Avenida Central

Madeira, Alberto João Jardim e a Deriva Independentista

| 3 Comentários | Partilhar
Quem trata a Madeira como o centro do anedotário nacional está a subvalorizar os obsessivos ataques à coesão nacional perpetrados pelos seus líderes. Detenhamo-nos nas últimas declarações de Jardim Ramos, a propósito da recusa do Govenro Regional em cumprir a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG):

«o Governo da República não pode impor colonialmente a esta região autónoma uma lei que 64 por cento da população rejeitou no referendo»

Esta afirmação encerra vários equívocos que, acreditamos, não serão fortuitos ou acidentais. Desde logo, a população da Madeira não rejeitou a Lei referida porque esta não foi referendada. O que se referendou foi a despenalização da IVG até às 10 semanas de gestação. O Partido Socialista, com o mandato que os portugueses lhe conferiram nas últimas Legislativas, entendeu que a IVG, despenalizada até às 10 semanas com a concordância dos portugueses em Referendo, deveria realizar-se a título gratuito nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (opção da qual, aliás, discordo). Esta posição não invalida que, sem referendo, seja politicamente legítimo que outra maioria parlamentar venha a taxar ou retirar do SNS a prática da IVG.
Por outro lado, o resultado do referendo na Madeira (ou noutra região) não tem qualquer valor jurídico ou político por si. Tratou-se de uma consulta nacional e os seus resultados só poderão ter, juridicamente, uma leitura global.

Assim, a argumentação aduzida pelo Governo Regional é demagógica, populista e intelectualmente desonesta, não lhe restando outra saída que não seja o estrito cumprimento da Lei que as instituições democráticas portuguesas legitimamente aprovaram.

A Moderação Pertinente

| 5 Comentários | Partilhar
Em Fevereiro de 2007, os portugueses votaram maioritariamente a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) até às 10 semanas de gestação. O resultado do referendo, apesar de não ser vinculativo, levou a que a Assembleia da República tivesse legitimidade política para alterar a lei, desepenalizando a IVG.

A ideia de isentar a IVG de taxas moderadoras é uma opção política deste governo que nada tem a ver com o que os portugueses expressaram, através do voto, no último referendo. Mas essa isenção é, sobretudo, um tremendo erro político que tem que ser rapidamente corrigido. É que haverá poucas situações em que moderação é mais pertinente que no caso da IVG.
"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores