Demagogia, Populismo e Eleitoralismo Fácil e Trágico (II)

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Quando leio sucessivos posts e comentários acerca da pomposa notícia da abertura de 2.000 vagas em Medicina, assaltam-me algumas dúvidas que ainda ninguém esclareceu e que passarei a enunciar.

1. Um Ministro não pode dar-se ao luxo de apresentar um número sem o justificar porque isso representa um enorme desprestígio para a política e para os políticos. Assim sendo, em que estudo baseia Correia de Campos a necessidade de se atingirem as 2.000 vagas no acesso a Medicina? Porquê 2.000 e não 5.000? Porquê agora? (*)

2. Quanto custa ao país oferecer mais 600 vagas? Quando prevê o Governo que esse aumento tenha impacto?

3. De que forma é que o aumento do número de licenciados melhora a qualidade do Serviço Nacional de Saúde quando o governo continua a encerrar serviços?

4. Onde estão os recursos humanos qualificados capazes de garantir formação de qualidade a mais 600 estudantes de Medicina?

5. Quais os hospitais de referência que serão associados a novos projectos que evetualmente venham a surgir? Existem mais hospitais (para além dos já comprometidos com as faculdades existentes) com qualidade e abrangência suficientes para servirem de retaguarda a uma projecto de ensino da Medicina?

6. Como garantir formação pós-graduada num momento em que as capacidades formativas dos hospitais estão já sobrecarregadas?

Se é certo que nada garante que o aluno de 18 tem vocação para ser médico, também nada garante que o de 17,8 vai ser bom Engenheiro Biomédico ou que o de 16 será um bom Arquitecto. As Faculdades de Medicina não exigem a entrada de alunos com 18 valores, o sistema e a procura do curso é que o determinam (alguém faz chegar esta explicação a Vital Moreira?). A discussão sobre o modelo de ingresso no ensino superior não pode ser confundida com a oferta formativa em Medicina até porque aumentar as vagas em Medicina, como está à vista de todos, não levou a nenhuma diminuição das notas médias de acesso.

(*) O único estudo independente sobre a matéria, coordenado pelo Professor Alberto Amaral, previa um excesso de médicos em 2012 (cito de memória) sem levar em conta o aumento sucessivo das vagas nas faculdades clássicas, a existência de tantos alunos portugueses a cursar em Espanha e na República Checa e o aumento da idade da reforma. Assim sendo, é de prever que o excesso de médicos se venha a atingir muito mais precocemente. Porque é que os governos insistem em repetir erros sinistros do passado cujas consequências estão à vista de todos no caso da formação de professores?

30 comentários:

  1. Parece-me que todos os pontos são neste momento do País óbvios (pelo menos para alguns).

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  2. Em relação à vocação, todo o modelo de acesso ao ensino superior tem sérias limitações. (E isto aplica-se a todos os cursos.)
    Este modelo deveria pois ser reformulado integrando provas de aptidão e vocacionais como é feito em outros países europeus. (Embora não haja garantias totais.)

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  3. 1. O Pedro tem a visão socialista da sociedade. Pensa que é preciso um burocrata para determinar o número de vagas de medicina porque senão a sociedade vai-se abaixo. Não se preocupe: se houver demasiadas vagas - pelo menos tantas que fomentem o desemprego entre os médicos - os alunos serão os primeiros a deixarem de se candidatar ao curso.

    Já agora, diga-me uma coisa: qual é a entidade responsável pela gestão do número de comerciantes, de escritores, de físicos, de cartomantes ou de blogers? Não existe. Fascinante, não é?

    2. Se a diminuição dos salários dos médicos na privada fizer com que algumas pessoas possam abandonar o SNS, se calhar o custo até é negativo. Será que o Dr. Alberto Amaral fez algum estudo acerca disso?

    3. Mais uma vez, o Pedro bate na mesma tecla. Não quero melhorar o SNS. Quero melhorar a Saúde. Se a melhoria vier do serviço privado, é-me indiferente.

    4. O Pedro não os pode conhecer porque até agora não foi necessário que eles aparecessem: com poucos alunos, não são necessários muitos professores.

    5. Com mais médicos (e a preço mais baixo) se calhar até aparecem hospitais privados. Já viu a heresia?

    6. Leia acima.

    Dou-lhe razão: são o sistema e a procura que determinam as elevadas médias.

