Dos Genéricos | 2

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«A ministra da Saúde não aceita que as farmácias não respeitem a prescrição do médico. E promete fazer cumprir a lei, que já dispõe de mecanismos de penalização. Mas a Associação Nacional de Farmácias continua a dizer-se tranquila.» [JN]

Como é mais do que óbvio, a alteração das receitas médicas por farmacêuticos constitui-se como um precedente muito grave e ilegal que contamina em definitivo o Serviço Nacional de Saúde. A relação médico-doente tem características especiais que garantem ao doente que o único interesse do médico quando faz uma proposta terapêutica deva ser o interesse, percebido ou não, do doente.

A própria Ordem dos Farmacêuticos está contra a medida da Associação Nacional de Farmácias que, recorde-se, é uma espécie de holding que reúne os negócios de 97% das farmácias do país. Alguém acredita que um negociante propõe ao cliente um produto só para garantir que o cliente pague menos?

A imprensa não está a dar a este assunto um destaque concordante com a gravidade do mesmo, mas seria interessante que se questionasse a ANF sobre os interesses que as farmácias têm na indústria de genéricos e sobre as margens de lucro nos genéricos versus medicamentos de marca.

8 comentários:

  1. Não compreendo isto muito bem. Podes explicar porque é que, tratando-se da "mesma substância activa, dose e forma farmacêutica prescrita", conforme a ANF diz, há uma alteração considerável da decisão do médico? Estamos a falar dos princípios não activos?

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  2. trabalhei muitos anos na conferência de facturas de farmacia.

    uma coisa asseguro:

    cada uma das receitas aviadas com genéricos sem consentimento do médico volta para a farmácia e não é paga.

    depois a ANF faz queixinha que a ConFact trabalha com excesso de zelo... posteriormente manda outra vez as receitas. voltam a ir para trás por já terem ultrapassado a data.

    ou seja, se as farmácias aviarem genéricos sem autorização do médico, não recebem comparticipação do estado. para continuarem a fazer isso, das duas uma: ou são gente burra, a ver se passa, ou o dinheiro entra por outro lado...

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  3. ...dois pesos e duas medidas! Quando surgiram os genéricos em Portugal esses senhores das farmácia e o Cordeiro que as representa eram completamente contra pois iriam perder talvez um bom volume de negócio! Hoje já produzem genéricos e agora querem é vender genéricos... um já outro volume de negócio! Eu confio nos médicos em Portugal. Confio no que eles me receitam porque tenho a certeza que fazem o melhor para o doente! Se receitam genérico é porque acham que o genérico é igual se não receitam é porque não acham e ponto final! Um dia enveredamos por um caminho que qualquer um pode se auto receitar! Às farmácias o que é das farmácias , ao enfermeiros o que é dos enfermeiros e aos médicos o que é dos médicos!

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  4. Aos médicos devem ter a responsabilidade sim de prescrever um princípio activo para resolver o problema do doente. Agora quanta á marca de principio deve ficar na sensibilidade de quem o compra! Os medicamentos genéricos tem a mesma fórmula química e princípio activo dos restante… simplesmente não paga congresso e outra coisas aos médicos para os receitar tendo assim menores custos de marketing podendo fazer preços mais baratos!

    Os que está a ser verdadeiramente discutido é a perda do monopólio das prescrições de marcas por parte dos médicos perdendo assim “algumas” regalias! Estes senhores (as) têm que aprender a ser funcionários eficientes simplesmente cumprindo a sua função!

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  5. Zé Pedro,
    Apesar dos medicamentos terem o mesmo princípio activo, a verdade é que a lei admite que biodisponibilidade não seja idêntica. Isto é, apesar de dares o mesmo princípio activo não garantes que ele vai estar no sangue em concentrações iguais e durante o mesmo período de tempo.

    Claro que isto depende da qualidade da empresa que o produz. Se há empresas de genéricos tão boas como as de medicamentos originais, a verdade é que há outras que não inspiram confiança. Se querem que os médicos se responsabilizem pelas suas prescrições, não podemos admitir que elas sejam alteradas.

    Por outro lado, aqui está em causa muito mais do que isso. Os farmacêuticos têm interesses em determinadas marcas e ganham margens mais elevadas ao disponibilizar determinados medicamentos. Como tal, a prescrição não pode estar nas mãos deles sob pena de se hipotecar o interesse do doente.

    Na prática clínica já encontrei alguns doentes cujo efeito de um medicamento genérico não é sobreponível a um medicamento de outra marca.

    Ao médico compete prescrever o melhor fármaco ao menos preço possível. Estou certo que a esmagadora maioria dos médicos actua no interesse dos doentes e faz uma prescrição criteriosa.

    Abraço,
    PM

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  6. Caro Pedro:
    Para o prescritor, todo o medicamento com a mesma formulação, tem que ser igual em termos de eficácia e de efeitos secundários.
    É importante que o senhor saiba que medicamento e constituído pelo produto técnico (substância activa + resíduos de fabrico) mais os adjuvantes (normalmente cargas e inertes), que têm como finalidade, diminuir a toxidade, aumentar a eficácia e minimizar possíveis efeitos scundários, facilitar a sua administração, etc, etc, como o senhor deve saber.

    - Vocês médicos, na universidade estudaram grupos químicos, substâncias activas e não marcas comerciais.
    - Eticamente, quando pensam em prescrever um produto, baseiam-se (ou pelo menos deviam) em substâncias activas e não em marcas. Só depois é que decidem (pelo menos deviam) qual a marca comercial.
    - Um produto de marca e o respectivo genérico, com a mesma composição e a mesma formulação têm que ser forçosamente iguais. Se não o são, é porque o organismo responsável pela homologação de medicamentos o permite e aí vocês têm toda a razão.
    - Se na realidade dois produtos que deverim ser iguais e na prática são diferentes, algo de mal e de grave se passa neste país.
    Qual é a entidade responsável pela homologação de medicamentos em Portugal?
    Essa entidade não analisa tais medicamentos genéricos para ver se de facto são iguais aos de marca? ou confia nos estudos apresentados pelos interessados?

    Qual a possibilidade de em Portugal estarem a ser comercializados genéricos de genéricos? é isto que me preocupa.
    Abraço

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  7. «Claro que isto depende da qualidade da empresa que o produz. Se há empresas de genéricos tão boas como as de medicamentos originais, a verdade é que há outras que não inspiram confiança.»

    Quanto a esta frase devo acrescentar que não diz nada... até porque a maioria dos laboratórios de genéricos que existem nas farmácias portuguesas não produzem... compram a outros que têm fábrica... e esses contam-se com os dedos de uma mão... consequência: são quase todos fabricados na mesma linha de produção, com o mesmo processo e só muda a cartonagem e a impressão no blister.

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  8. É claro que a indignação da ordem dos médicos não poderá nunca ter a ver com os lobbies de determinadas farmacêuticas produtoras dos medicamentos de marca.

    Ou talvez não.

    Ah, hipocrisia...

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