Que Prioridades Políticas?

| Partilhar
Na semana passada o Rui Dória mostrou-se bastante chocado com as minhas afirmações acerca dos interesses (ou falta deles) e da morosidade das decisões e execuções na política bracarense.

Falemos então, de prioridades políticas. Parece-me indiscutível que, para um governo local que está no poder há cerca de 30 anos, um investimento como o do Estádio constitui um marco assinalável. Não só pela magnitude da obra, mas sobretudo pela celeridade de decisão e execução e pelo montante que prontamente se disponibilizou. Cerca de 100 milhões de Euros, um ou mesmo o mais caro dos estádios do Euro 2004, na sua maioria (talvez 80-90%?) da exclusiva responsabilidade da CMB. Será assim, necessariamente, um termo de comparação para com os demais (des)investimentos e (não) tomadas de decisões.

Um dos exemplos dados pelo Rui Dória trata-se do o Museu D. Diogo de Sousa, que, passando por vários estados, esteve em construção desde 1980 até 2007. Se é verdade que a responsabilidade não seria exclusiva da CMB, como também não é no caso do novo Hospital, não deixa de ser verdade que às CM cabe um papel de pressão política.

Se, por outro lado, esse capital político se revela inexistente ou insuficiente e se há assim tanto dinheiro para construir um estádio que até é mais um monumento do que um estádio, facilmente se conclui que este capital político será suprível pela pura determinação e que o dinheiro pode não ser um entrave definitivo. O exemplo do Estádio demonstra igualmente que, se se quiser, a probabilidade de uma obra se revelar um elefante branco não é um grave problema político, pois a reeleição até é possível. Elefante branco por elefante branco, qual é o critério?

Deste modo, o que conduz uma CM a prefrir o investimento de 100 milhões de euros numa infraestrutura que praticamente não explora nem da qual vai alguma vez retirar lucros que lhe permitam abater os empréstimos? Porque é preferível investir 100 milhões, na prática, num clube e não fazer semelhante "doação" a um outro, quando até se andou uma década a construir pavilhões por todo o concelho?

O que conduz uma CM a não fazer um investimento semelhante para acelerar a construção de um Hospital, de que já se fala desde 2000 ou 2001? Curiosamente, altura em que se discutia a localização do Tribunal da Relação, que veio a ser de Guimarães - cuja CM não teve problemas em comparticipar algo generosamente. O que leva ao arrastamento por dez anos, da reconstrução do único centro de espetáculos decente que Braga tinha? Como é que ao fim de 30 anos finalmente se percebe que uma cidade a 15 minutos de Braga investiu na cultura e se vê premiada com a escolha para Capital Europeia da Cultura? Tanto o Tribunal como a área da Cultura são dois exemplos de oportunidades bem aproveitadas por Guimarães mas que, com um regular zelo, Braga não teria "perdido".

Igualmente, não se deslumbra por que se relega para a gaveta a revitalização do principal parque da cidade, ou por que não se reservaram espaços para a construção de praças e espaços verdes nas novas zonas habitacionais da década de 90 - o custo de eventuais expropriações não será o problema.

Então, quanto a este caso da extensão do túnel, qual é a razão por que não se decide por uma preservação proveitosa, qualquer que ela seja e por que não se demonstra semelhante disponibilidade financeira para a executar? Como estes, tantos outros exemplos poderão ser dados e prioridades inquiridas, dentro ou fora da arqueologia.

Parece-me evidente que existem processos de decisão ou de execução inexplicavelmente morosos ou simplesmente inexistentes - ou, nalguns casos uma impotência política, face ao governo nacional, quer seja PS ou PSD. Sinceramente, não compreendo o choque do Rui Dória. Se achava que o que afirmei era um problema de arqueologia, pois é evidente que não; é um problema bem transversal. Em qualquer aŕea, "estranharia" na mesma.

7 comentários:

  1. Apesar da pertinência de algumas críticas...o senhor está a esquecer-se de que quem marca a 'agenda' é quem manda e quem estabelece prioridades é quem decide. Tudo está sujeito a crítica, porque os calendários e as prioridades mudam conforme as pessoas e os interesses em presença. Interesses da cidade, acrescente-se. Dos cidadãos.

    ResponderEliminar
  2. Isto já parece uma novela ao estilo da TVI. Confirmem em
    http://avenidacentral.blogspot.com/2009/03/ate-se-estranha.html

    ResponderEliminar
  3. Lamentável é ter a sensação de que isto não é (foi) passado. Se hoje uma empresa de base tecnológica se pretender instalar por aqui ou, pior ainda, incubar numa qualquer Ideia Atlântico do Concelho, o caminho depois continua a ser Guimarães. Braga, um estádio para estudantes de arquitectura e capital do saia e casaco.

    ResponderEliminar
  4. «Tudo está sujeito a crítica, porque os calendários e as prioridades mudam conforme as pessoas e os interesses em presença. Interesses da cidade, acrescente-se. Dos cidadãos.»

    Certamente que sim. Particularmente quanto a este mandato que se finaliza este ano, revisite o que o PS prometeu na campanha e verifique o que foi concretizado.

    Digno de registo é a requalificação do Rio Este que, ao fim de 4 anos, ainda está em discussão (o estudo de impacte ambiental está em discussão até hoje, curiosamente). Foi uma bandeira de campanha e o estudo até recomenda fortemente essa requalificação. Segundo o JN, custará 2.5 milhões de euros.

    http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Braga&Concelho=Braga&Option=Interior&content_id=1169336

    Assim, tem um exemplo de uma obra que foi colocada na agenda política como bandeira de campanha e da qual os cidadãos tinham uma expectativa de que se viesse a concretizar bem antes do final do mandato, tal o ênfase que lhe foi dado.

    No contexto que falei, certamente que teria sido possível acelerar bastante todo o processo.

    ResponderEliminar
  5. Revitalização Rio Este: Prometida há tantos anos que não me lembro. Já não era sem tempo...
    Revitalização Zona dos Galos: Prometida há mais de 30 anos e ainda é a desgraça que se conhece.(E ainda estou para saber o que vão fazer às descargas multicores e multiaromas que se fazem sentir desde o Parque da Rodovia até à Zona dos Galos.)
    Promessa de parques de diversões: Pois, toda a gente queria investir e de repente não há nada. Claro que não nos podemos esquecer da promessa de que "enquanto fosse presidente, ninguém construíria na Bracalândia"...
    Eu de promessas de obras estou farto, só queria que me prometessem uma coisa: que deixassem de ser idiotas! Onde já se viu substituir um equipamento como a bracalândia por outro? Não faz sentido nenhum!!! Arranjassem alternativas!!!
    Mas a política é quem mais ordena!!

    Voltando à revitalização, poderão dizer "mais vale tarde que nunca", pois mas para fazer arder milhões na porra dum estádio que é uma sanguessuga de dinheiro ou em campos sintéticos, até se esfolam para estar tudo pronto a tempo de meter o papelinho na urna. Falta saber quem vai pagar isto nos próximos 30 anos...

    ResponderEliminar
  6. O último que feche a porta

    ResponderEliminar
  7. Sabe porque só agora avançou? Consulte... Informe-se...

    Era tão bonito se emitir opiniões fosse feito de forma responsável e cuidada... seria mais democracia participativa, isso sim!

    ResponderEliminar

Antes de comentar leia sobre a nossa Política de Comentários.

"Mi vida en tus manos", um filme de Nuno Beato

Pesquisar no Avenida Central




Subscreva os Nossos Conteúdos
por Correio Electrónico


Contadores