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Das Doações de Sangue

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A questão central em matéria de doação de sangue é a segurança dos receptores. É preciso deixar bem claro que o actual algoritmo exclui pessoas com risco muito baixo e inclui dadores com risco muito elevado. João Miranda diz que se tratam de excepçõezinhas, mas, pensando em abstracto, isso é absolutamente irrelevante. O que é verdadeiramente relevante é saber se o número daqueles que têm muito baixo risco e são excluídos é superior ao número dos que têm risco elevado e são considerados dadores. Se for, então o sistema é ineficaz.

Desde há vários anos, os estudos epidemiológicos sobre VIH demonstram que a avaliação do risco em função de grupos de pessoas que partilham uma característica, seja a cor de pele, a profissão ou a orientação sexual, é sempre menos eficaz do que a avaliação baseada nos comportamentos de risco.

Acrescente-se que João Miranda não demonstra que aquilo a que chama excepçõezinhas são verdadeiras excepções e, mais grave, cita como excepção um exemplo verdadeiramente infeliz: «Se um homossexual fizer sexo protegido é muito mais seguro do que um heterossexual que faz sexo desprotegido».

Na prática, estamos todos de acordo que dar sangue não é um direito de nenhum cidadão e que o objectivo da acção do Instituto Português do Sangue deve ser garantir sangue em quantidade e com qualidade a quem dele necessitar. O que está por demonstrar é que o actual sistema de triagem é o mais eficaz para garantir esse propósito. É que, se levarmos a sério as declarações do senhor Presidente do Instituto Português de Sangue a propósito daqueles que foram violados, torna-se mais claro do que nunca que o actual sistema está assente em princípios absolutamente rejeitáveis, porque baseados em suposições, crenças e preconceitos sem qualquer base científica.

Quanto ao resto, penso que todos concordamos que o Ensino Superior pode acrescentar muita coisa, mas dificilmente elimina preconceitos enraizados como crenças verdadeiramente impermeáveis à crítica e à razão.

Stress Crónico Afecta Tomada de Decisão
Estudo de Portugueses Publicado na Science

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© jamberckmans

Lisboa, 30 Julho (Lusa) - O stress crónico afecta o processo de tomada de decisões, levando as pessoas a depender mais de hábitos e menos de comportamentos orientados por objectivos, demonstra um estudo de investigadores portugueses hoje publicado pela revista Science.

São vastas as implicações da descoberta, na medida em que envolve desde aspectos da vida quotidiana até processos patológicos, como as toxicodependências ou as perturbações obsessivo-compulvisas.

O estudo foi realizado por uma equipa coordenada por Nuno Sousa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, e Rui Costa, na altura nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos e actualmente investigador no programa de Neurociência da Fundação Champalimaud.

Este trabalho revela que o stress crónico altera a estrutura de circuitos neuronais que ligam o córtex pré-frontal, comparável à memória RAM de um computador, ao estriado, a zona do cérebro relacionada com as decisões.

O que se passa, segundo Nuno Sousa, é que o stress promove a atrofia das dendrites dos neurónios do circuito associativo responsável pelos comportamentos orientados por objectivos (córtex pré-frontal medial e estriado dorsomedial) e aumenta as dendrites no estriado dorsolateral, o circuito sensório-motor envolvido nas acções habituais.

Isso torna o comportamento dos sujeitos submetidos ao stress "mais dependente de hábitos e menos de comportamentos orientados por objectivos", explicou à Lusa o investigador coordenador do Domínio de Neurociências do ICVS e director do curso de Medicina da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.

"Este aspecto influencia o processo de tomada de decisão nesses sujeitos, tornando-o mais dependente de comportamentos habituais mesmo quando a situação contextual não o justifica", observou.

Dado o interesse e a grande relevância do estudo, disse ainda Nuno de Sousa, a equipa decidiu submetê-lo aos editores da Science, que logo decidiram publicá-lo.

"Trata-se obviamente de um momento de enorme importância para todos nós, tanto mais que o estudo é assinado apenas por portugueses e com um trabalho experimental feito em Portugal [no ICVS]", assinalou.

A investigação resultou de "um esforço de colaboração que representa a nossa visão de abordar os assuntos de forma multidisciplinar", acrescentou.

