Braga: Uma Cidade, Dois Estádios

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Vasco Eiriz, no blogue Empreender, diz que «clubes ricos, em cidades ricas de países ricos são assim mesmo: um estádio não lhes chega.» A questão não é nova: a construção do Estádio Municipal de Braga foi um erro estratégico que teremos todos que pagar ao longo dos próximos (muitos) anos.

A impossibilidade de demolir o Estádio 1º de Maio, justificada pela sua monumentalidade, era motivo bastante para se ter optado por remodelar aquele recinto para receber os 2 jogos do Euro 2004. Renovado, o Estádio 1º de Maio seria em tudo superior ao novo Municipal de Braga, com excepção da celebrada originalidade arquitectónica deste. A localização periférica, o desconforto evidente, a aridez climatérica, a desfuncionalidade, os maus acessos e a falta de estacionamento são alguns dos maiores males de que enferma o novo Municipal de Braga, contribuindo para que a ocupação média não vá além dos 30% da capacidade total.

Contudo, os erros de planeamento não se resumem às evidentes lacunas no conforto proporcionado aos adeptos. Nos dias que correm , qualquer estádio moderno é pensado numa lógica de maximização de lucros através da criação de áreas comerciais permanentes, complementares à função de recinto desportivo. Nada disto foi pensado para o Municipal de Braga. A venda dos direitos de naming é a única fonte extraordinária de receita ao dispor do clube que lhe tem dado uso.

Na impossibilidade de evitar muitos dos erros cometidos, importará agora continuar a travar a degradação do Estádio 1º de Maio e encontrar soluções que minimizem o desconforto dos adeptos no Municipal de Braga e maximizem as receitas provenientes deste recinto desportivo.

Uma coisa é certa: a cidade que construiu dois estádios, ainda não foi capaz de construir um novo hospital. Prioridades.

9 comentários:

  1. O que seria de esperar num país que abre (controi) estádio e encerra urgências, blocos de parto,...?

    Continuo a dizer que em Portugal as coisas são feitas para o momento e nunca numa prespectiva de futuro. Principalmente na povoação do país e na saúde nacional não vejo uma única política de futuro.
    Em termos de reigiões e autarquias o mesmo se passa.
    É triste mas é o país que temos... onde importa mais a europa do que Portugal...

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  2. A afirmação não é minha, já a vi expressa em qualquer sítio, mas uma coisa tenho por certa: se fosse o Mesquita Machado a fazer o novo hospital de Braga, já estava a funcionar há muito. As burocracias da administração central assim arrastam no tempo o que poderia estar feito há muito.
    Quanto aos estádios: ouço por aí as pessoas a lamentar que faltam espaços desportivos, que faltam espaços verdes... Então, em que ficamos?
    Sei que o Sporting de Braga continua a ser o principal utilizador do 1.º de Maio. Mas não é ele o maior clube da cidade, com as várias escolas de formação?! Onde é que essa miudagem treina? Também é no estádio velho, não?
    Afinal aqueles que sempre estão dispostos a criticar a existência de dois estádios em Braga, são os primeiros a vir a público defender que a Câmara e o Mesquita devem dar terrenos ao Braga e apoiar a construção de um centro de alto rendimento desportivo, a tal academia!!!...
    Quanto ao novo estádio, ainda vou apreciar, talvez daqui a dez anitos, a conversa daqueles que hoje só lhe vêem defitos... Que os tem, mas é também uma grande obra, que honra quem a mandou fazer, quem a fez, quem a usa e quem a paga, como eu.
    Una nova centralidade está feita a partir deste edifício-âncora. Não vai levar muito tempo, completado que seja o projecto do tal parque urbano, e veremos, acredito, uma nova cidade nesta zona do concelho...
    São apenas opiniões, como é claro.
    PSousa

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  3. Poderíamos perder um bom par de horas a debater a questão dos dois estádios em Braga, que encontraríamos argumentos válidos para defender qualquer uma das posições.

    No entanto, o parágrafo que encerra este artigo do Pedro Morgado, encerra uma realidade, com tanto de indesmentível, como de pertinente:
    Braga é uma cidade com dois belos estádios e "meio" hospital. Que coisa estranha não?!

