«mas nunca deixei de me interrogar por que Afonso Henriques era sempre apresentado como o primeiro rei de Portugal... e não a mãe. E por que a data fundadora do estado português, finalmente "independente", tinha que ser associada à Conferência de Zamora (1143) e à circunstância trivial de um acordo de paz entre primos desavindos. Confesso que preferia que a História de Portugal tivesse, à cabeça, uma rainha e não um rei. E confesso também que partilho com Marsilio Cassoti um grande e antigo fascínio pela figura de D.Teresa, a rainha-mãe.» [Ademar Santos, abnoxio]
Nascido há 4 anos, o abnoxio é uma referência. Ademar Santos é um mestre na ironia, um exemplo no manejo da Língua e um visionário no pensar. Leio-o religiosamente todos os dias e ressaco-o nas ausências e pausas. Não é puro onanismo como comentava um leitor, mas antes elixir intelectual, porto seguro de paródia certeira sobre a insanidade que nos rodeia. Altamente recomendado.