A equipa foi constituída por sete elementos que pertencem ao Domínio de Investigação em Neurociências do ICVS, sendo o primeiro autor Eduardo Dias-Ferreira, um aluno de doutoramento que está agora a continuar o estudo com Rui Costa.

Entre os seus projectos em curso, Nuno Sousa salientou os mais directamente ligados a este trabalho, centrados na tentativa de compreender melhor os mecanismos moleculares e funcionais envolvidos na conclusão a que chegaram.

Esses desenvolvimentos terão por objectivo "delinear estratégias que permitam modular os efeitos do stress nos processos de decisão e eventualmente utilizá-los futuramente como estratégias terapêuticas", concluiu.

Referência: Chronic Stress Causes Frontostriatal Reorganization and Affects Decision-Making. Eduardo Dias-Ferreira, João C. Sousa, Irene Melo, Pedro Morgado, Ana R. Mesquita, João J. Cerqueira, Rui M. Costa, Nuno Sousa. Science, 2009.

Nota: O estudo foi realizado integralmente no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, em Braga. A equipa foi constituída por sete elementos que pertencem ao Domínio de Investigação em Neurociências do ICVS, sendo o primeiro autor Eduardo Dias-Ferreira, um aluno de doutoramento que está agora a continuar o estudo com Rui Costa.

Notícias: Science, AFP, Expresso, Visão, Diário Digital, IOL Diário, Ciência Hoje, Público, i, redOrbit, The Scientist, ABC, Nu.nl, AGI Salute, JN, DN, RTP, SIC, Correio do Minho.

Fim de Linha

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Onde Está o Botão Restart?

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Estádio Municidal de Braga

Da Liberdade Religiosa

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O Presidente da Bolívia, Evo Morales, pretende colocar o Estado a controlar as actividades e funções da Igreja Católica no país. É verdadeiramente inacreditável que, em pleno século XXI, haja quem pretenda limitar a liberdade religiosa e o direito às pessoas de se organizarem livremente em religiões. É o mundo que temos.

Uma Homofobia Sem Limites

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Toda a entrevista resumida numa frase: «Quando uma pessoa se apresenta assumidamente como homossexual e quer dar sangue, eu interpreto como uma provocação

O Presidente do Instituto Português do Sangue não sabe o que é a homossexualidade e, como tal, não têm competência técnica para se manter num cargo destes. Mais tarde, exporei em detalhe os laivos de homofobia que percorrem toda a entrevista. É urgente uma intervenção superior.

A ler: Não digam ao Dr. Olim, por Fernanda Câncio.

Silly Season Daily Dose | 2

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Já que um leitor sugere, eu explico os adjectivos do meu post anterior, embora ache que a entrevista do senhor Olim fala por si:

Primeiro porque é ingénuo ao ponto de pensar que o sexo oral e anal é coisa apenas de homossexuais - e insiste nisso. Além ~de que chega a clamar pela perseguição legal de quem não quer expor a sua intimidade. Já agora, como é que ia saber de outra forma? Por análise serológica ou por tortura?

Depois minimiza o uso do preservativo, que obviamente não é totalmente eficaz. Isso é do senso comum. Mas, o senhor Olim devia saber que o risco de transmissão numa relação sexual também não é de 100%. Aliás, muito longe disso - e depende muito se é oral, vaginal ou anal, e de quem penetra ou é penetrado. Por exemplo: o risco de transmissão está estimado em 50 para cada 10.000 exposições, no caso de sexo anal receptivo. Os dados são de artigos do British Journal of Medicine.

Quem souber de Probabilidades, terá de multiplicar de ineficácia do preservativo (aproximadamente 0,1 <=> 10%) pelo risco de infecção numa relação sexual sem preservativo (no caso acima, 0,005 <=>0,5%), Isto é: p= 0,0005, ou seja 0,05%. O uso do preservativo diminui 10 vezes o risco. O senhor Olim é um enviesador nato.

O acto de dar sangue, como qualquer outro acto semelhante, tem de ser meramente regulado por triagem técnica laboratorial e não ir à intimidade das pessoas. A atitude só por si, afasta-as do contributo.

Em vez de catalogar os indivíduos pela orientação sexual, devia esforçar-se em sensibilizar a sociedade para a responsabilidade e o altruísmo da dádiva e minimizar os riscos tecnicamente, porque não é do direito do Estado, muito menos do sr. Olim, saber com quem me deito. Isto é uma questão de liberdade também.

De resto, há todo um conjunto de doenças que se prendem com comportamentos de risco e que podem ser transmitidas pelo sangue. E numa deriva silly, se me permitem, já agora: e as doenças priónicas como a de Creutzfeldt Jacob (variante humana da BSE)? Será de excluir gente que come mioleira de vaca?

Silly Season Daily Dose

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Pode perguntar-se por que é que um homem com declarados tiques discriminatórios e fascizóides, e com uma óbvia ingenuidade moral e científica está ainda a fazer à frente do Instituto Nacional do Sangue. Deve ser pelo sentido de humor, certamente. A entrevista do senhor Olim tem momentos monty python...

Uma Questão de Justiça

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Lone tree
© Diogo Martins

Enquanto nos Estados Unidos os presos e ex-presos são hostilizados para lá dos limites de respeitabilidade que a dignidade humana exige, em Portugal, a comunidade de uma aldeia de Vieira do Minho colaborou durante 16 anos com a fuga de um condenado por homicídio. Entre um extremo e o outro, acredito que haja um equilíbrio mais satisfatório.

Os Media e os Clubes de Futebol

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É mais do que óbvio que o Benfica não pode obstaculizar o trabalho dos jornalistas deste ou daquele órgão de comunicação social em conferências de imprensa. Contudo, não deixa de ser irónico que os jornalistas, aqueles que em Portugal mais prestam vassalagem ao Benfica, Porto e Sporting, tenham este tratamento por parte de um desses clubes.

Terra da Promissão

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Trams in Metro Sul do Tejo, Almada, Portugal.
© Bob Lennox

O Metro de Almada é o primeiro sistema ferroviário ligeiro a sul do Tejo. Iniciou o serviço comercial em Maio de 2007 depois de um fastidioso processo de decisão política. A rede atinge agora, após mais duas inaugurações intermédias, 13,5 km de extensão e servindo 19 paragens, sendo duas delas interfaces com as estações ferroviárias de Pragal e Corroios (serviço suburbano Setúbal-Lisboa).

Visto a uma distância confortável, algo parece não correr bem em Almada. Antes da construção, havia quem se queixasse, por exemploe, de que se passasse o metro na avenida, ía ser difícil estacionar o jipe à porta de casa. Logo após a abertura do serviço, a média de passageiros em cada viagem era de quatro pessoas. O actual bilhete ou assinatura só à custa de mais nove euros/mês é compatível com o bilhete integrado Lisboa Viva (uma cópia imperfeita do sistema Andante do Porto).

Nem em Dublin, nem no Porto, nem em Montpellier nem em Sevilha (2) vi alguém pedir que o metro andasse mais devagar. Em Almada, sim! Também é em Almada que os comerciantes pedem mais carros no centro. Penso que a Maia e Matosinhos não querem voltar atrás. Visto a uma distância confortável, dizia, algo parece não correr bem em Almada.

Nota: nunca viajei no metro de Almada em serviço comercial mas sei bem que qualquer passeio no Feijó serve para largar o carro durante a noite. Ou durante o dia. Qualidade de Vida.

Imagens de Campanha | 3

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Avelino Ferreira Torres 2009
Marco de Canaveses

A Igreja e as Eleições

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Quem Votar PSOE Vai para o Inferno

Imagino que todos os crentes concordem com o Arcebispo de Braga quando diz que «ser padre implica universalidade e isenção» em termos políticos. A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais das sociedades democráticas e, como tal, considero perfeitamente legítimo que a Igreja Católica organize comícios eleitorais como sucedeu nas últimas legislativas em Espanha e apele ao voto em alguns partidos como está a acontecer nas presentes autárquicas e legislativas em Portugal.

Contudo, sendo a Igreja Católica uma associação privada da sociedade civil deveria estar sujeita às mesmas regras de todas as outras associações de direito privado, isentando-se de receber privilégios adicionais do Estado. Além do mais, sendo accionista de investimentos na área da hotelaria, educação, saúde, comunicação social e turismo resultam desses benefícios desequilíbrios prejudiciais à livre concorrência que favorecem as suas empresas comparativamente com outras empresas privadas dos mesmos sectores.

