Os tesourinhos deprimentes proferidos em nome da Santa Madre Igreja multiplicam-se com uma cadência absolutamente extraordinária. Depois da excelsa dissertação do Reitor do Santuário de Fátima sobre violência doméstica, podemos deliciar-nos com o desfile da ignorância travestida de moral.
«Muito ligada à homossexualidade está a problemática da SIDA e custa um pouco a aceitar que aqueles que aplicam ao tabaco a frase “a natureza sempre passa factura se se vai contra ela”, excluam a homossexualidade e as suas consequências dramáticas para terem para com eles e elas uma só atitude – compreensão (hipócrita, digo eu). Não precisam os homossexuais de compaixão, muito menos de discriminação, mas sim de serem tratados como doentes a quem é preciso aplicar a terapia adequada.»
Textos desta índole, para além de difundirem ideias manifestamente contraditadas pela evidência e consenso científicos, instilam a discriminação de todos os doentes com SIDA, colocando-lhes sobre as costas a cruz de uma pretensa fatura pelos seus comportamentos desviantes. Mas há muito quem goste de gente estigmatizada porque assim já têm a quem estender a mão direita sem que a esquerda saiba. Tristes.
O Absurdo (Quase) Dispensa Comentários
Por
Pedro Morgado
Publicado em
19.10.07
·
Etiquetas:
Ciência,
Discriminação,
Intolerância Religiosa,
Medicina,
Saúde
·
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21 Comentários
Bolas, Pedro, que bestialidade.
bestialidade. Ora nem mais!
Ó Pedro,
Estás convidado a dar um salto à Sala de Imprensa do GACSUM (junto à reprografia do CP1 da UM) para dar uma vista de olhos a outras pérolas desta cronista. Sim, temos várias edições do Diário do Minho.
Abraço
Ainda me hei-de encher de rugas à conta das caras de parva que faço a ler certas coisas.
Eu já disse em comentário referente às palmadas que certos sectores da Eclésia ainda vivem (na)a idade das trevas, porque de trevas se trata comentários como este.
-Eu já li alguns artigos desta senhora e nunca lhe reconheci grande capacidade de escrita mas, quem coordena o Diário que lhe dá voz, lá sabe o que faz, e a que tipo de leitores se dirige...
ka vergonha! esta gaja é que está doente. e muito!
"doentes a quem é preciso aplicar a terapia adequada"
e ora não ficou dito como devia explicitamente, mas aquele termo "adequada" diz bem da urgencia de futuro de tais casos se tome a única medida cerce e sem dor comprovada de se cortar a cabeça ao doente ainda antes que ele proteste ou se diga inocente, porque mentiria, declarando-se réu no mesmo acto...
sta clarisse
Só admira quem nunca leu as opiniões dessa senhora. Já agora, será que ela sentiu um orgulhozinho quando viu aqueles jovens a serem enforcados por terem tido práticas homossexuais no Irão?
Não há palavras para descrever as bestialidades que por aí andam
bem, só agora é que me apercebi que essa senhora... e tenho muita vergonha de o dizer... foi minha professora de matemática no Porto!!! :S
Para quem não conhece o Tiago, apesar desse grave trauma de infância, é uma pessoa absolutamente normal!! Mas não lhe podemos é invejar a sorte!
Essa senhora escreve sempre barbaridades. Não há nenhuma instituição à qual se possa apresentar queixa dela? Será que há reclamações dos artigos que ela escreve ou continuamos alegremente a deixar as coisas correr?
É que muitas vezes andamos muito enttetidos com muitas coisas... mas sem importância!
Lembram-se das palavras de Brecht na boca de um sacerdote?
“Primeiro,
eles vieram buscar os comunistas.
Não falei nada, pois não era comunista;
Depois,
vieram buscar os judeus.
Nada falei, pois não era judeu;
Em seguida,
foi a vez dos operários, membros dos sindicatos.
Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado;
Mais tarde,
levaram os católicos,
nem uma palavra pronunciei, pois sou protestante.
Agora,
eles vieram-me buscar, e
quando isso aconteceu, não havia ninguém mais para falar.”
Saibamos ser cidadãos de pleno direito!
Força, Pedro!
Esta é uma questão que dá pano para mangas.
Quanto aos impropérios da colunista já estamos conversados. Nem vale a pena comentar...
O assunto é, no entanto, muito oportuno. É impressão minha ou ainda há temas sobre os quais é difícil falar sem ser grosseiro, sem recorrer à piada fácil e sem accionar toda uma série de preconceitos?
Como nota prévia, devo dizer que não sou de Braga, não cresci aqui e nem sequer gosto de aqui estar. Cheguei com a ideia feita da cidade dos três “pés”. Depressa me apercebi que a prostituição é uma actividade em grande. Quanto ao padres, como se vai podendo comprovar pelos relatos na comunicação social, são cada vez mais detentores de pecados públicos e eventuais virtudes privadas. Falta o terceiro “pê”.
