150.000 no Theatro Circo

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Teatro Circo
© jsome1

Samuel Silva assina, na edição de ontem do Público, mais um excelente trabalho com a cultura no Minho em foco. A propósito do segundo aniversário do Theatro Circo, o Público revela que, segundo um estudo inédito da Universidade do Minho, «são as mulheres, os jovens e os bracarenses quem mais frequenta a sala de espectáculos.»

A questão ganha contornos estratégicos quando se percebe que 67% dos espectadores vivem em Braga, 7,2% vêm do Porto, em segundo lugar, e apenas 2,9% de Guimarães. A forte aposta na cultura urbana, naturalmente mais atractiva para o público portuense e vimaranense, ajuda a explicar os números, mas a verdade é que a fatia de espectadores de Guimarães fica muito aquém das expectativas tendo em conta o potencial do público vimaranense. Na senda do que temos vindo a defender, a criação de uma agenda cultural conjunta para o quadrilátero urbano do Minho poderia constituir-se como um importante contributo para se ultrapassarem distâncias e barreiras que são tudo menos geográficas.

Sobre a ligação do Theatro Circo à cidade, o rosto mais visível do projecto assume a abertura do espaço aos criadores da região, salientando que «não é pelo facto de ser de Braga que abrimos as portas a quem quer que seja.» Estou certo que esta é uma matéria em que podemos confiar no trabalho de Paulo Brandão e na qual qualquer ingerência do poder político será, naturalmente, de lamentar.

Em jeito de conclusão, Samuel Silva escreve que «imune às críticas ouvidas em Braga à "formatação" da oferta e à pouca ligação com a cidade, Paulo Brandão conseguiu levar ao Theatro Circo cerca de 150 mil pessoas em dois anos.» Na verdade e em bom rigor, não podemos afirmar com precisão se o Theatro "já teve 150.000 espectadores" ou "só teve 150.000".

A prestação de contas, aquilo que os anglo-saxónicos designam por accountability, requer que as metas sejam conhecidas previamente. Independemente da percepção individual de cada um e apesar de nesta matéria ser tentado a concordar com o "", a verdade é que ninguém sabe se 150.000 espectadores é uma meta condicente com o investimento público feito no Theatro Circo porque nunca foi assumido publicamente quantos espectadores se pretendia alcançar com esse dinheiro.

Posto isto, lanço novamente o repto aos responsáveis do Theatro Circo para que assumam publica e antecipadamente quais os objectivos estratégicos e as metas para o ano de 2009. Não tenho dúvidas que, dado o mérito de Paulo Brandão, serão verdadeiramente ambiciosos.

16 comentários:

  1. Será que esse público de Guimarães é assim tão "urbano"?

    Preferia mais gente do Porto, Barcelos, Viana etc.

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  2. Caro Pedro.
    Estou convicto de que é um Regionalista, estarei certo deste meu raciocinio?

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  3. Dentro dos objectivos estratégicos e, tendo como propósito conquistar mais público, deveria-se criar áreas para fumadores dentro do Theatro Circo.

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  4. Tanto o "já" como o "só" estariam errados, visto que a notícia apenas noticia um facto. Portanto, em dois anos de direcção de Paulo Brandão, passaram pelo ThC 150 000 pessoas.

    Quanto a metas numéricas, penso que são desnecessárias. Porque se fosse para conseguir ultrapassar barreiras, fazia-se um Tony Carreira e uma Floribella por ano e o problema estava resolvido.

    Quanto a públicos, os vimaranenses estão bem servidos por cá e quando querem mais, por regra, vão ao Porto.

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  5. Cláudio,
    As metas numéricas não são desnecessárias e é por isso que se faz bandeira dos 150.000!

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  6. @ Pedro: Eu percebo perfeitamente o teu ponto de vista, mas a Cultura nunca viveu de números. O ThC, como programador que quer ser, tem obrigação de seguir alguns critérios de qualidade que não são, nem nunca conseguirão ser, suportados por números.

    Eu até concordo com as metas, mas discordo na medida em que, caso as coloquem, de certeza que para as cumprir diminuirão a qualidade do programa. E isso ninguém quer.

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  7. De qualquer das formas acho que o fundamental neste post é a ideia de criar uma Agenda Cultural conjunta para o Minho, acabando assim com a "colisão" de grandes espectáculos e com a divisão do público e com as "meias salas".

