Brincar com a Saúde

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«Os técnicos de ambulância de emergência apresentarão em Setembro um pré-aviso de greve e poderão deixar de transportar os doentes com gripe A, se o Governo não avançar com a carreira de técnico de emergência pré-hospitalar[DN]

Para além da manifesta falta de ética e do inaceitável oportunismo, este pré-anúncio de greve expõe com clareza alguns dos perigos de criar uma carreira de técnicos de emergência pré-hospitalar para enquadrar pessoas sem a desejável formação académica. O governo não pode vergar-se perante o sindicalismo mais egoísta e ignóbil. Além do mais, num país claramente excedentário de enfermeiros, não há qualquer sentido em criar a dita carreira.

16 comentários:

  1. Caro Pedro,

    O momento e a chantagem face a esta situação é realmente lamentável e, pode até, manchar a causa[carreira de técnico de ambulância de emergência] destes profissionais.

    De facto, não compreendo que realidade tu percepcionas. Vejamos,
    esta carreira está definida em vários países (EUA, Espanha, França etc.) de Técnico de Emergência Médica (ou paramédico em outros países). Nestes países, já com a carreira de Técnico de Emergência instituída já há vários anos, se um médico quer trabalhar em emergência pré-hospitalar tem de ter o mesmo curso de formação que um Técnico de Emergência teve. Logo, a formação académica para esta área não é essencial mas sim complementar.

    Hás de reparar que na tua formação académica tiveste menos horas (se houve alguma) de formação em técnicas de emergência pré-hospitalar (pelo menos curricular) que um simples bombeiro de 3ª classe que possui um curso de Técnicas de Socorrismo de 50 horas. Por isso, se comparares um licenciado em medicina ou mesmo um médico fora da área da emergência pré-hospitalar verás, se o preconceito não te cegar, facilmente que um Técnico de Emergência está bem mais capacitado (ao nível da formação em emergência) para responder ao serviço do socorro.

    Agora, explica, por favor, a expressão "enfermeiros em excesso"? Existe alguma quota da profissão ou andas a confundir formação académica com profissão. Já é hora de percebemos que não há licenciados a mais ou formados a mais, a formação não tem quotas e o conhecimento adquirido é, só por si, razão suficiente para um curso exista mesmo que o Mercado de trabalho não o absorva. Porque, quando falamos em excesso de licenciados ou formados numa área estamos a discutir a quota de mercado desta licenciatura e não o conhecimento adquiro no decurso desta.

    O que vimos é que os profissionais de algumas áreas instalam, em nome do corporativismo condições (estúpidas) na formação de futuros profissionais somente para garantir o monopólio da profissão consequente.

    Já agora tu vociferaste que: O governo não pode vergar-se perante o sindicalismo mais egoísta e ignóbil..

    Se quiseres discutir oportunismo e sindicalismo mais egoísta e ignóbil olha para os representantes da tua classe profissional e vê o que ela tem feito durante todos estes anos em matéria de oportunismo e sindicalismo ignóbil (ao qual acrescentaria mais alguns adjectivos) e quanto o governo já vergou perante estes. Resultado, uma estúpida contracção de formados em medicina com as consequências que estamos fartos de conhecer.

    Enfim.

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  2. "Já é hora de percebemos que não há licenciados a mais ou formados a mais, a formação não tem quotas e o conhecimento adquirido é, só por si, razão suficiente para um curso exista mesmo que o Mercado de trabalho não o absorva."

    Adoro a forma como a actividade "brincar com o dinheiro dos contribuintes" se instalou como desporto nacional.

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  3. Um médico a falar de oportunismo de classe só pode ser gozo.
    Em todo o mundo desenvolvido existem técnicos de emergência médica mas Portugal, país de luxos, é o único que tem médicos e enfermeiros a fazer este serviço, quando nos hospitais há falta deles.
    Falta dizer que os médicos e os enfermeiros fazem este serviço em part time e ganham balúrdios por hora.
    Adiante.
    Eu quero saber qual é a formação do Pedro Morgado na área de emergência médica.
    Quantas vezes fez uma rcp ou uma imobilização.
    Quero saber qual é a formação que se´dá nas faculdades de medicina e enfermagem em que estes profissionais nem sequer sabem usar um colar cervical.
    Pois é, os TAE sabem.
    Oportunismo é inventar uma chamada anónima dizendo que houve sabotagem no caso do avastin para que a negligência passasse incólume.
    Outra coisa.
    O estado não serve para dar emprego e se os enferemiros estão no desemprego que emigrem ou escolham outra profissão.
    Era o que faltava andarmos a dar de comer às faculdades de enfermagem que andam por aí ao pontapé em cada vão de escada.

