tem muitas facetas e motivos no ciclo vicioso, entre eles o ocidental cinismo de pontapear imigrantes de volta para o Magrebe.
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