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  4. "A localização periférica, o desconforto evidente, a aridez climatérica, a desfuncionalidade, os maus acessos e a falta de estacionamento são alguns dos maiores males de que enferma o novo Municipal de Braga"

    Caro Pedro, a maioria das vezes estou de acordo com as suas opiniões, neste caso permita-me que discorde completamente do que diz sobre a localização do estádio. Os acessos são bons, há mais lugares de estacionamento. Hoje em dia já não há cidades com estádios novos num centro de cidade. Mas acima de tudo a construção do estadio nesta zona da cidade permite revitalizar uma zona que ia dar-se como "perdida" devido ás condições existentes anteriormente.
    Quato ao hospital e á sua construção não ponham tudo no mesmo saco, o dinheiro dos estádios nada tem a ver com dinheiros para hospitais. Boa tarde e coninuação de bom trabalho, uma voz critica da cidade é sempre bem vinda!

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  5. tb não concordo que o estádio tenha maus acessos e falta de estacionamento, é evidente que em dia de jogos todas as pessoas querem ir de carro(eu incluido)o que torna evidentemente congestionamento no trânsito, mas do estádio à minha casa em nogueira, demoro sempre entre 15,20minutos. Em relação ao estacionamento,se fosse no 1º de Maio, seria pior, com a crescente massa associativa o centro da cidade iria ser um caos, porque ainda assim as pessoas n iriam de transportes publicos, de certeza.
    Em relação ao hospital que é necessário, concerteza, e quanto mais rápido melhor, todos nós sabemos que depende do poder central.

    ps: acho que merecia um post esta frase do nosso "amigo" saramago.
    li-a hj na revista NS "Portugal acabará por se entegrar em Espanha", mais ao menos isto, ja nao me recordo bem.

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  6. Os estacionamentos junto ao Axa parecem clandestinos: terra batida, preços elevados sem passamento de recibo, ausência de vigilância (já me tiraram num desses "parques" a antena do carro). O Axa nunca enche, ficando, normalmente, pelos 25% de lugares ocupados e, mesmo assim, a dificuldade para estacionar é gritante. Quem pensou (?) as acessibilidades tê-lo-á feito contando de antemão com um estádio às moscas?
    Quanto ao Estádio 1º/28 de Maio, acho muitíssimo bem que se lhe não tenha mexido (pelo menos, teria sido obrigatória a colocação de cadeiras de plástico). Teria equivalido a uma vandalização, dado o seu estilo Estado Novo, que, queiramos ou não, é parte indissociável da nossa História. Já bastam os horríveis painéis publicitários a acrescentar-lhe um aspecto sucata...
    Para finalizar: o SCB não tem dois estádios, nem sequer um. Lembro que ambos são municipais, i. é, infra-estruturas da cidade, logo, pertença dos munícipes. Hábitos de novos-ricos têm, isso sim, clubes como Porto, Benfica e Sporting que possuem os seus próprios estádios. Digo novos-ricos lembrando que na Alemanha quase todos os estádios são municipais.

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  7. Caro Pedro Morgado,

    posso concordar que faltam algumas coisitas para que o Estádio Municipal de Braga seja perfeito. No entanto, comparativamente ao belíssimo 1º de Maio, o novo é muito mais confortável, só quem não os utiliza pode dizer o contrário.

    Já agora, sabe com certeza que a construção de hospitais é da exclusiva competência do Governo, não da Câmara Municipal. Então, porque diabo é que faz afirmações que induzem em erro o leitor menos esclarecido?

    Concordo com o psousa: se dependesse do Mesquita, o hospital já estaria feito há muito tempo...

    JPires

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  8. o EMB é de longe o pior estádio que foi construído para o Euro. Se pensarmos então no que custou. ..aquilo passa a ser um crime....

    É um estádio mau demais para ser verdade..infelizmente o maior prejudicado é o público braguista..

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  9. Comentários como o antecedente são a melhor prova de que estamos perante uma obra grandiosa... Senão, não obrigaria alguns indivíduos a fazer afirmações tão imbecis como estas... Obviamente que estamos perante uma imponente intervenção arquitectónica e de engenharia civil, que prestigia estas artes, os seus autores, o país e quem teve o arrojo de a encomendar e pagar, sujeito que está ao escrutínio eleitoral.

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