Ao apelar ao voto em alguns partidos, torna-se legítima a desconfiança sobre o facto desses mesmos partidos virem a favorecer os interesses políticos e económicos da Igreja Católica quando vierem a ocupar a cadeira do poder. Tal como as nebulosas relações entre empresas e governantes, também a promiscuidade entre os responsáveis das confissões religiosas e os partidos políticos deve rejeitar-se porque mina a credibilidade do sistema político e faz perigar a obrigação de isenção das instituições públicas.

A ler: Padres e hierarquia divorciados no apoio a Santana, no IOL Diário.

O Estado da Nação

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Saio para uma semana de férias e nascem dois blogues de interesse maior - o SIMplex à esquerda e o Jamais à direita - e o Expresso ainda anuncia um terceiro, com notáveis de esquerda e de direita.

No entretanto, é muito curioso que o PS e o PSD andem entretidos a discutir lugares nas listas de deputados sem que sejam conhecidos os respetivos Programas Eleitorais. Eu não quero acreditar que vamos para férias sem saber o que os dois partidos de Governo pretendem para o Governo do país já daqui a dois meses...

Ainda mais curiosa é a reacção abespinhada à inclusão dos independentes Miguel Vale de Almeida e João Galamba nas listas do PS. Quem conhece a qualidade da sua participação cívica e política, independentemente de concordar ou não com as suas ideias, sabe que bem merecem ser deputados da Nação.

Por falar em deputados da Nação, bem escreve Gabriel Silva sobre a reforma eleitoral sempre adiada. Na verdade, não são quatro e meio mas trinta e tal anos de espera.

O Paralelo 46.º/4

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hitler vs. stalin

© il deboscio

Não me verão a escrever isto muitas vezes, mas quando alguém tem razão há que admiti-lo. Alberto João Jardim tem razão. A proposta feita nos termos em que a fez certamente não ajudou à causa, banir o comunismo não será a fórmula mais feliz de dizer, como veio dizer mais tarde, que se devem banir todos os sistemas totalitaristas/ditatoriais ou então nenhum.

A especificidade a que se dá o n.º 4 do artigo 46.º da CRP é absolutamente anacrónica e não pode ser compreendida senão com uma grande dose de tolerância democrática, a mesma, aliás, que a CRP desdenha quando opera tal distinção, ainda que com a melhor das intenções.

Vital Moreira veio dizer, no Público, que temos de enquadrar a proibição no contexto histórico donde ela surge, no pós-fascismo. Ora, se essa é a sua força, então é também a sua maior fraqueza. Ainda que custe a todos os que combateram o regime salazarista (e que não fique aqui qualquer dúvida sobre a condenação veemente e repúdio total desse triste passado português), por muito traumatizante que tenha sido tal experiência, uma coisa é o repúdio absoluto e a luta diária contra tais ideias, outra bem diferente é a consagração legal, individualizada e concreta (?!) da proibição de movimentos fascistas na lei maior da república.

Sejamos sérios, decretar a proibição do fascismo nunca resultou, muito menos a do comunismo ou de outra corrente de pensamento tendencialmente (para ser simpático) totalitária, donde o efeito prático da sua consagração só pode trazer mais males do que bens para a necessária liberdade total de pensamento num regime democrático. O Estado, ao proibir, emite um juízo de valor sobre aquilo que proíbe, devendo ter a maior das cautelas ao fazê-lo.

A democracia, lembre-se, tem como premissa deixar às pessoas, dentro do mais amplo espaço possível, a consciencialização da moral, dos limites do mal e do bem segundo a melhor (ou pior) das subjectividades. Ao escolher as ditaduras boas - as de esquerda - e ao renegar as más - as de direita - (se é que faz sentido dividir ditaduras pelo seu fim e não pelos seus meios), o Estado faz uma escolha entre o que é lícito e o que é ilícito sem que lhe seja lícito escolher, definindo fronteiras artificiais e não provadas entre dois males. Como diz Jardim, ou tudo à terra ou tudo ao mar, ou se proíbe tudo ou nada. Jaime Nogueira Pinto, no "I" da passada quarta-feira, punha as coisas nos justos termos ao escrever que proibir todos é capaz de ser má ideia, é que o Estado não deve colocar-se na posição de superioridade moral tão cara àqueles que combate, arrogando-se o direito de qualificar todo e qualquer movimento e/ou ideário como mais ou menos democrático.