    Mas o Pedro nunca se perguntou porquê? É fantástico. Segundo o Pedro, temos o número de médicos ideal, mas há, ainda assim, milhares e milhares de jovens que todos os anos se desunham para entrar no curso. Alguns até vão lá para fora estudar.

    Incrível, não é? Já estamos lotados. E ainda assim eles insistem.

    São todos imbecis. Só pode.

    Ou então desconfiam das previsões da Ordem. E dos posts do Pedro.

    um abraço

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  4. O curso de medicina não pode ser diferente dos restantes curso de ensino superior. Não se pode refugiar nem rácio de médico/ utente para justificar um excesso de vagas para este tipo de curso. O número pode ser suficiente, eu duvido, mas este facto não pode condicionar o acesso das pessoas ao curso. Em caso de excesso o mercado funciona por si, filtrando os melhores, ficado os que tem menos competências sujeitos a outro tipo de funções ao mesmo desemprego, como na generalidade das profissões.
    Para mim, é claro como água, que a medicina deveria ser liberalizada, podendo ser leccionada até por privados mediante requisitos de qualidade, permitindo pessoas com vocação (com notas mais baixas) aceder a esta licenciatura (na maioria com notas exageradas com pouquíssima vocação para este tipo de trabalho), melhorando os serviços prestados, ficando os utentes (clientes) a ganhar com esta selecção natural do mercado, retirando os maus prestadores de serviços (que são muitos !!!).

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  5. Eu gostaria é que me explica-se se não temos falta de médicos em Portugal pq é k eu não tenho direito a médico de família???? Isto parece-me mais uma questão de defesa do elite que pensa que é superior aos outros profissionais... não, temos todos valor, independentemente da profissão que exercemos. não fazia mal nenhum termos mais médicos pq assim os de agora não gozassem do estatuto que têm e começassem a ver a pessoa que está à sua frente como um ser humano... entristece-me é ver recém-formados com esta mentalidade. pensei que fossem mais iluminados...
    LSC

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  6. Aqui se pode ver o comportamento típico cooperativista deste tipo de pessoas. “Quantos menos melhor, ate já somos demais, porque temos que enriquecer rápido ás custas do parolos que nos chamas de Sr. Doutores (memos sem ter nenhum doutoramento, se calhar deveriam começar a pensar a assinar com dr. com qualquer licenciado com um simples pós-graduação)… mais vagas vai estragar o negocio de milhões”… Isto é o que se pode traduzir deste pseudo-elitistas que querem continuar num “estado novo” das costas vergadas!!!!
    Esta discussão já cheira a mofo!! É necessário novas mentes arejadas para a evolução conjunta da sociedade!!

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  7. Não é para comentar, mas apenas para o "felicitar" pela capacidade de insistir na defesa de uma ideia. O entre aspas é simplesmente porque não tenho a certeza de ser uma qualidade ou apenas teimosia. Nos profissionais em quem deposito a saúde e vida prefiro a capacidade humana de quem se interroga das suas certezas a um crente nas suas certezas mas sujeito aos erros de homem.
    A insistência numa linha de argumentação que pouco acrescenta ao argumento original leva-me a ter essa dúvida.
    De qualquer forma reconheço a capacidade de argumentação.

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  8. Desculpe Pedro, embora não o conheça desde já dou-lhe os parabéns pelo Blog.
    Nesta matéria acho que tem uma posição Estado-Novista de má memória, onde tudo era regido por um sistema corporativo, tudo era condicionado em favor dos interesses de gruposprofissionais e económicos, e por aí se vê ao estado a que o país chegou. Para ter uma ideia só no 25 de Abril a taxa de analfabetismo era de 38%.
    Ora nos tempos que correm a liberdade individual de opção de escolha é condição fundamental de progresso. Não vem nenhum mal a Portugal se houver médicos a mais, como também há engenheiros, professores, advogados, economistas...Os portugueses saberão separar o trigo do joio, e aqueles que estão a mais na profissão das duas uma: ou mudam ou então emigram como fazem milhares de portugueses dos mais variados ramos.

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  9. Fico preocupado com esta série de posts, seguindo estes raciocínios só posso concluir que a criação de escolas de medicina em Braga e Covilhã foi uma medida populista e não foi garantida a qualidade da formação nesses espaços. Para quando uma petição pelo encerramento dessas duas unidades?

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  10. "O Pedro tem a visão socialista da sociedade. Pensa que é preciso um burocrata para determinar o número de vagas de medicina porque senão a sociedade vai-se abaixo. Não se preocupe: se houver demasiadas vagas - pelo menos tantas que fomentem o desemprego entre os médicos - os alunos serão os primeiros a deixarem de se candidatar ao curso."

    "Ora nos tempos que correm a liberdade individual de opção de escolha é condição fundamental de progresso."

    Estes comentários falham o essencial.

    Os Estado tem aqui duas funções:
    1. Garantir que existem médicos suficientes em Portugal para as necessidades do país (em quantidade e qualidade) .
    2. Garantir que existe liberdade de acesso à profissão.

    Ora, mais uma vez, o Estado não compreende as suas funções:
    1. Se existem médicos suficientes, não é função do Estado promover o aumento dos licenciados, pelo simples facto de não serem necessários, ser um desperdício de recursos públicos, e por falsear o mercado ao fornecer um bem (que já não é essencial, por estar assegurado) abaixo do seu custo de produção. O excesso de médicos deve ser fornecido por universidades privadas, financiadas com dinheiro privado.

    2. Não existe liberdade de acesso, na medida em que o Estado limita o número de vagas, ao impedir os privados de fornecer este curso.


    É o Estado que é burocrata (corporativista) e não respeita a liberdade individual. Por um lado define um número de vagas para este curso. Por outro, assegura o monopólio da prestação deste curso.

    Podem e devem haver médicos a mais. Não faz sentido é que seja o Estado a financiar o desperdício.

    http://norteamos.blogspot.com

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  11. Da minha experiência não há falta de médicos. Há falta de organização, há médicos que não cumprem as horas legais (mas pedem pagamento de horas extra), médicos com funções de gestão sem formação para isso (só deveriam ter funções de direcção técnica), e médicos que andam aos parzinhos a evitar os doentes.

    Falta gestão e seriedade. Médicos, não sei se faltam...

    http://norteamos.blogspot.com

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  12. Evandro Miguel Saraiva10 de outubro de 2007 às 15:21

    resposta por pontos:

    1. um ministro não tem que dar um número. é certo. mas porque é que só na medicina é que o nº de vagas é restringido pelo ministro??? nos outros cursos e noutras univresidades, abrem-se as vagas que as universidades, supostamente autónomas para tudo menos para medicina, decidirem abrir.

    2. e quanto custa ao país abrir vagas em ensino de história ou em engenharia de materiais?? nunca ninguém pensou nisso?? e para quê??? para aumentar o nº de recem licenciados no desemprego??

    3. a saúde só pode ser garantida pelo serviço nacional de saúde?? aliás, o SNS está a morrer. Até a conferência de facturas foi privatizada. não é à toa que abrem hospitais privados em todo lado e os seguros de saúde são a regalia mais bem vista quando se procura emprego.

    4. há por aí muitos RH's formados dispostos a ganhar mais uns trocos a leccionar.

    5. isso, meu caro, tem de ser o aluno a responsabilizar-se pela escolhga que faz. já sabemos que um Arq. da Lúsiada tem o curso mais facilitado que um da FEUP... mas foi o que ele escolheu, certo??? se não arranjar trabalho.. azar.

    6. como todos os outros que apenas procuram um estágio: de borla, lá fora ou a pagar em instituições privadas. Não sei queal é o medo de privatizar o ensino de medicina.

    Por último, o que indigna os teus leitores não é a taua posição. é a máscara que colocas.

    bastava admitir que não queres mais vagas porque não te dá jeito!

    não digo que a abertura de vagas seja boa para o país, mas acho que proteccionismo excessivo ainda por cima por parte do estado é péssimo. descridibiliza a profissão, e faz com que os utentes cada vez vejam mais os médicos como seres inteligentes que querem ser ricos, abraçando a única profissão em portugal que garante fortunas a meros assalariados. Gostava ed ver médicos com mais espirito de iniciativa empresarial, e a regerem-se pelas mesmas contigencias de qualquer negocio. com certeza que iria baixar o preço das consultas. e começavam a passar recibo, coisa que nos últimos anos me tem prejudicado, pois cada vez que pagava entre 80 a 100 euros por uma consulta de especialidade, saía sem recibos ou então nunca mais conseguia uma marcação.... e só não digo o nome dos médicos porque é chato.

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  13. uma pergunta:


    porque é que desde há uns tempos não há posts "anti-mesquita"???


    mmmmm.....

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  14. Sou licenciado em enfermagem há dois anos, os meus pais fizeram um esforço terrível para as nossas possibilidades financeiras para que eu pudesse cursar enfermagem como sempre sonhei. Quando entrei no curso alentava a ilusão de me formar, trabalhar naquilo que sempre quis, numa entidade pública que me desse garantias de estabilidade.
    A realidade actual é que há enfermeiros às carradas no desemprego. Dos meus colegas só quem tinha "costas largas" conseguiu sequer oportunidade de trabalhar por contrato para o estado e mesmo assim muitos depois acabaram por levar um valente "pontapé no rabo" e "volte sempre" mesmo que a sua competência profissional e empenho diário fossem inquestionáveis só porque a seguir apareceu alguém cuja cunha era superior à sua.
    Os que conseguem emprego nas entidades privadas (tirando algumas excepções) fazem-no sempre com a sensação que assim que as facilidades de primeiro emprego terminarem terão o mesmo destino e a mesma sola de bota a rasparem-lhe os pelos do rabo. Outros por necessidade sujeitam-se, para poderem trabalhar, a receber das entidades privadas 2/3 ou até menos do ordenado que por lei deveriam receber. "Se não quiserem há mais quem queira" ouço todo o santo dia!!!
    Olhando à minha volta vejo sair anualmente mais uns bons milhares de licenciados em enfermagem e a procura deste curso não me parece que tenha descido de forma significativa nestes últimos dois anos mesmo sabendo-se esta realidade. Quanto à qualidade dos serviços de enfermagem não me parece que com este tipo de selecção tenha tido ou terá qualquer tipo de melhoria para o utente ou para a qualidade de saúde em geral.
    No entanto consigo ver aqui muitos pontos positivos:
    -As entidades do dinheiro, proprietárias das instituições de ensino privadas (e grande parte dos nossos governantes e políticos lá conseguem estar lá por dentro e aproveitarem para espetar a unha, continuam a enriquecer ao venderem cursos compulsivamente, muitas vezes de qualidade formativa duvidosa, mas que estão sempre lotados.
    - As entidades privadas que possuem clínicas /instituições de saúde (as maiores quase sempre ligados aos de cima) dão-se ao luxo de se aproveitarem da necessidade de emprego das pessoas pondo-as a trabalhar gratuitamente à experiência e/ou aproveitando-se de regalias sociais e/ou dando-se ao luxo de pagarem abaixo (MUITO) dos preços de lei.
    - Quem está em posições de decisão no público também beneficia já que claramente mesmo que os pagamentos não sejam em numerários sempre existirá aquela dívida para fulano ou beltrano que me arranjou emprego ,etc...
    Já é bastante gente a beneficiar o que sempre tornará a coisa não tão má, sobretudo que quem manda neste país mantém os seus bons hábitos tachistas.

    Resumindo e num estilo á professor Marcelo diria:
    há desemprego em enfermagem? - Há
    há benefícios para a saúde? - Não
    Mas há quem beneficie com isso?- HÀ
    Mas é a população utente? - Não
    São os suspeitos do costume? - São

    Não sei se em medicina poderá trilhar caminhos diferentes mas a minha realidade é que em enfermagem trouxe e trará consequências nefastas para a sociedade e abre caminhos a realidades terceiro-mundistas.

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  15. Ao ver os comentários abaixo surgiu-me uma sugestão...e porque não pedirmos aos alunos no 12º para preencherem primeiro as candidaturas com os cursos que querem ir e depois entregar as universidades "os sonhos" dos meninos para que assim ninguém fique sem cumprir o seu sonho...sim...porque não é só em medicina que há sonhos e vocações..liberalizar e a palavra de ordem...pena que quem o defende para os médicos sejam muitas vezes os mesmos que se insurgem contra o facto de o governo ter "enganado" os nossos jovens licenciados com cursos dos quais não havia necessidade. Não se trata de defender uma elite (até porque a noção de elite não está em nós mas naqueles que exigem para nós um tratamento especial) trata-se de defender o que é justo...o que pedimos para a medicina pedimos também para os outros cursos que o governo pense plane e estude as necessidades reais do pais e adeque as vagas a essas necessidades para que não esteja a investir em formar profissionais que vão acabar a realizar profissões muito menos qualificadas. quanto ao facto de não haver médicos em número suficiente existe uma coisa que muitos se esqueçem..um médico demora 6 anos a formar..um especialista pode ir até 11 anos...existe de facto uma falta real de médicos neste momento e essa falta foi compensada pela abertura das faculdades de medicina no Minho e na Covilhã e o aumento de vagas nas restantes faculdades. Esses esforços só vão dar frutos visiveis para a população daqui a cerca de 6 anos (considerando que estão agora a sair os primeiros licenciados) e entretanto a saúde está a pagar os erros dos anos anteriores...Não é por no momento não termos médicos de familia que vamos desatar numa loucura de abrir vagas a torto e a direito porque isso não vai fazer com que nos proximos anos tenhamos um médico de família...apenas fará com que daqui a alguns anos muitos dos sonhadores de hoje se arrependam amargamente do investimento pessoal (bastante grande posso garantir) e financeiro que fizeram por um curso e um país que agora tudo o que lhes tem para oferecer é o desemprego ou um posto que poderiam ter exercido mesmo sem a formação qualificada (e cara para o estado).

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  16. não é medicina ou deixar de ser.

    ou há tratamento idêntico a todos os cursos e em todos apenas se abrirem vagas suficientes para quem vai ter emprego, e de forma a proprocionar qualidade em todos os serviços...

    ou há selvajaria para todos. saúde incluída.


    mas acho que a questão devia ser colocada aos profissionais de ensino... depois aos advogados... etc.

    todos querem protecção por parte do estado. deverá o estado proteger? e essa proteccção deverá ser igualitária???

    esse é que é o cerne da questão.

    Um governo de esquerda diria que sim, um de direita diria que não. A esquerda iria responsabilizar o estado a direita a liberdade de esolha.

    agora pensem nos vossos valores. são iguais em todas as situações ou somos de esquerda e de direita na medida exacta do que nos vai dando jeito??

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  17. cidadão em lista de espera no portugal profundo10 de outubro de 2007 às 16:25

    a par da putas acho que os médicos são das unicas profissões que têm sempre emprego.

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  18. As perguntas que o Pedro lançou são muito pertinentes e abordam o assunto de forma séria. É por isso que ninguém contra-argumenta. Apenas lançam fumo para este debate.

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  19. Cá vai umas respostas ás perguntas do Pedro:
    1- Aposto que em nenhum estudo, mas tem um bom fundamento, aumentar o número de formados nesta área, de forma a aumentar a concorrência e por sua vez a qualidade, só os bons se safam (digo eu).

    2- “Quanto custa ao país oferecer mais 600 vagas?”
    Aposto que menos que as derrapagens da casa da musica, túnel do marquês, túnel do terreiro do paço ou mesmo que as derrapagens dos estádios do euro 2004 ou metro do porto, por isso se é para formar mais pessoas todo o investimento é valido comparado com certos desperdício.

    3- Esta é fácil, maior oferta, melhor escolha logo melhor qualidade(lei do mercado) .

    A 4,5 e 6 se não houver em Portugal, meus amigos estamos num mundo globalizado, existem milhares de protocolos e ainda se pode fazer mais com países da União Europeia que estariam disposto a colaborar!!

    Mais alguma pergunta? ;)

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  20. Anda pouco atento ao que se tem discutido sobre o mundo da medicina... muito menos aos problemas que a falta de médicos tem causado... menos ainda sabe para que servem os médicos e as razões porque não se quer ver as vagas aumentadas... está com medo da concorrência ou da sombra dos seus próprios colegas lhe podem fazer?

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  21. Caro Pedro Menezes Simões

    "É o Estado que é burocrata (corporativista) e não respeita a liberdade individual. Por um lado define um número de vagas para este curso. Por outro, assegura o monopólio da prestação deste curso.

    Podem e devem haver médicos a mais. Não faz sentido é que seja o Estado a financiar o desperdício."

    De acordo. Mas a Ordem dos Médicos não tem feito outra coisa que não proteger este status quo. O Estado é corporativista? É. A Ordem é complacente? Sem dúvida.

    Anónimo das 16:36

    Penso que tem já 19 comentários a contra-argumentar às perguntas que o Pedro Morgado lançou. Até agora, penso que o único a não contra-argumentar tem sido o próprio Pedro, que se tem escudado no mesmo bolorento argumento.