    Nos países mais avançados em pré hospitalar estes técnicos podem fazer suporte avançado de vida mas em Portugal o doente bem pode morrer porque nem sequer se pode fazer desfribilhação automática.
    Vergonha.
    E porquê?
    Porque a ordem dos médicos (a mesma que tem um bastonário que recebe balúrdios como se soube pelos jornais) não deixa.
    No Canadá até existem aparelhos destes nos centros comerciais.
    O futuro exige a criação de uma carreira de paramédico e que os médicos e enfermeiros se limitem ao meio hospitalar.
    Qualquer socorrista da cruz vermelha ou dos bombeiros sabe mais de pré hospitalar que um médico e enfermeiro.
    Se não gostam paciência.
    Agora não venha o dr Morgado , que nunca trabalhou na rua, dizer que é mais capaz do que um TAE, porque não é.
    Falta de ética são as ameaças de greve nas urgências sempre que os governos dizem que vão fazer reformas na saúde.
    Lembram-se do controlo do tempo de trabalho?
    Caiu o Carmo e a Trindade.

    Deixo a pergunta se o dr Pedro sabe o o procedimento da RCP (sem consultar os livros).

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  4. Requisitos destes artistas:
    • Prestação de socorro pré-hospitalar na vertente não medicalizada;(qualquer português deveria ter estes conhecimentos)
    • Transporte de doentes urgentes/emergentes;(os bombeiros também sabem)
    • Condução de ambulâncias de emergência;(os bombeiros também sabem)
    • Colaboração activa com o socorro pré-hospitalar na vertente medicalizada;(ou seja não estorvar)
    • Registo da actividade exercida conforme normas em vigor;(preencher formuários)
    • Operação dos sistemas de informação e telecomunicações que equipam as ambulâncias de emergência;(boa!)
    • Colaboração na formação em emergência médica sempre que for solicitado; (servir de figurante?)
    • Cumprimento das normas de procedimento em vigor para as tripulações de ambulância de emergência e
    para a emergência médica pré-hospitalar em geral;(não faltava mais nada)
    • Tripulação de outras viaturas de emergência médica pré-hospitalar.(carros de chefes de serviço por exemplo).
    Criem assim novos empregos para os meninos que queriam ser médicos ou enfermeiros e acabaram banzados nestes pseudo-cursos e temos estes resultados.
    Não brinquem com os exemplos de outros países porque aí é a doer e o curso tem curriculum e duração. Nada desta pseudobrincadeira portuguesa.
    Gostava que se mostrassem abertos a uma auditoria independente (como está previsto) para ficarmos a saber tudo direitinho, desde a formação até às acções desempenhadas. Quantos foram a cursos internacionais e foram reconhecidos?
    Toninho Regadas

    PS: espero que desta vez me publique o bitaite já que me tem boicotado sistematicamente, mas como o tema lhe agrada...

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  5. o moço tem uma mundividência com a densidade do cotão que lhe preenche o umbigo. não percam tempo...

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  6. O estado não serve para dar emprego e se os enferemiros estão no desemprego que emigrem ou escolham outra profissão.,,
    Enfim,sem comentarios,alem de que vindo de uma fonte anonima .como convem..

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  7. Não sabia que o Pedro Morgado era médico.

    Também não sabia é que ele só agora descobriu que em Portugal também existe a emergência pré-hospitalar.

    Só descobriu agora, porque existem muitos milhões no INEM para pagar a quem lá trabalha.

    Onde estavam estes senhores, quando o INEM não tinha dinheiro para ninguém ???

    Nessa altura não se lembravam de todas estas questões ???

    Mais uma vez o dinheiro.

