Sabroso, 50 anos depois...

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Castro de Sabroso
© SMS

Fez este ano, em Abril, 50 anos sobre a passagem de um grupo de investigadores ingleses no Castro de Sabroso. Este interessante monumento localiza-se no concelho de Guimarães, em S. Lourenço de Sande. Após a escavação intensiva de Martins Sarmento, em 1878, não se desenvolveram novas escavações no povoado até 1958, ao contrário do caso da Citânia de Briteiros, não muito longe, onde Mário Cardozo coordenou trabalhos de escavação e restauro durante décadas, no século XX.

A presença da brigada inglesa da Universidade de Oxford em Sabroso, coordenada por Christopher Hawkes, partiu da ideia de implementar novas metodologias de escavação em Portugal. Se nos anos cinquenta já se faziam no Norte da Europa escavações com análise da sobreposição dos estratos de ocupação e respectiva datação, com registo gráfico de todos os contextos, em Portugal, as escavações arqueológicas que se faziam consistiam em “desaterros”, através da abertura de trincheiras. Infelizmente, muitos sítios arqueológicos da Idade do Ferro no Norte de Portugal foram em parte escavados desta forma, frequentemente por pessoas que não tinham uma formação académica adequada, mas que eram simples curiosos. Consequentemente, os únicos registos existentes são alguns textos publicados, com conclusões formuladas, mas nenhum registo técnico, não permitindo portanto uma reinterpretação dessas escavações.

Além disto, em Portugal, entre a década de 20 e inícios da década de 70, as investigações históricas foram norteadas por um paradigma muito particular, histórico-culturalista e nacionalista. A intervenção de Hawkes no Castro de Sabroso, através de uma cooperação com a Sociedade Martins Sarmento, foi portanto pioneira, embora não tenha feito com que se mudassem os métodos seguidos. Mário Cardozo continuaria a fazer as suas trincheiras em Briteiros, apesar das críticas que lhe foram feitas por investigadores de outros países (vide pág. 408).

Entretanto, e 50 anos depois, falecido já C. Hawkes, o Castro de Sabroso, a algumas centenas de metros do recente Ave Parque (planta interactiva, com o castro na zona de parque), padece de uma praga de Acacea Dealbata (mais conhecida como mimosa), que tem dificultado uma possível valorização, esperando-se que uma requalificação florestal de todo o monte possa aniquilar a “invasão” da planta australiana.

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