Do Referendo [2]

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Caro António de Almeida, concordo que o afastamento entre eleitos e eleitores é altamente preocupante, viciando de forma determinante a qualidade da nossa democracia. No entanto, convém lembrar que esse divórcio, sem culpa, se fundeia nos recantos mais profundos da idiossincrasia do povo português e que para o conhecer e explicar talvez tivéssemos que ir aos tempos em que noutras terras se começou a ler e a interpretar a Bíblia enquanto que aqui se ía acreditando no que outros liam e interpretavam.

Não sou, por princípio, avesso aos referendos. Contudo, não tenho outro remédio senão sê-lo em Portugal dado o desapego dos cidadãos à cidadania. Nesta matéria subscrevo António Amaro das Neves quando diz que «o que o país necessita é de cidadãos participantes

1 comentário:

  1. -Pior que o afastamento entre eleitos e eleitores, é quando chegamos ao divórcio, repare, se um partido coloca no seu programa a questão que começámos a debater, o casamento homossexual, eu que tenho posição, votarei ou não nesse partido, aceitando o resultado democraticamente, existem vitórias e derrotas. Mas se o partido que elege a maioria dos deputados no meu círculo, "oferecer" liberdade de consciência aos deputados, não estarão estes a faltar ao compromisso com os seus eleitores, votando de forma divergente com o seu programa? Precisamente o programa que lhes garantiu a eleição! É nessa perspectiva que defendo o referendo, mas prefiro a criação de circulos uninominais, onde os deputados são escrutinados mais de perto pelos eleitores, e aí o referendo passará a ser dispensável, salvo matérias de gravidade excepcional. Atente no caso de Lisboa, 59 deputados, mais de metade dos eleitos por PS e PSD já foram substituidos, acha razoável que aquela gente que se senta na última fila, obedecendo ás instruções do Largo do Rato ou da Rua de Buenos Aires, receba um cheque em branco? O problema a meu ver é mesmo a falta de vontade em reformar o sistema político, porque circulos uninominais conferem uma legítimidade eleitoral aos deputados, e um grau de independência que não interessam aos directórios partidários, que nos acenam com os perigos de cairmos no populismo demagogo. Claro que tal tentação será real, mas meia dúzia de deputados em 230, não colocarão nada em causa, e o país sairia a ganhar, julgo eu.

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