A Sabedoria da Guidinha

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Guida Maria: a actriz de bons atributos diga-se, e noutros mesmo com aquela idade. Salvo erro, vi-a de corpo presente na peça "Polaroides", ainda a companhia de teatro de Braga se contorcia no espaço alternativo PT. No entanto, a mulher que pariu Julie Seargeant - outra sardenta como o pai "dali dali dou: o papagaio voa" -, tem uma daquelas entrevistas execráveis e já cliché na contra-capa do JN de hoje.

Abdicou de votar e diz-se "farta da democracia", da má-criadagem, e que vivia melhor no tempo do senhor Salazar, onde aos 18 gramava a "fortuna" de uns 14 contos por mês, acrescenta. À Guidinha - diminutivo do tempo da outra senhora que lhe assentaria tão bem como passeio domingueiro e em família no Saldanha -, o jornaleiro de serviço, apelida de "frontal" e outros beneplácitos de protocolo quando neste país alguém diz coisas com deste nível mental para desdenhar o actual estado das coisas. Como se a defesa do sacrifício da democracia e da liberdade pelo respeitinho e 14 contos, fosse coisa que se gabasse só pela sua inteligência e atrevimento. Vão jogar pau com os ursos.

Autárquicas Em Cartaz

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Já se começam a notar as primeiras movimentações do furor que será a campanha autárquica dentro de alguns meses. Por aqui, em Famalicão, nada de muito especial. Apesar de a candidatura da coligação PSD-CDS/PP ter sido apresentada apenas na passada segunda-feira, o que não falta pela cidade são gigantescos cartazes com uma cara sorridente do autarca mais rico do país.

Uma volta pelo centro urbano encontra cerca de uma dezena de cartazes, em quase todas as entradas da cidade e também no seu interior: junto ao parque 1º de Maio, ao pé da Rotunda da Água... esta última, na foto, foi aliás uma das obras de requalificação urbana mais emblemáticas deste mandato social-democrata. A rua S. João de Deus, contígua à rotunda, foi das primeiras obras a receber a placa a assinalar a empreitada, com o nome de Armindo Costa. Várias foram vandalizadas, entretanto.

Cartaz de Armindo Costa (PSD/CDS-PP), Famalicão
© Bruno Simões

A campanha em si, em termos estéticos, está muito bem conseguida. Bom jogo de cores, uma imagem que inspira confiança, um slogan que apela à continuidade, e a ligação para o blogue do candidato na parte superior do cartaz. A juntar a isto, há um cartaz em cada esquina da cidade.

Já a do PS, por seu turno, está muito mais discreta. O cartaz, como se pode ver na foto, apela à mudança, em linha com a moda Obama, mas tem falhas gravíssimas. O candidato, Reis Campos, é pouco conhecido junto da população, e o facto de o seu nome não fazer parte dos cartazes de campanha é péssimo. Na verdade, este cartaz está colocado numa das saídas da Variante Nascente de Famalicão já há vários meses, quase aos mesmos que me ia interrogando sobre quem seria este candidato.

Não detectei mais de 4 cartazes de Reis Campos pelo centro urbano famalicense. As diferenças entre as candidaturas são, neste momento, abissais. Tenho a impressão de que há mais propaganda ao PS de Sócrates, para as Legislativas, do que às Autárquicas. Talvez ainda vá ser lançada alguma nova campanha socialista em Famalicão. No blogue de Reis Campos, é possível encontrar as suas principais ideias e motivações.

Cartaz de Reis Campos (PS) em Famalicão
© Bruno Simões

Do PCP ou do Bloco nada se vê, por ora. Aliás, há mais cartazes da Missão Minho, do Manuel Monteiro (dois) do que dos restantes partidos com assento parlamentar.

A direita está, pois, em peso, em Famalicão. Tudo aponta para uma repetição dos resultados de 2005, que deram a maioria à coligação PSD-CDS/PP com 55% dos votos. Aliás, das 49 freguesias famalicenses, só 5 é que não são laranja e têm presidentes socialistas.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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