Avenida Central

Viva a República!

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O Presidente da República, Cavaco Silva, exortou hoje os portugueses a unirem-se em torno dos «grandes ideais republicanos. Ideais que exigem, da parte dos agentes políticos, um esforço acrescido para a concretização da ética republicana e para a transparência na vida pública».

Num momento em que o país se prepara para mais um acto eleitoral, convém realçar que a República se fez da certeza de que não há insubstituíveis e de que a sociedade tem capacidade para gerar alternativas de poder. É por isso que não podemos continuar a olhar com indiferença para aqueles que se eternizam no poder. A ética republicana não nos perdoaria a negligência.

O Rei Vai Murcho | 2

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Rodrigo Moita de Deus escreve um texto para defender a causa monárquica em que mais não faz do que atacar os republicanos, acusando-os de serem anti-monárquicos. Elucidativo.

(In)Coerências de Estado

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«Há quem diga que as congratulações do Presidente da República a propósito de um caso estritamente religioso violam o princípio da laicidade do Estado, mas se Deus interrompeu o livre arbítrio para prestigiar o nosso país, o mínimo que o Presidente pode fazer é mandar a laicidade às malvas para agradecer.» [Ricardo Araújo Pereira, Visão]

O Outro Cavaco

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Cavaco Silva
© Tiago S. Costa

Agora que a crise se tornou pena corrente, Cavaco Silva apela repetidamente à solidariedade dos portugueses, enquanto imita aquela irritante aura de moral à bispo do Porto - ele que me perdoe. A hipocrisia do discurso catarral, depois da obtusa e atrapalhada defesa de Dias Loureiro e dos sucessivos perdões fiscais ao BPN, só se dilui naquele perfilzinho austero a lembrar a alma reencarnada do Presidente de Conselho, na roupa comedida e na pose tesa. E assim se mantém o homem, popular e gourmet, como grelhado nobre no caldo da mediocridade política que nos servem todos os dias.

Bem vistas as coisas, não fosse enxurrada de dinheiro dos 10 anos pós-CEE, que deludiu Portugal em apartamentos e jipes, o seu mandato de primeiro-ministro tinha o dístico de uma tristeza assolapada como a cara dele. Deturpou os papéis do Estado no Mercado e nos serviços públicos, encerrou a ferrovia a torto e a direito, burocratizou, centralizou quando não litoralizou o investimento e deu a estocada final no interior, arruinando equilíbrios para um desenvolvimento sustentado do País.

Mais, se hoje nos agitamos com a falta de ética nas negociatas do Governo, de como se repetem nelas os nomes das mesmas empresas e dos mesmos gestores (alguns deles ex-governantes de ascensão chico-esperta, e outros notáveis benjamins partidários), devemos agradecer a Cavaco Silva a introdução desses guidelines na rotina da governação. Devemos agradecer a Cavaco e aos seus herdeiros políticos, alguns deles que o bom-senso já devia ter arredado há muito dos palcos, a fisiologia de compadrio que ganhou forma em ambos os partidos do meio. A tolerância geral a Cavaco é sintomática do estado de confusão mental do Regime. Não é por acaso que, 3 anos depois da tomada de posse como Chefe de Estado, ainda me dá náusea ver aquele consenso admirado, da esquerda à direita, a esforçar uma interpretação, sempre que sai uma mensagem redundante e anacrónica da boca do Oráculo-presidente.

Braga: Cenas da Vida na Província [2]

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Fato e Gravata
© Projecto BragaTempo

A notícia aqui transcrita ilustra Braga no seu pulsar mais genuíno - do cheiro da sacristia omnipresente nas cerimónias de Estado ao eleitoralismo exorbitante que, em desespero de causa, sempre encontrou nos agentes da Igreja bracarense âncora em porto seguro. Uns e outros vão(-se) alimentando (d)o ópio de um povo sempre disponível para o churrasco dos suínos.

A quem serve esta simbiose? A todos. A Igreja continua a fazer homilia nas cerimónias de um Estado em que as promessas de liberdade religiosa não passam de anedota e Mesquita Machado, insigne membro do Partido que se diz socialista, laico e republicano, continua a sentar-se na cadeira do poder com a mãozinha divina das intervenções propagandistas dos pastores religiosos. Segundo consta, haverá até na oposição quem partilhe do mesmo repasto, eximindo-se, portanto, dos necessários esforços para a inversão do ciclo.

O que sucedeu ontem na Aveleda, brilhantemente descrito por Joaquim Martins Fernandes no Diário do Minho, é um cenário profundamente emetizante, mas a mais rigorosa caricatura da sociedade desta mui nobre e fiel cidade de Braga. Tal como noutros tempos...

Viva a República!

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Proclamação da República

A monarquia é intrinsecamente avessa à meritocracia e, quem acredita no valor do mérito, jamais se pode identificar com o determinismo monárquico que sobrepõe a qualidade do berço ao valor do cérebro.

Ainda assim, a possibilidade de escolher o Presidente nem é das maiores heranças da nossa República. Se pensarmos bem, a separação entre o Estado e as confissões religiosas, a lacidade do Estado, a criação do Registo Civil, a igualdade entre os sexos, o direito universal ao voto e o maior respeito pelos Direito Humanos são algumas das conquistas de uma República cujos primeiros capítulos foram extremamente difíceis. Concedemos que se cometeram erros absolutamente evitáveis, mas convém lembrar que uma revolução é sempre um ruptura com a ordem estabelecida e que não há revoluções inteiramente pacíficas nem convulsões completamente impolutas.