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  8. Cláudio,

    A avaliação do cumprimento dos objectivos deve ser quantitativa e qualitativa. Quando falamos em número de espectadores, estamos a falar apenas de uma parte da prestação pública de contas.

    Obviamente que tão importante como saber quantos espectadores é analisar a qualidade dos espectáculos. De qualquer modo não fui eu que falei em números, tem sido o próprio ThC e o poder político que os trazem para o debate.

    Quanto à agenda cultural, que venha ela!

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  9. Confesso que tenho alguma simpatia pelo, razão pela qual faço esta declaração de interesse. No entanto, já li e escutei algumas afirmações dele com as quais discordo. Sei que já comparou a sua actuação ideal de programador como "forma de arte", ou seja como um pintor pinta ele programaria. Eu não posso deixar de discordar. A gestão de um equipamento público deve servir os interesses públicos. Imaginem que a RTP só passava o que a sua administração gostava, estaria a cumprir a sua função?
    Não sei se os 150000 mil espectadores são muitos ou poucos, porque como diz o post isso depende dos objectivos estabelecidos, se é que foram estabelecidos. E para os avaliar seriam ainda interessante saber que espectáculos tiveram mais público. Com uma sala de 900 lugares em dois anos pode haver quem considerem muito, assim-assim ou mesmo pouco.
    Continuo é achar que as obras do TC tiveram uma série de equívocos graves. É recorrente dizerem que há duas salas. Mas eu pergunto será que há? Elas podem ser utilizadas em simultâneo? Será que não é mais correcto falar em duas disposições?

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  10. ..."cultura urbana, naturalmente mais atractiva para o público portuense e vimaranense"...

    Quem conhece Guimarães sabe que os espectáculos do Theatro Circo, quando muito, são atractivos apenas para uma pequena minoria da população desse concelho.

    Para conseguir trazer mais do que umas centenas de vimaranenses ao TC, o programdor terá que apostar numa programação menos intelectual e mais popular.

    Julgo que esse não é o caminho a seguir.

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  11. Parece que o anónimo anterior nunca foi a Guimarães. Seria interessante saber qual o número de pessoas no Centro Cultural Vila Flor (ainda que o auditório principal seja mais pequeno que o TC).

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  12. Caro Emanuel,

    O que escreve só confirma o que referi.

    A oferta do CCVF chega e sobra para a "pequena minoria" de vimaranenses que procura espectáculos culturais "urbanos".

    Guimarães está longe de ser uma cidade "exportadora" deste tipo de público.

    A realidade é que os vimaranenses vêm muito a Braga, mas o que os atrai não é a cultura, são os hipermercados e os centros comerciais da cidade.

    Talvez o caso mudasse de figura se se o TC tivesse uma programação tipo Multiusos de Guimarães...

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  13. Ainda relativamente a Guimarães:

    Numa reportagem recente do jornal "Público" sobre o CCVF, refere Carlos Mesquita, presidente do Cineclube, que em Guimarães "há pouca gente disponível para a cultura da cidade".

    Este argumento é também reforçado por José Bastos, director deste centro cultural, que constata que "o nosso público vem essencialmente de fora de Guimarães".

    Ainda segundo o director do CCVF, no maior evento cultural da cidade, o Guimarães Jazz, apenas 30% do público é local.

    Os factos falam por si.

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  14. Pela sua resposta vejo que nunca foi ao CCVF. Na verdade quando digo que o auditório é mais pequeno que o Theatro Circo, falo apenas de uma diferença de 100 lugares ( 800 tem o CCVF, 900 tem o TC). Quanto ao Guimarães Jazz... posso dizer-lhe que a quantidade de público local seria muito superior se os preços desse evento não fossem tão elevados.

    Quanto ao seu conhecimento da realidade vimaranense... já alguma vez veio a Guimarães? Ou limitou-se a ver o Passo dos Duques e o Castelo? Chega a ser triste a necessidade que algumas pessoas têm de estereotipar e rebaixar toda uma população baseando-se em notícias de Jornal (Não falo só de Guimarães). Escrevendo em linguagem mais corrente, é indicativo de uma dor de cotovelo que deve ser agonizante.

    E porquê o anonimato? não que uma assinatura virtual valha de muito, mas sempre é melhor que assinar como "anónimo".

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  15. Caro Emanuel,

    A forma baixa com que argumenta define V.Ex.ª na perfeição.

    Nem preciso conhecê-lo...

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  16. Caro Anónimo:

    Exactamente em que ponto as minhas afirmações são falsas?

    Cumps.

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