    Quanto às greves, é um direito que assiste a uma classe profissional tal e qual os médicos e os enfermeiros.

    Quanto aos Médicos, na realidade não precisam, porque tem na mão uma "arma" que é a mais miserável possível - o "numerus clausus" tão ao jeito desta classe, que obriga dezenas e dezenas de jovens a emigrar para se formarem em Medicina.

    Não os deixam estudar mas já os deixam trabalhar.

    Tenha vergonha.

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  8. No caso parece, mais uma vez, não são os doentes que estão em causa, mas a oportunidade para atingir objectivos.Afinal estamos perante realidades de Prifissionais, que embora competentes pensam primeiro e depois só em si mesmos.Pensava exigiam meios ou condições para TRANSPORTAR OS DOENTES! Engano meu só querem ser técnicos...enfim tal como muitos outros que só querem ser Srºs Doutores, seja QUAL FOR a sua habilitação, alguns com o 12º Ano ou 2º das Universidades!Isto é evolução no ensino e as carreiras...

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  9. Não misturem Ordens com Sindicatos...a propósito acham NORMAL, um Licenciado Em DIREITO, andar dois Ano e meio a trabalhar de borla e sujeito a fases de estágio que os reprovam fácilmente? Exemplo taxa de reprovação acima dos 50%? Digam lá se aqui vale a pena ser Drº? Mais pagam uma importância elevada, só para frequentar a Ordem!Portanto nada de misturas, Sindicatos, apesar de tudo é coisa bem mais preocupada com seus representados.

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  10. É um médico que diz isto.
    Perante isto o Pedro Morgado só tem de de reduzir à sua insignificância.



    As escolas deviam ter desfibrilhadores para que professores e outros funcionários, devidamente formados, actuem rapidamente em casos de paragens cardio-respiratórias, defendeu hoje o ex-director clínico do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

    Nelson Pereira falava à Lusa a propósito da publicação hoje em Diário da República de um decreto-lei que estabelece a utilização do Desfibrilhador Automático Externo (DAE) por pessoal não-médico devidamente formado.

    Estádios de futebol, centros comerciais e espaços de espectáculos são recintos que podem dispor deste equipamento e de equipas de técnicos para o operar, embora seja da responsabilidade de quem gere estes espaços a aquisição do equipamento.

    Com estas regras, aprovadas em Conselho de Ministros a 18 de Junho e que entram em vigor a 01 de Setembro, o Governo pretende aumentar o uso do DAE, tendo em conta que este aparelho só é útil se usado num tempo curto, nomeadamenteemm caso de paragem cardio-respiratória.

    O médico do INEM congratula-se com a publicação do decreto-lei, considerando tratar-se de um primeiro passo para que seja possível salvar vidas em espaços públicos como casinos, centros comerciais, hotéis, aeroportos e escolas.

    Porém, na opinião de Nelson Pereira, as escolas deviam ter este equipamento associado a um programa específico de formação de professores e auxiliares de acção educativa. "Faz todo o sentido que se venha a discutir a formação nas escolas", frisou.

    O ex-director clínico do INEM deu como exemplo positivo um programa que está a ser desenvolvido em secundárias nos Estados Unidos, que, segundo um estudo em 1710 escolas, aumentou a sobrevivência de sete para 64 por cento.

    De acordo com a investigação, a média de desfibrilhadores por escola ronda os 2,9 por cento e o seu uso em situações ocorridas quer com alunos que praticavam desporto quer com docentes, treinadores e funcionários, salvou vidas e evitou sequelas.

    "A esmagadora maioria das escolas está equipada com desfibrilhadores e um dos dados interessantes do estudo é que em 94 por cento das situações as pessoas que testemunharam paragens cardio-respiratórias iniciaram manobras de suporte de vida básico", disse, adiantando que este avanço só é possível com formação de raiz, dada a mais de metade dos funcionários.

    O diploma hoje publicado salienta que as doenças cardiovasculares representam "a principal causa de morte em Portugal", que a maioria dos casos de urgência ocorre fora dos hospitais e que a experiência internacional permite aferir que "a utilização de DAE em ambiente extra-hospitalar por pessoal não médico aumenta significativamente a probabilidade de sobrevivência das vítimas".