Noventa e oito anos depois, é tempo de se reafirmar a confiança e a esperança na República, implantada a 5 de Outubro de 1910.

Laicos, Mas Pouco

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«Os socialistas afirmam não perceber «como é possível» que a autarquia organize um espectáculo de folclore no dia da peregrinação à Senhora da Fé. Realçando que na peregrinação «participam milhares de vieirenses» e que manda a tradição que a festa decorra durante todo o dia e seja animada por bandas filarmónicas durante a tarde, a secção de Vieira do Minho do PS sugere que só «a falta de organização» dos eventos da Câmara ou a «vontade de esvaziar» a festa religiosa pode justificar que uma autarquia presidida por um sacerdote organize uma actuação de ranchos folclóricos na vila.» [Diário do Minho]

Depois da organização de peregrinações à Nossa Senhora de Fátima, o Partido socialista, laico e republicano continua a surpreender ao indignar-se pelo facto das actividades culturais promovidas pela autarquia de Vieira do Minho, presidida por um padre, poderem retirar clientes a uma peregrinação religiosa. Não admira que Alegre e Soares se sintam desapontados com um Partido Socialista que, além de ser o mais conservador da Europa, ainda renega alguns dos princípios fundamentais que lhe deram origem. Eleitoralismo a quanto obrigas.

Não estamos nos nossos melhores dias...

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«O nosso maoísmo dos dias de hoje é, imagine-se, o glamour da monarquia. Não a inglesa, nem a sueca, nem a do Brunei, o que ainda se percebia, mas a dos Braganças, o que não se percebe de todo. Não, não estamos nos nossos melhores dias...

Numa daquelas reviravoltas que a moda faz à história, sim, que a história é muito de modas, passou-se da versão carbonária à versão ao modo do Senhor Dom Duarte Nuno. Tudo isto a propósito desse bom homem que matámos há cem anos, o Rei D. Carlos, agora o Senhor Dom Carlos, Rei de Portugal. Uma pequena multidão descobriu as maravilhas da monarquia, muda o nome de Ataíde para Athayde, de Rui para Ruy, passeia o seu blaser nos grandes escritórios de qualquer coisa burocrática que eles acham que não é burocrática, negócios, auditoria, advocacia, aconselhamento fiscal, project finance, com o emblema da Causa Monárquica na lapela, dobrando a voz todas as vezes que diz Senhor, como em Senhor Dom Carlos, indo a missas para esconjurar os jacobinos e os carbonários, convencidos de que os regicídas eram a encarnação da Al-Qaeda da época e que Portugal seria um grande país caso não houvesse aqueles tiros junto ao Tejo.» [JPP, Abrupto]

Exército não entra no Circo Monárquico

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«Todos os grupos parlamentares mandataram o presidente, o socialista Miranda Calha, para expressar ao ministro o repúdio pela participação daquelas unidades do Exército em cerimónias não oficiais, para mais organizadas por correntes monárquicas.» [Sol]

Os Cidadãos e os Súbditos

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Enquanto os súbditos estão de luto pelo fim da monarquia, os cidadãos continuam a celebrar a República.

Orgulhosamente Republicanos!

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«Dois colaboradores da revista satírica espanhola El Jueves foram ontem condenados a pagar uma multa de três mil euros cada um. O tribunal considerou que a caricatura do casal de príncipes herdeiros num acto sexual , criada pelo cartoonista Guillermo Torres e pelo argumentista Manel Fontdevilla, é "ofensiva em relação ao príncipe" Felipe e à sua mulher Letizia. O Ministério Público tinha pedido inicialmente uma multa de seis mil euros para cada um dos acusados, afirmando que a caricatura infringe o artigo 490.3 do Código Penal espanhol. Este prevê até dois anos de prisão para quem "caluniar ou insultar o rei e qualquer um de seus ascendentes ou descendentes".

O cartoon em causa foi publicado no dia 20 de Julho, motivado pela decisão do Governo socialista espanhol de conceder um "cheque-bebé" - projecto já implementado - no valor de 2500 euros aos pais de cada criança que nasça em Espanha. No desenho era possível ver o príncipe Filipe e Letizia, em pleno acto sexual, ao mesmo tempo que podia ler-se: "Já viste? Se ficas grávida... isto vai ser o mais parecido com trabalhar que fiz na minha vida!". A defesa já anunciou que vai recorrer da decisão judicial.» [Diário de Notícias]

República

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«Para quem nasceu numa república, mesmo se sob Salazar, a ideia da monarquia surge como qualquer coisa de tão distante que chega a ser romântica. Criança, lembro-me de adorar “a Inglaterra” (que para mim era um país que incluia aquilo a que se dá o nome de Reino Unido ou Grã-Bretanha) e a sua rainha. É normal, creio, gostar de rainhas e reis e princesas e princípes quando se é menina, embalada por mil contos de Perrault e Andersen, cinderelas, brancas de neve e anões. Uma amiga minha, que cresceu no Estoril, vizinha do exílio dos reis de Espanha, chegou até a dizer à mãe, quando ela um dia lhe disse que podia ser tudo o que quisesse, “Então quero ser princesa”.»

A Monarquia presta-se a histórias de encantar, tem glamour e é simpática, mas falha no essencial. O desígnio do país não pode estar geneticamente determinado, devendo ser decidido livremente por todos os seus cidadãos. A avó da Fernanda Câncio tinha razão.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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