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  22. Completamente de acordo com o anónimo das 15.42, acho que esse é mesmo o cerne da questão. Em relação a quem diz "se houver médicos a mais, azar, também há advogados e engenheiros e professores a mais", gostaria de saber se essas pessoas se encontram a trabalhar na área em que estudaram. Suponho que caso se encontrem, não se importariam nada de mudar para um emprego completamente diferente, e caso não estejam, aposto que estão muito felizes por terem estudado muitos anos para nada. Porque afinal, para eles o que conta é a "lógica de mercado" e o resto que se lixe. Acho que o caminho não é piorar o que está bem para ficarmos todos em pé de igualdade, mas sim melhorar o que está mal. Também não percebo aqueles que dizem "vamos realizar o sonho de quem quer ser médico" para logo a seguir acharem muito bem se esses sonhadores forem depois para o desemprego. Em que é que ficamos?

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  23. Acho muito estranho que um recém licenciado em medicina que ainda mal começou a trabalhar já esteja preocupado com os concorrentes que lhe poderiam tirar o emprego...

    E que tal se começasses a trabalhar, procurasses aprender para seres cada vez melhor em vez de te preocupares com os outros que te possam tirar o lugar?

    Que postura, daqui a um ano já deves querer reformar-te só pode...

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  24. ó 20:10, obrigada por resumires a sensação com que fico depois de ler estes posts. eu, que sou de LLM (letras) fico contente por ter colegas novos a entrar no meu curso, não ando aí toda raivosa a pensar que é mais gente para me tirar um hipotético lugar.
    mas isto parece não ser de hoje. TODA a gente que eu conheço que cursou medicina ressentiu a enorme concorrência entre colegas. não emprestar apontamentos ou até emprestar apontamentos errados só para passar à frente.

    o que me comove é que parece que são os desgraçadinhos dos advogados, professores, investigadores que estão no desemprego os que ainda mantêm alguma solidariedade entre si. mesmo sabendo que são 7 cães a um osso por cada emprego.

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  25. «A discussão sobre o modelo de ingresso no ensino superior não pode ser confundida com a oferta formativa em Medicina até porque aumentar as vagas em Medicina, como está à vista de todos, não levou a nenhuma diminuição das notas médias de acesso.»

    Ou seja, afirmas inequivocamente que o sistema está bom e recomenda-se.

    As vagas aumentaram e a média manteve-se? O problema da vocação não se coloca? Isso só reforça os argumentos contrários aos que esboças. Supondo que a última nota de entrada era um 18.12 (sim, porque vai às centésimas), qual é a diferença entre um aluno de 18.12 e um com 18.11 ? A sério. Qual é? A vocação não deveria ser um factor absolutamente determinante?

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  26. Gostaria de saber como é que a vocação pode, do ponto de vista prático funcionar como forma de seriação?
    Parece-me que já estou a ver "tu tens uma vocação boa Manelinho, mas a do Joãozinho é um bocadinho maior". Como é que seria possível? E não me venham falar em testes psicotécnicos, que esses qualquer criança de 5 anos pode iludir! Já para não falar que isso seria uma boa forma de fazer entrar muitas "cunhas", ou acham que alguém se atreveria a dizer que o filho do "fulaninho de tal" não tem vocação?
    E já agora, a vocação de um imagiologista é igual à de um pediatra, ou pode ser mais pequena um bocadino, já que não lida tão de perto com os doentes?

    Gostava só de acrescentar, como recém licenciada em Medicina, que NUNCA nenhum colega me negou um apontamento, e às vezes até estudamos juntos, quem diria, ah? E tiramos dúvidas uns com os outros...devemos ser muito estranhos...a julgar pelo que dizem de nós.