    O decreto-lei permite que equipas "devidamente treinadas" de não-médicos possam usar o equipamento, apesar de a supervisão médica continuar a ser "indispensável".

    A prática de actos de DAE, no âmbito da entidade licenciada, tem de ter um responsável médico e só pode ser feita por operacionais devidamente certificados para tal.

    Até agora, a utilização de DAE era feita exclusivamente por profissionais de saúde, nomeadamente do INEM, que está agora incumbido da aprovação de um Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa.

    É ao INEM que cabe também a formação dos técnicos e dos utilizadores não-médicos do desfibrilhador e "licenciar a utilização de desfibrilhadores", quer no âmbito do Sistema Integrado de Emergência Médica, quer "em locais de acesso público"

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  11. Lamento a falta de informação de alguns comentários. Os médicos e os enfermeiros não podem fazer greve às urgências. Não podem por força da Lei nem o fariam porque seria uma grave violação aos seus códigos deontológicos.

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  12. Caro Marco,

    Na minha opinião quando um país tem pessoas qualificadas e com a formação académica necessária a exercer determinada função, não deve investir na formação profissional de outros pessoas com menores qualificações.

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  13. Há serviços onde falar em Greve não faz sentido.Um Doente não pode estar dependente da disposição de qualquer sindicato...muito menos da vontade dum profissional pago pelos contribuintes.Assim existem leis e regras, mas nem seriam necessárias se o bom senso e responsabilidade do profissional fossem uma constante.Até aqui estará em causa o Profissionalismo de quem exerce uma tarefa de responsabilidade que tenha a ver com os cuidados a prestar aos doentes.Realmente nos últimos tempos só ameaça com GREVE quem tem emprego certo ou "assegurado".Há empregos em que falar em emprego é igual a desemprego no dia seguinte...e acreditem ganham bem pouco.

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  14. O sindicato independente dos médicos ameaçou fazer e fez grave no passado.
    Esta é a verdade.
    Não podem fazer nas urgências mas fazem às cirurgias e mesmo nas mais necessárias.
    Esta classe não pode falar em ética.
    O Pedro é médico e diga lá qual é a sua qualificação para fazer socorro na rua.
    Diga lá.
    Se quisesse tripular uma vmer teria que fazer um curso como todos os outros.

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  15. Anónimo disse:

    "Qualquer socorrista da cruz vermelha ou dos bombeiros sabe mais de pré hospitalar que um médico e enfermeiro.
    Se não gostam paciência."

    Lamento que desconheça a hierarquia da emergência hospitalar. Sabe que na emergência pré hospitalar existem equipas com competências em SAV, constituídas por elementos com formação específica: Com licenciaturas na àrea da saúde, em enfermagem e em medicina, e para além disso com formação dada pelo INEM com o curso VMER para médicos e VMER para enfermeiros.

    Quer o amigo "Anónimo" então dizer que um TAE tem formação com competências em emergência hospitalar superiores a uma equipa da VMER...

    Não podemos deixar que o desmesurado orgulho profissional leve à tentetiva de alienar os colegas de trabalho.

    Convem sempre nunca esquecer que quem faz pré-hospitalar tem única e exclusivamente a função de prestar os melhor cuidados possíveis ao paciente. A recusa de serviço de emergência é uma total corrupção da função do serviço, e a recusa de executar uma ordem de transporte de um paciente é na minha opinião incompatível com o exercício da profissão.

    Se querem protestar, protestem fora das horas de trabalho, elaborem um curriculo com a ajuda dos profissionais da saúde...

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  16. Cada macaco no seu galho...mas os Doentes não podem servir de arma de arremesso, daqueles bem instalados da vida, que acham podem fazer chantagem pondo os doentes como moeda de troca.SE não querem trabalhar estão no seu direito e a todo o momento devem ser substituídos, por quem queira trabalhar.Chega de haver técnicos de qualquer coisa...formem gente para prestar serviços e dar dignidade ás tarefas tendo por fim, os objectivos que são razões de ser das profissões.Os doentes nunca podem estar à mercê dos interesses dos Profissionais de Saúde, seja qual for o lugar que ocupem.

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