Para quem conhece apenas a superfície da cidade, em Braga não há homossexuais. Para mim, isso é um motivo de espanto. Estamos naquela que reclama ser a terceira cidade do país e confesso que nunca vi nenhuma manifestação pública de homossexualidade (tirando algumas raparigas de mão dada, que são olhadas com complacência). Isto intriga-me.
Será que não me estou a aperceber da dinâmica da cidade? Será que temos uma cidade de homossexuais discretos por opção? Ou temos um armário gigante do qual ainda é demasiado penoso sair? Como é ser homossexual em Braga?
Enfim.. Já nada me admira...
Parabéns pelo post.
abraço
Em Braga há homossexuais, obviamente. Porque não haveria de existir?
No entanto, em Braga é natural que exista um armário enorme. Diz-se que Braga é a 3ª cidade do país mas em termos de mentalidade é uma aldeia grande. É uma cidade pouco aberta ao exterior e muito provinciana. Mesmo os mais novos ainda têm uma mentalidade bastante retrógrada se comparamos com os jovens da mesma idade de Lisboa, por exemplo. Em Braga todos sabem a vida de todos, imagino que caso existissse um bar assumidamente gay poucos o iriam frequentar com medo das represálias na vida profissional e social. Braga está décadas atrasa nestas questões. Ma so mundo não para, Braga é que fica cada vez mais para trás.
Esta é uma daquelas coisas que me deixa naquele impasse de não saber se hei de rir se hei de chorar...
lol
Em Braga há homossexuais. Também não estejam à espera de uma Gayparade. Aqui os homossexuais não demonstram sinais exteriores, mas até há um bar de gays, o Bar Code, na Rua do Anjo. Eu já lá estive e sou hetero e não me senti nunca "incomodado".
A senhora que escreveu o artigo, escreve porque o director do jornal permite. É triste esta cidade ser tão provinciana, racista e fechada sobre sí própria. E ainda falam dos gays e dos africanos. Enfim, fazem-se "Theatros", abrem-se novos centros comerciais e as mentalidades não mudam.
Bar Code? A sério?! É tudo mesmo muito discreto então porque já lá estive mais do que uma vez, inclusivamente em grupo, e aparentemente ninguém sabia dessa ligação. Vou fazer o teste com as mesmas pessoas para ver se, sabendo, lá vão com a mesma naturalidade. Espero honestamente que essas pessoas, que em teoria se dizem "liberais", não me decepcionem. Caso contrário, a cidade não tem mesmo réstea de esperança! Vou mantendo-vos a par da minha "experiencia"...
Desculpem.. mas esta senhora é uma besta e precisa que lhe apliquem uma terapia adequada!!!! E como corremos o risco de a doença de que a senhora sofre, coitada, ser contagiosa, o melhor seria pô-la de quarentena!
Infelizmente não é a unica com estas ideias absurdas... e o mais grave é que esta "teoria sobre a homossexualidade" é "ensinada" por alguns professores, mais devotos, da Universidade Católica... Uma vergonha!
O Bar Code não é um bar gay apesar de ser frequentado por gays. Pode-se dizer que é o chamado gay friendly mas não é um bar gay.
Bar gay não existe em Braga pois a cidade (que é mais aldeia) não está preparada para isso...
Uma das pessoas que me é mais querida neste meu mundo de afectos é homossexual.
Foi verbalmente violentado desde sempre. Nunca reagiu, eu revoltava-me por ele. Lembro-me de todas as vezes que o defendi e que, em vão, tentava fazer ver às pessoas que ser homossexual não era motivo de chacota e de humilhação. Isto aconteceu desde o 1º ano do ciclo e teve continuidade até ao 12º ano. Não foi em Braga, foi em Guimarães. Mas também não há diferença. Penso que as mentalidades nunca vão mudar porque, acima de tudo, o ser humano tem dificuldade em aceitar a diferença.
O meu melhor amigo é homessexual. É inteligente, era, aliás, um dos melhores alunos da turma, com um sentido de humor apurado, sensível, educado, culto, honesto, humilde, AMIGO, só que é homossexual. Para algumas pessoas as qualidades que uns têm caem por terra quando se descobre que as orientações sexuais fogem "à regra".
Eu tenho orgulho de ter um amigo como este. O resto é conversa
Isso é tudo conversa de gente pouco vivida. Conheço gays, conheço heteros. Conheço gente boa que é gay como conheço gente gay que não interessa para nada. Conheço heteros gente boa como conheço heteros que não interessam para nada.
Tenho amigos gays como tenho amigos heteros. A opção sexual não define a inteligência, educação, sensibilidade ou honestidade de uma pessoa.
Por isso não tenho necessidade de defender os gays. Estar a argumentar junto de gente preconceituosa, é pura perda de tempo pois eles não vão mudar com a minha conversa. O segredo é tentarmos estar rodeados das pessoas que gostamos e com quem nos identificamos. Os ignorantes que vivam as vidinhas deles...e de preferência longe.
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