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  27. Há aqui dois pontos a meu ver que urge clarificar:

    1 - É necessário entender que a formação médica não termina no final do 6ºano. Este é apenas metade do caminho. NENHUM recém-formado em Portugal pode exercer mais do que a medicina tutelada, isto é, requer alguém a supervisioná-lo.Isto durante dois anos até ter autonomia. Esta autonomia mesmo assim, não significa que este possa exercer como especialista pois nesta fase ainda está em fase inicial da sua formação na especialidade já que desde que acabe o curso nunca demorará menos de 4 anos a que alguém possa exercer livremente como especialista.
    Ora, explicado isto, resta aqui dizer que um ponto que é fulcral, é saber até que ponto haverá infra-estruturas e pessoal habilitado de forma a garantir a qualidade da formação pós-graduada que até aqui aconteceu. È que este ano com a chegada de 1100 recém-licenciados em universidades portuguesas + cerca de 200 alunos licenciados em universidades estrangeiras já se questiona até que ponto o SNS terá condições para garantir que estes licenciados possam ter uma formação à altura de desempenhar com competência as funções para as quais estarão habilitados.
    Sendo do conhecimento geral que cada ano há mais alunos a formarem-se no estrangeiro e daqui a 6 anos teremos mais 1400 só em Portugal resta saber, fazendo as contas a cerca de 600 provenientes do estrangeiro + 1400 de universidades portuguesas = 2000 recém licenciados, se o SNS conseguirá dar formação pós-graduada qualificada a estes licenciados e isto, eu muito sinceramente, duvido!
    Rematando, e contrariando aqueles que pensam que haverá desemprego médico, NÃO haverá desemprego médico, haverá DESEMPREGO DE LICENCIADOS COM HABILITAÇÔES A EXERCER MEDICINA TUTELADA (pessoas que estudaram 6 anos medicina mas que não exercem livremente enão tem outro tipo de habilitação sequer). Isto não criará concorrência alguma porque os habilitados a exercer medicina a sair para o mercado serão exactamente os previstos, isto é, tantos quanto o SNS tiver capacidade de formar para exercer uma especialidade. Até se poderiam formar em medicina 1 milhão de pessoas que só exerceriam aqueles que ingressassem no internato da especialidade.
    Por aqui vocês poderão entender que o que preocupa o Pedro, e a mim, e a quem está por dentro desta realidade, não é a nossa costela porque nós ingressaremos no internato da especialidade. Preocupa-nos é que se utilize a Demagogia, Populismo e Eleitoralismo fácil, sobretudo vindo de quem, mais do que ninguém,tem perfeito conhecimento desta realidade mas cujas pressões eleitorais assim o justificam.

    2- Ouço muitas vozes a levantarem-se pela introdução de provas de aferição de vocação. Ora, aqui mais um ponto a clarificar. Um professor quando acaba a licenciatura está apto a exercer as funções de ensino para as quais está certificado, um enfermeiro para exercer as funções de enfermagem,....
    Ora, na medicina quando se termina poder-se-á exercer em varíadissimos ramos diferenciados cuja vocação principal pode ser até muitas vezes antagónica. Um Clínico Geral deverá ter vocação para criar empatia com os doentes, saber ouvi-los, etc... por seu lado um cirurgião deverá ter vocação para executar movimentos técnicos minuciosos com precisão ou um patologista (que passa sobretudo o seu dia a ver lâminas ao microscópio) deverá ter vocação para se concentrar nos pormenores ínfimos de uma célula que condicionam um diagnóstico diferente (exemplos por alto, é óbvio que isto é muito mais complexo).E, qualquer um destes, é Médico e licenciado na mesma área apesar de exercerem funções tão diferenciadas e cujas vocações são tão diferentes.
    Termino com um exemplo que me parece pertinente da incongruência de uma prova de vocação ou aptidão como lhe queiram chamar:
    O Professor Sobrinho Simões, reconhecido médico, investigador e professor, galardoado por exemplo com o prémio Pessoa tem como especialidade de formação Anatomia Patológica. O próprio reconheceu em muitos eventos e revistas a incapacidade que tem para falar com os doentes. Este exemplo, de provavelmente um dos mais brilhantes médicos da actualidade, premiado tanto nacional como internacionalmente que, uma prova desse tipo, excluiria com toda a certeza.
    E já nem quis por aqui entrar por outros campos de argumentação que desprestigiam o país e os princípios de muitos dos seus cidadãos.

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  28. O que é que o Pedro Nunes diria se o Correia de Campos viesse dizer que o Governo, ao invés de querer aumentar o numerus clausus de 1400 para 2000, anunciasse o corte de 600 vagas? Ou, já agora, o regresso às 500 vagas (!) de há 10 ou 12 anos atrás? Provavelmente, o senhor (Pedro Nunes), que está sempre tão a postos para mandar as suas postas de pescada ao ar por tudo e por nada (qualquer dia ainda lhe cai uma em cima), ficaria mudo. Importam-se mais uns quantos médicos sul-americanos, russos, ucranianos, espanhóis e PALOP's para meter no SNS e o assunto lá se vai resolvendo.

