A Europa Aqui Tão Longe

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European Union Brussels VII
© Berni Beudel

Do ponto de vista geográfico e social, Portugal é um país ultra-periférico em que os princípios basilares da Europa unida, agora à breve distância do low-cost, continuam por assimilar por um número muito significativo de portugueses. É impressionante notar que no cérebro de demasiados compatriotas, a Europa ainda se reduz a um atacado de subsídios e comparticipações financeiras.

Neste contexto social, ainda que nos repitam o contrário umas dez mil vezes seguidas, poucos duvidam de que as Europeias serão o parente pobre deste eleitoralmente farto ano de 2009. Recordo que há cinco anos, o PS converteu as Eleições Europeias num plebiscito ao Governo de direita, apelando a um «cartão amarelo» que acumulava para o vermelho presidencial que havia de chegar uns meses depois. Desta vez, o Partido Socialista apresenta um candidato cuja valia intelectual e europeísmo militante, para além de indiscutíveis e insuspeitos, se constituem como uma impressionante mais valia para (re)centrar o debate nos temas europeus.

Para além das qualidades académicas, Vital Moreira é uma personalidade cujo percurso político mais recente está à margem das lógicas de funcionamento dos aparelhos partidários, sendo mesmo um elemento que contraria essas lógicas e que, como tal, se apresenta como uma expressão genuína da intervenção desinteressada da sociedade civil na política activa. Os partidos são tradicionalmente alérgicos a estes políticos freelancer pelo que esta candidatura não pode deixar de ser saudada muito positivamente.

Também o Bloco de Esquerda, partido mais habituado a recrutar quadros independentes, anunciou as suas apostas europeias. Para além do expectável Miguel Portas, surge Marisa Matos na segunda posição e, mais surpreendentemente, Rui Tavares em terceiro lugar. Pelas suas qualidades intelectuais e de comunicação, o historiador Rui Tavares muito contribuirá para elevar a qualidade do debate político.

Perante este cenário, a tarefa dos partidos de direita não se afigura nada fácil. Nos últimos dias, alguns social democratas sugeriram a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa para encabeçar a lista do PSD. A confirmar-se esta escolha altamente improvável, Manuela Ferreira Leite ficaria mais perto de alcançar um bom resultado na sondagem de Junho já que o Professor seria, inegavelmente, a melhor das escolhas possíveis à direita. Seja qual for a escolha, só esperemos que a Presidente do PSD não se aconselhe com Pacheco Pereira, tamanho o volume de europeus dislates dos últimos dias.

[editado em 6 de Março de 2009]

6 comentários:

  1. Vital Moreira, constitucionalista, brilhante professor de Direito da faculdade de Direito de Coimbra, sem dúvida.

    Como político?????hummmm...

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  2. Porquê Marcelo? Que posições europeias lhe são essas que o tornam mais bem preparado? São elas mais autorizadas que as de Pacheco Pereira (só por este não ser um euro-cego)? Porquê dislates se quem promoveu esta espontânea petição é manifesto apoiante de PPC e uma tal sugestão vinda do nada só poderia prejudicar a líder do PSD, condicionando a sua legítima margem de decisão? E petição de quem? Dos militantes a quem se reconhecem direitos intrínsecos nas escolhas do partido, ou a a qualquer pessoa, socialista, comunista, etc., a quem convém a desgraça alheia? Por alguma coisa os partidos têm questões internas e regras para as resolver.

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  3. Pedro, não sei onde estão os disparates na análise que Pacheco Pereira fez da tal petição. Pelo contrário, tem toda a razão na leitura que faz...

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  4. Boa noite!

    Caro amigo, não será talvez útil recorreres novamente aos teus "contactos internacionais" e de algum modo caracterizar mais junto da verdade a profissão do Rui Tavares?

    Um abraço, um abraço

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  5. Vital Moreira: ex(?)-estalinista naturalmente eivado de tiques totalitaristas. Sem dúvida, uma boa aposta política para um povinho ignorante que sente prazer em ser espezinhado.

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