Avenida Central

Onde os Pretos Somos Nós

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«Se não servirem para mais nada, as manifestações de trabalhadores ingleses contra a contratação de operários estrangeiros, incluindo portugueses, podiam ter, ao menos, o benefício de levar certos cidadãos nacionais – os que organizam manifestações contra os pretos, ucranianos, ciganos e demais imigrantes e os que concordam com eles, mais ou menos silenciosamente - a pensar, uma vez na vida que fosse, e a perceberem que há muitos sítios no mundo onde os pretos somos nós, a suposta e superior “raça portuguesa”.»

Brilhante, no Teatro Anatómico.

Hoje...

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...há Preto e Branco na Centésima Página.

Esta Gente Veio do Terror

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O que disse D. José Policarpo é absolutamente inacreditável. Abatam-se os imigrantes, essa gente que veio do terror e do Ocidente e do Oriente como diz o Evangelho.

A ler:
Apresento-vos o verdadeiro egoísta :: Não há alusão bíblica que salve

Racismo Nunca Mais (II)

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Racismo Nunca Mais

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Fez-se notícia da história de um menino que foi arrancado de um baloiço da Avenida Central pelo pai de outra criança. Segundo a queixa apresentada, o pai alegou que o seu filho teria mais direito a usufruir do espaço público do que os cidadãos de tez preta, oriundos de outros países. Se o acto é dantesco, as motivações alegadas são uma verdadeira monstruosidade.

Num país que se arregaça e se aprimora para receber os turistas dos países ricos da Europa do Norte, não é nada lisonjeiro constatar que as expressões de xenofobia e racismo são mais do que meras excentricidades de uma extrema destra e mais lesta que numerosa.

Tomemos como exemplo o futebol, um cenário que tende a hiperbolizar a expressão das emoções mais genuínas: os adeptos repetem as “bocas” xenófobas e os assobios racistas; os jornalistas acentuam a tónica, interpretando de maneira desigual o mesmo vaiar quando destinado a um jogador branco ou preto; os próprios jogadores não se coíbem de repetir insinuações xenófobas e racistas.

Mesmo sabendo que não havia impedimentos jurídicos para a convocatória de Deco, vários colegas de profissão, pretensos ídolos de uma geração, criticaram abertamente a chamada do jogador, fundamentando a sua oposição exclusivamente na origem do mesmo. Mas o que é que Cristiano Ronaldo tem que Deco não tenha? O que é que justifica que possam ser olhados de maneira tão diferente?

Aparentemente nada. Nada que não se possa justificar na tacanhez mental de quem vê portugalidade no local do parto. Mas estas profissões de fé acabam, invariavelmente, por dar maus resultados e ainda me hei-de rir no dia em que a sangria de serviços de saúde provocar o nascimento do nosso próximo desportista prodígio num qualquer quarto da Maternidade de Badajoz.

Os actos de racismo e xenofobia são invariavelmente arremessados contra seres humanos oriundos dos países que alguma gente gosta de assumir como culturalmente inferiores. Gente da mesma argamassa mental daquele Nobel senhor que, por estes dias, veio insinuar a superioridade genética dos brancos relativamente aos negros. Gente da mesma índole de uns senhores que gostam de pavonear, num diário local, ignorantes teorias supostamente científicas sobre a vida dos outros.

Eu não embarco em portuguesismos bacocos. Tenho assumidamente mais em comum com os guineenses e os brasileiros que respeitam do com os energúmenos portugueses que instilam o racismo, a xenofobia ou qualquer outra forma de discriminação, seja por palavras, por actos, por crenças, por ideias políticos ou por omissões. E a Avenida Central deveria ser a mais cosmopolita das nossas praças.

[Versão integral no ComUM Online]

Avenida Racista

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A Avenida Central de Braga viveu, nas palavras de uma guineense, momentos que a todos deviam envergonhar. Racismo Nunca Mais é tema da crónica quinzenal que escrevo no ComUM. Disponível a partir das 00.01 de amanhã.

Judeus anti-semitas é o que mais há

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«Mulheres que protegem com mil justificações os vizinhos que batem na mulher. O futebolista que entra de pitons na canela do adversário, arrumando-lhe a carreira. O negro que aceita a cumplicidade do amigo: "Tu nem pareces preto nem cheiras a catinga." O político homossexual que se deixa cercar de homofóbicos porque isso dá votos na sua área política. O emigrante português na Alemanha que, nas férias de Agosto e em Trás-os -Montes, diz estar farto de tanto ucraniano. O intelectual que ensina e escreve o que quer em Coimbra e defende a ETA, que mata com tiros na nuca intelectuais que queriam também ser livres em San Sebastián. O incréu público que beneficia dos séculos de coragem da gente que pôs a Igreja Católica no seu sítio e apoia o fundamentalismo islâmico porque ele é capaz de pôr a América no seu sítio... Enfim, gente que cospe nos seus. Gente que deveria, mais do que o comum, perceber e não quer perceber. Em Israel, seriam neonazis.»

Gostava de ter escrito este texto. Ferreira Fernandes fê-lo por mim no Diário de Notícias.

As religiões são todas iguais

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"O sangue dos mártires está clamando aos céus. Que homens e mulheres, sólidos na Rocha que é Cristo, não se intimidem com o espírito maligno do século, fora ou dentro da Igreja, e possam resistir em obediência ao seu Senhor, enfrentando o risco do martírio. Os fiéis até à morte receberão a coroa da vida."

São palavras de um Bispo Anglicano do Recife (Brasil) a propósito das leis anti-discriminação aprovadas por Lula da Silva. Substituindo Cristo por Maomé, poderiam ser as últimas palavras de um suicida muçulmano.

A BOLA é um jornal racista

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O Jornal A BOLA escreve, na sua edição de hoje, que "Braga mostrou a face racista, insultando permanentemente Makelelé, o alegado agredido".

Este comentário do Jornal A BOLA é de um teor racista inqualificável.
Em primeiro, porque não ouve insultos mas apenas apupos.
Em segundo, porque os apupos não derivaram da cor da pele do jogador, mas sim da sua simulação de uma agressão inexistente.
Em terceiro, porque quando foram apupados em Braga jogadores de cor branca (veja-se o caso recente de Ricardo Rocha), A BOLA não acusou os bracarenses de racismo.

Não houve, portanto, racismo algum na atitude dos bracarenses presentes no estádio. O único racismo que existe está na cabeça de quem escreveu tamanho comentário.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

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