    Falta de planeamento? Sempre que se falou, no passado, e se fala, no presente, em aumento de vagas (quer nos cursos já existentes quer com a criação de novos cursos - ver os casos da UM e da UBI) ocorre uma onda de histerismo ecoante com origem na Ordem dos Médicos. Não é extraordinário?

    O que é facto é que os serviços do SNS estão literalmente inundados de pessoal médico estrangeiro importado para colmatar as falhas nacionais (das urgências hospitalares aos centros de saúde). O que é facto é que a medicina pública está demasiado lenta e a medicina privada está demasiado cara. E demasiado cara para aquilo que, na maioria das vezes, oferece em termos de qualidade. Um exemplo simples: pagar-se 100 euros, nem que seja por 10 minutos de consulta, numa especialidade qualquer (neurologia, por exemplo), precedida por cerca de uma hora ou mais de espera, numa dessas clínicas privadas comuns. Traduzindo por miúdos: um preço demasiado elevado para um serviço de fraca qualidade.

    Bom, não é preciso ser-se economista ou gestor para se perceber, em parte, o porquê desta situação se ter arrastado desde há décadas até hoje. O tempo das vacas gordas está para acabar e a Ordem dos Médicos (ciente disso) não tem alternativa senão resignar-se perante os factos e, talvez, assumir as suas responsabilidades (ficar-lhe-ia bem, como instituição de interesse público que, alegadamente, é - há quem tenha dúvidas). Eu diria que é a vida (ou, antes, o mercado).

    E quanto às 600 vagas adicionais: sim, criem-se novos cursos ou, de uma vez por todas, enfrentem-se as pressões (corporativas), e abra-se o curso de Medicina ao sector privado (que já mostrou por inúmeras vezes interesse em investir nele), tal como todo e qualquer outro curso neste país (esta seria, na minha opinião, a melhor solução, com TODA a legitimidade). O que é inadmíssivel é que tal ainda não tenha acontecido devido às barreiras interpostas pelos interesses instalados de alguns.

    As minhas condolências.

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  29. Eu até posso compreender que se ache bem abrir mais vagas em Medicina quando se desconhece como se processa a carreira médica. Mas depois de já tantos terem aqui clarificado essa questão, não percebo como é que se continua a bater na mesma tecla, acho que é não querer perceber o óbvio. Aumentar as vagas NÃO aumenta os médicos autónomos, aumenta OS LICENCIADOS, que necessitam de ser supervisionados e que não podem, por exemplo, passar receitas. É OBRIGATÓRIO passar 4 a 7 anos pelo Serviço Nacional de Saúde (dependendo das especialidades). Nem todos os hospitais têm capacidade para receber internos. E os que têm, não têm "lugar" para formar muitos mais licenciados do que os que saem agora das faculdades. Um licenciado não pode abrir um consultório enquanto não fizer todos esses estágios. Um licenciado sem vaga no SNS não chega sequer a ser filtrado pela sociedade porque não pode POR LEI ser médico de forma autónoma. Não faz sentido licenciar médicos "porque sim" e que depois não têm uma vaga para COMPLETAR a sua formação que é OBRIGATÓRIA e não FACULTATIVA. Aumentar as vagas não aumenta os médicos de família porque a maioria desses licenciados não vai sequer chegar a sê-lo.
    E não venham dizer que os recém-licenciados são pouco iluminados, egoístas e pessoas com medo que lhes tirem o lugar. Aumentar as vagas para 2000 alunos nos vai afectar directamente em nada. Quando esses alunos sairem das universidades, já seremos especialistas. Mas nós, pessoas elitistas, pelos vistos estamos preocupadas com a vida de hipotéticos futuros estudantes que nem conhecemos. Isto é ser corporativista?

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  30. Meu caro, não está a dar novidade a ninguém. Contudo, tomo a liberdade de citar um dos comentários acima para responder aos comentário imediatamente anterior a este: "6. como todos os outros que apenas procuram um estágio: de borla, lá fora ou a pagar em instituições privadas. Não sei queal é o medo de privatizar o ensino de medicina.". Passe bem, se conseguir.

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